Descoberta nova espécie de orquídea em Mato Grosso

Alatiglossum culuenense Docha Neto & Benelli. Esse é o nome da nova espécie de orquídea encontrada nas matas ciliares às margens do rio Culuene, ao sul do Parque Nacional do Xingu, vegetando em várias espécies de árvores, em Mato Grosso.

A descoberta feita pela bióloga pesquisadora e bolsista do Herbário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Adarilda Petini Benelli, e identificada pelo biologista do Projeto Orchidstudium, Américo Docha Neto, pode ser vista no trabalho publicado no dia 1º de setembro na revista científica Orchidstudium, volume 5, página 55 a 77.O estudo científico traz uma discussão e diferenciação entre a espécie aparentada, e documentação fotográfica do habitat e da nova espécie.

A nova espécie de orquídea foi coletada, junto com outras 26, na área que será alagada na Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Paranatinga II. Algumas outras espécies oriundas da mesma área estão em fase de identificação. A expectativa é de novas descobertas. Os espécimes foram encontrados percorrendo-se uma faixa de mata irregular que varia entre 40 a 100m, acompanhando o rio Culuene, na divisa dos municípios de Campinápolis e Paranatinga. A vegetação é caracterizada como de transição entre cerrado e floresta amazônica, com elementos característicos aos dois biomas. A floração acontece no inverno, entre os meses de julho e setembro. As flores são amarelas.

De acordo com o estudo, a Alatiglossum culuenense Docha Neto & Benelli mantém estreita afinidade com Alatiglossum macropetalum (Lindl.) Baptista, do qual facilmente distingue-se pelo porte vegetativo mais avantajado, formato dos pseudobulbos bi-foliados, forma de labelo e a morfologia e distribuição das calosidades conexas e desconexas.

“O A. culuenense apresenta pseudobulbos fusiformes, lateralmente achatados, mais alongados, enquanto o A. macropetalum os apresenta ovóides, lateralmente pouco comprimidos e mais curtos. Predominantemente A. culuenense apresenta pseudobulbos bifoliados enquanto o A. macropetalum os apresenta monofoliados”, escrevem Américo Docha Neto e Adarilda Petini Benelli.

Esse trabalho de coleta de plantas também foi realizado nas PCHs Garganta da Jararaca e Canoa Quebrada. A identificação das espécies é um processo demorado, devido ao período de floração. As orquídeas florescem uma vez por ano. No caso da PCH Garganta da Jararaca, foram encontradas 15 espécies e identificadas com certeza três até agora. É possível que outras espécies sejam descobertas, pois ainda existem muitas para serem confirmadas nas três PHCs.

Informações riquíssimas

Apaixonada pelas orquídeas, Adarilda P. Benelli diz que teve sorte de coletar essa espécie um pouco antes da floração. A planta foi coletada em 23 de abril e floresceu no mês de julho. “Fiz Biologia por causa delas (orquídeas)”, revela ao descrever a emoção de descobrir uma nova espécie. A pesquisadora estuda e trabalha com as orquídeas desde 1994. Sem esconder o seu interesse pelas espécies nativas de Mato Grosso, reconhece as dificuldades para fazer pesquisa no país, pois faltam financiamentos e as coleções não são consideradas de importância para os gestores.

“Um belo presente de formatura”, brinca Adarilda P. Benelii que acaba de colar grau em Ciências Biológicas, pela UFMT. Dona de uma das maiores bibliografias da área no Estado, ela não consegue descrever a emoção da descoberta. Atuando primeiro como colaboradora e agora como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), garante que Mato Grosso dispõe de informações riquíssimas, inclusive, provocando a vinda de pesquisadores de outros países. No entanto, diz ela, as coleções secas e as coleções vivas precisam de atenção e de investimentos para serem conservadas.

Em Mato Grosso, a maioria das pesquisas é direcionada para a área de Ecologia. A Taxonomia não tem muito espaço. Mestre em Ecologia e bolsista do Projeto sobre Padrões de Biodiversidade em Meso-escala dos Diferentes Sistemas Pastoris do Pantanal de Mato Grosso (Projeto Biopan), Érica Cezarine de Arruda, reconhece a necessidade de ampliar o leque de pesquisa, principalmente, na área de Botânica. Mas admite que esbarram em uma triste estatística: não há especialistas para atender a demanda. Existe uma lacuna que precisa ser preenchida com a formação de mais taxonomistas. Para ela, o ideal é que as universidades invistam na formação desses profissionais.

Os interessados nessa área precisam se deslocar para São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba (PR) ou outros países e acabam ficando por lá.

Ao contrário dos peixes e aves, é mais difícil pesquisar plantas. O trabalho exige muito estudo e dedicação para comprovar cientificamente as novas descobertas e esbarra na carência de taxonomistas para identificar as espécies. Adarilda P. Benelli sugere que o tema seja incluído na grade curricular como disciplina optativa.

Coordenado pela professora doutora em Ecologia, Cátia Nunes da Cunha, o projeto Biopan e desenvolvido em parceira com o Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP)/Ministério de Ciências e Tecnologia (MCT), sendo uma de suas metas a manutenção e revitalização do Herbário da UFMT.

Espaço de pesquisa

O trabalho de coleta de plantas nas PCHs foi executado por meio do Projeto de Conservação da Flora Epífita das PCHs Paranatinga I e II, Garganta da Jararaca e Canoa Quebrada, a partir de convênio firmado com a Atiaia Energia S.A. que representa as empresas Amper Energia S. A., Paranatinga Energia S. A. e Rio de Sangue Energia S. A. De acordo com o convênio, serão repassados cerca de R$ 70 mil para o Herbário UFMT.

Esse recurso será aplicado na construção de uma nova estufa tipo agrícola com tecnologia de ponta e a manutenção das plantas vivas coletadas nas três PCHs. Essa coleção será aberta à comunidade para visitação, acadêmicos e pesquisadores para pesquisas e produções científicas. A previsão é de que em seis meses o público e os pesquisadores possam ter acesso a esse material. Os visitantes poderão observar a floração das orquídeas durante o ano inteiro, pois cada espécie floresce em um período diferente.

Entre os melhores do país
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“O Herbário da UFMT é hoje equiparável aos melhores do país, o que contribui para mais ímpeto para a pesquisa”, avalia o pró-reitor de Pesquisa, Paulo Teixeira.

Em 2004, por meio do Programa de Modernização de Infra-Estrutura na UFMT, liderado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propeq), o Herbário Central passou por uma importante processo de reforma. Esse mesmo programa, em parceria com o governo do Estado, via Fundo de Amparo à Pesquisa em Mato Grosso (Fapemat), possibilitou também a reforma do Laboratório de Climatologia, no campus universitário de Rondonópolis; a construção de um laboratório multidiscplinar e aquisição de um veículo para o campus universitário do Médio Araguaia; e a construção do Biotério do campus de Cuiabá, prestes a ser inaugurado.

Em fase final de execução, esse convênio soma R$ 3 milhões, parte destinados a reformas e equipamento, repassados à Uniselva para laboratórios, incluindo os multiusuários como Herbário e Biotério e parte para pesquisa. Esta última, destinada diretamente aos pesquisadores por meio de edital interno e seleção de projetos pela Propeq.

Fonte: Redação 24HorasNews

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11 Comentários

Arquivado em Flores

11 Respostas para “Descoberta nova espécie de orquídea em Mato Grosso

  1. que saite eu usso para pesquisar plantas.

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  2. Marcelo

    Mostra a flor dessa orquídea !!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  3. Liane Gaedke

    eu tenho uma orquidea que tem a folha igual da Brassavola nodosa,tem flor branca tbm mas é diferente, não encontrei foto em nenhum site, gostaria de saber a especie.. me passa um email pra dai eu manda a foto..
    Obrigada

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  4. Leticia

    Olá gostaria de saber se a planta que tenho se trata dessa espécie. Poderia me passar um email para lhe mandar a foto.
    Aguardo contato.
    Att,
    Leticia.

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  5. Olá Leticia,

    Envie para nosso grupo de estudos, em: tudosobreplantas@yahoogrupos.com.br

    Abraços!

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  6. cristiano pilonetto

    Olá boa noite sou cristiano de Sinop/MT, tenho poucas orquideas em meu quintal tds nativas, mais uma chamou minha atençao, ela tem formato de uma boquinha que qd vc coloca o dedo sem msm encostar nela, ela joga uma especie de linguinha com uma liga junto que gruda, gostaria de saber que especie que ela é, temos foto e imagem dela …se poder nos ajudar ficarei grato!!

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  7. Rayane Geovana

    Oi Gostaria de saber como é o formato das folhas da Orquídea Alatiglossum culuenense Docha Neto e Benelli.
    Grata.Cáceres Mato Grosso.

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  8. ozenir

    GOSTRIA DE SABER MAIS SOBRE ESTA PLANTA,POIS ACHO QUE A TENHO AQUI EM CASA É UMA IGUAL A ESSA.

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  9. Renato Roberto

    Boa noite goostaria de saber qual a melhor maneira de identificar orquideas?
    Encontrei uma micro orquidea na região de Nova Mutum que nunca vi nenhuma parecida.
    As flores saem em cacho com aproximadamente 20 flores de não mais de 2mm cada, com tom amarelo laranjado.
    Por acaso conhece alguma especie parecida em nossa região?
    Obrigado

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