Arquivo do mês: janeiro 2007

Blog / Portal TSP de férias

Olá pessoal,

Este blog e o portal TSP estão de férias, com previsão de voltar ao ritmo normal no fim de janeiro.

Aproveitem para deixar comentários sobre o que pode melhorar no projeto, se está sendo útil para a pesquisa de vocês, quais os assuntos que vocês gostariam que fosse apresentado / debatido aqui no blog etc.

Grande abraço, tudo de bom,

Anderson Porto
admin do projeto Tudo Sobre Plantas

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Consultas querem aprimorar repartição de benefícios pelo uso da biodiversidade

O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) inicia consultas públicas para aperfeiçoar a legislação que trata da repartição de benefícios gerados a partir do uso do conhecimento tradicional, associado ao patrimônio genético. A dúvida é como repartir benefícios para mais de uma comunidade.

O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen) deu início esta semana ao processo de consulta pública para aperfeiçoar a legislação que trata da repartição de benefícios gerados a partir do uso do conhecimento tradicional, associado ao patrimônio genético. O objetivo é colher críticas e sugestões sobre quais os procedimentos mais adequados para garantir a repartição de benefícios pelo uso da biodiversidade quando mais de uma comunidade for detentora do conhecimento tradicional.

“Essa é nossa dúvida principal no contexto da legislação atual e as consultas podem colher subsídios importantes junto às comunidades para resolvermos essa questão”, afirma o coordenador das câmaras técnicas do Cgen, Inácio Cançado.

Podem participar das consultas comunidades indígenas e locais, setor acadêmico, empresarial, organizações governamentais e não-governamentais. A consulta pública, que encerra no dia 26 de março, está disponível no endereço eletrônico www.mma.gov.br/port/cgen.

O direito das comunidades indígenas e locais de decidirem sobre o repasse de seus conhecimentos tradicionais (uso de plantas, animais ou outro componente da biodiversidade) para empresas ou instituições de pesquisa é assegurado pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e pela Medida Provisória nº 2186-16/01.

Existe um Anteprojeto de Lei sobre o tema parado desde 2003 na Casa Civil, mas o envio ao Congresso Nacional ainda não ocorreu. A proposta tem sido alvo de uma verdadeira guerra de bastidores entre ministérios do governo Lula envolvidos com a questão.

Como a discussão sobre o APL não avança fora da Casa Civil, resta ao Cgen aprimorar a legislação vigente. A discussão da repartição de benefícios também se arrastou por vários anos nas câmaras temáticas do Cgen devido à divergência entre os ministérios. A falta de uma solução para o impasse suscitou a necessidade de uma consulta pública ampla com os detentores dos conhecimentos tradicionais, da qual se espera uma solução legítima, uma vez que tira da esfera dos técnicos governamentais e amplia o debate para toda a sociedade.

Atualmente, para permitir o acesso, a comunidade deve estar ciente de como será usado o seu conhecimento e com que finalidade. A criação de um produto com potencial de exploração econômica, a partir do conhecimento, deve render benefícios (que constarão num contrato) para a comunidade, como a capacitação de recursos humanos, a recuperação de áreas degradadas ou o apoio para a formulação de projetos.

“Os contratos precisam levar em conta que outras comunidades podem pleitear algum tipo de benefício”, diz Cançado. “Com a consulta, queremos sugestões para dar mais segurança aos contratos de repartição de benefícios – segurança tanto para as comunidades envolvidas quanto para as instituições de pesquisa e empresas, interessadas no conhecimento tradicional para o desenvolvimento de produtos”, explica. Um questionário acompanha o texto de divulgação da consulta. Ele tem caráter didático e foi elaborado a partir de discussões realizadas no Cgen.

As contribuições para a consulta pública devem ser enviadas, por e-mail, para cgen@mma.gov.br e, pelo correio, para o endereço do Departamento do Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente (SCEN, lote 2; trecho 2, Ed. Sede do Ibama, bloco G, Brasília- DF, Cep 70.818-900). O número do fax é (61) 4009 9524. Interessados em obter mais informações podem entrar em contato pelo e-mail inacio.cancado@mma.gov.br ou pelo telefone (61) 4009 9514.

A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), cujos e-mails são foirn@foirn.org.br e secretaria@foirn.org.br e os telefones são (97) 3471 1632 ou (97) 3471 1254, também pode receber as contribuições para a consulta pública e esclarecer dúvidas. O contato na Foirn é o André Fernando.

O mesmo acontece com a Fundação dos Povos Indígenas do Amazonas (FEPI- AM), cujo e-mail é fepiam@ig.com.br, o telefone é (92) 3622 8168 e o contato, Bonifácio José.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), cujo e-mail é darcymarubo@yahoo.com.br, telefone (92) 3233 0548 e o contato é Darcy Marubo, e o Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual (Inbrapi), cujo e-mail é inbrapi@yahoo.com.br, o telefone (61) 3033 7019 e o contato é Fernanda Kaingáng, são mais duas instituições que podem receber contribuições e fornecer esclarecimentos.

Com informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Fonte: ISA

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Centros da bacia do São Francisco serão instalados este ano

Brasília – Quatro centros de referência para recuperação florestal na bacia do Rio São Francisco serão implantados em 2007. Eles vão abrigar ações para reflorestamento e recomposição da vegetação na bacia, construção de bancos de sementes, implementação e difusão de tecnologias a partir de projetos de recuperação florestal. Os centros serão instalados na região da caatinga e do cerrado e as atividades conduzidas por quatro universidades.

A recuperação florestal na bacia do São Francisco é uma das prioridades para 2007, de acordo com o coordenador de revitalização de bacias hidrográficas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Maurício Laxe.

Além dos centros de referência, ele conta que este ano será aberta uma agenda de diálogo com o setor siderúrgico para tratar da degradação do cerrado e da caatinga provocados pelas carvoarias.

Também devem ser instalados viveiros para cultivo de mudas de plantas nativas. “Verificamos que é preciso aumentar a quantidade de mudas, queremos chegar a uma produção de 30 milhões de mudas por ano”, afirma Maurício Laxe.

Serão investidos um total de R$ 3 milhões para a construção dos quatro centros. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério do Meio Ambientes e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf )com apoio do Programa Nacional de Florestas, do MMA.

As ações fazem parte das 150 iniciativas para a revitalização da bacia. A previsão orçamentária de todo o Programa Nacional de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco para 2007 é de R$ 126 milhões. Em 2006, foram investidos R$ 120 milhões.

Fonte: Jornal da Mídia

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47º Congresso Brasileiro de Olericultura

Agência FAPESP – “Resgatando e valorizando as hortaliças subutilizadas” será o tema do 47º Congresso Brasileiro de Olericultura, que ocorrerá de 5 a 10 de agosto, em Porto Seguro (BA). O evento tem o objetivo de refletir sobre tendências da exploração dos conhecimentos sobre as hortaliças.

Segundo os organizadores, o objetivo é valorizar hortaliças que, a despeito de sua importância nutritiva, são desprezadas por várias razões, além de dar destaque às hortaliças tradicionais e às plantas medicinais, aromáticas e condimentares. A promoção é da Associação Brasileira de Horticultura (ABH).

Cultivo de hortaliças em sistemas orgânicos e protegidos, cultivo de plantas medicinais, aromáticas e condimentares, controle biológico, recursos genéticos, tecnologia pós-colheita, segurança alimentar e preservação ambiental serão alguns assuntos em debate.

Mais informações: www.abhorticultura.com.br.

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Produtores de flores utilizam energia solar

Publicação JC

Os produtores de flores e plantas ornamentais de Atibaia, Ibiúna, Holambra e região da via Dutra, no Estado de São Paulo, e Gravatá, em Pernambuco, vão substituir o brometo de metilaBM, gás que age como inseticida e fumigante, por tecnologia desenvolvida pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento .

O BM é altamente contaminante, sendo que cada átomo de bromo do brometo de metila que alcança a estratosfera destrói 60 vezes mais ozônio do que os átomos de cloro dos CFCs (clorofluorcarbono). A iniciativa é da Organização para o Desenvolvimento Industrial das Nações Unidas.

Solo de canteiros

Em lugar de usar o BM, a alternativa encontrada para desinfestação do solo ou substrato são equipamentos que utilizam o vapor d’água e a energia solar. Para tratamento do solo em canteiros, cerca de 27 caldeiras à lenha e 27 injetores de vapor no solo serão entregues às cooperativas e associações de produtores das principais regiões com cultivo de flores e consumidoras de brometo.

Além dos equipamentos, os produtores receberão também até sexta-feira capacitação sobre segurança na operação destas caldeiras, por meio de um técnico em manutenção e treinamento de manejo integrado com o acompanhamento de um agrônomo, com a finalidade de garantir o sucesso na substituição do método de tratamento de solo.

A entrega dos equipamentos está marcada para ser distribuída em Atibaia, SP. Posteriormente, cerca de mil coletores solares, técnica desenvolvida pela pesquisadora Raquel Ghini da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), serão doados aos produtores de flores ainda este ano.

Fonte: Jornal do Commercio

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Destravar o Cérebro – A Transposição e o Aquecimento Global

Por Roberto Malvezzi, Gogó *

12 de janeiro de 2007

Adital – Finalmente a face aterradora do aquecimento global invadiu a grande mídia brasileira. Evidentemente ela não se coloca como parte responsável por incentivar um modelo de desenvolvimento que nos conduziu ao abismo, mas foi obrigada a admitir o óbvio.Ao mesmo tempo o governo anuncia o começo das obras da transposição do rio São Francisco. É o mesmo governo que apóia maciçamente o agronegócio brasileiro, que queima a Amazônia para plantar soja e capim.

Lula não é a liderança para um país chave nos desafios globais que e humanidade hoje enfrenta. Era uma liderança para os anos 80. Sua concepção de desenvolvimento ainda é a de Getúlio, Juscelino – a quem gosta de se comparar – e, muito mais, do regime militar. Não é por acaso que tem chamado Delfin para assessorá-lo. Também na questão da transposição existe um núcleo de militares pensando a obra. O exército é quem começa implantar os canais. Para todos eles, promover o desenvolvimento é fazer grandes obras. É um conceito quantitativo, da velha economia. Se a humanidade vai colidir com os limites de temperatura, água, solos, etc., para eles não vêm ao caso. É preciso desenvolver.

Poderíamos nos perguntar se Alkimin seria melhor. Claro que não. Além de predador, ele é privatista e não tem a sensibilidade social de Lula. Heloísa não soube politizar o processo eleitoral e não se colocou como alternativa. Portanto, não temos no cenário político ninguém a altura do desafio. Também é assim no resto do mundo. Bush só pensa em pôr seu exército para matar pobres no resto do mundo e grande parcela da sociedade americana só pensa em comer. Os europeus vão tomar uma decisão mais séria para redução de gazes que afetam o efeito estufa.

O resultado desse processo mundial e brasileiro já estamos colhendo na revolta do planeta no território brasileiro. O que significa aumentar a temperatura no semi-árido? Há quem fale que será um lugar inabitável, mas um efeito é imediato, isto é, vai aumentar a evaporação das águas estocadas e a transpiração das plantas. Portanto, vamos perder muito mais água pela evapotranspiração do que já perdemos hoje. E vale lembrar que essa equação é a evaporação de três milímitros por cada milimitro de precipitação. A NASA, ainda na década de 90, já dizia que em sessenta anos o São Francisco seria um rio temporário por conta do assoreamento e da evaporação. Se assim for não teremos S. Francisco nem para transposição, nem para geração de energia, para mais nada.

Mais que destravar as grandes obras, precisaríamos destravar o cérebro de nossas lideranças. Com as lideranças que temos o caos é inevitável.

* Agente Pastoral da Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Fonte: Amauta

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Fragmentação da Amazônia ameaça a existência de plantas e animais

WASHINGTON – O tamanho das reservas florestais da Amazônia é muito importante, e sua fragmentação ameaça igualmente a existência de plantas e animais, segundo um estudo que publica hoje a revista “Science”.

Uma equipe liderada por Gonçalo Ferraz, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia no Brasil, estudou os dados de treze anos sobre mais de 40.000 capturas de pássaros em 23 áreas isoladas e não isoladas da selva que ocupam cada uma 600 hectares.

A Amazônia representa 66% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território do Brasil.

O resultado principal do estudo é que os efeitos da extensão da área na presença das espécies de pássaros são muito mais importantes do que a área esteja isolada ou não, uma conclusão que realça a importância da proteção de grandes faixas de floresta primária na Amazônia.

A fragmentação de áreas reduz a floresta amazônica em milhares de quilômetros quadrados a cada ano, e deixa para trás pequenos fragmentos de selva isolados por áreas desmatadas.

Muitas das espécies que vivem nas florestas intactas antes da destruição não estão presentes na selva fragmentada.

Os pesquisadores se perguntaram se seria possível encontrar essas espécies em parcelas igualmente pequenas, mas rodeadas de áreas sem desmatar.

“Não é surpreendente que os fragmentos isolados careçam de muitas espécies”, disse Ferraz.

“Muitos pássaros são tão pouco comuns que raras vezes estão presentes nas parcelas pequenas, até no meio de vastas áreas de vegetação que ninguém tocou”, acrescentou.

O isolamento agrava, para muitas espécies, o efeito criado pelo tamanho da área, mas surpreendentemente não afeta muitas outras espécies.

A maior dificuldade metodológica do estudo, indicam os autores no artigo, é a da detecção dos pássaros.

“Quando são tiradas mostras de uma parcela da floresta é fácil que passem despercebidas espécies que vivem ali”, sublinham.

O tratamento detalhado da dinâmica de 55 espécies de pássaros permitiu uma prova sem precedentes da hipótese científica clássica acerca dos efeitos do tamanho e isolamento da reserva na extinção e colonização local de espécies.

As grandes áreas de floresta compreendem uma variedade suficientemente ampla de condições locais, e de espécies, que asseguram a sobrevivência da Amazônia e seus habitantes.

Em 4 de dezembro de 2006, o Pará anunciou a criação da”maior reserva ambiental do planeta”, que, com 16 milhões de hectares, equivale ao território que ocupam Suíça, Portugal e Dinamarca juntos.

Segundo os especialistas, a região delimitada é habitada por 61 espécies de anfíbios, cerca de 150 de répteis, 195 de mamíferos e outras 700 de aves, que representam quase a metade das espécies de fauna conhecidas na região amazônica.

Com informações do G1

Fonte: Imirante.com

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Biosfera da Amazônia atrai o interesse externo

Paula Andrade

A ampliação do conhecimento sobre as mudanças climáticas que ocorrem na biosfera amazônica e suas implicações para o resto do mundo é o objetivo de centenas de cientistas que vêm atuando em um dos maiores projetos do gênero no País, o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA, da sigla em inglês) — que, hoje, registra a participação de mais de mil pesquisadores, sendo mais de 20% deles estrangeiros, notadamente americanos.

O LBA foi concebido para estudar os efeitos que a floresta Amazônica gera no mundo e os efeitos que as mudanças atmosféricas geram na floresta. O programa começou em 1998, auge das discussões internacionais sobre meio ambiente, e tinha prazo de cooperação financeira com a União Européia e com a Agência Espacial Norte-Americana (NASA), este previsto para quatro anos. De acordo com convênio firmado com os estrangeiros, durante esse período o governo brasileiro deveria se preparar para assumir o projeto. Mas isso não ocorreu, e agora o LBA sobrevive com recursos bem menores do que tinha quando foi iniciado.

Atualmente há 15 projetos em andamento. Já foram produzidos cerca de 150 teses de mestrado e doutorado com a participação de mais de 20 laboratórios.

“Apesar da participação estrangeira, hoje o Brasil detém a grande maioria das publicações científicas e o maior peso dos estudos sobre o clima na Amazônia”, destaca o coordenador regional do LBA, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Flávio Luizão.

Sem dinheiro

Depois de receber volumosos recursos da comunidade internacional e fazer descobertas de importância mundial, o LBA está com dificuldades até para pagar os funcionários e cientistas que continuam o trabalho na floresta.

“Antes vivíamos com uma média de recursos anuais de US$ 15 milhões, com a ajuda de toda a comunidade internacional. Agora temos que viver com os menos de US$ 2 milhões do governo brasileiro. Estamos aprendendo a trabalhar com a realidade das coisas”, lamentou Luizão.

Para não parar o ritmo dos trabalhos, os diretores do LBA começaram a participar de concorrências no exterior em busca de recursos de governos estrangeiros. Ontem, o Diário Oficial da União (DOU) trazia a assinatura de um convênio com o governo da Holanda, legalizando a permanência de um grupo de pesquisadores enviados para ajudar a equipe brasileira. No final do ano passado, o Ministério da Ciência e Tecnologia prorrogou por mais um ano a autorização para 67 pesquisadores estrangeiros participaram do projeto no País por meio do convênio com a Universidade de Harvard. Parte dos pesquisadores pertence a várias instituições, como as universidades da Califórnia, do Colorado e do National Oceanic and Atmospheric Administration, (NOAA), dos Estados Unidos, além do Instituto Max Planck, da Alemanha, da Universidade de Estocolmo, da Suécia.

“Apresentamos projetos nas licitações internacionais, mas são projetos individuais, por períodos curtos, e de poucos recursos. Mesmo assim já ajudam”, explicou o coordenador.

O programa inicial do LBA foi recebido com desconfiança por uma parte dos parlamentares e da sociedade brasileira pela presença da NASA e dos estrangeiros. “Não foram registrados casos de pirataria nem roubo de dados e todo o trabalho de campo foi feito em conjunto com os brasileiros”, atesta o coordenador, apontando que as pressões iniciais proibiram a extensão da pesquisa do clima sobre a biodiversidade — o que poderia abrir uma brecha para a realização de biopirataria pelos cientistas —, ficando restrita ao sensoriamento remoto.

Descobertas inovadoras

“A Amazônia não é um ecossistema, é um conjunto muito grande de ecossistemas, cuja dinâmica é muito importante para o clima mundial”, avalia Adalberto Luis Val, diretor do Inpa. Em julho do ano passado, o Brasil e os Estados Unidos assinaram outro convênio para garantir a manutenção das pesquisas climáticas e seus efeitos na vida da floresta, denominado “Determinantes Biológicas de Fragmentos Florestais”, também gerido pelo Inpa.

O programa permitiu avanços nos estudos dos impactos climáticos para monitorar a seca e o efeito ‘El Niño’. Segundo Luizão, foi possível mensurar os reflexos dessas alterações na fisiologia das plantas — como as mudanças nas suas raízes e folhas, além dos efeitos do ozônio na baixa atmosfera em relação à produtividade da lavoura. Outra novidade gerada pelo governo — segundo os estudos do Inpa — é que o LBA já comprovou, por exemplo, que os desflorestamentos e as queimadas na Amazônia, aceleram o efeito estufa e reduzem a radiação solar para fotossíntese das plantas em até 60%.

O LBA também aponta dúvidas, como a possível mudança do papel da floresta de absorver o dióxido de carbono após o aumento da queima de suas árvores, o que a tornaria um grande emissor desses gases. A sua função de limpar o ar ao reter esse gás pode ter sido alterado pelos incêndios, que liberam o carbono contaminando o ar e invertendo o papel de filtro da floresta.

Em outra pesquisa, o LBA descobriu que as árvores têm mecanismos que lhes permitem sobreviver às vazantes extremas dos rios, como a de 2005. Mas o programa ainda não apontou com evidências se aquela seca foi resultado das mudanças climáticas globais ou provocada pelas queimadas na região. Na pesquisa intitulada “Seca Floresta”, coordenada por Rafael Oliveira, Ph.D. em Biologia Integrativa, foi feita a simulação por três anos da redução das chuvas pela metade e apontou que as grandes árvores conseguem sobreviver a essas vazantes. O trabalho revelou que as raízes centrais conseguiam transportar água de áreas mais profundas do solo, abundante em boa parte da região, durante a noite.

Fonte: DCI

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Índios de Alagoas preparam legado para gerações

A escola é o ponto de encontro para o início do ritual. Aos poucos, os rostos começam a ganhar colorido da pintura feita com uma tinta escura. Colares, cocás, brincos e pulseiras complementam os adornos. É hora de seguir para a mata, onde o grupo dançará o toré, invocando aos deuses saúde e paz. O líder da turma, um adolescente nascido na aldeia, comanda a dança, que é seguida pelos menores.

O ritual faz parte de uma das mais antigas tradições dos xucurus kariris, tribo indígena localizada em Palmeira dos Índios, no Sertão de Alagoas. Na aldeia Mata da Cafurna, no alto de uma serra onde vivem pouco mais de 500 moradores, crianças e adolescentes dançam para manter os costumes passados pelos mais velhos e ameaçados pela ocupação do homem branco.

Orgulho de ser índia – Os curumins, como são chamados os pequenos índios, têm lugar de destaque nas reuniões do Conselho Tribal, participam dos projetos político-pedagógicos da escola e de ações de limpeza da aldeia. Tudo para que estejam sempre envolvidos com as lutas da comunidade. Ensinamentos que eles parecem ter aprendido bem.

Niranike tem 13 anos, cursa a 8ª série do ensino fundamental e sente orgulho de sua origem. Não pensa em deixar o lugar onde nasceu e tudo o que sonha é conquistar uma profissão para ajudar seu povo.

Ervas dão prêmio – Aldeia pretende resgatar tratamentos usados pelos ancestrais para curar doenças com a ajuda das plantas É da mata que os índios da tribo Wassu Cocal, no município de Joaquim Gomes, querem voltar a obter a fonte de saúde para as atuais e futuras gerações, como faziam seus ancestrais.

Com uma variedade de plantas, raízes, sementes e frutas, os índios querem transformar as ervas em xaropes, “garrafadas”, chás e outros ungüentos que garantem curar das mais simples às mais graves doenças. O projeto “Buscando valores culturais através das ervas”, premiado pelo Ministério da Cultura, foi elaborado pela diretoria da Associação de Pais Mestres da tribo e a proposta é preservar a cultura por meio das plantas.

Cimi teme desagregação – O anúncio da premiação a tribos indígenas de Alagoas pelo Ministério da Cultura não é visto com bons olhos pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em Alagoas, que considera a proposta um passo para a desagregação das comunidades. “Prêmio como esse representa um grande perigo; um risco de tornar folclórica a questão indígena”, diz Jorge Vieira, integrante do Cimi em Alagoas.

Ele entende que se é para incentivar a causa indígena e dar condições de sobrevivência aos índios, “que o governo ponha em prática políticas públicas que atinjam toda a comunidade, e não grupos isoladamente. NIVIANE RODRIGUES (Leia mais na edição de hoje da GAZETA DE ALAGOAS)

Fonte: GazetaWeb.com

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Uvas ao sol

Luiz Carlos Zanoni

Os vinhos estremeceram nas adegas e prateleiras quando soaram os acordes dramáticos do Jornal Nacional e Fátima Bernardes, com a habitual expressão tensa, deu a notícia. “Cientistas informam que 2007 será o ano mais quente destes últimos séculos”. O fenômeno resultará da ocorrência do ‘El Niño’ nas águas do Pacífico, combinada com o efeito estufa e mudanças na atividade solar. Péssimo para a atividade vitivinícola. Calor excessivo e vinho não se dão bem. Aquele prejudica a boa evolução deste nas barricas e garrafas, além de acelerar o amadurecimento das uvas no vinhedo, proporcionando frutas com açúcar e acidez em desequilíbrio.

Os consumidores já notaram a tendência de aumento na graduação alcoólica dos vinhos. O nível de 13°, antes tido como elevado, hoje se tornou comum, sendo freqüentes as taxas acima de 14°. Vinhos com margem alcoólica expandida tendem a ser corpulentos, oferecendo na boca uma sensação maior de peso, maciez e doçura. Nem sempre é fácil harmoniza-los com a comida. Mas o estilo tem apreciadores. O mercado norte-americano adora, influenciado por críticos como Robert Parker, admirador confesso dos tintos com estrutura e concentração.

A graduação alcoólica no vinho pode ser alta desde que compensada por uma acidez equivalente, caso contrário a bebida se torna insossa, quente, fatigante – duas ou três taças são o limite. O clima dita a harmonia. Quando verde, a fruta contém muita acidez e pouco açúcar. Na medida em que amadurece, a relação se inverte, sobe o açúcar, desce a acidez, como numa gangorra. Em anos normais essa transição é lenta e gradual, ficando fácil para o enólogo determinar o exato momento da colheita. Ondas de calor, entretanto, provocam abruptas e inesperadas inversões. A acidez some de repente e as frutas, açucaradas, irão oferecer, após a fermentação, vinhos alcoólicos e desequilibrados.

Muitos produtores não duvidam de que o aquecimento global já chegou aos vinhedos. O problema é sentido com intensidade maior em regiões do Novo Mundo de clima semidesértico, com insolação por si já bastante elevada. Roberto González, enólogo da Nieto Senetiner, diz que as temperaturas em Mendoza mostram uma tendência constante de alta, afetando, sobretudo, as uvas tintas, cuja casca escura retém mais o calor. Por prevenção, a bodega está transferindo para áreas mais elevadas e frias da cordilheira seus vinhedos de Malbec e Cabernet Sauvignon. González resgatou também um antigo sistema de condução das plantas, sem os postes aramados. As vinhas crescem em forma de arbusto, formando uma copa que protege as frutas do sol.

O desconforto com a graduação alcoólica da bebida se evidencia nos rótulos. Essa informação, obrigatória, costumava figurar na parte inferior da etiqueta principal. Agora está nos fundos, na contra etiqueta, em letras miúdas ou camuflada entre irrelevâncias como endereço e CNPJ do importador. Algumas casas se dão ao requinte de imprimi-la em cor quase semelhante à do rótulo. A ordem é não chamar a atenção.

Os vinhos de Bordeaux, por muitos considerados um modelo em elegância, mantém a dosagem alcoólica entre 12,5 e 13,5°, padrão que se repete na Borgonha. No Norte da Itália, Piemonte e Toscana também produzem tintos equilibrados, como os bons Chiantis, Barbarescos, Valpolicelas ou Barberas. As exceções são os Barolos e Amarones. Estes últimos – feitos com uvas postas a secar em barracões para que se desidratem e concentrem o açúcar – chegam aos 16° alcoólicos, o que os torna próximos de um vinho do Porto. A Europa também tem regiões quentes, com vinhos que não negam a origem, como, na Espanha, o Priorato e Penedés; em Portugal, o Douro e o Alentejo; na Itália, a Sicília.

Mas estão no chamado Novo Mundo vinícola – países como Estados Unidos, Chile, Argentina, Austrália e África do Sul – os rótulos mais generosos em álcool. Atualmente, poucos vinhos dessas procedências ostentam taxa inferior a 14°. Tintos assim, corpulentos, pedem à mesa pratos de semelhante consistência, como carnes de caça, guisados, assados, bifes de panela ou embutidos. Convém resfriá-los mais ou menos a 18°. Não caia nessa de servir à temperatura ambiente. Os termômetros, nestes dias, andam acima dos 25°, acentuando o caráter alcoólico da bebida.

Há boas razões para crer que o ano e os vinhos serão quentes em 2007. Quem faz a previsão é o MET, o serviço de meteorologia britânico, que existe desde 1659 e se orgulha de trabalhar com margem de erro de apenas 0,06 graus Celsius.

[…]

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