CIB faz considerações a respeito de publicação sobre canola transgênica

Sobre matéria a respeito da canola transgênica [LINK]

Caro Anderson,

No que se refere às informações publicadas em 7 de agosto, baseadas no artigo “Evidências do Estabelecimento e Persistência de Populações de Canola Geneticamente Modificada nos Estados Unidos[1], existem importantes considerações a serem feitas que podem invalidar as conclusões tiradas no estudo em questão.

O artigo afirma que o fato de terem sido encontradas à beira da estrada plantas de canola que apresentavam características geneticamente modificadas indicava que essas plantas teriam a capacidade de se reproduzir livremente mesmo em ambientes não agrícolas. Sobre esse ponto, é essencial ressaltar que é possível que plantas cresçam inadvertidamente, visto que as sementes podem ser levadas pelo vento, cair dos veículos que as transportavam ou ser transportadas por pássaros. Entretanto, esse fenômeno não é, em absoluto, específico das lavouras e plantas provenientes da biotecnologia. Pode ocorrer, como ocorre, também com variedades convencionais.

O que devemos levar em consideração é que a canola, geneticamente modificada ou convencional, não sobrevive na natureza. Assim, caso haja a queda de uma semente em lugar não planejado, ela pode até germinar e crescer, mas não será capaz de competir com plantas de maneira a estabelecer uma população. É improvável que as populações se estabeleçam por múltiplas gerações de modo a permitir um significativo fluxo gênico. A tendência é de que essa planta, no caso, a canola, seja substituída por outras plantas. As conclusões dos autores são muito abrangentes, especialmente se ponderarmos a quantidade exígua de informações realmente apresentadas (não há estatísticas e os dados de apenas 1 ano foram reunidos). Para haver populações estabelecidas ou persistentes, é necessário o registro delas por muitos anos.

Não há nenhuma evidência científica de que as variedades de canola resistentes a herbicidas sejam mais invasivas ou mesmo mais persistentes em outros habitats que não os agrícolas do que suas contrapartes convencionais. Estudos e análises de longo-prazo[2], ao contrário, concluíram que, no caso de dispersão para fora de seu habitat agrícola, as plantas transgênicas não são mais invasivas nem mais persistentes do que as convencionais.

Além disso, os autores não explicam a definição de “selvagem” ou “persistente”. Por essa razão, é difícil saber se as plantas de canola encontradas nas margens das estradas com características transgênicas são realmente selvagens, o que é possível, ou são variedades resultantes da dispersão das sementes agrícolas, o que é mais provável.

Alda Lerayer é Engenheira Agrônoma, Doutora em Genética e Diretora do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).


[1] Evidence for the Establishment and Persistence of Genetically Modified Canola Populations in the U.S.” dos pesquisadores MG Schafer, A Ross, JP Londo, CA Burdick, EH Lee, SE Travers PK van der Water e CL Sagers.

[2] Crawley, M.J., Brown, S.L., Hails, R.S., Kohn, D.D., & Rees, M. (2001) Transgenic crops in natural habitats. Nature Biotechnol 409: 682-683

[2][2] Crawley, M.J., Hails, R.S., Rees, M., Kohn, D. & Buxton, J. (1993). Ecology of transgenic oilseed rape in natural habitats. Nature, 363: 620-623.

Fonte: [ recebido por email ]

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Arquivado em Alimentos, Biodiversidade, Biotecnologia, Flores, Meio Ambiente, Transgênicos

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