Arquivo do mês: março 2009

Sol na planta e no tanque

Workshop do Bioen reúne especialistas que buscam usar fotossíntese como fonte de energia

Maria Guimarães
Edição Impressa 157 – Março 2009

[img:nuvens.JPG,full,alinhar_dir_caixa]Pesquisa FAPESP – Com o aumento de gás carbônico (CO2) no ar, que é consequência das mudanças climáticas globais, a cana-de-açúcar se torna mais eficiente em transformar energia solar em biomassa. Esses resultados foram apresentados pelo biólogo Marcos Buckeridge, da Universidade de São Paulo (USP), durante o workshop Bioen/PPP Ethanol on Sugarcane Photosynthesis.

O encontro aconteceu na FAPESP no dia 18 de fevereiro como parte do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), que fomenta a investigação científica relacionada a encontrar maneiras mais eficientes de produzir energia a partir de processos biológicos, e reuniu pesquisadores brasileiros e suecos para discutir a busca por fontes limpas de energia e procurar caminhos para parcerias científicas. Para além de usar a cana-de-açúcar como reator biológico, os suecos da Universidade de Uppsala investigam formas de reproduzir as reações da fotossíntese sem ajuda de plantas, como contou o bioquímico Stenbjörn Styring.

A iniciativa de organizar o work­shop veio do engenheiro agrícola Luis Augusto Cortez, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo ele, a produção da cana-de-açúcar representa 70% do custo total da de etanol, daí o imperativo de se melhorar a produtividade. “Entre 2005 e 2025 será possível praticamente dobrar a produtividade unicamente com melhorias tecnológicas no cultivo e nas plantas”, disse.

Ironicamente, as mudanças climáticas globais podem contribuir para essa busca, conforme mostra o trabalho de Buckeridge e sua doutoranda Amanda Pereira de Souza. “Queríamos encontrar maneiras de combater o aumento de CO2 na atmosfera e descobrimos que a cana tira proveito disso”, diz ele.

Buckeridge e Amanda chegaram a essas conclusões cultivando cana-de-açúcar dentro de câmaras transparentes em que podem manipular a concentração de gás carbônico e comparar como as plantas crescem em ambiente normal e na presença de ar com o dobro de CO2.

Os resultados, publicados na revista Plant, Cell and Environment, mostram que plantas que cresceram por 50 semanas em ambiente rico em gás carbônico realizaram em média 30% mais fotossíntese, ficaram 17% mais altas, usaram água de maneira mais eficiente e ganharam 40% mais biomassa total, o que inclui caules, raízes e folhas. Esse aumento é precioso para a produção do etanol celulósico, obtido a partir da parede celular dos vegetais, uma das apostas para aproveitar melhor a cana–de-açúcar como combustível.

Para entender as transformações que tinham levado a cana a produzir mais, os dois biólogos estabeleceram uma colaboração com Glaucia Souza, do Instituto de Química da USP. Juntos, eles examinaram a atividade genética das plantas cultivadas nas duas condições e encontraram diferenças na expressão de 36 genes: 14 estavam reprimidos e 22 mais ativos nas plantas que receberam mais CO2. Quatro desses genes têm relação conhecida com a fotossíntese, a maior parte deles com o transporte de elétrons, uma parte importante das reações químicas desse processo biológico que está na base de toda a vida deste planeta.

Buckeridge e Amanda repetiram em 2008 o experimento nas câmaras de gás carbônico e verificaram que de fato o transporte de elétrons é 43,5% mais eficiente nas altas concentrações do gás. Como essa segunda fase do experimento se concentrou em uma época com temperaturas mais altas, os resultados foram ainda mais marcantes: 60% de aumento na fotossíntese, dando origem a uma biomassa 60% maior do que as plantas cultivadas em ar normal.

Para direcionar o aumento na produtividade mesmo que as mudanças climáticas globais sejam revertidas e a composição do ar não sofra as alterações agora previstas, resta compreender exatamente como o gás carbônico atua para melhorar a eficiência da fotossíntese em capturar luz, tarefa em que o encontro na FAPESP pode ter ajudado. Enquanto seu colega Fikret Mamedov descrevia a fotossíntese em detalhes, Styring apontava a Buckeridge proteínas que podem ser responsáveis por suas observações. “Ele me mostrou coisas em que eu nunca tinha pensado”, contou o pesquisador da USP.

Movido a sol – Styring mostrou que é preciso ser ousado para fazer frente à ameaça da crise energética. Para ele, apenas melhorar tecnologias já existentes de produção de energia, como a queima de combustíveis, não vai salvar o mundo. E considera primitivos os painéis solares atuais, que são ineficientes – simplesmente modificá-los não representará um aumento substancial na energia que produzem. “É preciso fazer hidrogênio para combustível diretamente com a luz do sol”, disse.

Segundo o bioquímico sueco, muita energia é perdida quando se usam plantas para transformar luz solar em combustível. A solução, para ele, é a fotossíntese artificial: desenvolver biorreatores que imitem o essencial das reações que acontecem dentro das plantas para produzir energia. O pesquisador sueco acredita ser possível, mas ainda não tem como dizer quando nem quanto custará.

O primeiro problema é selecionar o que copiar, já que a fotossíntese inclui uma série complexa de reações. “Quando os gregos queriam aprender a voar, olharam para as aves”, comparou. Depois de muito experimentar, descobriram que asas eram de fato úteis, mas outras características dos animais voadores não eram úteis. “Aviões não põem ovos, e as pessoas que tentaram voar batendo as asas morreram”, brincou. Na fotossíntese também é preciso descobrir o que importa, daí a necessidade de conhecer o processo em todos os seus detalhes.

Mamedov mostrou que o grupo da Universidade de Uppsala tem os meios para desvendar esses detalhes, e já o fez. Agora eles vêm experimentando com o que Styring chama de Lego químico, referindo-se aos brinquedos produzidos no país vizinho, a Dinamarca: montar conjuntos de moléculas para chegar a um reator biológico. Para isso, sua equipe liga enzimas naturais a átomos de manganês, ferro e rutênio, por exemplo. Já conseguiu um complexo capaz de gerar energia, mas o pesquisador não canta vitória. “Os sistemas artificiais são uma solução conceitualmente nova e original, que tem grande potencial, mas não há como saber quando conseguiremos”, disse.

Por enquanto, Buckeridge comemora as sementes lançadas pelo encontro: Mamedov deve vir a São Paulo ainda este ano para isolar cloroplastos da cana-de-açúcar, onde se dá a fotossíntese, para depois examinar os dados na Suécia e ampliar o conhecimento sobre como essas plantas captam luz. Além disso, duas alunas de mestrado devem ir à Suécia para estudar captação de luz em duas espécies amazônicas.

Artigo científico

SOUZA, A.P. et al. Elevated CO2 increases photosynthesis, biomass and productivity, and modifies gene expression in sugarcane. Plant, Cell and Environment. v. 31, n. 8, p. 1.116-1.127. ago 2008.

Fonte: [ Revista FAPESP ]

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Por que razão as plantas e as árvores necessitam de evoluir?

A evolução não resulta só da selecção do mais forte, mas também da cooperação e das sinergias entre os vários membros de uma população

“Pergunte que os cientistas respondem” foi o repto lançado pelo Expresso aos seus leitores, a propósito da comemoração em 2009 da passagem dos 200 anos sobre o nascimento de Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução das Espécies através da selecção natural.

Hoje damos resposta às três questões que nos foram colocadas pelo leitor Isaac Caetano, as quais são explicadas num único texto da autoria de Francisco Carrapiço, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

E aproveitamos a oportunidade para renovar o convite aos nossos leitores para que nos enviem questões que desejem ver respondidas por cientistas ligados à evolução.

PERGUNTAS

1. Na Teoria da Evolução das Espécies de Darwin (e é bom que se considere “teoria”) as plantas são consideradas?

2. Aos animais, porque em última instância acabam todos por interagir com todos, pode-se aplicar a evolução e consequente variedade. Mas por que razão as plantas e as árvores necessitam de evoluir para outras espécies diferentes?

3. Desconheço em que é que a sexualidade afecta as plantas e, por conseguinte, em que as afecta em termos evolutivos. Teoricamente, todas as árvores poderiam ser iguais porque não interferem entre si mesmas. Porquê então a “necessidade” de variedade?

Isaac Caetano
caixadoisac@gmail.com

RESPOSTA

Compreendo as suas dúvidas, que correspondem às dúvidas de muitas pessoas, mas que frequentemente não têm a coragem de as colocar. Por isso agradeço a sua frontalidade em colocá-las, sem qualquer tipo de “trauma”.

Talvez seja importante clarificar a questão do conceito de teoria em ciência. Ao contrário do que é vulgar dizer, este conceito não tem o mesmo significado no que é a “voz do povo” e o que os cientistas definiram para ela.

Assim, em ciência, teoria é uma explicação baseada e adequadamente sustentada por dados do mundo natural e que incorpora factos, leis, inferências e hipóteses testadas e não algo que é hipotético ou eventualmente desejável.

Indo agora mais directamente à sua questão, a evolução não deve apenas ser vista como o resultado da selecção natural ou da selecção do mais forte. Existem outras valências que devem ser incluídas, como as da cooperação e do desenvolvimento de sinergias entre os vários elementos de uma população em evolução.

Cooperar bem para melhor competir

Com isto quero dizer que provavelmente é necessário cooperar bem para melhor competir. Talvez seja esta a grande chave do processo evolutivo. Não estou a querer dizer que a competição e a selecção do mais apto não sejam muito importantes no processo evolutivo. O que quero dizer é que existem outras valências para além dessas.

Se quiser ter uma visão mais detalhada do que lhe refiro pode ler o capítulo “Simbiogénese e evolução” (págs. 175-198) do livro “Evolução – Conceitos & Debates” (vários autores), recentemente publicado pela Esfera do Caos Editores. No entanto, a evolução é um facto inquestionável. A nível das plantas, estas tiveram e têm um processo e uma história evolutiva, da mesma forma que os animais.

As plantas também apresentam reprodução sexuada, só que nalgumas espécies não é tão fácil a sua observação. Por exemplo, talvez possa parecer estranho, mas existe uma ligação evolutiva entre uma alga e uma planta com flor.

Em primeiro lugar estes organismos vegetais são constituídos por células, que têm pontos em comum. A parede celular apresenta constituintes químicos semelhantes ou mesmo idênticos. Muitas das células apresentam cloroplastos (organitos celulares que são responsáveis pela fotossíntese, isto é, pela a produção do oxigénio que existe na nossa atmosfera).

Têm informação genética que está no núcleo da célula e que é fundamental para que se dê o processo reprodutor e toda a organização e desenvolvimento do organismo vegetal. O processo reprodutor numa alga e numa planta com flor é diferente, mas tem alguns aspectos em comum. Por exemplo, na reprodução sexuada ambas têm gâmetas masculinos e femininos.

Quando ouve falar ou vê o pólen das flores talvez não saiba, mas essa estrutura vai originar a formação de dois gâmetas masculinos, em que um vai fecundar a oosfera (gâmeta feminino) para dar origem ao embrião e o segundo gâmeta masculino vai fundir-se com um outra célula, para formar um tecido de reserva que vai alimentar o embrião.

Quando estas estruturas ficam envolvidas por um tegumento, temos a semente. Com toda esta explicação, o que lhe quero dizer é que ao apresentarem reprodução sexuada podem sofrer variações resultantes do próprio processo reprodutor e com isto sofrer alterações que são transmitidas à descendência. Por isso é que as plantas com flor são as que estão mais largamente distribuídas no nosso Planeta.

Plantas adaptaram-se a novas situações

As plantas evoluíram não porque quiseram ou por vontade própria, mas porque tiveram de adaptar-se a novas situações. Por exemplo, a passagem do habitat aquático para o terrestre foi uma etapa essencial nessa evolução.

Houve inicialmente uma população de plantas que vivia na água e que, por razões que não conhecemos bem – talvez porque as condições em que viviam se alteraram (por exemplo, o local tornou-se gradualmente mais seco) -, sofreram uma pressão evolutiva que as obrigou a adaptar ao novo habitat terrestre.

Mas isto não ocorreu de um dia para outro. Levou muito tempo e neste processo teve um papel muito importante a reprodução sexuada. Hoje ainda encontramos vários exemplos de plantas que são capazes de ter esse tipo de comportamento adaptativo. Pensamos igualmente que em todo este processo a presença de simbioses terá tido igualmente um papel significativo na obtenção de novas valências evolutivas.

Muitas das plantas que temos hoje não são iguais ou idênticas às que viveram há milhões de anos. Por exemplo, e voltando às plantas com flor, estas surgiram há 125 milhões de anos a partir de plantas com habitat aquático, como o demonstram os fósseis encontrados há algum tempo.

Se estiver interessado em obter mais informação científica credível sobre esta matéria, pode ir à minha página e descarregar o material que tenho relativo a uma disciplina que lecciono para os alunos do 1º ano de Geologia (http://azolla.fc.ul.pt/aulas/Recursos_BiolBotanica.html).

Há um processo evolutivo claro no Reino Vegetal e muitas das espécies que existiram no passado desapareceram, tendo surgido outras espécies que mantêm uma linha evolutiva clara com essas plantas. É evidente que uma alga não dá origem directamente a uma planta com flor, mas no processo evolutivo de ambas existe um antepassado comum.

Francisco J. Carrapiço
Investigador do Departamento de Biologia Vegetal, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Centro de Biologia Ambiental
fcarrapico@fc.ul.pt

Fonte: [ Expresso ]

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Esalq expõe plantas medicinais e aromáticas

Evento mostrará aspectos morfo-botânicos e incentivará o resgate do conhecimento tradicional de uso de plantas

Os aspectos morfo-botânicos das plantas medicinais e aromáticas, bem como a percepção dos aromas e gostos, diversidade na forma e cores, serão apresentados, diferenciados e depois sentidos pelo público que participar da exposição “Plantas medicinais e aromáticas – Uma viagem de conhecimento botânico e interativo”, evento didático cultural que será realizado no período de 30 de março a 30 de abril, no Museu e Centro de Ciências, Educação e Artes “Luiz de Queiroz”, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ).

A exposição, que conta com dois momentos distintos, o de contemplação e o de interação, certamente despertará o interesse dos aficcionados no tema. Com apoio do conhecimento científico, o público conhecerá as maneiras de identificar e reconhecer a importância das plantas e de órgãos vegetais para utilizá-las, além de noções da toxidade de algumas delas. Por outro lado, o público em geral será estimulado a respeitar as plantas e a natureza e, ainda, incentivado quanto ao resgate do conhecimento tradicional de uso de plantas aromáticas e medicinais.

O horário para visitação é de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h.

A realização é da Seção de Atividades Culturais (SCAC) da ESALQ.

Informações pelos telefones (19) 3429-4410, (19) 3429-4320 ou pelo e-mail scac@esalq.usp.br .

Fonte: [ Cosmo ]

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CTNBio aprova plantio de algodão transgênico da Dow

[img:transg_115.jpg,full,alinhar_esq_caixa]SÃO PAULO (Reuters) – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o plantio comercial do algodão transgênico WideStrike, com tecnologia resistente a insetos, da Dow AgroSciences Industrial, divisão da Dow Chemical.

A variedade foi aprovada por 15 votos dos integrantes da CTNBio, recebendo ainda cinco contrários.

Essa foi a primeira aprovação de transgênico do ano.

“O WideStrike contribui para uma agricultura com práticas mais sustentáveis porque controla a maioria das pragas danosas ao algodão”, afirmou o diretor de Sementes e Biotecnologia da Dow no Brasil, Rolando Alegria, em um comunicado.

Com o transgênico, o produtor pode reduzir o número de aplicação de inseticidas nas lavouras.

Antes de estar disponível, a tecnologia passou por rigorosos testes em várias regiões do país e por análises de laboratório, ressaltou a Dow AgroSciences, lembrando que o produto já é cultivado desde 2004 nos Estados Unidos, onde o óleo e o farelo produzidos a partir das sementes foram aprovados para uso na alimentação humana e animal.

O WideStrike, que controla pragas do algodoeiro como a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-maçã e o curuquerê, também está aprovado para alimentação humana e animal no Canadá e no Japão e para alimentação humana no México, Coréia do Sul e Austrália, segundo a empresa.

O Brasil já conta com autorização para o plantio de algodão transgênico com tecnologias patenteadas por outras empresas (Bayer e Monsanto), além de diversas sementes de milho geneticamente modificado e uma de soja.

O algodão WideStrike, por sua vez, usa a tecnologia Bt, também presente no algodão Bollgard, da Monsanto, também aprovado no Brasil.

“Isso é interessante. Com os mesmos produtos de diferentes empresas, o agricultor pode escolher o que quer plantar. Isso faz que haja uma competição para vendas de sementes positiva para o agricultor. Ele pode ter um preço diferenciado”, afirmou a especialista Alda Lerayer, diretora-executiva do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia).

Alda lembrou que o produtor já tem a sua disposição tecnologias semelhantes para o milho transgênico de diferentes empresas, o que também é positivo.

Na última sessão em que foi autorizada uma liberação comercial, em dezembro do ano passado, também um produto da Dow, desenvolvido em parceria com DuPont (o milho transgênico Herculex) recebeu autorização para plantio comercial. .

Muitas variedades aprovadas ainda estão em processo de multiplicação de sementes. Os produtos com plantio mais desenvolvido são a soja Roundup Ready (RR) e o algodão Bollgard, ambos da Monsanto.

A atual safra também foi marcada pelo início do plantio comercial do milho transgênico.

(Reportagem de Roberto Samora; edição de Marcelo Teixeira)

Fonte: [ Reuters ]

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E lá foi a minha cartinha…

[img:Imagem008.jpg,resized,centralizado]

Carta à CTNBio, pedindo o cancelamento do processo de liberação do arroz transgênico da Bayer.

Creio que se pelo menos umas 500 mil pessoas fizessem o mesmo, enviando uma carta registrada com aviso de recebimento (AR), o incômodo surtiria efeito.

Bem… Eu fiz a minha parte. E você?

Anderson Porto

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Arroz transgênico [da Bayer]

[NOTA DO EDITOR: Bem… Fui tentar localizar um texto imparcial que ajudasse meus leitores a entender a polêmica sobre a liberação do arroz transgênico da Bayer e do agrotóxico Glufosinato de Amônio. Infelizmente, não consegui, pois tanto o Greenpeace quando as empresas de “ciência” se mostraram totalmente parciais. Peço então o favor de ler os meus comentários dentro de colchetes, inseridos ao longo do texto e no final, pois tentarei dirimir algumas dúvidas que ficam soltas no ar.]

Indústria vive o dilema entre alcançar uma maior produtividade e garantir a segurança do consumidor

Erik Stein Bernardes

[img:arroz_526.jpg,full,alinhar_esq_caixa]O desenvolvimento tecnológico da indústria alimentícia vive novamente o dilema de estar entre alcançar uma maior produtividade com rentabilidade e garantir a segurança do consumidor. Os vegetais sofrem alterações genéticas com objetivos diversos. Resistir a produtos químicos que combatem pragas, desenvolver-se de forma satisfatória mesmo com escassez de água e obter mais produto com menos espaço físico são alguns dos objetivos que têm os cientistas ao fazer tais modificações. [ Na verdade configura-se VENDA CASADA: planta patenteada (royalties) da empresa + agrotóxico / herbicida que é utilizado em conjunto, criado e/ou produzido pela mesma empresa. A venda casada é proibida pela legislação do Brasil. ]

O consumo de arroz, por exemplo, é responsável por uma movimentação impressionante. O cereal que alimenta metade da população do mundo necessita de muita água para irrigação e fica atrás apenas do cultivo do milho e do trigo em área plantada. Em 2005, a área plantada era de 153.434.464 hectares e foram produzidas 618.440.644 toneladas de arroz. O Brasil, que está entre os 10 principais produtores, colheu 3.579 quilos por hectare em 2004, quantidade superior à registrada nos anos anteriores. O cereal da qualidade agulhinha Tipo1 é o mais consumido entre os brasileiros e faz parte da dieta básica, juntamente com o feijão. Rico em amido, o arroz é uma ótima fonte de energia, de minerais como o ferro, as vitaminas B e proteínas.

Enquanto algumas empresas do setor defendem a metodologia das pesquisas e a aplicação prática dessa tecnologia dizendo ser esse o caminho para o futuro, grupos de defesa do meio ambiente são contrários a esse uso, pois alegam não haver pesquisa suficiente que comprove ser seguro ao consumidor o uso de tais tecnologias para a alimentação de humanos e animais.

A discussão chegou à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), instância colegiada multidisciplinar [estranhamente a CTNBio não possui, em sua composição, especialistas lotados nos cargos / áreas de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente, Agricultura Familiar e Saúde do Trabalhador. Favor conferir no próprio site da CTNBioMUITO ESTRANHO isso !!! ], criada com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança. Enquanto a agência que controla o uso da biotecnologia no Brasil não der o seu consentimento, nenhum produto transgênico pode ser plantado ou comercializado no território brasileiro.

Busca pela verdade

A bola da vez é o arroz transgênico produzido pela Bayer Cropscience. Este produto transgênico utiliza a tecnologia LibertyLink da empresa alemã para resistir ao herbicida Glufosinato de Amônio, que controla pragas daninhas nas plantações.

A empresa não quis se pronunciar quando procurada pela redação da revista, porém informou em nota através de sua assessoria que “a Bayer CropScience entrou com o pedido de comercialização de três produtos com a tecnologia LibertyLink, o milho, o algodão e o arroz. No momento, o milho é o que está em discussão na CTNBio. Por isso, a empresa não se pronunciará sobre os produtos que ainda não entraram na pauta.” Ressaltou ainda que “vale lembrar que o LibertyLink é uma linhagem diferente da que é vendida nos Estados Unidos“.

O relatório publicado pelo Greenpeace em janeiro deste ano denominado “Colapso na Indústria de arroz”, denuncia a contaminação dos estoques mundiais de arroz com os tipos LLRrice601, Bt63 LLrice62 desenvolvidos pela Bayer Cropscience e não aprovados para o consumo humano ou animal em diversas partes do mundo.

As principais empresas que comercializam o cereal no Brasil – Camil, Yoki e Josapar (empresa responsável pela marca Tio João) –, declararam em cartas ao Greenpeace publicadas no mesmo relatório que não compram ou vendem em nenhuma hipótese arroz geneticamente modificado, bem como não financiam pesquisas ou eventos relacionados a Organismos Geneticamente Modificados (OGM). As três brasileiras e outras de diversos países declaram acreditar que o consumidor não está seguro com relação à agrobiotecnologia utilizada no arroz.

[img:arroz_528.jpg,full,alinhar_esq_caixa]Europa fechada

Um recente relatório publicado pelo Greenpeace analisou o uso de ingredientes e organismos transgênicos pela indústria de alimentos européia. A entidade, que faz campanha para que a liberação de transgênicos no meio ambiente seja banida, luta por uma agricultura sustentável livre de agrotóxicos e transgênicos.

A indústria de alimentos é um dos focos do Greenpeace na Europa desde 1996, quando a soja transgênica foi misturada pela primeira vez nas exportações de produtos alimentícios dos EUA para a Europa. Na época, a maior parte dos produtores e varejistas de alimentos possuíam uma política de apoio ao uso de ingredientes transgênicos, não se preocupando com sua utilização, ou ignorando o assunto.

Nos anos seguintes, muitas empresas alimentícias européias e particularmente as associações comerciais afirmavam que as culturas transgênicas trariam benefícios em breve para os consumidores e que não havia qualquer forma de evitar sua utilização porque elas eram misturadas nos estoques das commodities soja e milho vindos dos EUA.

De acordo com o documento, houve um prolongado e às vezes intenso debate público, político e científico nos oito anos que se seguiram sobre os perigos das culturas transgênicas. A discussão obteve bons resultados, e um dos mais significativos foi a forte e consistente rejeição aos alimentos transgênicos por parte de consumidores bem informados, e a mudança que eles provocaram nas políticas da indústria européia de alimentos. Outro efeito foi a introdução das leis de rotulagem dos ingredientes transgênicos dos alimentos na Europa.

A nova legislação européia sobre rotulagem e rastreabilidade de alimentos geneticamente modificados entrou em vigor em 18 de abril de 2004 e determina que um maior espectro de ingredientes alimentícios transgênicos agora requerem rotulagem, o que é particularmente relevante, por exemplo, no caso do óleo de soja ou de milho.

O objetivo do Greenpeace ao elaborar o relatório era saber como as empresas estavam reagindo à legislação. Para isso, escritórios da organização na maioria dos países membros da União Européia – incluindo nações prestes a entrar no bloco – entraram em contato com importantes produtores e comerciantes de alimentos. Antes e depois da introdução das novas regras européias, foi pedida uma declaração da companhia sobre a política de uso ou não de ingredientes transgênicos em seus produtos alimentícios.

Para embasar o documento, foram utilizadas as respostas dos 30 maiores varejistas e de uma seleção de 30 dos maiores produtores de alimentos e bebidas na Europa. Muitas dessas companhias já haviam se antecipado à última legislação de rotulagem européia e implementaram políticas apropriadas para manter seus produtos livres de transgênicos, antes mesmo da introdução das novas regras. De fato, muitas empresas já possuíam políticas de não utilização de transgênicos cobrindo todos os possíveis ingredientes — incluindo, por exemplo, óleos vegetais e amido de milho — datando de 1999/2000 ou anos anteriores.

As declarações das empresas nas quais esse documento se baseia demonstram claramente que esse mercado é consideravelmente fechado para os produtos transgênicos rotulados.

A União Européia, com seus 455 milhões de consumidores, é um dos maiores mercados de alimentos do mundo em termos de valores. As vendas estimadas de alimentos e bebidas em 2002 na União Européia ampliada, mais Suíça e Noruega, atingiram o montante de 1,06 trilhões de euros.

Como reage o food service

Por não ser permitido o comércio, plantio e pesquisas de OGM, não há registro do uso desse produto pelos estabelecimentos e indústrias de alimentos voltados ao food service no Brasil. Contudo, a indústria alimentícia nacional se coloca contra o uso desse tipo de produto. Uma vez que existe a necessidade de muito investimento para a utilização, o produto final encareceria muito e haveria um grande prejuízo para o consumidor. “É preciso que exista uma política governamental acerca do tema, já que o arroz faz parte da dieta básica da população. Como o arroz está disponível a preço muito acessível e como é importante manter esse preço, um aumento dos custos industriais não seria aceitável”, declara a Josapar.

Bares e restaurantes que comercializam refeições e utilizam o arroz no preparo da alimentação preferem não tomar partido sobre o assunto. Apenas informam que prezam pela oferta de produtos de qualidade garantida com um preço justo, comercializando apenas artigos permitidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Isso impede uma análise da viabilidade em comercializar o OGM no momento.

De qualquer forma, o consumidor deve ficar sempre atento. Verificar a procedência do produto que irá ingerir para garantir que está seguro ao consumir determinado produto é fundamental para não correr riscos desnecessários. Além dos próprios rótulos dos produtos industrializados, a internet pode ser um bom recurso para inteirar-se a respeito da formulação de cada produto. O site das empresas informa a composição dos produtos, bem como a procedência de seus ingredientes.

A dúvida

Em todo caso, a questão principal que deve ser analisada nesta situação é a segurança no consumo dos organismos geneticamente modificados. [Não, não é esta a questão principal. O assunto deve ser considerado sob vários pontos de vista, e não apenas saber se faz mal ou não ao ser humano. Como estamos falando de plantas, meio ambiente e natureza, estamos falando de patentes, controle sobre sementes, agrotóxicos, cadeias alimentares, mutações, contaminações e consequências imprevisíveis. Estamos falando de um rol gigantesco de variáveis.]

Em que ponto está a pesquisa que trata desse tema? O consumo dos organismos modificados traz algum risco para a população mundial? Não há respostas certas para essas perguntas.

De um lado temos os proprietários da tecnologia, querendo comercializar seu produto e garantir seu lucro defendendo a produtividade e rentabilidade da agrobiotecnologia. De outro, os grupos ativistas ambientais, defendendo o uso de produtos naturais sem interferências tecnológicas como fator primordial para a segurança do consumidor.

Os testes continuam em andamento e o desenvolvimento das pesquisas ainda não chegou a conclusões certas sobre o assunto.

A opinião pública também se divide na mesma proporção. Qual a melhor a saída? Qual a melhor posição nessa briga de gigantes pela verdade no consumo de um dos alimentos mais importantes para a população mundial? Não podem existir dúvidas de a produtibilidade e rentabilidade na produção são tão importantes quanto a segurança do consumidor. Portanto, vale ter cuidado, paciência e vigilância para garantir que as autoridades competentes tomem a decisão correta sem influência de interesses particulares.

O que é o Liberty Link

Desenvolvida pela Bayer CropScience, Liberty Link é uma tecnologia agregada às sementes para auxiliar os produtores rurais a controlar as plantas daninhas nas lavouras. Esta tecnologia compreende variedades geneticamente modificadas que passam a ser mais uma alternativa para o controle de plantas daninhas, com o diferencial de permitir a utilização de um herbicida altamente biodegradável e eficiente, o Glufosinato de Amônio [Êpa! O glufosinato de amônio, desenvolvido pela Bayer, já foi contestado pela ANVISA em 2007 e proibido pela Comissão Européia – vale a pena ler o Relatório do Agrotóxico no site da ANVISA – lá você irá ler: Este produto é: Perigoso Ao Meio Ambiente (Classe III). Este produto é AL TAMENTE MÓVEL, apresentando alto potencial de deslocamento no solo, podendo atingir principalmente águas subterrâneas. Classificação Toxicológica: III – Medianamente tóxico ] em substituição a herbicidas antigos.

Esta variedade propiciaria aos agricultores uma alternativa para melhorar o controle do mato na lavoura e também do arroz daninho (mais conhecido como arroz vermelho), que prejudica o desenvolvimento e a uniformidade do produto final na aparência e no cozimento dos grãos. Vale ressaltar que os orizicultores costumam ter problemas com plantas daninhas resistentes e, em função disso, utilizam muitos herbicidas ou abandonam terras férteis para buscar terras novas para plantio.

Fonte: [ Food Service News ]

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Percebe-se que tanto o Greenpeace quanto as instituições governamentais estão sendo parciais ao comentar sobre o assunto. Por quê? Interesses econômicos, claro.

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Boa parte dos casos de câncer no Brasil poderia ser evitada, diz estudo

[img:090226140335_maca226_1.jpg,full,alinhar_esq_caixa]

Cerca de 30% dos casos de 11 tipos de cânceres pesquisados poderiam ser facilmente evitados no Brasil, de acordo com um estudo divulgado nesta quinta-feira, com a adoção de uma dieta saudável, a prática de mais exercícios físicos e um controle de peso adequado.

O relatório Policy and Action for Câncer Prevention (Política e Ação para a Prevenção do Câncer), uma parceria do Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer (WCRF, na sigla em inglês) e do Instituto Americano para a Pesquisa do Câncer (AICR, na sigla em inglês), calculou a porcentagem dos casos de vários tipos da doença que poderiam ser evitados também nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na China.

Os pesquisadores calculam que um quarto dos casos de câncer em países de baixo poder aquisitivo como a China poderiam ser evitados com esses hábitos saudáveis. Em países desenvolvidos, a proporção sobe para um terço.

O Brasil, como país de poder aquisitivo considerado médio, se encontra no meio do caminho entre estas duas proporções, segundo o relatório.

Brasil

Ao todo, 11 tipos de câncer foram estudados no Brasil e na China: o de boca, laringe e faringe (considerado uma única categoria); esôfago, pulmão, estômago, pâncreas, vesícula biliar, cólon, fígado, mama, endométrio (mucosa uterina) e rim. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, o câncer de próstata também foi pesquisado.

Os cientistas concluíram que cerca de 63% dos casos de câncer de boca, laringe e faringe no Brasil poderiam ser prevenidos, igual à proporção americana, um pouco menor do que a britânica (67%) e maior do que a chinesa (44%)

Em termos absolutos, o maior impacto seria na prevenção do câncer de mama, que é o segundo caso mais frequente da doença entre as brasileiras, atrás apenas do câncer de pele.

O Instituto Nacional do Câncer calcula que 49 mil casos de câncer de mama devem ser registrados no país em 2009. Consequentemente, segundo os cálculos da pesquisa, quase 14 mil casos poderiam ser prevenidos.

Recomendações

“Esperamos um crescimento substancial dos índices de câncer com o envelhecimento das populações, o aumento da obesidade, com as pessoas menos ativas e consumindo cada vez mais comidas pouco saudáveis”, afirmou Martin Wiseman, diretor da pesquisa.

“A boa notícia é que isso não é inevitável e ainda podemos evitar uma crise, antes que seja tarde demais.”

Entre as recomendações dos pesquisadores estão:

  • as escolas devem encorajar a alimentação saudável e as atividades físicas;
  • instituições de ensino não devem vender alimentos pouco saudáveis aos alunos;
  • os governos devem encorajar a população a caminhar e andar de bicicleta;
  • os governos devem tornar leis as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS);
  • a indústria alimentícia deve fazer da saúde pública a prioridade durante todos os estágios da produção.

Fonte: [ BBC Brasil ]

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[nota do editor: tornar leis as recomendações da OMS ? Ora, vejam só…]

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Produção de flores e plantas ornamentais terá norma específica

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Brasília – A elaboração de uma norma específica para regulamentar a produção de flores e plantas ornamentais foi a principal conclusão da 22ª reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais.

A intenção é reunir técnicos do Ministério da Agricultura e da iniciativa privada para formular uma nova proposta de instrução normativa que trate de produção e comercialização de mudas e sementes, incluindo flores e plantas ornamentais.

“A norma será importante que o mercado tenha informações padronizadas e saiba realmente o que está comprando”, disse o presidente da câmara, Renato Optiz.
A próxima reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais está prevista para 18 de junho.

Produção – O Brasil produz hoje aproximadamente 900 milhões de unidades de flores e plantas ornamentais e o setor emprega cerca de oito mil produtores. Os principais estados produtores são Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Somente São Paulo responde por 70% da produção nacional e mais de 50% do consumo.

Fonte: [ Jornal da Mídia ]

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Morales mastiga folha de coca na ONU ao defender planta

[img:260000.jpeg,full,alinhar_esq_caixa]O Presidente boliviano, Evo Morales, pediu hoje às Nações Unidas a despenalização da folha de coca, dizendo que mastigá-la não é ser um drogado.

Com uma folha na mão, que depois mastigou perante a Comissão de Estupefacientes da ONU, reunida em Viena, Morales argumentou que estas folhas deveriam ser retiradas da lista de estupefacientes proibidos pelos convénios internacionais.

“Isto é uma folha de coca, não é cocaína. Não é possível estar na lista da ONU”, declarou o Presidente, que foi aplaudido por algumas das delegações. O seu país é um dos maiores produtores mundiais de folha de coca, com quase 30.000 hectares cultivados, mas mesmo assim consegue ser ultrapassado pelos 50.000 hectares do Peru e pelos quase 100.000 da Colômbia.

“Isto é mastigar. Eu não sou nenhum drogado. Se o fosse, Antonio Maria Costa (responsável nas Nações Unidas pela luta contra a droga) deveria levar-me para a cadeia”, acrescentou Morales. “Esta folha de coca é um medicamento para os povos. Não é prejudicial para a saúde humana, no seu estado natural.”

Um estudo efectuado em 1995 pela Organização Mundial de Saúde concluiu, com efeito, que “o uso de folhas de coca não parece ter efeitos físicos negativos, podendo ser até que tenha valor terapéutico”.

Os habitantes dos Andes, na América do Sul, descobriram há mais de 7000 anos as propriedades estimulantes da coca, tendo o seu uso sido considerado sagrado nas culturas quechua e aymara. O Império Inca controlava a distribuição e a produção desta planta, utilizada em rituais e como estimulante para o trabalho nas minas. Mas só em 1860 é que o principal alcalóide da folha de coca, a cocaína, foi isolado e passou a ser utilizado em medicamentos; muito em especial na Europa e nos Estados Unidos.

Fonte: [ Público PT ]

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EUA criticam plano de Morales de expandir cultivo de coca

LA PAZ (Reuters) – O embaixador dos Estados Unidos na Bolívia criticou na quarta-feira o plano do país sul-americano de expandir significativamente a área legal para plantação de folhas de coca, matéria-prima da cocaína. A Bolívia é a terceira maior produtora mundial da droga depois da Colômbia e do Peru. Os EUA são o maior mercado mundial para a cocaína.

‘O simples fato é que o excedente da coca sempre vai se tornar cocaína. Os traficantes de droga sempre poderão pagar um melhor preço… os Estados Unidos continuam a pedir que o governo boliviano trabalhe para reduzir, em vez de aumentar, as plantações de coca’, disse o embaixador dos EUA Philip Goldberg.

Os comentários do diplomata foram feitos dois dias depois do presidente boliviano, Evo Morales, um ex-plantador de coca, anunciar que a Bolívia vai aumentar a área legal para plantação da folha dos atuais 12.000 hectares para 20.000 hectares no ano que vem, desconsiderando os limites estabelecidos em uma lei patrocinada por Washington.

A lei de 1988 estipula que a região boliviana de Yungan é a única onde o cultivo da folha de coca é permitido, numa área máxima de 20.000 hectares e para usos tradicionais, como para ser mastigada e para fazer chá. Um decreto posterior também permitiu o cultivo na região de Chapare.

(Por Mario Roque)

Fonte: [ Último Segundo ]

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Pesquisa descobre componente de perfume em planta do Cerrado

Uma pesquisa feita na Universidade de Brasília pela engenheira florestal Ana Virgínia encontrou no araçá do Cerrado (Psidium myrsinoides(*)) uma matéria-prima para perfumes, o linanol.

Segundo a pesquisadora, as pessoas pensam que a vegetação é de Cerrado só porque existem árvores retorcidas, com casca grossa e pouquíssimo valor, em comparação com a diversidade da Amazônia, o que é um engano.

A substância linalol está presente no óleo essencial da planta e, em cosméticos e perfumes, serve para fixar a fragrância na pele.

O linalol também pode ser extraído de outras plantas, como o manjericão e o pau-rosa da Amazônia. No entanto, o araçá tem vantagem na questão da sustentabilidade. “Como o linalol é extraído somente da folha, é menos degradante ao meio ambiente. No pau-rosa, por exemplo, extrai-se do tronco da árvore, que demora 30 anos para crescer.”, explica Ana Virgínia.

“Ainda não há como prever o uso comercial do linalol do araçá. Nós descobrimos a substância nos óleos essenciais da planta e agora estamos partindo para pesquisas mais avançadas. Acredito que dentro de dois ou três anos já se tenha resultados favoráveis”, acrescenta.

Fonte: [ JC Online ]

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(*) correção do nome científico feita pelo editor do blog.

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