Produtividade do cultivo orgânico de cebola supera a do sistema tradicional

Em testes realizados durante dois anos seguidos, especialistas da Embrapa Semi-Árido e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) obtiveram, com o manejo orgânico, cerca de 38 toneladas de bulbos comerciais de cebola por hectare, cebola_150.jpg
na região do Submédio São Francisco, entre Pernambuco e Bahia. A média registrada com os métodos tradicionais de cultivo na região é de 20 t/ha.

A pesquisa demonstra a viabilidade técnica da alternativa e abre aos agricultores da região as portas para um mercado em franca expansão no Brasil: o de produtos orgânicos. As oportunidades comerciais neste mercado podem contribuir também para reduzir a freqüente instabilidade dos preços praticados no negócio desta cultura, explica o pesquisador Nivaldo Duarte Costa, da Embrapa Semi-Árido.

O resultado da experiência indica a possibilidade de reverter um quadro de risco à saúde humana e ao meio ambiente, uma vez que, atualmente, é freqüente e intenso o uso de insumos químicos nas plantações de cebola da região. Esses insumos eram até então considerados indispensáveis devido às exigências nutricionais e a alta incidência de pragas e doenças nas plantações de cebola.

Mais rentável – No dia 26 de dezembro, em um grande supermercado do sudeste do país, o preço de 600 g de cebola orgânica era comercializada a R$ 5,24. No mesmo lugar, 1.000 g da cebola comum, pêra e roxa, variavam entre R$ 1,04 e R$ 3,14. Em 2005, um dos poucos agricultores que chegou a cultivar cebola orgânica no Submédio São Francisco conseguiu vender seu produto para o mercado de São Paulo a R$ 36,00 a saca de 20 kg. Na mesma época, a mesma quantidade da cebola convencional era vendida em Juazeiro (BA) por R$ 8,00.

Com a vantagem de ser um produto sadio, de alto valor biológico e isento de agrotóxicos, a cebola orgânica possui maior valor agregado, explica o professor Jairton Fraga Araújo, da Universidade do Estado Bahia. Além disso, tem a vantagem de ter um custo de cultivo praticamente igual ou inferior. É mais rentável para o agricultor, afirma Jairton.

Torta – Das 18 variedades de cebola avaliadas nos testes experimentais para produção orgânica, a Brisa foi a mais produtiva. Os especialistas da Embrapa e de Uneb ainda avaliaram diversos procedimentos relacionados ao preparo do solo – com o plantio de leguminosas (mucuna preta, guandu e crotalária). Para a adubação, buscaram-se fontes alternativas para substituição dos insumos químicos, a exemplo do fosfato natural, para o caso do fósforo, torta de mamona para o suprimento de nitrogênio para a cultura, e um composto chamado de SUL-PO-MAG para o potássio. Semanalmente, as plantas receberam aplicações de biofertilizante foliar a base de macro e micro-nutrientes.

Os sérios problemas fitossanitários que acometem a cultura da cebola também foram resolvidos exclusivamente com o uso produtos autorizados para aplicação em sistemas orgânicos como as caldas bordaleza e sulfocálcica, urina de vaca, além de aminoácidos. No solo, logo após o transplantio das mudas de cebola, foi aplicou um condicionador do solo. O sistema de irrigação utilizado nos testes realizados no Campo Experimental de Bebedouro, da Embrapa Semi-Árido, foi o de microaspersão.

Fonte: BRNordeste

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