Sabor das flores

Parece que elas foram colocadas para enfeitar o prato, mas são comestíveis

ARACELI AVELLEDA
araceli@rac.com.br

Muito se fala em pratos com flores na atual estação. Além do visual bonito e colorido, também são ricas em vitaminas. Só não vá a uma floricultura para escolher algumas espécies, pois nem todas podem ser usadas na cozinha. A maioria só serve mesmo para ornamentação. Além disso, as que podem ser ingeridas devem ser compradas em supermercados ou casas especializadas de frutas e verduras. É que estes lugares vendem apenas as flores cultivadas especialmente para a culinária, sem aplicação de produtos químicos e agrotóxicos.

Não existem receitas específicas de pratos à base de flores comestíveis. Até porque algumas sequer têm sabor. O único segredo é inventar e usar a criatividade, compondo de acordo com as cores ao lado de frutas, verduras e até alguns legumes. Os cozinheiros da Cachaçaria Brasil, Mário Pelatti e Glauco Soares, aprenderam a criar saladas com flores comestíveis na faculdade de gastronomia de Campos do Jordão e Águas de São Pedro, respectivamente. São pratos que não matam a fome, mas caem muito bem como entrada antes de qualquer refeição.

Diferentes sabores

Conhecer alguns nomes e o gosto de cada uma delas é essencial antes de fazer a escolha. A capuchinha, por exemplo, tem cor laranja e, além de bastante vistosa, é rica em luteína, substância que previne doenças graves da visão, segundo Márcio. Combate ainda problemas no rim e na bexiga. Tem sabor adocicado no início, mas logo vai ficando bem picante. Lembra e muito o agrião. “Nasce como mato”, revela Márcio. Já o amor-perfeito, embora indicado contra a irritação da pele, não tem gosto. A pétala da rosa, também bastante insossa, é rica em vitamina C.

A flor de cebolete é curiosa. Pequena, tem as pétalas da cor lilás, mas o aspecto engana. Tem gosto de cebolinha, assim como o talo, usado para decorar pratos sofisticados. Só tenha cuidado na hora de provar, pois o sabor é muito picante. Os cozinheiros também sugerem a flor do salsão. De cor verde, possui um gosto muito marcante, da mesma forma que o talo. Contém pequenas quantidades de vitamina C e sais minerais. Também ajuda a regular o intestino e a taxa de colesterol. “Esta flor não é tão fácil de encontrar”, avisa Márcio.

Para fazer uma salada, junte um pouquinho de cada flor, pimentão, carambola, manjericão e broto de alfafa. Se quiser, dá para colocar ainda alface, morangos e algumas sementes de romã. A quantidade e a variedade é a gosto. Além de leve e bonita, é um santo remédio. Numa salada como esta, o molho é tudo. Glauco sugere duas receitas. A primeira, feita com lima da Pérsia, leva sal, azeite, alecrim e pimenta do reino moída. A segunda, além do sal e azeite, vai também tomilho fresco e pimenta branca moída.

Primavera do amor-perfeito

O restaurante e churrascaria Red Angus incorporou o amor- perfeito aos grelhados no início da Primavera do ano passado e a flor continua até hoje enfeitando os pratos. A idéia inicial era usá-la apenas como decoração, mas muitos clientes acabam comendo. “O garçom, na hora que vai levar o prato à mesa, enfatiza. Quando ele fala que é comestível, desperta ainda mais o interesse”, esclarece o gerente, Marcus Faustini.

As flores, diz, já são compradas higienizadas e embaladas em saquinhos, ou seja, prontas para o consumo. No prato, é colocada apenas uma unidade. Segundo o churrasqueiro, Carlos Alberto Marciano, quem não come acaba levando embora, principalmente mulheres e crianças. “Elas têm dó de comer”, observa.

Temporada da alcachofra

A alcachofra também é uma flor muito comum nesta época do ano. É muito simples de saboreá-la. Basta apenas cozinhá-la, tirar suas pétalas e comer a polpa no sal e azeite. “É a maneira mais tradicional de comer. Os italianos comem da maneira mais simples possível”, destaca o dono do Spice, Sérgio Rauen de Souza.

Por mais simples que seja, a alcachofra não é uma flor barata. Cada unidade custa, em média, entre R$ 3 e R$ 4. Quem quiser, segundo ele, também pode dar uma incrementada acrescentando parmesão ou então colocando as pétalas numa salada de alface com tomates secos. O coração, também conhecido como fundo, é a melhor parte. É muito macio, saboroso, e bastante consumido em conserva. Há também quem aproveite para fazer receitas doces, como trufas e sorvetes. A segunda versão leva vinho branco, chantilly, marshmallow e calda de chocolate. Um aviso aos curiosos: a sobremesa é novidade e está sendo apresentada este ano na Expo São Roque – Festa de Vinhos e Alcachofra, que acontece no município durante todo o mês de outubro.

A temporada da alcachofra, que começou em agosto, vai até dezembro. Sérgio aconselha que a flor seja consumida logo após o cozimento, para não perder as propriedades que possui. “É riquíssima em vitaminas e sais minerais. É também uma das plantas mais ricas em ferro”, ensina. É indicada ainda para diabéticos e pessoas com problemas hepáticos.

Curiosidade

Diz a lenda que, na Idade Média, o consumo de alcachofra na França chegou a ser proibido entre as mulheres, pois acreditava-se que era afrodisíaca. A fama surgiu porque a esposa do rei Henrique II, Catarina de Médicis, além de adorar a iguaria, era bastante fogosa. Por garantia, acharam melhor suspender o consumo da flor entre as demais damas da França.

Fonte: Gazeta do Cambuí

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