“As plantas têm neurônios, são seres inteligentes”

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Graças aos nossos amigos do Redes, o programa de Eduard Punset, pesquisadores incansáveis de diversas áreas do conhecimento científico buscam ampliar os limites do saber. Dentre esses que se questionam sobre quem somos e qual papel desempenhamos nesta sopa de universos, descobrimos Mancuso, que nos explica que as plantas, vistas pela câmera rápida, se comportam como se tivessem cérebro: elas têm neurônios, se comunicam mediante sinais químicos, tomam decisões, são altruístas e manipuladoras.

Há cinco anos era impossível falar de comportamento das plantas, hoje já podemos começar a pensar em falar sobre sua inteligência… Pode ser que logo comecemos a falar de seus sentimentos. Mancuso estará no Redes no próximo dia 02. Não percam.

A entrevista é publicada pelo jornal La Vanguardia, 29-12-2010. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Quais são as novidades?

As plantas são organismos inteligentes, mas que se movem e tomam decisões em um tempo mais longo que o homem.

Você já suspeitava.

Hoje sabemos que elas têm famílias e parentes e que reconhecem sua proximidade. Comportam-se de maneira totalmente diferente se ao seu lado há parentes ou estranhos. Se forem parentes não competem: através das raízes, dividem o território de maneira equitativa.

Uma árvore pode voluntariamente mandar seiva a uma pequena planta?

Sim. As plantas necessitam de luz para viver, e para que uma semente chegue até a luz são necessários muitos anos; enquanto isso, são nutridas por árvores de sua mesma espécie.

Curioso.

Os cuidados parentais só ocorrem em animais muito evoluídos e é incrível que existam entre as plantas.

Então, elas se comunicam.

Sim, em uma selva todas as plantas estão em comunicação subterrânea através das raízes. E também fabricam moléculas voláteis que avisam as plantas distantes sobre o que está acontecendo.

Por exemplo?

Quando uma planta é atacada por um agente patogênico, imediatamente produz moléculas voláteis que podem viajar quilômetros e que avisam a todas as outras para que preparem suas defesas.

Quais defesas?

Produzem moléculas químicas que se tornam indigestas e podem ser muito agressivas. Há dez anos, em Botsuana introduziram em um grande parque 200 mil antílopes, que começaram a comer as acácias com intensidade. Após poucas semanas muitos morreram e ao final de seis meses morreram mais de 10 mil, e não sabia-se o porquê. Hoje sabemos que foram as plantas.

Uma grande predação.

Sim, e as plantas aumentaram a tal ponto a concentração de taninos em suas folhas, que se tornaram um veneno.

As plantas também tem empatia com outros seres?

É difícil dizer, mas uma coisa é certa: as plantas podem manipular os animais. Durante a polinização produzem néctar e outras substâncias para atrair os insetos. As orquídeas produzem flores que são muito parecidas com as fêmeas de alguns insetos, que, enganados, vão até elas. E há quem afirme que até o ser humano é manipulado pelas plantas.

Como assim?

Todas as drogas que o homem usa (café, tabaco, ópio, marijuana…) derivam das plantas, mas por que as plantas produzem uma substância que torna os humanos dependentes? Porque assim as propagamos. As plantas utilizam o homem como transporte. Há pesquisas sobre isso.

Incrível.

Caso amanhã as plantas do planeta desaparecessem, em um mês toda a vida se extinguiria, visto que não haveria nem comida, nem oxigênio. Todo o oxigênio que respiramos vem delas. Mas se nós desaparecêssemos, nada iria ocorrer. Somos dependentes das plantas, mas as plantas não são de nós. Quem é dependente está em uma situação inferior, ou não?

As plantas são muito mais sensíveis. Quando algo muda no ambiente, como elas não podem escapar, devem ser capazes de sentir com muita antecedência qualquer mínima mudança para se adaptarem.

E como percebem?

Cada ponta da raiz é capaz de perceber simultaneamente pelo menos quinze parâmetros físicos e químicos diferentes ( como temperatura, luz, gravidade, presença de nutrientes, oxigênio).

É sua grande descoberta, e é sua.

Em cada ponta das raízes existem células similares aos nossos neurônios e sua função é a mesma: comunicar os sinais mediante impulsos elétricos, igual ao nosso cérebro. Em uma planta pode haver milhões de pontas de raízes, cada uma com sua pequena comunidade celular; e trabalham em rede como a internet.

Encontrou o cérebro vegetal.

Sim, sua zona de cálculo. A questão é como medir sua inteligência. Mas de uma coisa estamos certos: são muito inteligentes, seu poder de resolver problemas de adaptação é grande. Hoje 99,6% de tudo o que está vivo sobre o planeta são plantas.

… E só conhecemos 10% delas.

E nessa porcentagem temos todo nossa alimentação e os remédios. O que os 90% restantes fazem?… Diariamente, centenas de espécies de vegetais desconhecidas se extinguem. Talvez possuam a capacidade de uma cura importante, nunca o saberemos. Devemos proteger as plantas pela nossa sobrevivência.

O que sobre as plantas o emociona?

Alguns comportamentos são muito emocionantes. Todas as plantas dormem, acordam, buscam a luz com suas folhas; tem uma atividade similar a dos animais. Filmei o crescimento de alguns girassóis, e se vê de maneira muito clara como brincam entre eles.

Brincam?

Sim, estabelecem o comportamento típico da brincadeira que se vê em tantos animais. Pegamos uma dessas pequenas plantas e a fizemos crescer sozinha. Quando adulta, ela tinha problemas de comportamento: custava-lhe girar em busca do sol, faltava a ela a aprendizagem obtida através do jogo. Ver estas coisas é emocionante.

Fonte: [ IHU ]

Para quebrar o mito da “ineficiência camponesa”

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Novos estudos afirmam avanço da agroecologia e indicam: para alimentar planeta, não são necessários nem agrotóxicos, nem monoculturas, nem transgênicos

Por Esther Vivas

Calcula-se que a população mundial, em 2050, chegará aos 9,6 bilhões de habitantes, segundo um relatório das Nações Unidas. O que significa 2,4 bilhões a mais de bocas para alimentar. Diante destes números, existe um discurso oficial que afirma que para dar de comer para tantas pessoas é imprescindível produzir mais. No entanto, é necessário nos perguntarmos: Hoje, falta comida? Cultiva-se o bastante para toda a humanidade?

Atualmente, no mundo, “são produzidos alimentos suficientes para dar de comer para até 12 bilhões de pessoas, segundo dados da FAO”, afirmava Jean Ziegler, relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, entre os anos 2000 e 2008. E recordemos que o planeta é habitado por 7 bilhões. Sem contar que todo dia é jogada 1,3 bilhão de tonelada de comida, em escala mundial, um terço do total que se produz, conforme um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Segundo estes dados, comida não falta.

Os números demonstram que o problema da fome não é por causa da escassez de alimentos, apesar de alguns se empenharem em afirmar totalmente o contrário. O próprio Jean Ziegler dizia: “As causas da fome são provocadas pelo homem. Trata-se de um problema de acesso, não de superpopulação”. Em definitivo, é uma questão de falta de democracia nas políticas agrícolas e alimentar. De fato, na atualidade, estima-se que quase uma em cada oito pessoas no mundo passa fome, de acordo com os dados da FAO. A aberração da fome atual é que ocorre em um planeta da abundância de comida.

Então, por que há fome? Por que muitas pessoas não podem pagar o preço cada dia mais caro dos alimentos, seja aqui ou em países do Sul. Os alimentos se tornaram uma mercadoria e se você não pode pagar por ela, preferem jogar a dar para comer. Do mesmo modo, os cereais não são produzidos apenas para alimentar as pessoas, mas também os carros, como os agrocombustíveis, e os animais, criação que necessita de muito mais energia e de recursos naturais do que se, com esses cereais, a pessoas forem alimentadas diretamente. Produz-se comida, mas uma grande quantidade dela não vai para o nosso estômago. O sistema de produção, distribuição e consumo de alimentos está organizado unicamente para dar dinheiro para aquelas empresas do agronegócio, que monopolizam do início ao fim a cadeia agroalimentar. Eis, aqui, a causa da fome.

Por conseguinte, por que alguns continuam insistindo em que é preciso produzir mais? Por que nos dizem que é preciso uma agricultura industrial, intensiva e transgênica que nos permita alimentar o conjunto da população? Querem nos fazer acreditar que as causas da fome serão a solução, mas isto é falso. Mais agricultura industrial, mais agricultura transgênica, como já se demonstrou, significam mais fome. Existe muita coisa em jogo, quando falamos de comida. As grandes empresas do setor sabem muito bem disso. Daí que o discurso hegemônico, dominante, diz-nos que elas têm a solução para a fome mundial, quando na realidade são aquelas, com suas políticas, que a provocam.

Outro paradigma agroalimentar

Diante do que vimos, o que podemos fazer? Quais alternativas há? Se todos nós queremos comer e comer bem, é necessário apostar por outro modelo de alimentação e agricultura. Antes, afirmávamos que agora há comida suficiente para todos. Isto é assim, com uma dieta diferente, com muito menos consumo de carne do que a dieta ocidental atual.

Nossa “adição” à carne faz com que precisemos de muito mais água, cereais e energia para produzir comida, para engordar o gado, do que se nossa dieta fosse mais vegetariana. Calcula-se, segundo o Atlas da Carne, que 1/3 das terras de cultivo e 40% da produção de cereais no mundo são destinadas para alimentá-los. Tornar compatível a vida humana com os limites e recursos finitos do planeta terra também passa pelo questionamento do que comemos.

Além disso, outro tema se apresenta, caso se proponha prescindir de uma produção de alimentos industrial, intensiva, transgênica, que alternativa temos? A agricultura camponesa e ecológica pode alimentar o mundo? Cada vez são mais as vozes que dizem “sim”.

Uma das mais reconhecidas é a de Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, entre os anos 2008 e 2014, que afirmava em seu relatório, “A agroecologia e o direito à alimentação”, apresentado em março de 2011, que “os pequenos agricultores poderiam duplicar a produção de alimentos em uma década, caso utilizassem métodos produtivos ecológicos” e acrescenta: “faz-se imperioso adotar a agroecologia para colocar fim à crise alimentar e ajudar a enfrentar os desafios relacionados com a pobreza e a mudança climática”.

Segundo De Schutter, a agricultura camponesa e ecológica é mais produtiva e eficiente e garante melhor a segurança alimentar das pessoas do que a agricultura industrial:

“A evidência científica demonstra que a agroecologia supera o uso dos fertilizantes químicos no fomento da produção de alimentos, sobretudo nos entornos desfavoráveis onde vivem os mais pobres”. O relatório “A agroecologia e o direito à alimentação”, a partir da sistematização de dados de vários estudos de campo, deixava claro: “Em diversas regiões, desenvolveram-se e foi provado com excelentes resultados técnicas muito variadas, baseadas na perspectiva agroecológica. (…) Tais técnicas, que conservam recursos e utilizam poucos insumos externos, tem um potencial comprovado para melhorar significativamente os rendimentos”.

Um dos principais estudos, dirigido por Jules Pretty, e citado neste relatório da ONU, analisava o impacto da agricultura sustentável, ecológica e camponesa em 286 projetos de 57 países pobres, em um total de 37 milhões de hectares (3% da superfície cultivada em países em desenvolvimento), e suas conclusões não deixam dúvidas: a produtividade destas terras, graças à agroecologia, aumentou em 79% e a produção média de alimentos cresceu em 1,7 toneladas anuais (até 73%). Posteriormente, a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tomaram de novo estes dados para analisar o impacto da agricultura ecológica e camponesa, especificamente nos países africanos. Os resultados ainda foram melhores: o aumento médio das colheitas nos projetos na África foi de 116% e na África Oriental de 128%. Outros estudos científicos, citados no relatório “A agroecologia e o direito à alimentação”, chegavam às mesmas conclusões.

Além disso, a agricultura ecológica e camponesa não apenas é altamente produtiva, inclusive mais do que a agricultura industrial, especialmente nos países empobrecidos, mas, como afirmavam os estudos anteriormente citados, também cuida dos ecossistemas, permite “conter e inverter a tendência na perda de espécies e a erosão genética” e aumenta a resiliência à mudança climática. Como também dá maior autonomia ao campesinato. “Ao melhorar a fertilidade da produção agrícola, a agroecologia reduz a dependência dos agricultores dos insumos externos e das subvenções estatais”.

Mais apoios

Outro importante relatório que aponta nesta direção são as conclusões a que chegou um dos principais processos intergovernamentais realizados para avaliar a eficácia das políticas agrícolas: a Avaliação Internacional do papel do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia em Desenvolvimento Agrícola (IAASTD, em suas siglas em inglês). Uma iniciativa estimulada, em um primeiro momento, pelo Banco Mundial e a FAO, e que contou com o seu patrocínio e de outras organizações internacionais como o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (FMAM), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o PNUMA, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O objetivo desse processo era avaliar o papel do conhecimento, a ciência e a tecnologia agrícola na redução da fome e da pobreza no mundo, a melhora dos meios de subsistência nas zonas rurais e a promoção de um desenvolvimento ambiental, social e econômica sustentável. A avaliação, realizada entre os anos 2005 e 2007, contou com uma direção integrada por representantes de governos, ONGs, grupos de produtores e consumidores, entidades privadas e organizações internacionais, com um claro equilíbrio geográfico, com a participação de 400 especialistas mundiais para realizarem este estudo, que incluía uma avaliação mundial e cinco de regionais.

Suas conclusões marcaram um ponto de inflexão, já que pela primeira vez um processo intergovernamental destas características, e patrocinado por estas instituições, realizava uma aposta clara e firme na agricultura ecológica e destacava sua alta produtividade. Em concreto, o relatório afirmava que “o aumento e o fortalecimento dos conhecimentos, a ciência e a tecnologia agrícola, orientados para as ciências agroecológicas, contribuirão para resolver questões ambientais, ao mesmo tempo em que mantém e aumenta a produtividade”.

Desse modo, considerava que a agricultura ecológica era uma alternativa real e viável à agricultura industrial, que garantia melhor a segurança alimentar das pessoas e que era capaz de reverter o negativo impacto ambiental desta última. O relatório dizia: “A pegada ecológica da agricultura industrial já é muito grande para ignorá-la (…). As políticas que promovem uma adoção mais rápida de soluções de eficácia (…) para a mitigação e a adaptação à mudança climática podem contribuir para frear ou inverter esta tendência e, ao mesmo tempo, manter uma adequada produção de alimentos. As políticas que promovem práticas agrícolas sustentáveis (…) estimulam uma maior inovação tecnológica, como a agroecologia e a agricultura orgânica, para aliviar a pobreza e melhorar a segurança alimentar”.

Os resultados da IAASTD consideravam, igualmente, a agricultura industrial e intensiva como geradora de “desigualdades”, acusavam-na pelo “manejo insustentável do solo ou da água” e de práticas baseadas na “exploração trabalhista”. A avaliação concluía que “as variedades de cultivos de alto rendimento, os produtos agroquímicos e a mecanização beneficiaram principalmente aos grupos dotados de maiores recursos da sociedade e corporações transnacionais, e não aos mais vulneráveis”. Algumas afirmações inéditas, até o momento, no panorama internacional, por parte de instituições e governos.

Este relatório, com estas conclusões, foi aprovado pelas autoridades de 58 países em uma assembleia plenária intergovernamental, em abril de 2008, em Johanesburgo, em que mostraram acordo e avaliaram os resultados. Os Estados Unidos, Canadá e Austrália, como não é surpresa para ninguém, negaram-se a subscrever esta avaliação e mostraram reservas e desconformidades à totalidade.

Conclusão

Os relatórios de Olivier de Schutter, relator especial das Nações Unidas para o direito à alimentação, e da IAASTD destacam, sem ambiguidades, a alta capacidade produtiva da agricultura camponesa e ecológica, igual ou superior, dependendo do contexto, à agricultura industrial. Ao mesmo tempo, consideram que esta permite um maior acesso aos alimentos, por parte das pessoas, ao apostar em uma produção e uma comercialização local. Além disso, com suas práticas respeita, conserva e mantém a natureza. O “mantra” de que a agricultura industrial é a mais produtiva e de que é a única que pode dar de comer à humanidade demonstra-se, com base nestes estudos, totalmente falso.

Na realidade, a agricultura camponesa e ecológica não só pode alimentar o mundo, como também é a única capaz de fazer isso. Não se trata de um retorno romântico ao passado, nem de uma ideia bucólica do campo, mas, sim, de fazer confluir os métodos campesinos de ontem com os saberes do amanhã e de democratizar radicalmente o sistema agroalimentar.

Fonte: [ OutrasPalavras.net ]

O Veneno Está na Mesa 2

Direção: Silvio Tendler

Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos em O Veneno está na Mesa, o diretor Sílvio Tendler apresenta no segundo filme uma nova perspectiva. O Veneno Está Na Mesa 2 atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores.

Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: Em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?

Realização: Caliban Cinema e Conteúdo

Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida
Fiocruz
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Bem Te Vi
Cineclube Crisantempo

Deu branco na queimadura

por Liana John

Ou melhor, o extrato da casca do breu-branco (Protium heptaphyllum) tem bom potencial como protetor solar, por suas atividades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a prevenir queimaduras de sol e câncer de pele.

Essa árvore, de 7 a 20 metros de altura, ocorre na Mata Atlântica, no Cerrado e na Floresta Amazônica e tem frutos comestíveis, de casca vermelha e polpa amarelada, com gosto suave e refrescante. Os frutos são bem apreciados por aves e mamíferos, mas não são conhecidos pela maioria dos brasileiros.

Na verdade, bem conhecido mesmo é perfume extraído da resina, vendido tanto em frascos simples, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), como sofisticados, pelas revendedoras da indústria de cosméticos Natura. O cheirinho bom também exala das folhas, justificando diversos nomes comuns da espécie: almecegueira-de-cheiro, almecegueira-cheirosa, pau-de-incenso, incenso-de-caiena.

Já o nome breu-branco deriva do fato de a resina assumir coloração branca quando exsudada pelo tronco cortado ou raspado. Para os indígenas de origem tupi-guarani, o nome da espécie ora faz referência à resina – icicaçu (resina grande) – ora faz referência à espessura do tronco – guapuycy (mãe de tronco fino).

Seja qual for o nome, a espécie é popularmente considerada medicinal. A resina oleosa é usada como analgésico, cicatrizante e expectorante. Uma pesquisa conduzida pelo doutor em Farmacologia, Francisco de Assis Oliveira, na Universidade Federal do Ceará (UFCE) conferiu a atividade da resina como anti-inflamatória e gastroprotetora. Mas também encontrou alta toxicidade de alguns de seus componentes nos testes com camundongos.

Outra pesquisa, realizada no Laboratório de Controle de Qualidade de Medicamentos e Cosméticos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP/USP), elegeu o extrato da casca do breu branco como o de melhor potencial fotoquimioprotetor, entre os testes realizados com 40 espécies nativas. “Recebemos os extratos prontos, de diversas instituições, e testamos primeiro a toxicidade e depois as atividades antioxidante e anti-inflamatória, que são as mais importantes para esse tipo de proteção solar”, diz Ana Luiza Scarano Aguillera Forte, responsável pelo estudo. O extrato do breu branco foi enviado por uma equipe do Museu Emílio Goeldi, do Pará.

Nos primeiros testes, de toxicidade, apenas 4 das 40 plantas “passaram na peneira”: os extratos das folhas de quaresmeira (Miconia minutiflora), canela-de-cutia (Eugenia protenta) e de uma mirtácea sem nome comum (Eugenia biflora), além do extrato da casca do tronco de breu-branco. As 4 espécies foram estão testadas em condições semelhantes às reais, com exposição a raios ultravioleta. E os melhores resultados foram obtidos com o breu branco, cuja atividade antioxidante se mostrou capaz de “sequestrar” da pele a maior parte dos radicais livres prejudiciais, além de agir contra a inflamação normalmente causada pela irradiação solar, quando a pele é exposta sem proteção.

“Os produtos fotoquimioprotetores são de pré-tratamento e devem compor produtos cosméticos para a pele junto com filtros solares”, esclarece a pesquisadora. “Não servem para pós-tratamento, para cuidar da pele após a queimadura solar, como é o caso do gel pós-sol”.

O estudo dos 40 extratos foi objeto do mestrado de Ana Luiza, realizado sob a orientação de Maria José Vieira Fonseca, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O laboratório também conta com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Agora Ana Luiza avalia outro extrato, proveniente do Cerrado, com a mesma atividade fotoquimioprotetora. É sua tese de doutorado em Ciências Farmacêuticas e inclui um ano de pesquisas na Espanha. Como o estudo só deve terminar em 2016, ela ainda não pode revelar qual é a planta. Então, enquanto esperamos, o jeito é procurar cosméticos que já tenham incorporado o breu-branco para a proteção solar.

Foto: Liana John (tronco de breu-branco, Rio Negro, AM)

Fonte: [ Educação Ambiental Itajubá ]

Suco de canábis como substituto de medicamentos convencionais

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Por: Daia Florios

Embora os resultados possam não ser grande coisa para muitos, em todo o mundo, muitas pessoas estão começando a acordar para os enormes benefícios medicinais que a cannabis tem para oferecer.

Um estudo recente realizado pelo Instituto de Psiquiatria Molecular na Universidade de Bonn, na Alemanha, descobriu que a ativação do sistema canabinóide no cérebro provoca a liberação de antioxidantes que agem como um mecanismo de limpeza. Este processo é conhecido para remover as células danificadas e melhorar a eficiência das mitocôndrias, suas fontes de energia. O estudo foi publicado na Philosophical Transactions da Royal Society.

Existe uma grande quantidade de estudos que comprovam a potencialidade na cannabis na cura de doenças, inclusive o câncer.

Da mesma forma, uma outra quantidade de estudos comprovam os malefícios da cura com medicamentos, que podem matar mais de 100.000 pessoas a cada ano, e que uma dieta baseada em vegetais pode prevenir mais de 60% das mortes por doenças crônicas.

É hora de perder o nosso estigma sobre a cannabis. A única razão pela qual nós a vemos como uma coisa negativa é porque a cannabis ameaça vários setores (inclusive a indústria farmacêutica) além de poder incidir fortemente no setor agrícola como substitutiva do algodão, do petróleo e muito mais. A Cannabis tem mais de 50.000 usos e poderia ajudar a transformar o nosso mundo. Estas informações geralmente são ofuscadas pela violência causada pelo tráfico de drogas, assunto completamente fora da discussão sobre os benefícios da planta, que tratamos aqui.

Os canabinóides têm sido comprovados como úteis na redução das células cancerosas, pois têm um grande impacto sobre a reconstrução do sistema imunológico. Embora nem todos os gêneros de cannabis tenham o mesmo efeito, mais e mais pacientes estão vendo o sucesso na redução do câncer em um curto período de tempo usando a cannabis. Ao contrário do pensamento popular e sua crença, fumar a cannabis não ajuda no tratamento da doença dentro do corpo, pois os níveis terapêuticos não podem ser alcançado através do fumo. Comendo a planta ou o óleo dela extraído, é a melhor maneira de obter os canabinóides que são as substancias benéficas.

Outro aspecto no fumar a cannabis que deve ser considerado é o fato que, quando a cannabis é aquecida e queimada ela muda a sua estrutura química e a acidez do THC muda a sua capacidade terapêutica. Além disso, sempre que se queima e se inala algo, cria-se uma oxidação dentro do corpo. Essa oxidação não é saudável para o corpo e pode conduzir a problemas de saúde em si. É por isso que os antioxidantes são uma parte importante de qualquer dieta saudável.

Veja aqui um vídeo sobre o tratamento com a cannabis, usada crua em sucos.

Fonte: [ Growroom ]

Como os lobos mudam os rios

Quando os lobos foram reintroduzidos no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, depois de estarem ausentes por quase 70 anos, a mais notável “cascata trófica” ocorreu.

O que é uma cascata trófica e exatamente como lobos mudam rios? George Monbiot explica nesse filme.

Assista à palestra completa, aqui: http://bit.ly/N3m62h

Jean Wyllys protocola projeto que pede a regulamentação da maconha

Para deputado, “guerra às drogas” é um fracasso que apenas criminaliza jovens da periferia. “Parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”, acredita

Por Redação

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O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protocolou na tarde hoje (19) o projeto de lei 7270/2014 que visa regulamentar o plantio, o uso recreativo e a comercialização da maconha em todo o território brasileiro. Wyllys afirma que o “parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”.

Na defesa de seu projeto, Wyllys questiona a “legislação que proíbe a maconha e as outras drogas de um lado e, por outro lado, todo um sistema de produção e comercialização que funciona, sem qualquer impedimento, no mundo real”. O parlamentar também argumentou que quase sempre quem morre na mão da polícia ou de uma facção rival são “os pobres, favelados e na maioria dos casos, jovens negros” e que, logo depois que morrem, são substituídos e o comércio ilegal continua.

Jean Wyllys também declarou que é necessário haver um controle sobre a qualidade da substância comercializada. “Ninguém sabe a composição da droga que é vendida, sua qualidade não passa por qualquer tipo de fiscalização nem precisa se adequar a nenhuma norma, o consumidor não recebe qualquer tipo de informação relevante para a sua saúde e segurança, diversos processos de industrialização (como o prensado de maconha para fumo com amônia, altamente tóxica) são realizados sem qualquer fiscalização. Não há restrições à venda que impeçam o acesso dos menores de idade a esse comércio ilegal — seja como compradores, seja como vendedores ou ‘soldados’ do tráfico. Está tudo errado!”, criticou.

Wyllys reconheceu que o projeto é polêmico, mas disse esperar que a partir do seu PL seja realizado um debate nacional e declarou que o “Brasil precisa mudar”. Além da Câmara dos Deputados, no Senado também corre uma iniciativa que está sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai realizar uma série de audiências públicas podendo, posteriormente, construir um projeto de lei sobre o assunto.

Para conhecer o projeto de lei sobre a regulamentação e comercialização da maconha no Brasil, do deputado Jean Wyllys, [ clique aqui ].

Fonte: [ Portal FORUM ]

O Bom jeitinho brasileiro – Sítio São José da Família Ferreira

A família Ferreira chegou ao sitio São José em 1987, no início plantavam banana e café em sistema de monocultura, mas a renda era pouca devido as despesas com transporte e como não produziam quase nada para o consumo da família o pouco que recebiam era para pagar despesas.

Em 1999, as coisas começaram a mudar, o agricultor José Ferreira teve a oportunidade de ver uma nova forma de plantar, ao fazer uma visita no Vale do Ribeira em São Paulo, onde pode conhecer os sistemas agroflorestais. A partir desse momento, passou a desenvolver no sítio, junto com sua família, essa nova forma de produção. Trocaram a monocultura pelo plantio diversificado, podendo produzir alimentos e recuperar a terra, que já estava sofrendo um pouco com o pisoteio do gado que também criavam. Iniciaram a partir daí suas experiências com Sistemas Agroflorestais, que atualmente são doze (12).

Os sistemas Agroflorestais do sítio são preparados para produzir em curto, médio e longo prazo, mas além de produzir alimentos para a família, a agrofloresta também foi pensada para a recuperação da Mata Atlântica.

No sítio não tem luz elétrica e para garantir o armazenamento dos alimentos colhidos, para que possam tê-los em períodos fora de safra, possuem um sistema de fabricação caseira a vácuo, sem conservantes e corantes. Produzem conservas (milho, guandu, chuchu, feijão, inhame…), compotas (goiaba, mamão, jabuticaba, jussara…) e doces diversos. Esses produtos contribuem para a sustentabilidade de todos no sítio.

O Sítio São José visa o trabalho de agricultura ecológica para a auto sustentabilidade com qualidade de vida, visando melhorar o desenvolvimento da agricultura familiar com um sistema que seja produtivo sem agredir o meio ambiente.

Sítio São José
Rod. Rio Santos Km 547,5
Rua Sertão do Taquari s/n
Paraty/RJ

http://agroflorestaferreira.blogspot.com

Apoio ao Agroecologo José Ferreira!

Pedido de carta de moção e comparecimento à audiência enviado pelo próprio Zé.

Caros amigos,

É com URGÊNCIA que peço a todos que conhecem a realidade do Sítio São José, em Paraty que façam uma carta de protesto, apoio ou moção pelo fato da posse conferida ao José Ferreira estar em xeque na Justiça Federal, que serão utilizadas na audiência que se dará no dia 19 de março de 2014, às 13h, na 1ª Vara Federal em Angra.

Quem quiser e puder comparecer para a mesma, também é muito válido, fica o convite. Portanto, reitero a URGÊNCIA e IMPORTÂNCIA para que autarquias, civis, instituições públicas e privadas, ONGs, e demais organizações, me encaminhem suas cartas e seus representantes para a audiência, fazendo grande favor ao trabalho construído por nós para comprovar que um mundo sustentado pela agricultura agroecológica é possível.

Está sendo alegado, entre outras coisas, que há interferência antropológica nos limites do Parque Nacional Serra da Bocaina (PNSB), danificando a Mata Atlântica, sendo que, no mesmo laudo, há provas concretas de recuperação e manutenção de área degradada realizada pelas mãos do agricultor e da sua família ao longo dos anos de posse da terra.

As recomendações dadas por parte do requerente são:
• Demolição das edificações existentes com a retirada do entulho resultante e sua destinação adequada fora dos limites do PNSB
• Eliminação das espécies da fauna e flora exóticas (muitas espécies estão constatadas como exóticas de forma errônea no laudo)
• Posterior abandono definitivo da área pelo responsável para recuperação natural da mesma

Não são necessárias mais delongas para quem conhece a história do Sítio São José, bem como a de seu fundador, José Ferreira, que juntamente com sua família lutou para que houvesse interação sustentável entre o homem e a natureza, a qual, por motivos óbvios, não podemos nos desvincular. Ele sempre defende: ‘não é isolando o homem da natureza que vai preservá-la, e sim, reinserindo o homem na sua própria essência enquanto parte dela, através da educação e da agricultura sustentável, que conseguiremos a preservação e reestruturação para esta e as próximas gerações ’.

Segue o e-mail para envio da carta: ferreiraecologia@hotmail.com

O Fórum de Comunidades Tradicionais APOIA a permanência de José Ferreira e sua família no Sítio São José!
Continuamos na LUTA!!

Cafezinho bom já vem da roça com fungo

por Liana John

 Foto: Liana John (terreiro de secagem de café, em Minas Gerais)

Foto: Liana John (terreiro de secagem de café, em Minas Gerais)

A primeira intenção era identificar os fungos prejudiciais à qualidade do café, para depois pesquisar meios de proteger os grãos durante e após a colheita. Ao reparar bem nos efeitos dos diversos parasitas, porém, os pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) conseguiram separar um benfeitor do meio dos malfeitores: toda vez que os grãos de café são infestados com Cladosporium cladosporioides, o cafezinho tem o sabor e o aroma preservados.

O fungo “do bem” se instala no grão maduro, um pouco antes do ponto de colheita e toma toda sua superfície, de tal modo que os outros fungos não conseguem se desenvolver. Nem mesmo os fungos comuns nas lavouras e nos armazéns – como os dos gêneros Penicillium, Aspergillus e Fusarium – conseguem garantir espaço!

A partir dessa constatação, a pesquisa mudou de rumo e passou a esmiuçar a relação entre o café e o tal fungo. “Isolamos e identificamos a espécie e fomos fazendo estudos nas regiões produtoras de Minas Gerais”, conta Sara Maria Chalfoun, da Epamig Lavras. “Verificamos as condições em que o fungo existe naturalmente e deve ser preservado e as situações em que sua presença é muito reduzida, devido a tratos culturais indevidos e aplicações de químicos”. Basicamente são 3 situações: cafezais com o fungo, onde a ordem é preservar; lavouras com pouca quantidade do fungo, onde se deve aumentar sua presença por meio de inoculação e regiões onde outros fungos passam a predominar, aí é preciso mudar os tratos culturais e reintroduzir C. cladosporioides.

“O fungo ocorre com menos frequência quando o cafezal está situado junto a grandes corpos d’água, como represas e lagoas, ou quando o nível de precipitações é elevado durante a fase de frutificação”, completa a pesquisadora, cujos 40 anos de carreira foram integralmente dedicados à qualidade do café. “Inicialmente desenvolvemos um pó para inoculação, mas agora temos um líquido, com um tempo de prateleira maior, de até 6 meses, o que é compatível com os produtos biológicos”.

Em parceria com Carlos José Pimenta, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Sara orienta diversos estudantes de Iniciação Científica a pós Graduação, dedicados ao estudo da espécie. Vários desses trabalhos foram desenvolvidos nas condições reais, no cafezal de uma fazenda que abriu as portas aos pesquisadores, a Fazenda Santa Helena, de Alfenas (MG). Outra fazenda, do Grupo Farroupilha, deve abrigar novos testes de campo, em Patos de Minas.

A equipe da Epamig hoje domina a produção do fungo em massa, em laboratório, para inoculação. E tem condições de repassar aos cafeicultores uma série de orientações para que eles tirem o melhor proveito desse conhecimento. Existe até um pedido de patente, depositado há cerca de 8 anos, relativo ao processo de multiplicação do fungo, essencial para transformar o bioprotetor do café em produto.

Segundo Sara, a grande vantagem do bioprotetor é que os fungos do gênero Cladosporium não produzem micotoxinas prejudiciais ao homem, nem causam dano à planta. Os bons resultados – a melhora das qualidades sensoriais do café – já são observados no primeiro ano de uso. A primeira aplicação deve ser feita quando os grãos começam a amadurecer, seguida de uma repetição, 45 dias depois.

A equipe liderada por Sara conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Criamos uma plataforma de trabalho para aproveitar a infraestrutura do laboratório e desenvolver outros produtos correlatos, pois temos muitos produtores interessados”, acrescenta a pesquisadora. “Estou um pouco frustrada com a burocracia para conseguir o registro. Apenas nos últimos anos é que o governo estadual vem se esforçando para converter as pesquisas em produtos. É uma luta grande, mas vale a pena: precisamos ir além da mera demonstração da possibilidade, do potencial, e chegar ao mercado”.

De fato, o bioprotetor não tem concorrente químico, é um produto único. Não faz mal para o pé de café, nem para quem toma a bebida. Ao contrário, protege a colheita do mofo de modo natural e garante a qualidade do cafezinho. Devia merecer atenção prioritária dos órgãos responsáveis pelo patenteamento e pelas licenças necessárias para chegar às prateleiras o quanto antes, certo? Então, Brasil, o que estamos esperando? Vamos cuidar logo desse fungo que conserva a qualidade do nosso cafezinho?

Fonte: [ Educação Ambiental Itajubá ]