Arroz transgênico [da Bayer]

[NOTA DO EDITOR: Bem… Fui tentar localizar um texto imparcial que ajudasse meus leitores a entender a polêmica sobre a liberação do arroz transgênico da Bayer e do agrotóxico Glufosinato de Amônio. Infelizmente, não consegui, pois tanto o Greenpeace quando as empresas de “ciência” se mostraram totalmente parciais. Peço então o favor de ler os meus comentários dentro de colchetes, inseridos ao longo do texto e no final, pois tentarei dirimir algumas dúvidas que ficam soltas no ar.]

Indústria vive o dilema entre alcançar uma maior produtividade e garantir a segurança do consumidor

Erik Stein Bernardes

[img:arroz_526.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O desenvolvimento tecnológico da indústria alimentícia vive novamente o dilema de estar entre alcançar uma maior produtividade com rentabilidade e garantir a segurança do consumidor. Os vegetais sofrem alterações genéticas com objetivos diversos. Resistir a produtos químicos que combatem pragas, desenvolver-se de forma satisfatória mesmo com escassez de água e obter mais produto com menos espaço físico são alguns dos objetivos que têm os cientistas ao fazer tais modificações. [ Na verdade configura-se VENDA CASADA: planta patenteada (royalties) da empresa + agrotóxico / herbicida que é utilizado em conjunto, criado e/ou produzido pela mesma empresa. A venda casada é proibida pela legislação do Brasil. ]

O consumo de arroz, por exemplo, é responsável por uma movimentação impressionante. O cereal que alimenta metade da população do mundo necessita de muita água para irrigação e fica atrás apenas do cultivo do milho e do trigo em área plantada. Em 2005, a área plantada era de 153.434.464 hectares e foram produzidas 618.440.644 toneladas de arroz. O Brasil, que está entre os 10 principais produtores, colheu 3.579 quilos por hectare em 2004, quantidade superior à registrada nos anos anteriores. O cereal da qualidade agulhinha Tipo1 é o mais consumido entre os brasileiros e faz parte da dieta básica, juntamente com o feijão. Rico em amido, o arroz é uma ótima fonte de energia, de minerais como o ferro, as vitaminas B e proteínas.

Enquanto algumas empresas do setor defendem a metodologia das pesquisas e a aplicação prática dessa tecnologia dizendo ser esse o caminho para o futuro, grupos de defesa do meio ambiente são contrários a esse uso, pois alegam não haver pesquisa suficiente que comprove ser seguro ao consumidor o uso de tais tecnologias para a alimentação de humanos e animais.

A discussão chegou à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada multidisciplinar [estranhamente a CTNBio não possui, em sua composição, especialistas lotados nos cargos / áreas de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente, Agricultura Familiar e Saúde do Trabalhador. Favor conferir no próprio site da CTNBioMUITO ESTRANHO isso !!! ], criada com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança. Enquanto a agência que controla o uso da biotecnologia no Brasil não der o seu consentimento, nenhum produto transgênico pode ser plantado ou comercializado no território brasileiro.

Busca pela verdade

A bola da vez é o arroz transgênico produzido pela Bayer Cropscience. Este produto transgênico utiliza a tecnologia LibertyLink da empresa alemã para resistir ao herbicida Glufosinato de Amônio, que controla pragas daninhas nas plantações.

A empresa não quis se pronunciar quando procurada pela redação da revista, porém informou em nota através de sua assessoria que “a Bayer CropScience entrou com o pedido de comercialização de três produtos com a tecnologia LibertyLink, o milho, o algodão e o arroz. No momento, o milho é o que está em discussão na CTNBio. Por isso, a empresa não se pronunciará sobre os produtos que ainda não entraram na pauta.” Ressaltou ainda que “vale lembrar que o LibertyLink é uma linhagem diferente da que é vendida nos Estados Unidos“.

O relatório publicado pelo Greenpeace em janeiro deste ano denominado “Colapso na Indústria de arroz”, denuncia a contaminação dos estoques mundiais de arroz com os tipos LLRrice601, Bt63 LLrice62 desenvolvidos pela Bayer Cropscience e não aprovados para o consumo humano ou animal em diversas partes do mundo.

As principais empresas que comercializam o cereal no Brasil – Camil, Yoki e Josapar (empresa responsável pela marca Tio João) –, declararam em cartas ao Greenpeace publicadas no mesmo relatório que não compram ou vendem em nenhuma hipótese arroz geneticamente modificado, bem como não financiam pesquisas ou eventos relacionados a Organismos Geneticamente Modificados (OGM). As três brasileiras e outras de diversos países declaram acreditar que o consumidor não está seguro com relação à agrobiotecnologia utilizada no arroz.

[img:arroz_528.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Europa fechada

Um recente relatório publicado pelo Greenpeace analisou o uso de ingredientes e organismos transgênicos pela indústria de alimentos européia. A entidade, que faz campanha para que a liberação de transgênicos no meio ambiente seja banida, luta por uma agricultura sustentável livre de agrotóxicos e transgênicos.

A indústria de alimentos é um dos focos do Greenpeace na Europa desde 1996, quando a soja transgênica foi misturada pela primeira vez nas exportações de produtos alimentícios dos EUA para a Europa. Na época, a maior parte dos produtores e varejistas de alimentos possuíam uma política de apoio ao uso de ingredientes transgênicos, não se preocupando com sua utilização, ou ignorando o assunto.

Nos anos seguintes, muitas empresas alimentícias européias e particularmente as associações comerciais afirmavam que as culturas transgênicas trariam benefícios em breve para os consumidores e que não havia qualquer forma de evitar sua utilização porque elas eram misturadas nos estoques das commodities soja e milho vindos dos EUA.

De acordo com o documento, houve um prolongado e às vezes intenso debate público, político e científico nos oito anos que se seguiram sobre os perigos das culturas transgênicas. A discussão obteve bons resultados, e um dos mais significativos foi a forte e consistente rejeição aos alimentos transgênicos por parte de consumidores bem informados, e a mudança que eles provocaram nas políticas da indústria européia de alimentos. Outro efeito foi a introdução das leis de rotulagem dos ingredientes transgênicos dos alimentos na Europa.

A nova legislação européia sobre rotulagem e rastreabilidade de alimentos geneticamente modificados entrou em vigor em 18 de abril de 2004 e determina que um maior espectro de ingredientes alimentícios transgênicos agora requerem rotulagem, o que é particularmente relevante, por exemplo, no caso do óleo de soja ou de milho.

O objetivo do Greenpeace ao elaborar o relatório era saber como as empresas estavam reagindo à legislação. Para isso, escritórios da organização na maioria dos países membros da União Européia – incluindo nações prestes a entrar no bloco – entraram em contato com importantes produtores e comerciantes de alimentos. Antes e depois da introdução das novas regras européias, foi pedida uma declaração da companhia sobre a política de uso ou não de ingredientes transgênicos em seus produtos alimentícios.

Para embasar o documento, foram utilizadas as respostas dos 30 maiores varejistas e de uma seleção de 30 dos maiores produtores de alimentos e bebidas na Europa. Muitas dessas companhias já haviam se antecipado à última legislação de rotulagem européia e implementaram políticas apropriadas para manter seus produtos livres de transgênicos, antes mesmo da introdução das novas regras. De fato, muitas empresas já possuíam políticas de não utilização de transgênicos cobrindo todos os possíveis ingredientes — incluindo, por exemplo, óleos vegetais e amido de milho — datando de 1999/2000 ou anos anteriores.

As declarações das empresas nas quais esse documento se baseia demonstram claramente que esse mercado é consideravelmente fechado para os produtos transgênicos rotulados.

A União Européia, com seus 455 milhões de consumidores, é um dos maiores mercados de alimentos do mundo em termos de valores. As vendas estimadas de alimentos e bebidas em 2002 na União Européia ampliada, mais Suíça e Noruega, atingiram o montante de 1,06 trilhões de euros.

Como reage o food service

Por não ser permitido o comércio, plantio e pesquisas de OGM, não há registro do uso desse produto pelos estabelecimentos e indústrias de alimentos voltados ao food service no Brasil. Contudo, a indústria alimentícia nacional se coloca contra o uso desse tipo de produto. Uma vez que existe a necessidade de muito investimento para a utilização, o produto final encareceria muito e haveria um grande prejuízo para o consumidor. “É preciso que exista uma política governamental acerca do tema, já que o arroz faz parte da dieta básica da população. Como o arroz está disponível a preço muito acessível e como é importante manter esse preço, um aumento dos custos industriais não seria aceitável”, declara a Josapar.

Bares e restaurantes que comercializam refeições e utilizam o arroz no preparo da alimentação preferem não tomar partido sobre o assunto. Apenas informam que prezam pela oferta de produtos de qualidade garantida com um preço justo, comercializando apenas artigos permitidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Isso impede uma análise da viabilidade em comercializar o OGM no momento.

De qualquer forma, o consumidor deve ficar sempre atento. Verificar a procedência do produto que irá ingerir para garantir que está seguro ao consumir determinado produto é fundamental para não correr riscos desnecessários. Além dos próprios rótulos dos produtos industrializados, a internet pode ser um bom recurso para inteirar-se a respeito da formulação de cada produto. O site das empresas informa a composição dos produtos, bem como a procedência de seus ingredientes.

A dúvida

Em todo caso, a questão principal que deve ser analisada nesta situação é a segurança no consumo dos organismos geneticamente modificados. [Não, não é esta a questão principal. O assunto deve ser considerado sob vários pontos de vista, e não apenas saber se faz mal ou não ao ser humano. Como estamos falando de plantas, meio ambiente e natureza, estamos falando de patentes, controle sobre sementes, agrotóxicos, cadeias alimentares, mutações, contaminações e consequências imprevisíveis. Estamos falando de um rol gigantesco de variáveis.]

Em que ponto está a pesquisa que trata desse tema? O consumo dos organismos modificados traz algum risco para a população mundial? Não há respostas certas para essas perguntas.

De um lado temos os proprietários da tecnologia, querendo comercializar seu produto e garantir seu lucro defendendo a produtividade e rentabilidade da agrobiotecnologia. De outro, os grupos ativistas ambientais, defendendo o uso de produtos naturais sem interferências tecnológicas como fator primordial para a segurança do consumidor.

Os testes continuam em andamento e o desenvolvimento das pesquisas ainda não chegou a conclusões certas sobre o assunto.

A opinião pública também se divide na mesma proporção. Qual a melhor a saída? Qual a melhor posição nessa briga de gigantes pela verdade no consumo de um dos alimentos mais importantes para a população mundial? Não podem existir dúvidas de a produtibilidade e rentabilidade na produção são tão importantes quanto a segurança do consumidor. Portanto, vale ter cuidado, paciência e vigilância para garantir que as autoridades competentes tomem a decisão correta sem influência de interesses particulares.

O que é o Liberty Link

Desenvolvida pela Bayer CropScience, Liberty Link é uma tecnologia agregada às sementes para auxiliar os produtores rurais a controlar as plantas daninhas nas lavouras. Esta tecnologia compreende variedades geneticamente modificadas que passam a ser mais uma alternativa para o controle de plantas daninhas, com o diferencial de permitir a utilização de um herbicida altamente biodegradável e eficiente, o Glufosinato de Amônio [Êpa! O glufosinato de amônio, desenvolvido pela Bayer, já foi contestado pela ANVISA em 2007 e proibido pela Comissão Européia – vale a pena ler o Relatório do Agrotóxico no site da ANVISA – lá você irá ler: Este produto é: Perigoso Ao Meio Ambiente (Classe III). Este produto é AL TAMENTE MÓVEL, apresentando alto potencial de deslocamento no solo, podendo atingir principalmente águas subterrâneas. Classificação Toxicológica: III – Medianamente tóxico ] em substituição a herbicidas antigos.

Esta variedade propiciaria aos agricultores uma alternativa para melhorar o controle do mato na lavoura e também do arroz daninho (mais conhecido como arroz vermelho), que prejudica o desenvolvimento e a uniformidade do produto final na aparência e no cozimento dos grãos. Vale ressaltar que os orizicultores costumam ter problemas com plantas daninhas resistentes e, em função disso, utilizam muitos herbicidas ou abandonam terras férteis para buscar terras novas para plantio.

Fonte: [ Food Service News ]

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Percebe-se que tanto o Greenpeace quanto as instituições governamentais estão sendo parciais ao comentar sobre o assunto. Por quê? Interesses econômicos, claro.

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