Mercado de carbono pode ajudar florestas, diz Banco Mundial

Por Deborah Zabarenko

WASHINGTON (Reuters) – Derrubar florestas tropicais é algo que empobrece as pessoas, atinge espécies ameaçadas e emite gases do efeito estufa, então talvez os países ricos possam pagar para manter as árvores de pé, disse o Banco Mundial na segunda-feira.

O mercado global de carbono, criado em resposta ao Protocolo de Kyoto e a outros tratados contra emissões de poluentes, pode ser o caminho. Os mercados –nos quais os poluidores pagam pelo direito de exceder seus limites de emissão de carbono na atmosfera– poderiam pôr um valor ao carbono retido em selvas e cerrados, segundo um novo estudo.

Quando o carbono está retido em árvores e outras plantas, ele não é emitido na forma de dióxido de carbono, o mais importante dos gases que criam uma espécie de estufa na atmosfera terrestre, provocando o aquecimento global.

Atualmente, os pecuaristas precisam devastar um acre (4.000 metros quadrados) de floresta para criar um pasto que vale 300 dólares. Nesse processo, liberam 500 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, em consequência da queima e apodrecimento das árvores nativas, segundo Kenneth Chomitz, coordenador do estudo do Banco Mundial.

Na sexta-feira, segundo Chomitz, a Bolsa Européia do Carbono pagava cerca de 15 dólares pela licença para a emissão de uma tonelada de carbono.

“Isso significa que os europeus estão pagando entre 7.500 e 8.000 dólares para evitar a emissão da mesma quantidade de dióxido de carbono que o pecuarista está liberando. Em outras palavras, o pecuarista está destruindo um patrimônio de 7.500 dólares para criar um que vale 300.”

“Não seria ótimo se fizéssemos o pecuarista e o industrial ou o dono de usina elétrica se sentarem à mesma mesa, descobrindo como podem dividir a diferença para que ambos saiam ganhando?”

O Protocolo de Kyoto permite que países obrigados a reduzirem as emissões de carbono cumpram sua parte patrocinando cortes em outros lugares.

Costa Rica e Papua-Nova Guiné já pediram a uma comissão da ONU que examine opções para oferecer incentivos a países que evitem o desmatamento, segundo o relatório.

O Banco Mundial, que financia projetos de desenvolvimento, examinou o impacto do desmatamento em parte porque 800 milhões de pessoas vivem dentro ou perto de florestas tropicais, e precisam delas para sua subsistência, disse François Bourguignon, economista-chefe do banco.

Ele lembrou que, embora os atuais protocolos garantam compensações a quem plantar árvores, eles não prevêem benefícios para os países que mantenham suas florestas.

O desmatamento produz o dobro do dióxido de carbono que é emitido por carros e caminhões do mundo. Além de provocar o aquecimento, a devastação também agrava problemas locais de poluição do ar e dos rios, segundo Chomitz.

Um desafio no esquema da venda de carbono é evitar especulações financeiras com as florestas, pois os latifundiários poderiam ocupar áreas florestais se perceberem que teriam lucros com isso.

A preservação da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, estará na agenda da rodada do mês que vem das negociações sobre o clima mundial, no Quênia. O Brasil quer apoio internacional para ajudar o governo a preservar a selva.

Mas na semana passada o Brasil rejeitou uma proposta para que estrangeiros comprem e preservem terras na Amazônia. O governo pediu ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, ativista ambiental, que apóie um plano doméstico para a preservação da Amazônia.

Fonte: Reuters

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