Cientistas desvendam mecanismo da floração das plantas

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que o momento da floração das plantas é determinado por um sinal de uma proteína que vai das folhas até à ponta dos rebentos, indica um estudo hoje publicado. A investigação, de cientistas do Imperial College de Londres e do Instituto Max Planck de Colónia, descreve o mecanismo da floração da Arabidopsis (planta da família das couves, a primeira com flor cujo genoma foi totalmente sequenciado), em resposta a variações na duração do dia.

Estudos anteriores já tinham mostrado que as folhas das plantas eram sensíveis a alterações sazonais da duração do dia e que estas desencadeavam o envio de um sinal pelo sistema vascular da planta, das folhas até à ponta dos rebentos, induzindo a floração. Porém, a identidade desse sinal de longa distância permaneceu misteriosa.

Os autores do novo estudo, publicado na Science Express, sugerem que esse sinal seja uma proteína (proteína FT) produzida nas folhas pelo gene FT e que percorre o sistema vascular da planta até à ponta dos rebentos, onde activa outros genes que induzem a floração. A equipa de investigadores conseguiu seguir a progressão da proteína na planta através de sistemas microscópicos muito sensíveis, depois de a ter marcado com uma proteína fluorescente verde. Para Colin Turnbull, da Divisão de Biologia do Imperial College, a descoberta poderá significar “um avanço muito importante para a ciência das plantas“.

Papel do gene FT

Desde 1930, quando ficou claro pela primeira vez que alguma coisa comunicava das folhas aos rebentos a percepção de alterações da duração do dia e causava a floração, que os cientistas têm procurado desvendar este mecanismo. “Nos últimos dois anos, vários laboratórios fizeram descobertas excitantes que apontavam, todas elas, para o papel central do gene FT no controlo do momento da floração” – afirmou o cientista britânico.

“Agora que conseguimos seguir a proteína FT no seu percurso entre as folhas e a ponta dos gomos, temos uma explicação plausível para a resposta das plantas à duração dos dias”, concluiu. Trabalhos paralelos feitos no Japão mostraram mecanismos muito semelhantes a funcionar na planta do arroz, o que poderá traduzir-se em benefícios para a produção agro-alimentar.

A capacidade de controlar a floração tem um enorme potencial comercial tanto para as espécies alimentares como para as não alimentares, por exemplo através do alargamento das épocas de produção ou do desenho de plantas mais adaptadas às alterações climáticas. Um estudo sueco que incidia também no mecanismo molecular de controlo do momento da floração das plantas, publicado pela revista Science em 2005, acaba de ser anulado pelos seus autores, por se basear em dados manipulados, segundo a última edição da revista.

Fonte: Ciência Hoje PT

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