Cirque du Soleil: Quando a arte esquece a vida

Artigo publicado no blog Plante Árvores:

[img:Liquidamos_01.jpg,thumb,alinhar_esq_caixa]”Em Pernambuco, a recente montagem do Cirque du Soleil, tem causado uma certa polêmica, que só não foi maior, porque parece que as pessoas ainda não se importam (será que um dia se importarão?) com a questão delicada da preservação do nosso meio ambiente.

O local oferecido pela EMPETUR (Empresa Pernambucana de Turismo) para a realização do espetáculo em nosso estado, foi o Parque Metropolitano de Salgadinho, também conhecido como Parque Memorial Arco Verde. O local possui uma imensa área, sendo boa parte dela ocupada por vegetação arbórea.

Segundo matéria citada no anexo 2 (matéria do Diario de Pernambuco disponível no link do rodapé, abaixo). O projeto do parque é do paisagista Roberto Burle Marx e está inserido em uma área de tombamento geral de 10,8 quilômetros quadrados.

A polêmica surgiu porque a organização do espetáculo propôs inicialmente que fossem derrubadas aproximadamente 40 árvores, para que o mundialmente aclamado circo pudesse se instalar naquele local (ver anexo 1: matéria do Jornal do Commercio disponível no link do rodapé, abaixo).

A notícia veio a tona porque o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e o promotor do Meio Ambiente de Olinda, André Felipe Menezes exigiram uma série de documentos que comprovassem a legalidade e viabilidade da obra em consideraçào às questões paisagisticas e ambientais do parque (ver anexo 2: matéria do Diario de Pernambuco disponível no link do rodapé, abaixo).

Duas organizações que trabalham e lutam para cuidar do nosso meio ambiente, a ASPAN (Associação Pernambucana de Meio Ambiente) e a ECOS (AssociaçãoEcológica de Cooperação Social) também entraram na briga e protocolaram documento no Ministério Público Federal sobre a posição contrária das entidadesambientalistas a respeito da instalação do Circo de Soleil na área do Parque elistando os diversos prejuízos que poderiam ser causados ao local (ver anexo 3: manifesto do Fórum de Entidades Ambientalistas, disponível no link do rodapé, abaixo).

Mesmo diante dos protestos dos ambientalistas e das matérias divulga das pela imprensa local, a Empetur seguiu firme e forte no seu propósito de abrigar o espetáculo naquele local. A desculpa para sensibilizar a população e convencer a todos de que valeu a pena o sacrifício das árvores que alí viviam, é a mais fácil de todas: geração de empregos e turismo. Num país em que emprego é artigo de luxo, não pode haver desculpa mais convincente, até para disfarçar uma hipocrisia implícita.

Se é assim, pensando no bem estar da sua população, seria louvável que o Estado pagasse um pacote de ingressos para possibilitar que o trabalhador que está pegando pesado para erguer o circo e as suas famílias tivessem condições de assistir ao maravilhoso e elitista espetáculo dos canadenses engulidores de árvores, cujos ingressos custam bem caro.

E por falar em custos, não sei é o caso dessa turnê Quidam, mas o Cirque du Soleil já contou com o patrocínio de um desses financiamentos públicos que incentivam a cultura,como aconteceu na última turnê pelo Brasil. Esse fato é outra vergonha nacional, visto que,essas verbas deveriam ser usadas apenas para patrocinar quem está começando e não temre cursos próprios nem é suficientemente conhecido e renomado para obter patrocínios significativos, que não deve ser o caso do Soleil. Outra bola, digo, malabares fora, do circo.

Não sei por que estou falando nisso, deveria estar falando em árvores, mas como uma coisa leva a outra, as árvores foram retiradas por interesses econômicos, em um Estado/Pais onde os poderes públicos parecem não estar nem um pouco preocupados/preparados para lidar de maneira justa com a questão do meio ambiente.

Vale lembrar, aqui, que a instalação do Circo não passou pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente – CONSEMA (ver anexo 3).

Agora nos resta esperar e conferir se realmente vão cumprir com a promessa dereplantio. Na minha humilde opinião, esta deveria ser a última alternativaa se cogitar e deveria ficar só na proposta. Trocar árvores adultas, frutificando e plenamente integradas
ao ecossistema, à fauna, etc, por mudas é como trocar vidas inteiras por memórias. Ah, tá. O nome do parque é “memorial”. Entendi.

Pra ficar mais informado/a:

– Matéria publicada no Jornal do Commercio em 16/06/2009: Clique aqui
– Matéria publicada no Diario de Pernambuco em junho/2009: Clique aqui
– O que pensam os ambientalistas do Fórum de Entidades Ambientalistas: Clique aqui

Fonte: [ blog Plante Árvores ]

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Arquivado em Árvores, Meio Ambiente

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