1 ano de Blog Tudo Sobre Plantas – Estatísticas Gerais

Completamos em 18 de abril de 2007, 01 (hum) ano de existência do Blog Tudo Sobre Plantas.

De lá pra cá, foram apresentadas diversas notícias, informações, artigos, fotos e outros assuntos relacionados a plantas.

Estatísticas Gerais:

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Que bom poder compartilhar esta excelente notícia com vocês!

Tudo de bom,

Anderson Porto

Colonialismo e Agroenergia

Objetivo central do encontro do presidente Lula com George W. Bush foi melhorar a imagem do governo estadunidense na América Latina

02/04/2007

Maria Luisa Mendonça e Marluce Melo *

“Poderíamos construir projetos para países pobres não verem nos países ricos apenas países exploradores”. Essa proposta feita pelo presidente Lula durante a visita de Bush ao Brasil, no dia 9 de março, sintetiza o principal objetivo do encontro — melhorar a imagem do governo estadunidense na América Latina.

Para isso, agenda oficial da viagem de Bush ao Brasil utilizou a agroenergia como tema central. “Todos nós nos sentimos na obrigação de sermos bons cuidadores do meio ambiente”, afirmou Bush em seu discurso oficial. E Lula acrescentou “Queremos ver as biomassas gerarem desenvolvimento sustentável na América do Sul, na América Central, no Caribe e na África”. O Brasil e os estados Unidos são responsáveis por 70% da produção de etanol no mercado mundial.

Sob o pretexto de contribuir para o “bem da Humanidade” (frase utilizada por Lula em seu discurso), o encontro representou, na verdade, uma estratégia de marketing para Bush, para transnacionais que pretendem lucrar com agroenergia e para os usineiros no Brasil, acusados historicamente de violar direitos trabalhistas e destruir o meio ambiente. Dias depois, Lula afirmou que os usineiros são “heróis nacionais e mundiais”.

O principal resultado do encontro entre os dois presidentes foi a assinatura de um memorando de intenções para estimular a produção de etanol em diversos países. Segundo o subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado dos EUA, Nicholas Burns, essa parceria pode significar uma “revolução mundial”.

Apesar do esforço dos dois governos para tornar o encontro bem sucedido, a medida considerada mais importante por Lula e pelos usineiros durante a visita de Bush, que era a suspensão da sobretaxa de importação do etanol brasileiro nos Estados Unidos, não foi atendida. A idéia é levar o tema para o âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio). Nesse sentido, Lula propôs que Brasil e Estados Unidos chegassem a um acordo para retomar as negociações da Rodada de Doha na OMC. Há especulações de que o Brasil estaria negociando um acordo a qualquer preço, inclusive para influenciar outros países a fazerem o mesmo.

Para Bush, os objetivos são claros: melhorar sua imagem junto à opinião pública internacional, já que os Estados Unidos são responsáveis por 25% da poluição atmosférica do mundo e, principalmente, contrapor a influência de países latinoamericanos onde existe forte sentimento antiimperialista, como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Porém, além de enfrentar protestos e ter que montar esquemas de segurança jamais vistos na história (na cidade de São Paulo foram interditados 35 km durante a visita), a viagem de Bush à América Latina foi ofuscada pela gira simultânea de Hugo Chávez na região. Por onde passou, o presidente Chavez foi recebido com grandes comícios e manifestações de apoio. Na Argentina, falando para um público de cerca de 40 mil pessoas, afirmou que “é loucura utilizar as boas terras e as águas doces que nos restam para alimentar os veículos do Norte”.

O governo dos Estados Unidos oferece incentivos fiscais para que suas indústrias aumentem o percentual de óleo vegetal no diesel comum. Porém, seria necessário utilizar 121% de toda a área agrícola dos EUA para substituir a demanda atual de combustíveis fósseis naquele país.

Neste contexto, o papel do Brasil seria fornecer energia barata para países ricos, o que representa uma nova fase da colonização. As atuais políticas para o setor são sustentadas nos mesmos elementos que marcaram a colonização brasileira: apropriação de território, de bens naturais e de trabalho, o que representa maior concentração de terra, água, renda e poder.

O falso conceito de energia “limpa e renovável”

É preciso desmistificar a propaganda sobre os supostos benefícios dos agrocombustíveis. O conceito de energia “limpa” e “renovável” deve ser discutido a partir de uma visão mais ampla que considere os efeitos negativos destas fontes. No caso do etanol o cultivo e o processamento da cana poluem o solo e as fontes de água potável, pois utilizam grande quantidade de produtos químicos. Cada litro de etanol produzido consome cerca de12 litros de água, o que representa um risco de maior escassez de fontes naturais e aqüíferos.

A queimada da cana serve para facilitar a colheita, porém essa prática destrói grade parte dos microorganismos do solo, polui o ar e causa doenças respiratórias. O processamento da cana nas usinas também polui o ar através da queima do bagaço, que produz fuligem e fumaça. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais tem decretado estado de alerta na região dos canaviais em São Paulo (maior produtor de cana do país) porque as queimadas levaram a umidade relativa do ar a atingir níveis extremamente baixos, entre 13% e 15%.

No caso da soja, as estimativas mais otimistas indicam que o saldo de energia renovável produzido para cada unidade de energia fóssil gasto no cultivo é de 0,4 unidades. Isso se deve ao alto consumo de petróleo utilizado em fertilizantes e em máquinas agrícolas. Além disso, a expansão da soja tem causado enorme devastação das florestas e do cerrado no Brasil.

Mesmo assim, a soja tem sido apresentada pelo governo brasileiro como principal cultivo para agrodiesel, pelo fato do Brasil ser um dos maiores produtores do mundo. “A cultura da soja desponta como a jóia da coroa do agronegócio brasileiro. A soja pode ser considerada a cunha que permitirá a abertura de mercados de biocombustíveis”, afirmam pesquisadores da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

O governo estima que mais de 90 milhões de hectares de terras brasileiras poderiam ser utilizadas para produzir agrocombustíveis. Somente na Amazônia, a proposta é cultivar 70 milhões de hectares com dendê (óleo de palma). Este produto é conhecido como “diesel do desmatamento”. Sua produção já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia. Na Malásia, maior produtor mundial de óleo de palma, 87% das florestas foram devastadas.

Além da destruição de terras agrícolas e de florestas, há outros efeitos poluidores neste processo, como a construção de infraestrutura de transporte e armazenamento, que demandam grande quantidade de energia. Seria necessário também aumentar o uso de máquinas agrícolas, de insumos (fertilizantes e agrotóxicos) e de irrigação para garantir o aumento da produção.

No Brasil, a expansão de monoculturas para a produção de agrocombustíveis deve ampliar a grilagem de grandes áreas de terras públicas pelas empresas produtoras de soja, além de “legalizar” as grilagens já existentes. O ciclo da grilagem no Brasil costuma começar com o desmatamento, utilizando-se de trabalho escravo, depois vem a pecuária e a produção de soja. Atualmente, com a expansão da produção de etanol, este ciclo se completa com a monocultura da cana. Estas terras poderiam ser utilizadas na reforma agrária, para a produção de alimentos e para atender a demanda histórica de cerca de cinco milhões de famílias sem terra.

Em muitas regiões do país, o aumento da produção de etanol tem causado a expulsão de camponeses de suas terras e gerado dependência da chamada “economia da cana”, onde existem somente empregos precários nos canaviais. O monopólio da terra pelos usineiros gera desemprego em outros setores econômicos, estimulando a migração e a submissão de trabalhadores a condições degradantes.

Apesar da propaganda de “eficiência”, a indústria de agroenergia está baseada na exploração de mão-de-obra barata e até mesmo escrava. Os trabalhadores são remunerados por quantidade de cana cortada e não por horas trabalhadas. No estado de São Paulo, maior produtor do país, a meta de cada trabalhador é cortar entre 10 e 15 toneladas de cana por dia. Entre 2005 e 2006 foram registradas 17 mortes de trabalhadores por exaustão no corte da cana. Esse padrão de exploração está presente na indústria da cana em toda a América Latina e agora deve se expandir sob o falso argumento de que representa uma fonte de energia “renovável”.

Durante a chamada “crise do petróleo”, na década de 70, o Brasil passou a desenvolver tecnologia para a produção de etanol. Naquele período, o projeto denominado Pró-Álcool” foi combatido por empresas petroleiras, inclusive pela Petrobrás. Atualmente a situação se inverteu, pois empresas petroleiras vêem com grande interesse a possibilidade de lucrar com a distribuição de agrocombustíveis. Há ainda a participação de empresas automotoras no setor, que já prevêem o aumento das vendas de veículos “flex”, movidos tanto a gasolina como etanol.

A expansão da produção de agroenergia é também de grande interesse para empresas de organismos geneticamente modificados como Monsanto, Syngenta, Dupont, Dow, Basf e Bayer, que esperam obter maior aceitação do público se difundirem os produtos transgênicos como fontes de energia “limpa”. No Brasil, a empresa Votorantin tem desenvolvido tecnologia para a produção de cana transgênica para a produção de etanol. Muitas dessas empresas passaram a desenvolver tipos de culturas não comestíveis, somente para a produção de agroenergia. Como não há meios de evitar a contaminação dos transgênicos em lavouras nativas, essa prática coloca em risco a produção de alimentos.

A expansão da produção de agrocombustíveis coloca em risco a soberania alimentar e pode agravar o problema da fome no mundo. No México, por exemplo, o aumento das exportações de milho para abastecer o mercado de etanol nos Estados Unidos causou um aumento de 400% no preço do produto, que é a principal fonte de alimento da população.

Experiências de produção de matéria prima para agroenergia por pequenos agricultores demonstraram o risco de dependência a grandes empresas agrícolas, que controlam os preços, o processamento e a distribuição da produção. Os camponeses são utilizados para dar legitimidade ao agronegócio, através da distribuição de certificados de “combustível social”.

Este modelo causa impactos negativos em comunidades camponesas, ribeirinhas, indígenas e quilombolas, que têm seus territórios ameaçados pela constante expansão do capital. Além disso, a falta de uma política de apoio à produção de alimentos pode levar camponeses a substituir seus cultivos por agrocombustíveis e, com isso, comprometer a soberania alimentar. No Brasil, os pequenos e médios agricultores são responsáveis por 70% da produção de alimentos para o mercado interno.

Historicamente, a rebeldia camponesa contra o avanço do capital no meio rural tem garantido a alimentação de nossos povos. Grandes multinacionais disputam o controle de recursos naturais como terra, água e biodiversidade, o que coloca em risco a identidade camponesa e até mesmo a sobrevivência de nossas sociedades. Portanto, o que está em jogo é o enfrentamento a um modelo colonial, com todas as características próprias da colonização—predatória, destrutiva, exploradora, violenta.

Esta é a verdadeira face da indústria da agroenergia, controlada pelas mesmas empresas petroleiras, automotivas e agrícolas que destroem as florestas e poluem o meio ambiente. Sob o pretexto de criar a nova “civilização da fotossíntese” ou dos supostos benefícios de uma nova matriz baseada na agroenergia, grandes transnacionais e elites locais procuram expandir seu monopólio em nossos territórios.

– Maria Luisa Mendonça é membro da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

– Marluce Melo é membro da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Fonte: Brasil de Fato

Teruel defende estudo sobre plantas no combate contra dengue

O deputado estadual Pedro Teruel – PT, presidente da Comissão de Trabalho, Cidadania e Direitos Humanos e propositor da CPI da Dengue, defendeu hoje a realização de estudos sobre a utilização de plantas medicinais no tratamento da doença e no combate ao mosquito Aedes aegypti.

“Há algumas espécies de plantas com características de amenizar o sofrimento de quem está com dengue. E o tratamento homeopático tem sido mais barato que os remédios tradicionais. Se houver no próximo ano uma nova epidemia como a atual, estaremos preparados para o tratamento de pessoas com sintomas do vírus da dengue com baixo orçamento, priorizando recursos para a prevenção de focos de reprodução e proliferação do mosquito”, descreve Teruel.

O deputado cita um tratamento que começou a ser praticado há um mês em São José do Rio Preto – a 440 quilômetros de São Paulo. A iniciativa que já foi aplicada durante epidemia no ano passado em Cuba consiste no uso de um medicamento homeopático

Que alivia os sintomas da dengue desenvolvido pelo Ambulatório de Homeopatia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – Famerp, associando três substâncias.

Foram gastos R$ 500 para produzir 50 frascos com gotas suficientes para atender 50 mil pacientes.

O objetivo do medicamento é reduzir a febre e dores pelo corpo dos pacientes durante o tratamento. As pessoas que não contraíram o dengue também podem administrar a dosagem para que a intensidade da doença diminua em caso de contaminação. Não há efeitos colaterais e nem contra-indicações e uma dose equivale a duas gotas.

“É preciso utilizar todos os meios de tratamento e de combate à doença. A utilização de homeopatia no tratamento das pessoas com o vírus da dengue é equivalente à utilização de aeronaves no trabalho de prevenção. São ações que devem ser analisadas cuidadosamente pelos técnicos e profissionais de cada setor para que Mato Grosso do Sul não tenha mais casos, contribuindo negativamente para que o Estado tenha metade dos casos de dengue no Brasil”, descreve Teruel.

O parlamentar também ressalta que medidas urgentes foram tomadas pelo Poder Público em outras regiões do Brasil com índice de casos inferior ao de Mato Grosso do Sul. São José do Rio Preto, por exemplo, priorizou as atividades de combate e novas técnicas de tratamento com 0,94% da população com dengue. Cuba decretou epidemia quando 1% da população sofria efeitos da doença. Mato Grosso do Sul a dengue atingiu 2,5% dos habitantes nos últimos dias. Já são mais de 60 mil casos registrados.

Fonte: MS Notícias

Sobre a revitalização do S. Francisco

E uso de plantas nativas medicinais.

A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está desenvolvendo três projetos de pesquisa nas áreas de biotecnologia e Ecologia, durante dois anos, por intermédio curso de Mestrado em Ciências Biológicas. Dois desses estudos estão relacionados à revitalização da Bacia do Rio São Francisco e o outro sobre utilização de plantas nativas na fabricação de medicamentos.

Os recursos (R$ 1,43 milhão) serão disponibilizados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Financiadora Nacional de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Os recursos financeiros já começaram a ser liberados, e serão aplicados, também, na estruturação de novos laboratórios, instalados recentemente pela universidade.

Rio São Francisco

Um dos projetos tem o título de “Ecologia, conservação e uso sustentado em áreas da transição entre os biomas caatinga e cerrado no médio São Francisco”, e será desenvolvido em parceria com as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e Viçosa (UFV). O objetivo é a investigação das características e funções das matas ciliares do médio São Francisco, além da avaliação da qualidade e do uso sustentado dos recursos hídricos.

Será realizado um diagnóstico voltado para implementação das ações para a conservação e recuperação dos recursos naturais, como parte do “Programa de Revitalização do Rio São Francisco”.

Outro estudo a ser desenvolvido na Unimontes (aprovado pelo CNPq e pela Finep/Ministério da Ciência e Tecnologia), está relacionado à preservação do rio São Francisco, inserido na “Seleção de Propostas de ações para intervenção em Zonas Úmidas Brasileiras”. Os levantamentos serão realizados na bacia do Rio Pandeiros, no município de Januária (Norte de Minas), que abriga o único pântano do Estado e funciona como “berçário” das diversas espécies de peixes da bacia do São Francisco.

Medicamentos

O terceiro projeto, denominado “Estruturação da Rede Mineira de Biotecnologia – Bioensaios e Biotério (Rede Bio)”, tem como meta a realização de pesquisas em espécies animais e vegetais, objetivando a fabricação de medicamentos. Essa rede de investigação científica envolve diversas instituições, incluindo as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG), de Viçosa (UFV), de Ouro Preto (UFOP), de Lavras (UFLA) e de Juiz de Fora (UFJF). A pesquisa visa, principalmente, relacionar o uso de plantas nativas na produção de medicamentos.

Fonte: Minas Vestibular

Seu carro a álcool e os cadáveres da cana

O brasileiro anda por aí achando o caos aéreo uma vergonha nacional.Tem razão. As pessoas estão indignadas com o desprezo do governo. Mandam cartas aos jornais, assinam aquela lista da CPI em pleno saguão dos aeroportos e entram na Justiça clamando por indenizações milionárias.

O Brasil também ficou indignado, todos ficamos, com a cara-de-pau do presidente americano George W. Bush, de vir aqui, conhecer nossa tecnologia para extração do álcool, assinar acordo de cooperação e dizer que não pode fazer nada para derrubar as sobretaxas ao nosso etanol impostas pelo lobby dos produtores de lá sobre os parlamentares.

A violência urbana, devido às mortes terríveis, também comove a sociedade. Muitos saem em defesa da pena de morte e o país caiu num debate sem fim sobre a redução da idade penal, depois do assassinato do menino João Hélio.

No entanto, uma notícia – divulgada dia 31 de março e dia 1º de abril – no jornal O Estado de S. Paulo mostrou como a sociedade brasileira está preocupada com os problemas nacionais desde que esses problemas sejam seus vizinhos.

A notícia dava conta da morte de José Pereira Martins, de 51 anos, cortador de cana-de-açúcar, de enfarte do miocárdio, em plena plantação, depois de um dia de trabalho.

Ele é apenas mais um trabalhador vítima do excesso de trabalho. A reportagem de José Maria Tomazela desenha um quadro assustador do interior de São Paulo.

Aqui vale um parênteses: há dois interiores, um rico, onde a riqueza do agronegócio chega de forma mais democrática ao trabalhador. Outro atrasado e anacrônico. A indústria canavieira, por exemplo, melhorou muito, mais ainda é o Wal-Mart do agronegócio.

A reportagem informa que 260 mil trabalhadores irão cortar cana este ano. Como as espécies transgênicas são mais leves e os trabalhadores ganham por tonelada cortada, precisam cortar de 10 a 20 toneladas POR DIA para manter o mesmo salário. Logo, os mais velhos, com 60, 70 anos são excluídos.

Há preferência pelo porte valorizado pelos senhores de escravo do século 17. A demanda é por mão-de-obra altamente produtiva e de baixo custo. Os imigrantes nordestinos chegam em ônibus clandestinos e trabalham até o corpo não mais suportar.

Foi assim com José. Tombou, depois de um dia de trabalho estafante.

Ele trabalhava há 4 anos e meio nas terras do Grupo Cosan, na região de Ribeirão Preto. O grupo, da família de Rubens Ometto, é um dos maiores produtores de cana e álcool do mundo.

O curioso é a notícia desta morte, no dia seguinte, embrulhar peixe para ser consumido na semana santa.

Não houve suíte (acompanhamento da notícia pelo jornal), cartas aos jornais, processos por meio de grupos organizados, manifestação do governo. Nada. Nenhuma indignação.

Nenhum usuário de carro a álcool quer saber de onde está vindo este combustível? Estão preocupados apenas com o preço? O etanol, pelo menos no Brasil, extraído da cana, é um combustível comprometido com a sustentabilidade mesmo matando trabalhadores?

José é o 18º cadáver da cana desde abril de 2004. Número da Pastoral do Migrante de Guariba. Uma média de uma morte há cada dois meses.

Vale dizer que a maioria dos trabalhadores é legalmente registrada pela CLT. Outra parte é terceirizada. José tinha carteira assinada.

Nestes dias, acompanhei a seção de cartas do Estadão. Nada. Esperei outro domingo para ver o destino do caso. Nenhuma linha. Entrei no site da Cosan. Lá nada encontrei, apenas esta mesmice que, de tão absurda, vale a reprodução:

“Políticas de R.H.

Qualidade de vida para você e a comunidade

O grupo COSAN investe em projetos de desenvolvimento pessoal e profissional aos seus funcionários e em ações sócio-ambientais que beneficiam toda a comunidade. Além disso, a empresa estimula a participação dos funcionários em seus projetos, com o intuito de integrar ainda mais empresa e comunidade e contribuir para a melhoria da qualidade de vida de todos.

Organização dinâmica e colaborativa

Trabalho em equipe é uma de nossas premissas. Por isso, a COSAN busca profissionais competentes e com capacidade de liderança e trabalho em equipe. Com uma organização dinâmica e colaborativa, o grupo pode replicar experiências de sucesso com agilidade e garantir a máxima eficiência.”

É desta forma que a Cosan busca a tão propagada produtividade.

É assim também que o megaprojeto do etanol pode morrer na praia. Se os nossos usineiros continuarem acreditando que as razões ambientais sustentarão quaisquer abusos e crimes trabalhistas, o país certamente produzirá para o mundo mais uma avalanche de notícias negativas e comprometerá sua imagem neste processo global.

Fonte: Blog do Jofe

UE manda remover do mercado cinco variedades transgênicas

Bruxelas, 20 – Os países membros da União Européia concordaram hoje em remover do mercado cinco produtos transgênicos dos 27 países do bloco, informou a Comissão Européia. Serão removidas três variedades de canola produzidas pela Bayer AG (BAY.XE), uma variedade de milho da Syngenta AG (SYNN.VX) e uma variedade de milho da Monsanto Co. (MON).

“Para as cinco lavouras transgênicas afetadas pela decisão de hoje, nenhuma aplicação para renovação é esperada”, disse a comissão em um comunicado, acrescentando que esses produtos “não estão mais sendo usados, e as empresas não tem mais nenhum interesse neles.” A primeira vez que a comissão pediu a remoção dos produtos do mercado do bloco europeu foi em 2004.

Sob as novas regulações da UE para produtos transgênicos, essas variedades terão de ser novamente avaliadas e submetidas à nova aprovação até o dia 18 de abril, para que seus produtores possam continuar comercializando-as para o bloco após esta data.

A Bayer informou, através da sua porta-voz Annette Josten, estar surpresa com a decisão da UE, já que a companhia não produz ou comercializa as variedades vetadas hoje há muitos anos e, por isso, não submeterá o produto a nova aprovação do bloco europeu. Os representantes da Monsanto e da Syngenta não estavam disponíveis para comentar a decisão da comissão. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Estadão