Fitoterápicos – Presidente do CFF questiona Drauzio Varella. Médico responde

por Comunicação | 20/08/2010

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo de Souza Santos, enviou, hoje (19.08.10), uma carta ao médico Drauzio Varella, questionando-o sobre suas opiniões acerca de plantas medicinais e fitoterápicos manifestadas em entrevistas que concedeu à revista “Época”. O Dr. Drauzio Varella estrea, nesta domingo, um quadro no programa “Fantástico”, da “Rede Globo”, abordando plantas e fitos. Varella respondeu, no fim da tarde, a carta de Souza Santos. Ele diz condenar “a falta de estudos clínicos” relacionados a esses produtos. Veja a carta do Presidente do CFF a Drauzio Varella e a resposta do médico.

CARTA DO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS, AO MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Brasília, 19 de agosto de 2010.

Dr. Drauzio Varella,

Tomamos conhecimento, com preocupação, sobre a sua opinião sobre plantas medicinais e fitoterápicos manifestada em matérias publicadas na revista “Época”. Plantas e fitoterápicos são, sim, objetos de estudos técnicos e científicos, inclusive por farmacêuticos. Neste sentido, temos a enorme satisfação de informar-lhe que o Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio de uma Comissão integrada por excelências em plantas, fitos e suas respectivas terapêuticas, vem estudando os mecanismos de ação, efeitos, reações adversas, interações entre os mesmos, alimentos e medicamentos alopáticos. As conclusões apontam para a eficácia do tratamento à base desses produtos.

De sorte que achamos precipitada a sua opinião, ao afirmar que a indicação de plantas e fitos para o tratamento de doenças é um erro, inclusive do Ministério da Saúde. Diante disso, solicito-lhe que repense as suas posições, para que o “Fantástico”, da “Rede Globo”, no qual o senhor fará uma série sobre o tema, não seja um programa que, além de deseducar, venha criar uma opinião negativa acerca das plantas e fitoterápicos, estudados e consagrados, sim, pela população, estudiosos, como farmacêuticos especialistas, além de outros profissionais da saúde, ainda que contrariando certos interesse econômicos.

Enviamos-lhe matérias publicadas em nossa revista, a “`Pharmacia Brasileira”, e, também, a “Carta de Porto Alegre”, as quais abordam o tema.

Atenciosamente,

Jaldo de Souza Santos,

Presidente do Conselho Federal de Farmácia.

Clique nos links e veja matérias publicadas na revista “Pharmacia Brasileira” e a “Carta de Porto Alegre”, que abordam o tema plantas medicinais e fitos.

[[ Novos fitoterápicos na rede pública ]]

[[ Professor Matos ]]

[[ Carta de Porto Alegre ]]

CARTA-RESPOSTA DO MÉDICO DRAUZIO VARELLA AO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS

(ao final da tarde)

Caro professor Jaldo de Souza Santos:

Peço que o senhor não se preocupe com o conteúdo da série que faremos na TV. Minhas ideias sobre esse tema não são “precipitadas”.

Desde 1995 coordeno um projeto de pesquisa de atividade antineoplásica e antibacteriana em plantas da região do rio Negro, com apoio da Fapesp. Nossa extratoteca contém cerca de 2200 extratos, dos quais alguns mostraram intensa atividade antitumoral ou antibacteriana.

Esses resultados têm sido apresentados em congressos e publicados em revistas especializadas nacionais e internacionais. Só uma pessoa desquilibrada faria uma série na TV para vilipendiar um campo de pesquisa ao qual tem dedicado 15 anos de atividade.

Em nenhum momento afirmei que não existem pesquisas com produtos naturais no Brasil. Seria negar a existência do projeto que coordeno e desprezar o trabalho realizado pelos jovens cientistas que a ele se dedicam em tempo integral, além de desqualificar as pesquisas realizadas nos laboratórios do país inteiro. O que condeno é a falta de estudos clínicos dignos desse nome. O senhor sabe melhor do que eu que a atividade encontrada num sistema experimental nem sempre se confirma na clínica.

Se eu tratasse meus pacientes com câncer com os extratos que mostraram atividade contra linhagens de células malignas em nosso laboratório, seria considerado criminoso. Por que essa regra não vale para os que receitam produtos que não passaram pelos estudos de toxicidade e as avaliações clínicas exigidas para os medicamentos convencionais?

Está certo receitar extrato de alcachofra para “dores abdominais causadas por problemas hepáticos e das vias biliares” como está na lista do Ministério? Ou xarope de guaco para problemas respiratórios sem ter ideia do diagnóstico? Em que revista de impacto foi publicado o estudo que comprova a eficácia da babosa ou da graviola no tratamento do câncer?

Em minha opinião, professor, enquanto admitirmos nesse empirismo irresponsável a Fitoterapia jamais será levada a sério no Brasil. A incrível diversidade de plantas em nossas florestas poderá ter muitas utilidades, mas entre elas não estará o uso medicinal.

Estou certo de que um Conselho respeitado como o Federal de Farmácia também não compactua com a divulgação das crendices sobre o poder de cura das plantas que se espalham pelo país, algumas da quais com a chancela de órgãos oficiais.

Ao contrário do que o senhor entendeu, para mim a Fitoterapia é um dos caminhos mais promissores para obtermos medicamentos eficazes e mais baratos do que os atuais. Talvez seja esse o futuro de uma indústria farmacêutica verdadeiramente nacional.

Para encerrar, professor, convido-o a fazer uma busca no Pubmed à procura de estudos clínicos de fase III envolvendo fitoterápicos.

Atenciosamente
Drauzio Varella

Fonte: [ Conselhor Regional de Farmácia do Estado de Minas Gerais ]

Anúncios

12 Comentários

Arquivado em Caso Drauzio Varella, Fitoterápicos, Homeopatia, Plantas Medicinais

12 Respostas para “Fitoterápicos – Presidente do CFF questiona Drauzio Varella. Médico responde

  1. Marcos Aparecido da Silva

    quero deixar aqui, meus parabéns para o sr.professor Jaldo de Souza Santos por ter se manifestado brilhantemente sobre o documentario que vai ser veiculado pela rede globo, atraves da pesso do Dr. Drauzio varela. Pois acho que o grande problema desta reportagem é desfazer o que a população e outros orgãos trabalharam anos e anos para que a população pode-se se valer de um produto que a natureza nós dá de graça sem depender da industria farmaceutica. Sendo na verdade que quem depente dos raizeiros e benzedeira e os mateiros somos nós pesquisadores de plantas medicinais para que possamos levar ao mercado um medicamento que realmente vá fazer efeitos sobre essas bacterias resistente aos antibioticos.
    desde que o homem surgiu sobre a terra ele usa de uma forma ou de outra as plantas medicinais e nunca precisou de nenhum cientista ou pesquisador dizer o que era toxico ou não. Por isso istou com você Professor Dr. drauzio deveria simplismente se ater a falta de pesquisa não denegrir imagem das pessoas que estão tentando levarar uma qualidade de vida melhor a população brasileira e carente.

    Dr. Marcos Aparecido da Silva
    Biomedico
    Medicia Chinesa
    Presidente
    APLAMU
    Associação das Plantas Medicinais de Uberlandia

    Curtir

  2. Estou selecionando os comentários publicados em

    http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI162899-15230,00-ERVAS+MEDICINAIS+OS+CONSELHOS+DE+DRAUZIO+VARELLA.html

    para ver se consigo trazer esta discussão para este espaço, declaradamente imparcial e sem censura.

    Curtir

  3. Anderson, fará um grande serviço ao país. Estarei apontando para este post em todos os meus blogs.

    Certa vez o no mínimo admirável Dr. Varella disse em entrevista sobre religiosidade que “o cérebro dele” não admitia certas coisas, e que talvez houvesse no mundo dois tipos de cérebro, dos que acreditam e dos que não… Agora vejo que o cérebro do Dr. Drauzio tem sim um Deus, um Deus feito a imagem e semelhança desse mesmo cérebro. Um Deus chamado ciência, unipotente e friamente quantitativo. Nunca a etnofarmacognosia foi tão desrespeitada, quando suas contribuições seculares e por vezes milenares foram testadas e retestadas por gerações e a exaustão por esses povos… E por acaso existe pesquisa fase III que leve aconteça e testemunhe efeitos por tanto tempo? E por acaso diagnóstico errado (como argumentou Drauzio em sua resposta ao CFF) condena a propriedade e função da planta? Sem cabimento. Sem mais. Que a discussão saia da Época e venha para cá, mas que não deixe de reverberar para fora do nicho dos profissionais. O povo precisa saber, se conscietizar, se posicionar e cobrar no mínimo respeito pelo conhecimento acumulado que dá de graça a indústria farmacêutica que, uma vez enquadrando o que já se sabia sobre uma planta sob a ótica científica, lhe toma com exclusividade sob a alegação da segurança.
    Arnaldo V. Carvalho
    http://www.arnaldovcarvalho.com
    http://www.portalverde.com.br

    Curtir

  4. Pingback: Presidente do Conselho Federal de Farmácia questiona Drauzio Varella. Médico responde. « Aromatologia e Aromaterapia

  5. Arnaldo,

    Pode ter certeza de que estou buscando levar, a todos que conheço, o conhecimento sobre as plantas, bem antes de termos o uso medicinal das plantas questionado, ao meu ver, de forma a desprezar a custosa pesquisa e dedicação de diversos profissionais fitoterapeutas.

    Se o programa vier trazer conhecimento e buscar patrocínio para pesquisas, ótimo, é importante e vem em boa hora.

    Ao enveredar pela trilha do silogismo “principio ativo é que é Ciência”, leva a discussão de volta ao ponto da questão das patentes.

    Vamos ver o que vem por aí…

    Estou destacando as postagens sobre o assunto, em:

    http://blog.tudosobreplantas.com.br/?cat=451

    Curtir

  6. Teodomiro Marinho

    CREIO QUE OS DEBATES SADIOS VÃO NOS LEVAR AO QUE O BRASIL PRECISA, TRATAMENTO CORRETO E EFICAZ PARA ATENDER AS EXPECTATIVAS DOS DOENTES. TMARINHOSAUDE@HOTMAIL.COM, TEODOMIRO MARINHO, CRTH 0019-BA.

    Curtir

  7. A melhor frase do Dr. Varella, na resposta ao presidente do CFF foi: “Talvez seja esse o futuro de uma indústria farmacêutica verdadeiramente nacional”. Isso, indústria farmacêutica, com suas descaracterizações de fitoelementos, acréscimo de produtos estranhos, patentes limitantes e, claro, efeitos colaterais. Pronto, perde-se a fitoterapia e cria-se mais uma indústria química! Eis, enfim, o motivo de tanta polêmica e tanta bobagem dita por uma pessoa que era, até agora, respeitada nos meios terapêuticos.

    Curtir

  8. Boa tarde! Eu queria parabenizar o Sr. Dr. Jaldo de Sousa Santos Presidente do CFF Conselho federal de Farmacia, pela coragem e competência de questionar do Dr. Drauzio Varella. Eu particularmente acho que o Dr. drauzio Varella já deveria estar aposentado e em casa cuidando dos seus netos, porque ele não é a pessoa certa para dar conselhos nem tão pouco orientações para que as pessoas cuide melhor da saúde e que deva beber isso ou aquilo. ele tem que entender que durante 27 anos de sua vida foram dedicados ao tabagismo substância que ele conhece muito bem por ter sido um médico cancerologista bem conceituado em nosso país, e que a meu entender eu não acho, porque o que não serve prá mim, não serve para os outros. Drauzio dá um tempo médicos alopatas não são deuses nem tão pouco Farmaceuticos, se não fossemos Farmaceuticos a medicina alopatiaca nã seria nada.

    Curtir

  9. Nilza Gonçalves Pereira

    Sou uma cobaia humana a quase tres anos. Eu mesma me submeto a isso. Leio muito, faço bastente pesquisa na internet, e também tenho muita vontade de ajudar as pessoas que presisam de algo sobre a saúde. Tenho 74 anos e o colesterol alterado, embora os médicos geriatas digam que para minha idade meu colesterol é normal, estou sempre alerta tentando baixar-lo. Jé tentei diversas ervas, alem de fazer algum regime, mas até o momento nenhuma erva me serviu. Só que de conversa em coonversa, descobri, uma familia inteira, visinha minha, quase todos com diabetes. Tres irmaõs estãotomando chá de MELÃO DE S. CAITANO,E TODOS CONSEGUIRAM FICAR COM A GLICOSE NORMAL.

    Curtir

  10. Nilza Gonçalves Pereira

    Como esta família usa o melão de são caitano: Êles colocam 25 folhas de melão em um recepiente com a capacidade para dois litros de água, e depois de lavar bem as fôlhas coloca no recepiente e despeja água fervente em cima.Depois de 10 minutos tira as folhas, guarda o chá na geladeira e toma dois copos, ou xícaras por dia. Só não sei se vão tomar a vida inteira, pois este chá não cura , mas controla a glicose.

    Curtir

  11. Nilza, todos nós somos, feliz ou infelizmente, cobaias dos grandes laboratórios e empresas que fabricam alimentos transgênicos (por ex.).

    Para diabetes eu conheço pelo menos duas plantas: batata yacon e chá de folha de Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). Procure informações sobre estas plantas.

    Abraços!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s