Flor de Ipê

Nelson Berger
itupeva_assessoria@yahoo.com.br

Gostamos sempre de compartilhar com os amigos, com as pessoas que gostamos aquilo que nos causa prazer. Muitos se reúnem para assistir a uma partida de futebol, para saborear um bom churrasco, para comemorar aquela data importante. Morar aqui em Itupeva e particularmente na minha chacrinha no Horizonte Azul nos causa muito prazer.

Nossos amigos e parentes frequentemente vêm conviver conosco por algumas horas, para curtir a natureza, o visual e isso nos aumenta o prazer de morar aqui. Pequenos detalhes são grandes notícias, como o pequeno ninho de beija-flor que surgiu apoiado em um ramo do cipozinho florido que invade nossa garagem. Nesta época do ano as amarílis desabrocham, enfeitam e alegram a casa por alguns dias, enquanto o pôr-do-sol é nosso espetáculo de quase todos os dias.

Nosso cantinho está em constante mutação como sempre acontece ao que é ligado à natureza e quando as pessoas nos visitam sempre existem novidades para serem curtidas em conjunto.

Há muito tempo não conversava com um grande e velho amigo, faz meses que ele não aparece por aqui. Ele mora em São Paulo e por telefone, muito bem humorado, me perguntou como estavam as coisas, se o abacateiro estava abacatando, se a acerola estava acerolando, se a jabuticabeira estava jacabuticabando, etc, etc. Contei a ele que estava tudo muito bonito e florido, que as primaveras e azaléias estavam exuberantes e o ipê, até a semana passada, estava completamente coberto de um amarelo forte e bonito, mas que agora as flores já caíram e teremos que esperar o próximo ano para ver nova florada. O meu amigo então, observou que quando caem todas aquelas flores do ipê, fica aquela sujeirada toda no chão… Perguntei se ele considerava molho de tomate sujeira. Na camisa o molho de tomate é sujeira, porém no macarrão é parte integrante. Ser sujeira é uma questão de referencial e de opinião. Graxa é sujeira? Nas engrenagens de uma máquina, certamente não. Para mim, todas aquelas flores amarelas sobre o gramado são de uma beleza ímpar, assim como as flores vermelhas da primavera sobre o mesmo verde. Positivamente as flores caídas sobre o gramado não são sujeira, ao menos sob a minha óptica.

Acredito que seja um conceito completamente urbano considerar que flores ou folhas caídas no chão seja sujeira, que estejam em local inapropriado. Nada mais natural e saudável existirem plantas, árvores que deixem cair suas folhas e flores, que cumpriram sua missão enquanto parte viva e agora ajudam a fertilização da terra. É bom saber que a próxima etapa será a queda dos frutos que, quem sabe e tomara, farão germinar nova vida, que eliminará muita sujeira da atmosfera e essa sujeira não é uma questão de opinião.

Nelson Berger – Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, Auditor Ambiental pela Proenco Brasil, publicou mais de 150 matérias sobre ecologia, ética e cidadania.

Fonte: Jornal de Itupeva Online

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