Plantas da Amazônia podem gerar negócios

A andiroba é boa para combater demartoses e hidratar a pele. O muru-muru é usado para regular o equilíbrio hídrico e a atividade dos lipídeos da camada superficial da pele. A ucuúba é ótima como antiinflamatório, cicatrizante, revitalizante e anti-séptico. O cupuaçu, além do seu valor nutritivo, também é revitalizante da pele.

Essas são algumas das receitas indicadas pela empresa Naturais da Amazônia, de Belém (PA), que desde 2003 vende com sucesso pela Internet, para o Brasil e o mundo, produtos originários de plantas da floresta amazônica. A empresa compra os produtos dos trabalhadores extrativistas da região e os vende em forma de cremes, óleos e sabonetes totalmente naturais.

O comércio do tipo praticado hoje pela Naturais da Amazônia é um dos objetivos a que se propõe o Ministério do Meio Ambiente (MMA) nas cinco publicações que realizará sobre as 775 espécies brasileiras catalogadas como plantas do futuro, que têm uso local, mas não tiveram ainda projeção nacional.

“São as frutas, os remédios, os temperos, os óleos de amanhã. Relacionamos aquilo que já tem uso local, entre as comunidades, mas que ainda não ganhou projeção nacional”, destacou o coordenador da área de recursos genéticos do MMA, Lídio Coradin, em matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense sobre as chamadas “plantas do futuro”.

Compostas por frutas, raízes e árvores da Amazônia, que são desconhecidas do mercado consumidor brasileiro, mas já exportadas para muitos países, as plantas do futuro podem se transformar numa grande fonte de renda para os trabalhadores extrativistas da região da maior floresta tropical do mundo.

A idéia das publicações do MMA é fomentar, além da utilização local, oportunidades empresariais na Amazônia a partir das plantas do futuro. “Distribuiremos os livros com explicações aprofundadas sobre as espécies de cada região, suas potencialidade, e faremos seminários para incentivar os empreendedores”, afirmou o coordenador de recursos genéticos do ministério.

O técnico destacou que a idéia é que, no lugar do mamão e melão, presentes no café da manhã do brasileiro, passe a ter nas mesas, por exemplo, frutas como araticum, pupunha, araçá-boi e bacuri. Assim como faz a Naturais da Amazônia, das plantas silvestres da mata brasileira é possível também produzir óleos, essências, medicamentos, cosméticos e artesanatos.

O sucesso das velas de Silves

Segundo afirmou ao jornal brasiliense o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Charles Clement, que há 30 anos tem se embrenhado na floresta amazônica, as espécies nativas são de fácil identificação. “Difícil é transformar as oportunidades em lucro”, disse o pesquisador, ao acrescentar que os obstáculos são ainda maiores em locais afastados dos grandes centros, sobretudo do Sudeste. “Aqui, na região amazônica, sobra biodiversidade, mas faltam academias, onde as espécies possam ser estudadas e melhoradas, além de empresários dispostos a investir”, destacou Clement.

O pesquisador do Inpa apontou a pequena cidade de Silves, a 280 km de Manaus (AM) como uma exceção de local de negócio bem sucedido na Amazônia. Com menos de 10 mil habitantes, aquela cidade amazonense formou há seis anos a Associação Vida Verde da Amazônia (Avive) com o objetivo de produzir velas com essências oriundas da floresta, extraídas de plantas como pau-rosa, andiroba e copaíba. A produção, que inicialmente era Comprada inicialmente apenas pelo hotel da cidade, a produção de Silves já é encontrada hoje nas prateleiras da rede de supermercados Pão de Açúcar. São produzidas cinco mil velas por mês, que vão para feiras, exposições e encomendas de revendedores.

Falando ao jornal brasiliense, Franciane Souza Canto, uma das coordenadoras da Avive, lembrou que a transformação na vida das mulheres participantes do projeto é latente. “No início, muita gente não acreditava, até a população da cidade desconfiava. Agora temos orgulho, já viajamos para falar da experiência, promovemos cursos por meio da Avive”, destacou Franciane.

Com a produção, cada membro da Associação consegue tirar cerca de R$ 150 por mês, o que representa um grande reforço no orçamento doméstico, especialmente quando se vive na cidade de Silves. Com a expansão da associação, as mulheres buscaram apoio da organização não-governamental WWF no Brasil.

Em 2002, o projeto recebeu um prêmio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Para este ano, a Avive planeja construir uma fábrica de sabonetes e deve receber o aval da Agência Nacional da Vigilância Sanitária. “Há um ano e meio estamos participando de reuniões, já fechamos um financiamento no banco e agora aguardamos o sinal positivo do estado”, disse a produtora de velas Franciane.

Riquezas são desconhecidas

O Ministério do Meio Ambiente informou que das 775 espécies destacadas em seu relatório, dentro do Projeto de Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira, 148 são plantas ornamentais, 70 podem ser usadas como alimentação, 99 têm propriedades medicinais, nove são recomendadas para a fabricação de aromas e 31 para a produção de óleos.

Segundo Lídio Coradin, que coordenou a formação do catálogo, faltam informações sobre as riquezas do país. “As escolas não ensinam sobre as frutíferas nativas, como o araticum, cagaita, cajuzinho do cerrado. Pelo contrário, as crianças só conhecem a pêra, a maçã, entre outros gêneros alimentícios que não são originários do Brasil”, destacou o pesquisador.

Apesar de desconhecidas no mercado consumidor brasileiro, as plantas nativas estão cada vez mais de tornando populares no exterior. Esse é o caso do camu-camu, fruta típica da Amazônia com 20 vezes mais vitamina C do que a acerola, que já está sendo exportada para os Estados Unidos, Japão e Europa a preços irrisórios. Outro exemplo de celebridade brasileira no exterior é a goiaba serrana, típica do Sul do país, que tem sido utilizada para fazer sucos, biscoitos, geléias, óleos e champanhe na Nova Zelândia. “Eles lá tiram o máximo de uma espécie, nós aqui tiramos o mínimo”, disse Coradin ao jornal brasiliense.

Para o pesquisador do MMA, inúmeras espécies poderiam substituir, no prato do brasileiro, os produtos de fora. “Somos muito dependentes na alimentação, embora tenhamos a maior biodiversidade do mundo. Veja que 60% da energia que consumimos está no arroz, trigo, milho e batata. E nenhum é nosso”, afirma o especialista. Para ele, o desafio agora é tornar as espécies conhecidas e fomentar a sua utilização, inclusive para fins comerciais, sem perder de vista a preservação ambiental.

O pesquisador destacou o açaí, fruta originária da Amazônia, como um exemplo emblemático de espécie que ganhou projeção nacional e até internacional. Típica na mesa dos paraenses, amazonense, acreanos e outras populações amazônicas, a popularidade do açaí foi impulsionada em meados dos anos 90, quando o seriado “Malhação”, da TV Globo, vinculava o açaí ao vigor físico. Desde então, a fruta se tornou febre entre freqüentadores de academias. Hoje, pode ser facilmente encontrada em lanchonetes e restaurantes do país.

Fonte: Kaxiana

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