Ciclistas espalham árvores na cidade de São Paulo

Jefferson Coppola/Folha Imagem
[img:09264154.jpeg,full,alinhar_esq_caixa](Ciclistas deixam o viveiro do parque Ibirapuera com árvores na garupa)

Com capacete e luvas, Lilia Diniz, 29, ajuda a apertar uma tira de corda em volta de uma enxada na bicicleta de Anderson Leal, 34. Depois, ele equilibra uma muda de árvore, uma palmeira juçara, de cerca de um metro na garupa da bicicleta dela.

São 8h30 de um domingo e eles estão no parque Ibirapuera, à espera de outras pessoas, que também vão carregar plantas, instrumentos e sacos com mais de 10 kg de terra.

Nenhum deles, no entanto, é funcionário do parque. Todos fazem parte de um grupo chamado Pedal Verde, que une o prazer da pedalada ao de preservar o ambiente. No último domingo de cada mês, desde março deste ano, eles saem de bicicleta pela cidade com a missão de plantar mudas em praças, canteiros e ruas carentes de verde.

Se o domingo é de sol, o grupo passa de 20 pessoas. Algumas transportam as mudas, que geralmente são cinco, mas podem ser mais. Os outros ciclistas carregam o indispensável para o plantio. “Não é uma questão de quantidade, mas de incentivar os paulistanos a pensarem no tema”, diz a advogada Lilia. “Muitos param a gente na rua, ficam curiosos, querem saber o que estamos fazendo.”

Ela é uma das precursoras do Pedal Verde, que nasceu a partir de um grupo de vidrados em bicicleta que fazem um passeio noturno por mês pela cidade — a chamada Bicicletada.

Em 14 de janeiro, uma dessas ciclistas, Márcia Regina Prado, 40, andava sozinha de bike na avenida Paulista quando foi atropelada por um ônibus e morreu. “Resolvemos plantar uma árvore em homenagem a ela, na praça do Ciclista”, conta a designer Juliana Gatti, 28. “Gostamos da ideia e criamos o Pedal Verde.”

O projeto pegou e a cada mês mais gente vai se juntando ao grupo. Em sua sexta edição, no último domingo de agosto, foi a primeira vez do designer André Viceconti, 28, amigo de Juliana. “No dia a dia, a gente sempre diz que queria fazer alguma coisa pelo mundo, pela sociedade. Mas ninguém acaba fazendo nada. Por isso, eu resolvi me mexer.”

O ponto de encontro da turma é o viveiro Manequinho Lopes, que fica dentro do parque Ibirapuera. No espaço, há uma cordilheira de mudas de árvores de cerca de dois metros de altura, que circunda a calçada do local. É um estoque médio de 20 mil árvores, além de arbustos e outras plantas.

Numa praça

Naquele domingo, os 14 ciclistas saíram do parque pela avenida República do Líbano e se dirigiram à rua Varginha, no Sumaré. Antes de chegar ao local do plantio –a praça Abelardo Rocas-, eles chamavam a atenção pedalando pelas avenidas Brasil, Henrique Schaumann e Sumaré. “Não me sinto tão à vontade para andar de bicicleta na cidade. Mas por esse movimento vale a pena”, afirma o engenheiro Anderson, também pioneiro no movimento ecológico-ciclístico.

Na hora do plantio, eles se revezam cavando os buracos, tirando pedras, pondo a muda, ajeitando a terra e regando. Todo mundo ajuda como pode. No local, mais gente é surpreendida com a ação do grupo. São moradores das redondezas, como a socióloga Janaína Caldas, 36, que todos os dias leva seu cachorro para passear na praça Abelardo Rocas. “Eles estão de parabéns. Algumas ainda são árvores frutíferas. É muito legal.”

Além dos vizinhos, que “adotam” as plantas, os próprios “pedaleiros” voltam para ver como as árvores estão. Afinal, uma muda de dois metros de uma espécie que pode chegar a 20 metros ainda é um bebê. “Plantar não é só cavar e pôr a muda ali.

Precisa regar, principalmente no inverno”, afirma Juliana, que também é fundadora da associação Árvores Vivas, voltada para a educação ambiental.

Adote uma árvore

Cada vez que o Pedal Verde vai às ruas, o local do plantio está previamente aprovado pela prefeitura. Por lei, ninguém pode sair por aí modificando áreas públicas. Mas o processo não é tão burocrático quanto parece. E o poder público dá uma força, já que é do interesse do governo encher a cidade de verde. Em sete meses, o grupo de ciclistas espalhou pela cidade 47 árvores.

“O próprio viveiro Manequinho Lopes pode intermediar a autorização, como fazemos com o Pedal Verde”, explica a engenheira agrônoma Cyra Malta, 42, diretora da divisão técnica de produção e arborização da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Além de funcionária da prefeitura responsável pelos três viveiros municipais, Cyra se tornou parte do grupo de ciclistas, desde a primeira edição.

Ela aproveita para divulgar o projeto de incentivo à arborização urbana da prefeitura, por meio do qual são doadas mudas a qualquer cidadão. Para plantar no jardim de casa ou na calçada em frente à residência, não é necessária autorização.

É só ir até um viveiro ou a um dos parques que participam do projeto, preencher uma ficha e ter em mãos informações sobre onde irá plantar. O alerta é bem-vindo para que a árvore, se for inadequada para o local, depois não tenha de ser derrubada -pela própria prefeitura.

“A gente sempre diz: ‘Plante uma árvore, não um pepino, não um problema'”, diz Cyra. “Quando a árvore tem de ser retirada do local, dizem que a prefeitura está destruindo o verde.”

Nesta semana, em que se comemora o Dia da Árvore (amanhã) e o início da primavera (quarta), há motivo de sobra para quem precisava de um empurrão para adotar sua própria muda.

Fonte: [ Folha Online ]

>>>

Veja onde adotar uma muda de árvore em São Paulo

da Revista da Folha

Saiba em quais parques a Prefeitura de São Paulo doa plantas, depois de preenchidos um termo de responsabilidade e uma ficha com dados pessoais e informações de onde a árvore será plantada

ZONA SUL

IBIRAPUERA
(viveiro Manequinho Lopes)
Av. Quarto Centenário, portão 7A, Ibirapuera, tel. 3887-6761
Seg. a sex.: 8h às 16h

GUARAPIRANGA
Estr. Guarapiranga, 575, Pq. Alves de Lima, tel. 5514-6332
Seg. a sex.: 8h às 17h

EUCALIPTOS
R. Ministro Guimarães, 280, Super Quadra Morumbi, tel. 3742 6363
Seg. a dom.: 7h às 18h

SANTO DIAS
R. Jasmim da Beirada, 71, Cohab Adventista, tel. 5511-9356
A entrega ocorre em dois domingos de cada mês, a partir das 9h30. Informar-se por telefone

SEVERO GOMES
R. Pires de Oliveira, 356, Granja Julieta, tel. 5687-4994
Telefonar antes de ir ao parque

NABUCO
R. Frederico Albuquerque, 120, Cidade Ademar, tel. 5678-6002
Seg. a sex.: 8h às 17h

SHANGRILÁ
R. Irmã Maria Lourença, 265, Grajaú, tel. 5933-3015
Dom.: a partir das 14h

ZONA OESTE

PREVIDÊNCIA
R. Pedro Peccinini, 88, Jardim Ademar, tel. 3721-8951
Seg. a sex.: 7h30 às 18h

LUÍS CARLOS PRESTES
R. João Della Manna, 665, Butantã, tel. 3721-4965
Seg. a sex.: 8h às 17h

ZONA NORTE

TROTE
R. São Quirino, 905, Vila Guilherme, tel. 2905-0165
Seg. a dom.: 9h às 17h

SÃO DOMINGOS
R. Pedro Sernagiotti, 125, Pirituba, tel. 3831-7083
Seg. a dom.: 6h às 18h

ZONA LESTE

SANTA AMÉLIA
R. Timóteo Correia de Góes, 30, Itaim Paulista, tel. 2963-3382
Seg. a sex.: 8h às 16h

CHICO MENDES
R. Cembira, 1201, Vila Curuçá, tel. 2035-2270

ERMELINO MATARAZZO
Av. Abel Tavares, 1584, Ermelino Matarazzo, tel. 2214-7481
Seg. a sex.: 9h às 17h

CHÁCARA DAS FLORES
Estr. Dom João Néri, 3.551, Guaianases, tel. 2963-1055
Seg. a sex.: 6h às 17h

PIQUERI
R. Tuiuti, 515, Tatuapé, tel. 2097-2213
Dom. a qui.: 7h às 16h

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Árvores, Meio Ambiente, Mudas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s