A lição por uma flor, a orquídea

Alexandre Reis

Gosto de flores e um dos meus hobbies é a jardinagem. Costumo também de oferecer flores em momentos especiais e no aniversário de minha mulher, é meu hábito dar-lhe um ramos de rosas.

Um dia comprei um vaso com bonitas flores, no caso orquídeas.

As flores cumprem a sua função, mas chega o momento do seu apagamento e o vaso fica apenas com as folhas, quais simples lanças. Passou o vaso para as minhas mãos.

No ano seguinte e no outro ainda não apareceram flores. Pareceu-me que o vaso era já pequeno para o porte daquela planta. Era necessário transvasá-lo para outro maior. Optei por fazer uma divisão por dois vasos. Comprei-os juntamente com a terra apropriada e fiz essa operação.

As plantas ficaram bem, mas no ano seguinte também não deram flor. Pensamos que tinham perdido a capacidade de florir, mas os vasos com as respectivas plantas ficaram no seu lugar na varanda do nosso quarto.

Decorreu mais um ano. Um dia fomos distraidamente à varanda regar as plantas, essencialmente os pelargónios que já haviam passado pelo arranjo de Inverno. Ao olharmos para um dos vasos de orquídeas, notamos uma haste, onde espreitavam alguns tímidos botões, depois uma outra. Reparando, agora com atenção para o outro vaso, verificamos que, também nele estavam presentes essas hastes com botões a espreitar-nos.

Passamos a tratar deles com maior cuidado e atenção. Os botões foram-se desenvolvendo. Chegou o momento de os trazer para a sala, para um nosso mais íntimo convívio. Os botões continuaram a desenvolver-se e as flores começaram a espreitar e a crescer, transformando-se em dois bonitos vasos floridos.

Vejo nestas flores um mistério. Há como que uma demonstração dum trabalho em profundidade, que não se vê, mas que no momento próprio dá os seus frutos.

No nosso dia a dia, somos quase sempre levados a apreciar os outros pelo imediato. A nossa vida é permanentemente medida a olhos humanos pelo que fazermos ou conseguimos. Cai então sobre nós um juízo inflexível.

E, quantas vezes, como nos ensinaram aquelas orquídeas, é na sombra, onde não há resultados imediatos, mas alguma coisa vai sendo acrescentada, numa construção sólida e a Obra se vai perfazendo.

No entanto, o edifício humano é fraco, a autoconfiança esmorece e facilmente caímos no desânimo.

Só o acreditar na presença dum plano onde estamos enquadrados e que não fomos deixados sozinhos nas nossas fraquezas, nos pode dar forças e ânimo para prosseguir na nossa caminhada.

Antes de mais, cada um de nós está sozinho no meio dos outros. A nossa resposta é individual e só pode ser dada por cada um de nós…

Que grande lição nos deram estas flores!…

*mabcreis@hotmail.com
Engenheiro
Escreve no JANEIRO, quinzenalmente ás segundas-feiras

Fonte: O Pirmeiro de Janeiro

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