Publicado novo estudo relacionando o consumo de alimentos transgênicos a problemas no fígado e nos rins

Car@s Amig@s,

Rótulo de um produto transgênico

Em janeiro deste ano divulgamos, no Boletim 474, a publicação de uma pesquisa que apontava impactos do milho transgênico à saúde a partir da análise criteriosa de estudos fornecidos pela própria Monsanto quando buscava autorização para seus produtos na Europa. Os dados, que já haviam sido analisados pelos órgãos reguladores, eram mantidos em sigilo é só foram tornados públicos por decisão judicial.

Os estudos em questão mostravam-se precários, com número de cobaias pequeno demais para permitir análises estatísticas com boa margem de confiança e por curto período de tempo. Ainda assim, a análise independente demonstrou que esses mesmos dados que fizeram a Monsanto concluir pela segurança de três variedades de milho transgênico (MON 863, NK 603 e MON 810), analisados corretamente, indicavam a existência de efeitos colaterais principalmente sobre o fígado e os rins — órgãos ligados à eliminação de impurezas.

Como não deixaria de ser, a avaliação dos pesquisadores franceses colocando em cheque as falsas evidências da Monsanto de que seus produtos eram seguros provocou diversas reações, sobretudo a partir da Monsanto e dos órgãos reguladores nacionais que haviam aprovado produtos transgênicos da empresa.
Buscando consolidar sua posição, o grupo de pesquisadores franceses, coordenado pelo Prof. Gilles-Eric Seralini, publicou em outubro último, na revista científica International Journal of Biological Sciences, um novo estudo analisando os mesmos dados em profundidade ainda maior.

No novo artigo, forte destaque é dado à deficiência dos comitês reguladores, em especial a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, na sigla em inglês), em avaliar a segurança à saúde dos transgênicos destinados ao consumo humano.

O artigo lista e detalha as sete principais falhas no desenho dos estudos da Monsanto, apresenta as mudanças que seriam necessárias para dar consistência aos resultados e avalia as principais consequências, para cada caso, da falta de um desenho experimental adequado.

As análises estatísticas apresentadas pela Monsanto também foram criticadas, assim como foram averiguadas divergências na interpretação de dados biológicos. As críticas ao primeiro estudo da equipe francesa, apresentadas tanto pela Monsanto como pela EFSA, foram detalhadamente respondidas, assim como foram discutidas as sete principais divergências com relação à interpretação feita pela Monsanto (e aceita pela EFSA) com relação a diferenças estatísticas e parâmetros bioquímicos e de avaliação dos órgãos.

Em suas conclusões, os autores ressaltam que o objetivo maior de seu trabalho não é demonstrar a toxicidade crônica dos transgênicos em questão, especialmente porque esta avaliação está baseada em dados provenientes de testes insuficientes. Eles chamam a atenção para o fato de que sequer este tipo de teste, de apenas 90 dias com animais vivos, está sendo conduzido atualmente para se autorizar liberações comerciais de transgênicos em várias partes do mundo — especialmente para os transgênicos chamados “piramidados” (que acumulam modificações genéticas diferentes já previamente autorizadas de forma individual), fato ainda mais preocupante levando-se em conta a não avaliação dos chamados “efeitos coquetel”.

A principal conclusão apontada pelos autores é a necessidade da realização de estudos toxicológicos transparentes, independentes e replicáveis, cuja disseminação implicaria em importantes consequências em larga escala. “Estudos que compreendam toda a vida de cobaias animais alimentadas com transgênicos em laboratório precisam ser conduzidos, como os testes de dois anos de duração que são feitos com ratos para a avaliação de alguns agrotóxicos e medicamentos. (…) Testes deste tipo poderiam ser associados a pesquisas transgeracionais, reprodutivas e endócrinas. Mais ainda, as deficiências nos desenhos experimentais dos testes realizados hoje em dia deveriam levantar questões de primeira importância com relação a outras autorizações para produtos químicos.”


Como dissemos no Boletim 474, os milhos NK603 e MON810 estão liberados no Brasil. Apesar da falta de estudos aprofundados e da inconsistência dos dados fornecidos pela Monsanto, a CTNBio concluiu que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”.

Sobre o MON810 a CTNBio declarou que “os efeitos intencionais da modificação [genética] não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.

Leia a íntegra do artigo científico Debate on GMOs Health Risks after Statistical Findings in Regulatory Tests (Int J Biol Sci 2010; 6(6):590-598).

Joël Spiroux de Vendômois, Dominique Cellier, Christian Vélot, Emilie Clair, Robin Mesnage, Gilles-Eric Séralini.

Fonte: [ Boletim Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos ]

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