A Vida Secreta das Plantas – A Floração

Por: Marília Escobar

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A Polinização é o ato da transferência de grãos de pólen de uma flor para o estigma de outra flor, ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas espermatófitas, já que é através deste processo em que o gameta masculino pode alcançar e fecundar o gameta feminino.

A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais. Os tipos gerais de polinização são os seguintes:

* Anemofilia: através do vento;
* Hidrofilia: através da água;
* Entomofilia: Termo geral para todos os meios de polinização através de insetos, mas é um termo mais usado para polinização efetuada por abelhas e moscas;
* Cantarofilia: com auxílio de besouros;
* Psicofilia: efetuada por borboletas;
* Falenofilia: através mariposas;
* Quiropterofilia: polinização por morcegos;
* Ornitofilia: polinização feita por aves.

Pode haver também a auto-polinização, quando uma flor recebe seu próprio pólen. Em muitos casos, a flor possui mecanismos que rejeitam o pólen produzido em suas anteras, o que assegura a reprodução sexuada, ou seja, que haja intercâmbio de genes com outros indivíduos da espécie. No entanto, indivíduos de algumas espécies não apresentam esses mecanismos, e aproveitam-se de seu próprio pólen para produzir sementes e garantir a estabilidade de sua população.

Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja conseqüência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não haviam insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas. A pequena variedade de meios de polinização neste grupo reflete-se na pouca variação morfológica de suas estruturas reprodutivas.

Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma miríade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores. Surgiram novas estruturas, como nectários, anteras com pólen estéril, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólem carregado para outra flor da mesma espécie.

Atribui-se à elasticidade morfológica das flores de Angiosperma e sua capacidade de adaptação a diferentes agentes polinizadores (entre outros fatores) o seu esmagador sucesso sobre todos os outros grupos do Reino Vegetal.

O pólen (do grego “pales” = “farinha” ou “pó”) é o conjunto dos minúsculos grãos produzidos pelas flores das angiospermas (ou pelas pinhas masculinas das gimnospérmas), que são os elementos reprodutores masculinos ou microgametófitos, onde se encontram os gametas que vão fecundar os óvulos, que posteriormente irão se transformar em sementes.

Os grãos de pólen são normalmente arredondados, embora os dos pinheiros sejam alados, e podem ser muito pequenos, apenas alguns micra. A forma e ornamentação dos grãos de pólen é típica de cada família ou mesmo espécie de plantas.

A Polinização cruzada distingue-se da auto-polinização porque neste caso, o pólen de uma flor fecunda o estigma de outra flor, de um mesmo indivíduo ou de outro. O agente principal da polinização cruzada é o vento, mas em algumas espécies, insetos e pássaros são importante. E até por pessoas.

As espécies que possuem polinização cruzada, normalmente possuem uma grande variabilidade genética, e facilitam o trabalho de melhoramento através de cruzamentos entre variedades. Os processos de desenvolvimento de híbridos são facilitados nas espécies de fecundação cruzada.

As plantas de fecundação cruzada possuem alguma das características abaixo que impedem a auto-polinização:

* Flores somente masculinas ou somente femininas. Ex: cucurbitáceas, abóbora, pepino.
* Maturação diferenciada dos órgãos reprodutores, assim quando os estames se encontram maduros, o estigma já se encontra fecundado por outra planta, ou vice-versa.
* Grande distância entre estigma e estame ou posicionamento morfológico que dificulta a auto-polinização.

A marcante morfologia floral das orquídeas faz com que seja relativamente fácil acompanhar o processo de polinização. Por sua vez, numerosas estratégias de atração aos polinizadores surgiram nesta família tornando o estudo da biologia floral destas plantas um fascinante exercício de biologia integradora.

Nas orquídeas da subfamília Apoistasioideae, o pólen (solto) atua como recompensa aos polinizadores. Nos grupos que formam políneas, o empacotamento do pólen dificulta ou impossibilita seu uso por parte dos potenciais polinizadores. Numerosas orquídeas oferecem néctar aos polinizadores. Este néctar, com freqüência é oferecido em longas estruturas (geralmente prolongamentos do labelo) com forma de nectários ou esporões. Outras orquídeas oferecem óleos florais secretados em glândulas complexas denominadas elaióforos. Há ainda recompensas florais menos comuns, tais como tricomas, resinas ou até compostos aromáticos. Elas tem com seus polinizadores uma relação de benefício mútuo, fornecem alimento e em troca exigem a polinização.

Ainda, numerosas orquídeas não oferecem recompensa nenhuma aos polinizadores. São as assim chamadas “orquídeas de engodo”. Muitas destas orquídeas apresentam conjuntos de caracteres (cores, fragrâncias florais, etc.) que atraem animais a procura de comida. Outras orquídeas “de engodo” apresentam estratégias mais sofisticadas. Este é o caso das orquídeas polinizadas por “pseudocópula”. Estas orquídeas produzem fragrâncias florais que mimetizam os feromônios sexuais de fêmeas de insetos.

Ainda, há caracteres que reforçam a semelhança das flores com a das fêmeas de insetos mimetizadas. O labelo se apresenta piloso e superficialmente semelhante a um inseto. Insetos machos atraídos pela fragrância floral tentam copular com as flores e as polinizam ao longo de sucessivas visitas.

Existem também espécies que se autopolinizam espontaneamente (autógamas). Em geral, espécies autógamas apresentam flores de cores pálidas e estruturas secretoras (ex: nectários) reduzidas ou ausentes. Com freqüência, modificações morfológicas da coluna facilitam a autopolinização.

Bibliografia

* Série: “Os desafios da vida – A Vida secreta das plantas” – FLORAÇÃO
* Vidal, Maria Rosária e Waldomiro. Botânica – Organografia
* http://www.wikipedia.com

Fonte: [ Blog da Marilia ]

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1 comentário

Arquivado em Flores, Sementes

Uma resposta para “A Vida Secreta das Plantas – A Floração

  1. Rodrih Cald 42anos.

    Muito bom seu site. Não estudo biologia nem nunca me imaginei vendo algo do tipo, mas procurando outra coisa acabei deparando com seu post, daí comecei a ler e até esqueci o que estava procurando… parabéns pelo trabalho!

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