Cientistas da UFF identificam planta que inibe o veneno da surucucu

Antônio Marinho

Surucucu, cobra com veneno letal. Foto: Divulgação

Cientistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) identificaram pela primeira vez uma planta, mais precisamente o extrato de barbatimão, que inibe o veneno da serpente surucucu, um dos mais letais. Se novos estudos comprovarem a eficácia em humanos, a pesquisa poderá levar a produção de um soro específico contra a ação da substância. Até hoje, no caso de acidentes com essa espécie, a opção é aplicar um soro polivalente e com risco de fortes reações alérgicas.

O estudo na UFF, teve o apoio de CNPq, Capes, Faperj, IFS, PROPPi-UFF, e foi realizado por Rafael Cisne de Paula, para o seu mestrado em neuroimunologia, no Laboratório de Venenos e Toxinas Animais e Avaliação de Inibidores (LAVENOTOX), e orientado pelo pesquisador André Lopes Fuly. Eles analisaram as propriedades antiofídicas de 12 plantas brasileiras, e a barbatimão ( S. barbatiman) neutralizou todos os efeitos biológicos do veneno da surucucu, a maior serpente venenosa da América do Sul (ela pode chegar a três metros de comprimento).

Os acidentes com a surucucu (gênero Lachesis) são menos frequentes do que com outras cobras, mas quase sempre fatais. No Brasil, ela é conhecida também como pico-de-jaca, surucutinga ou malha-de-fogo; tem hábitos noturnos, prefere os lugares úmidos, e se mostra muito agressiva quando ameaçada.

– A Lachesis muta, motivo da pesquisa, é responsável por apenas 1,5% dos acidentes, porém a sua letalidade é muito alta, e ela mata três vezes mais que a jararaca – diz André Fuly, professor do Departamento de Biologia Celular e Molecular da UFF. – E quando o veneno dessa cobra não mata, a vítima fica com sequelas graves, inclusive, em alguns casos, membros precisam ser amputados.

Ele diz que a barbatimão mostrou-se eficaz nas pesquisas com camundongos – mesmo quando aquecida a 80 graus Celsius – e esta planta já é usada como fitoterápico, graças à sua cicatrizante e adistringente. Em sua tese, Cisne de Paula comenta que há pelo menos 578 plantas com potencial terapêutico antiofídico.

– Em 100% dos casos a substância extraída da planta cessou a hemorragia causada pelo veneno; enquanto a eficácia do soro é de 70% a 80%, e ele ainda pode causar reações alérgicas, inclusive anafilaxia. Além disso, o soro antiofídico comum precisa ser armazenado em condições especiais, em geladeira, e ainda há dificuldade de distribuição em regiões de difícil acesso no país – explica o professor.

Segundo a Fundação Nacional de Saúde, de 2001 a 2006, foram registrados 49.650 casos de acidentes com cobras no país, sendo 1.200 fatais. Esses ataques são mais frequentes nos meses quentes e chuvosos, e nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste esse aumento é de setembro a março. A maioria das vítimas é do sexo masculino, com idade entre 15 anos e 49 anos, que são atingidos principalmente nas pernas (70% dos casos).

Em todo o mundo, cerca de 2,5 milhões são vítimas de picadas de cobras, e cem mil morrem. E existem cerca de 3 mil espécies de cobras, sendo 15% peçonhentas. Para especialistas, trata-se de um problema de saúde pública em países tropicais.

Uma vantagem de investir na pesquisa do uso de plantas para produzir soro antiofídico é que a produção de soro convencional ainda tem alto custo, porque requer criação de cavalos e um serpentário. O método ainda é baseado no descrito por Vital Brazil, que imunizou cavalos com venenos de várias espécies e viu que o soro dos animais neutralizava a substância inoculada pelas serpentes.

Fonte: [ O Globo ]

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2 Comentários

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2 Respostas para “Cientistas da UFF identificam planta que inibe o veneno da surucucu

  1. pang

    bom eu achei muito bom ,mas oq eu estava procuranda ñ era necsariamente isso mais agradesso.eu estava querendo saber as substansias presantes no veneno obrigado

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    • divo samuel sauer

      Parabens a todos os envolvidos. Por executar muitos trabalho no interior do pais já presenciei muitos acidentes por picadas, principalmente de jaraca. Desejo a todos muito sucesso e que nunca desistam do que almejam.

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