Dermatite de contato por plantas

Maria José Nogueira Diógines

As dermatites de contato por plantas (DCP) representam importante problema de saúde, considerando a grande utilização delas na medicina popular, medicamentos derivados de plantas, produtos cosméticos contendo extratos ou substâncias provenientes das mesmas, além das dermatites em indivíduos que se expõem ao contato com plantas em atividades de caráter profissional ou não.

De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% da população mundial usa os recursos da medicina popular (plantas medicinais), para suprimir as necessidades de assistência médica primária.

Estudos realizados no Estado do Ceará demonstram freqüência de uso destas plantas, destacando-se malvarisco (Coleus ambroinicus), corama (Briophyllum pinnatum), ipecacuanha (Hybanthus ipecacuanha), eucalipto (Eucaliptus globolus) e hortelã (Mentha arvensis) entre as primeiras de maior utilização. A aroeira aparece em 16º lugar.

Para diagnóstico destas dermatites ou acidentes com plantas, é necessário conhecimento maior sobre aquelas mais comuns ou regionais, aquelas mais cultivadas em jardins, usadas em carpintaria, floricultura, medicamentos, cosméticos etc., bem como os seus potenciais efeitos sobre a pele ou outros órgãos e sistemas. Patch test com bateria padrão pode induzir ou reforçar a hipótese clínica, sem no entanto confirmar diagnóstico. Pode demonstrar sensibilização ao bálsamo do peru, epoxi, colofônio, eugenol, isoeugenol, geraniol, aldeído cinâmico etc.

Citamos aqui apenas algumas das plantas mais incriminadas como causadoras de dermatites, conforme o tipo de reação ou acidente que podem provocar:

  • DCP irritativas: Dieffenbachia picta (comigo-ninguém-pode); Euphorbia tirutali (avelós esqueleto); melão-são-caetano (Masmodica charantia), juazeiro (Ziziphus joazeiro); cajueiro (Anacardium occidentale).
  • DCP urticantes: cansanção (Cnidasculos urens, Fleurya aestuans).
  • DCP irritação mecânica: Cereus jamacuru, Pilocereus gaunelei, opuntia squamosus (mandacaru, xiquexique, palma); buganvília (Bougainvillea spectabilis).
  • DCP alérgicas: alho, cebola e cebolinha verde (Allium sativum, Allium cepa, Allium schoenoprasum); Anacardium occidentale, Mangifera indica, Schinus terebinthifolius Astronium urundeuva (caju, manga, aroeira da praia, aroeira do sertão); eucalipto (Eucalipytus tereticornis); hortelã (Menta villosa); confrei (Siymphytium officinale).
  • Fitofotodermatites: fitofotodermatites ou reações fototóxicas por Citrus bergania, Citrus limmonia, Apium graveolens, Daucus carota, Ruta graveolens, Ficus carica, Cinammonum zeylanicum, Petroselinum sativum, Brosimo gauidichaudii (tangerina, limão, aipo, cenoura, arruda, figo, canela, salsa, mama cadela). Fotoalergias podem ser causadas por plantas das famílias: Compositae, Umbeliferas, Anacardiaceae etc., algumas vezes simulando reticulóide actínico.
  • Pseudo DCP: são provocadas por inseticidas, fertilizantes etc. Também podem ser causadas por substâncias produzidas por fungos que se desenvolvem nas plantas.

A conduta terapêutica é basicamente a mesma empregada para as dermatites em geral, com orientações específicas, apenas em relação a algumas, para as quais existem cremes de barreira, a exemplo do quaternium-18-bentonita, para aroeira (uruchiol) e outras plantas da mesma família.

Autora: Maria José Nogueira Diógines
Fonte: JORNAL DERMATOLÓGICO

disponível online em: [ Mulher de Classe ]

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