Maria José das ervas

As cores, cheiros e sabores das ervas que temperam nossos pratos, perfumam e curam os males do corpo e da alma

Juracy Xangai

Folhas roxas, grandes ou pequenas, em vários tons de verde; flores amarelas, laranja, aveludadas ou lisas, cada uma delas com seus cheiros, cores e sabores característicos das ervas medicinais ou aromáticas. Consumidas na forma de chás, banhos e temperos, fazem parte da tradição regional prometendo curar todos os males, desde uma simples dor de cabeça ou quebranto até ajudar na conquista de um coração desejado.

Ervas. Esse é o principal atrativo da banquinha de Maria José Campos da Silva, 45, mãe de cinco filhos, que a ajudam a cultivar em sua chácara localizada no pólo Geraldo Mesquita, na Vila Calafate, verduras e ervas que vende há 11 anos no mercado Elias Mansour.

“Tudo que eu vendo aqui é plantado pela gente, dá um trabalho danado cuidar delas, mas a gente faz com muito gosto porque sabe que assim vai ajudar as pessoas nas coisas que eles precisam”, explica Maria José. “Uns querem saúde, outros perfume; tem gente que quer amor e outros até esquecer uma paixão traída. Cada um usa as ervas como quer e consegue a graça conforme sua fé.”

Tradição mundial

Na região do Mediterrâneo, o sabor marcante do manjericão com que se temperam macarronadas, sopas e pescados, usado em banhos, é tido como atrativo afrodisíaco do homem para mulheres. Nas cores verde e roxo, aqui é igualmente usado no tempero de macarronadas e carnes. Mas é nos banhos, especialmente para crianças, que ele ganha preferência.

“Isso tempera uma galinha caipira que só vendo. Mas no banho é uma beleza para combater a gripe, fazendo baixar a febre. Também é muito bom para tirar o enfado e as dores no corpo. Vendo muito para um rapaz que prepara esses temperos caseiros com sal, ele dá outro sabor à comida”, relata.

Já a hortelã – sem o qual o quibe de trigo não é quibe – também vai para a panela temperando frango ou à mesa na forma de sucos acompanhado das mais diversas frutas e verduras como a couve, laranja, limão e capim-santo. “Muito bom para combater as vermes, a hortelã é um santo remédio contra o empachamento e a azia. Para dor de cabeça também não tem igual.”

melissa, milícia ou erva cidreira, nomes pelos quais é mais popularmente conhecida no Acre, tem fama de funcionar como um verdadeiro sossega-leão. Calmante de primeira, tem sabor agradável e adocicado que põe adultos e crianças a nocaute.

“Além de acalmar as pessoas, o banho de melissa baixa a febre e melhora a respiração de quem esteja gripado, principalmente para as crianças. Lá em casa a gente tira um pouco do sumo dela, manjericão, hortelã e vicki para preparar um suco gostoso que coloco na geladeira e todo mundo vai tomando de vez em quando, desse jeito faz muito tempo que não gasto dinheiro com remédio”, garante.

Tônico refrescante

Uma boa colherada do sumo de vicki é um santo remédio para quem esteja sentindo esgotamento físico ou mal-estar digestivo. Na forma de chá ajuda a combater problemas respiratórios. Nesse caso funciona ainda melhor com o paciente respirando o vapor refrescante que desobstrui as vias aéreas.

De uso indispensável na medicina popular, o malvarisco ajuda a combater o mal-estar estomacal, mas no Acre ganha preferência no preparo dos lambedores. “A gente mistura malvarisco com alfavaca, jambu e hortelã para fazer um lambedor de primeira. Se tiver mel de abelha para acrescentar quando tira do fogo, é melhor ainda. Não tem gripe que resista, ele bota o catarro todo para fora”, diz ela.

A alfavaca vira banho de quebra quebranto, cura dores no corpo, problemas respiratórios e acalma corações traídos, mas a preferência está na cozinha. “A gente usa para temperar o arroz, o macarrão e a galinha. Não tem melhor para temperar buchada, panelada e todo tipo de carne de caça, especialmente o jabuti.”

Levanta caveira

O cravo-de-defunto, apesar do nome, dá outra vida a quem recorre às suas propriedades. Pela tradição, o banho de suas flores torna os homens mais atraentes para as mulheres. Já os banhos de assento preparados com a planta inteira ajudavam a combater problemas de pele e doenças venéreas. “Quem estiver com dengue e tomar um chá quentinho desse cravo de defunto levanta na hora. O banho é muito bom para dar ânimo às pessoas idosas ou a quem estiver se sentindo cansado. Na saúde ele ajuda em muita coisa”, lembra.

Uma terceira variedade de manjericão, o manjericão fêmea, cujas folhas e a espiga de flores aveludadas têm cheiro forte e um tanto enjoativo, é também utilizado no preparo de alguns pratos, mas especialmente em chás contra a dor de cabeça e nas juntas do corpo. “O pessoal gosta de temperar vários pratos com ele, especialmente galinha, mas é preciso tomar cuidado porque ele é muito forte.”

Sabor Amazônia

Parceiro indispensável da manipueira, sem o qual não há tucupi nem tacacá, é o jambu que dá sabor e aquele tremorzinho gelado que muitos garantem dar mais fogo no amor dos casais. “Sem jambu não tem tucupi, com o qual a gente prepara rabada, pato, frango, peixe e também o tacacá. Ele também fica muito bom no arroz, no feijão, nas carnes cozidas e até cru na salada. Como remédio a gente usa para combater a gripe e para limpar os rins. O chá faz urinar bastante.”

Conhecido como um dos melhores antibióticos naturais da horta medicinal das casas amazônicas, a corama é planta de folha carnuda e cheiro suave. “A gente pisa a folha, tira aquele sumo babento e põe em cima do lugar que está com problema. Funciona que é uma beleza para curar problemas de pele, queimaduras e feridas. Tem gente que come as folhas na salada, outros fazem banho que também é muito bom. A capeba também é muito boa para essas coisas, nunca vi uma ferida fechar mais ligeiro do que com ela. Se deixar a gente fala de erva o dia todo e não se acaba.”

Fonte: [ Página 20 ]

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1 comentário

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Uma resposta para “Maria José das ervas

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