Pedras sob controle

Chá de quebra-pedra impede que os cristais de oxalato de cálcio se juntem e formem cálculos renais

Edição Impressa 70 – Novembro 2001

[img:art1597img1.jpg,full,alinhar_dir_caixa]Nos últimos anos, várias pesquisas científicas praticamente comprovaram os benefícios do uso do chá de quebra-pedra para combater cálculos renais. Faltava, no entanto, desvendar o mecanismo de ação das infusões feitas com as folhas e sementes da espécie vegetal Phyllantus niruri, nome científico da planta.

Estudos recentes conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deram um passo significativo nessa direção. Ao contrário do que a sua popular designação dá a entender, o chá de quebra-pedra não quebra nada. Ele não faz um cálculo grande se partir em pedaços menores, como muitos acreditam. Seu efeito positivo é um pouco mais sutil, mais preventivo do que curativo, mas não menos eficiente.

O chá impede a agregação dos cristais de oxalato de cálcio, o componente químico mais comum das pedras. Sob sua ação, os cristais acabam não aderindo uns aos outros, evitando assim a formação de cálculos de maior dimensão, aqueles que provocam dor na região do rim e são difíceis de ser expelidos sem o auxílio de algum remédio ou tratamento. Na prática, as infusões com Phyllantus param o processo de crescimento das pedras já existentes e evitam a formação de novos cálculos.

Somente por causa dessa propriedade, o consumo do chá, sob supervisão médica, já seria recomendado. Mas as pesquisas indicam que a bebida pode proporcionar ainda um segundo alívio aos portadores de cálculos renais, em torno de 10% da população geral: o quebra-pedra é capaz de relaxar o sistema urinário, o que torna menos penosa a tarefa de eliminar as pedras. “Na pior das hipóteses, o chá de quebra-pedra é tão eficaz quanto as drogas convencionais usadas para tratar de cálculos renais”, compara o nefrologista Nestor Schor, da Unifesp. “Com a vantagem de ser um produto mais barato e comprovadamente não-tóxico.”

Schor é coordenador de um projeto temático da FAPESP sobre insuficiência renal aguda e outras questões relacionadas aos rins, como o estudo da formação de pedras no órgão e o mecanismo de ação do extrato aquoso – o próprio chá – doPhyllantus . Numa outra linha de estudo do temático, pesquisadores descobriram que uma proteína da urina, aretinol binding protein (RBP), pode ser um indicador precoce de futuros problemas renais em pacientes que sofreram transplante de coração.

A presença de pedras nos rins é um problema antigo da espécie humana. A análise de múmias egípcias mostra que os cálculos renais já atormentavam a vida desse povo há, pelo menos, 7 mil anos. Não há nada específico que possa ser apontado como o grande fator desencadeador da formação das pedras na maioria das pessoas, apesar da incidência de cálculos apresentar uma curva crescente na história recente. Fatores genético-hereditários, problemas metabólicos, infecções no trato urinário e até o sedentarismo podem estar associados à ocorrência do problema. A idéia de que dietas extremamente ricas em cálcio originam obrigatoriamente pedras nos rins não tem respaldo científico.

A menos que tenha uma clara predisposição genético-metabólica, uma pessoa não desenvolve cálculos por causa do consumo de leite e seus derivados, alimentos com alta concentração desse elemento químico. De concreto, as estatísticas médicas mostram que as taxas atuais de reincidência de cálculo são altas. “Metade das pessoas que tiveram pedra nos rins volta a ter o problema no período de um ano e 70% em dois anos”, diz Mirian Boim, fisiopatologista da Unifesp que estuda há 15 anos o emprego do quebra-pedra contra cálculos.

Fonte: [ Pesquisa FAPESP ]

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Plantas Medicinais

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s