A semente dos orgânicos floresce

Saimon Novack | de Içara

Por 25 anos, o agricultor Pedro Alcino Budny cultivou fumo em sua propriedade em Espigão, no bairro Vila Nova, Içara. Mas ele lembra que trabalhava insatisfeito. “Nunca gostei de trabalhar com fumo”, diz. Até que há seis anos ele participou de um curso sobre produção orgânica em Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina. Foi assim que deixou a fumicultura de lado. Hoje, Budny tem quase um hectare de morango orgânico e outros dois hectares de cenoura, repolho, alface e tomate. A colheita de morangos, que teve início na segunda quinzena de junho, deve encerrar no final de dezembro. A estimativa de produção é de dez toneladas, 400 quilos a mais do que na safra passada.

Cada vez mais os consumidores brasileiros procuram nos supermercados por produtos orgânicos – é assim que são chamados frutas, legumes e verduras cultivadas sem agrotóxicos nem adubos químicos. No solo, só se usam adubos como esterco e restos de vegetais, por exemplo. O engenheiro agrônomo Antonio Carlos Ferreira, pesquisador em hortaliças orgânicas da Epagri de Urussanga, explica que até as ervas daninhas e as pragas da lavoura são combatidas sem venenos – os agricultores buscam na natureza os inimigos naturais de uma erva daninha ou de um inseto, por exemplo, e deixam que eles façam o trabalho que um inseticida ou agrotóxico faria.

Hoje em Santa Catarina já existem cerca de 60 associações e duas mil famílias rurais como a dos Budny, que produzem alimentos orgânicos, principalmente hortaliças. Em Araranguá, um grupo de moradores fundou há três anos a Cooperativa de Produtores e Consumidores Ecológicos de Araranguá (Aracoper). A entidade tem 60 associados que consomem e comercializam produtos sem agrotóxicos. Os cooperados mantém uma loja – a Viver Mais – que revende mais de 250 itens orgânicos e integrais, entre eles alimentos produzidos na região Sul como frutas, hortaliças e legumes, e produtos orgânicos vindos de São Paulo como trigo, arroz, soja, açúcar cristal, café e até achocolatado. A loja também fornece produtos para a merenda orgânica de algumas escolas estaduais do Vale.

Preço pode chegar a ser 30% mais caro que dos produtos convencionais

O presidente da Aracoper é o engenheiro agrônomo Antônio Sérgio Soares da Epagri de Araranguá. Ele acredita que a tendência desde tipo de produto no mercado é expandir cada vez mais. “Da época em que abrimos a loja até hoje as vendas apresentam crescimento significativo. Em médio prazo grande parte dos consumidores deve aderir aos alimentos que beneficiam o homem e a natureza”, diz. O que atrai os consumidores aos produtos orgânicos não é o preço, já que eles custam em média 30% mais que os convencionais. O segredo está na alimentação saudável.

Instituto monitora e acompanha as lavouras para certificar a qualidade

Para chegar ao mercado como orgânicos, os produtos precisam de certificação. Os morangos distribuídos para alguns estabelecimentos da região saem da propriedade dos Budny embalados e com o selo da certificadora Ecocert do Brasil, que monitora a lavoura fazendo analises periódicas de solo e de plantas, garantindo que os alimentos não contenham resíduos químicos.

“A comercialização de produtos orgânicos é mais complexa que a de produtos convencionais, em função da estrutura de certificação e embalagem”, afirma Roberto Francisco Longhi, engenheiro agrônomo da Epagri de Içara que acompanha a propriedade dos Budny. “Com a certificação, o consumidor tem a certeza de que os alimentos são produzidos dentro de normas técnicas que não permitem a utilização de qualquer substância química que possa provocar danos à saúde.”

Em seu sítio, em plena safra de morangos, Budny diz que as técnicas de produção orgânica são mais trabalhosas. Ele só consegue manter o custo semelhante ao de uma lavoura convencional por contar com a mão-de-obra familiar durante o plantio e colheita.

“Gasto cerca de 1,2 mil por ano com a certificação do produto, mas não tenho despesas com insumos”, diz. Mesmo assim, ele nem pensa em voltar atrás. “Prometi para mim que produto químico não entraria mais na minha propriedade”, diz.

Fonte: [ Jornal A Tribuna ]

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