Bactéria de planta pode ser responsável por chuva e neve

Organismo faz a água congelar em uma temperatura acima do normal

Geladeira. Bactéria Pseudomonas syringae gera uma proteína que cria gelo mesmo em temperaturas nas quais a água não congelaria
FOTO: ANNE SHERWOOD / THE NEW YORK TIMES

JIM ROBBINS
THE NEW YORK TIMES

BOZEMAN, EUA. Caminhando pelo campus da Universidade Estadual de Montana, David Sands, patologista de plantas, diz que a camada de neve sobre as montanhas da cidade contém uma surpresa. A causa de grande parte dessa neve, disse ele, é uma bactéria chamada Pseudomonas syringae.

Nos últimos anos, Sands e outros pesquisadores reuniram evidências de que o esse grupo de bactérias bem conhecidas, que vivem em plantações agrícolas, é muito mais difundido e pode ser parte de um ecossistema meteorológico pouco estudado. O princípio é bem aceito, mas ainda não se chegou a um consenso sobre a amplitude desse fenômeno.

O modelo de precipitação meteorológica aceito é que fuligem, poeira e outras coisas inertes formam os núcleos das gotas de chuva e flocos de neve. Cientistas encontraram essas bactérias em abundância nas folhas de uma grande variedade de plantas selvagens e domésticas, incluindo árvores e gramíneas, em todos os locais que eles procuraram, incluindo o Estado de Montana, Marrocos, França no território canadense de Yukon e no gelo da Antártica.

As bactérias foram encontradas em nuvens, córregos e valas de irrigação. Em um estudo sobre várias montanhas do Estado de Montana, 70% dos cristais de neve examinados tinham sido formados em torno de um núcleo bacteriano.

Mecanismo de Ataque

Algumas das bactérias promovem o congelamento como uma forma de atacar as plantas. Elas produzem proteínas que iniciam o congelamento em temperaturas mais altas do que o normal e o gelo de água resultante danifica a planta, dando às bactérias acesso aos nutrientes que elas precisam.

Essa habilidade de promover o congelamento de água em temperaturas de congelamento mais altas do que o normal levou Sands e outros cientistas a acreditarem que as bactérias são parte de um sistema não estudado.

Após a bactéria infectar plantas e se multiplicar, disse ele, elas podem ser dispersas como aerossóis no céu, onde elas aparentemente motivam a formação de cristais de gelo (que se derretem ao cair rumo a terra, causando chuva) em temperaturas mais altas do que a poeira ou as partículas minerais que também funcionam como núcleos dos cristais de gelo.

“A chuva é um mecanismo que ajuda essas coisas a se moverem”, disse Cindy Morris, patologista de plantas do Instituto Nacional Francês de Pesquisa Agrícola, que está estudando as bactérias.

Geladeira Natural

A habilidade da proteína na bactéria para produzir neve é bem conhecida. Estações de ski usam um canhão para jogar essa bactéria no ar junto com água para fabricar neve. Ela também é usada em tentativas de “semear nuvens” para criar chuva. Uma única bactéria, muito pequena para ser vista a olho nu, pode gerar moléculas de proteína suficientes para mil cristais de neve.

Os pesquisadores acreditam que existem outras bactérias e fungos que realizam a mesma coisa.

Roy Rasmussen, físico especialista em nuvens no Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, diz que a pesquisa, realizada em grande parte por patologistas de plantas, renovou o estudo que físicos atmosféricos realizaram sobre as bactérias como causa de precipitação pluviométrica. Entretanto, algumas grandes questões continuam sem resposta.

“Essa é uma teoria razoável”, disse Rasmussen. “Mas a central questão é: será que esses bichinhos entram na atmosfera em concentrações suficientes para terem um efeito? Acho que essas bactérias podem ser importantes para lugares específicos e épocas específicas, mas não são uma tendência global. Não é algo que deixamos passar”.

(Traduzido por André Luiz Araújo)

Instrumento

Precursores

Os cientistas atmosféricos Russ Schnell e Gabor Vali foram quem discorreram pela primeira vez sobre a importância das bactérias na formação de cristais de gelo nas nuvens em um artigo na revista “Nature” em 1970. Eles alegam que, na época, não tinham ferramentas suficientes para estudar melhor esse fenômeno.

Influência do micro-organismo teria implicação no aquecimento global

BOZEMAN. O interesse na bactéria Pseudomonas syringae cresceu graças a publicações recentes e dois encontros internacionais sobre o assunto. A patologista de plantas Cindy Morris estima que 30 cientistas de todo o mundo estejam pesquisando sobre o papel das bactérias na precipitação pluviométrica.

Se for constatada a importância das bactérias, isso significará que a destruição de vegetação para criação de pasto ou derrubada de árvores podem diminuir a presença das bactérias e contribuir para a seca. Por outro lado, como as bactérias crescem em algumas plantas e são escassas em outras, plantar a vegetação correta pode melhorar a precipitação de chuva.

A pesquisa continua. Na Inglaterra, cientistas estão voando literalmente no meio das nuvens para coletar amostras de água da chuva e analisando o DNA dos micróbios nelas. Pesquisas do Instituto Politécnico da Virgínia sequenciaram o DNA de 126 cepas de bactérias para criar uma base de dados que pode ajudar os cientistas a rastrear as bactérias até sua origem geográfica.

A pesquisa pode ter implicações para a mudança climática. Segundo o patologista de plantas David Sands, as bactérias não crescem em temperaturas acima de 27,7°C. Se as temperaturas ficarem muito quentes por um tempo prolongado, elas podem morrer. (JR/NYT)

Fonte: [ O TEMPO ]

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Curiosidades

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s