Jardim sensorial

Plantas e árvores agradáveis ao tato

ELIANA TEIXEIRA

A beleza das flores, a diversidade das árvores e suas folhas, de formatos e tamanhos distintos, não deveriam estar restritas apenas ao olhar. Quem não pode ver essa beleza, pode senti-la ao tocar nas diferentes plantas que integram um jardim. O plano de um jardim sensorial, que estimule e contemple todos os sentidos, é tema da tese de doutorado em fitotecnia, de José Flávio Machado Leão, engenheiro agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). A tese, “Identificação, seleção e caracterização de espécies vegetais destinadas à instalação de jardins sensoriais táteis para deficientes visuais”, foi orientada pelo professor Valdemar Antonio Demetrio e apresentada, no último dia 5, à banca examinadora integrada pelo prefeito Barjas Negri (PSDB) e pelo professor Jairo Ribeiro de Mattos.

Esse tipo de jardim, detalha o engenheiro, dispõe aos usuários – portadores de deficiências ou não – segurança, funcionalidade, repouso e beleza, principalmente, aos deficientes visuais que podem conhecer pelo tato as diferentes formas e texturas. O plano prevê área de 2.600 metros quadrados para o jardim sensorial, que poderá ser construído no Parque da Rua do Porto, Lar dos Velhinhos ou outra área apontada pelos próprios portadores como ideal.

Leão afirma ter o consentimento da administração municipal e conta com apoio de Rogério Vidal, secretário municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema), de Fernando Komatsu, presidente da organização não-governamental (ONG) Avistar – entidade que atende a portadores de deficiência visual -, e dos arquitetos Rodrigo Fonseca e Walter de Castro Junior. “As espécies de árvores que verificamos como adequadas são guaraiuva, resedá, plantas sem espinhos, como o lírio da paz, jasmim, além das aromáticas, manjericão, erva-doce, hortelã”, exemplifica.

O objetivo do projeto, argumenta o engenheiro, é proporcionar a inclusão e o convívio de todos. Para desenvolver a tese, ele estudou durante um ano as plantas e árvores mais adequadas para o projeto de um jardim sensorial. Um grupo de 15 deficientes visuais, da ONG Avistar, participou do estudo, conhecendo plantas e árvores da Esalq e do viveiro de mudas de Limeira.

Coube ao grupo, identificar e escolher, pela análise das texturas, as plantas, arbustos e árvores que gostariam de encontrar em um jardim. Segundo Leão, o grupo optou pelas texturas macias, folhas pequenas e caules lisos, que são agradáveis ao tato. “O tato é olhar do deficiente visual. É preciso selecionar plantas que não causem problemas de segurança física ou psicológica”, avalia.

O plano inclui o jardim, fonte de água, trilha dos sentidos – quem caminhar descalço poderá sentir as diferentes texturas do solo -, e facilidade de acesso ao local. Se o jardim for construído no Parque da Rua do Porto, exemplifica o engenheiro, deverá ficar logo na entrada. “Teremos de sinalizar adequadamente as vagas de estacionamento para deficientes, construir rampas de acesso, ter piso de alerta para quem anda com bengalas, solo direcional para se chegar ao jardim”, detalha.

Leão diz que ainda é cedo para falar em valores, mas afirma não ser difícil transformar o plano em projeto. “Precisamos apenas de vontade para realizar o projeto”, declara.

Fonte: [ Gazeta de Piracicaba ]

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