Estudo revela orquídea mais antiga do mundo

Restos de polinário da planta têm 20 milhões de anos e vêm da República Dominicana.
Fóssil pode indicar origem desse tipo de planta em plena era dos dinossauros.

Reinaldo José Lopes Do G1

Um fragmento de âmbar com cerca de 20 milhões de anos, descoberto por uma equipe internacional de pesquisadores, funcionou como uma espécie de cápsula do tempo e trouxe para o presente a mais antiga orquídea do mundo. E ela não faz essa viagem temporal sozinha: veio junto com a abelha que a polinizava, mostrando a relação antiqüíssima entre essas belas flores e os insetos.

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A equipe, cujo trabalho está descrito na edição desta semana da revista científica britânica “Nature“, simplesmente tirou a sorte grande. O biólogo argentino Rodrigo Bustos Singer, que trabalha na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é um dos autores do estudo, explicou ao G1 que esse é o primeiro fóssil inequívoco de orquídea a ser achado no mundo.

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“Havia uma ou outra coisa muito recente. Mas, como eram simples impressões de folhas, esses fósseis eram muito questionados, porque as folhas nesse caso não permitem uma identificação clara da planta como orquídea”, diz Singer. De quebra, achar ao mesmo tempo uma flor e o inseto que a polinizava é outro evento raríssimo nos anais da paleobotânica (o estudo de plantas extintas).

A verdade, porém, é que é mais fácil para o olho não-treinado distinguir o inseto do que a flor no conjunto fóssil. O pedaço de âmbar, oriundo da República Dominicana, preservou a abelhinha sem ferrão Proplebeia dominicana com o polinário (estrutura especializada que abriga o pólen) em suas costas. Parece pouco, mas o polinário já é suficiente para identificar a planta visitada pelo bicho como orquídea e batizá-la como uma espécie até então desconhecida, a Meliorchis caribea.

E, apesar da idade vetusta, a planta pertence a um grupo de orquídeas (tecnicamente conhecido como subtribo) com representantes vivos no Brasil de hoje. “É uma subtribo bem representada tanto na Mata Atlântica quanto na Amazônia”, conta Singer. Mas, ao contrário dos membros modernos da subtribo, a espécie provavelmente tinha uma flor com formato tubular, através da qual a abelhinha precisava rastejar para alcançar o néctar no qual estava interessada. (Hoje, as abelhas apenas usam a boca para fazer o mesmo.)

Ao descer pelo tubo, o inseto encostava seu dorso no polinário, que Singer compara a uma mochilinha. Essa carga, grudada no bicho, era carregada para outra flor. “O inseto, ao entrar nessa outra flor, esbarra primeiro na região receptiva feminina, a qual fica antes do polinário, que são as partes férteis masculinas”, explica o biólogo. E voilà: a fertilização acontece, garantindo a próxima geração de orquídeas. –

Álbum de família

O primeiro e único fóssil do grupo também está ajudando os pesquisadores a estimar a data de origem das orquídeas, que hoje constituem a família mais diversificada de plantas com flores do mundo (são mais de 25 mil espécies). A equipe, coordenada por Santiago Ramírez, do Museu de Zoologia Comparada da Universidade Harvard (EUA), usou inicialmente dados de DNA e da forma das plantas para criar uma árvore genealógica onde a Meliorchis caribea pudesse ser encaixada.

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Depois, a idade do fóssil e a de outros fósseis de plantas com flores foram usados para “calibrar” essa árvore, ou seja, para tentar atribuir datas estatisticamente confiáveis (embora não 100% seguras) à diversificação das orquídeas indicada pelas mudanças no DNA e na forma das plantas. Os resultados ainda são preliminares, mas a estimativa obtida é de uma origem entre 76 milhões e 84 milhões de anos atrás, no finalzinho da Era dos Dinossauros.

Singer diz que ainda é muito cedo para tentar propor uma razão para essa data de origem. Costumava-se acreditar, por exemplo, que plantas com flores e insetos polinizadores, principalmente abelhas, teriam evoluído em paralelo por volta dessa época. A diversificação de um grupo teria favorecido a diversificação do outro. “É muito tentador elaborar hipóteses, mas não deve haver uma única causa. A gente ainda sabe muito pouco”, diz ele.

Fonte: [ G1 ]

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