A opção pela Fruticultura

por Engº Agrº Valerio Pietro Mondin¹

Frutas Nativas


O Brasil, pelas suas grandes dimensões e variações climáticas, é um grande produtor de frutas. Tem boas condições tanto para produzir frutas de clima tropical, como de clima subtropical e também de clima temperado. Por essas características, pode-se dizer que o país pode dispor de frutas durante todo o ano, com grande diversidade e isso é interessante.

No aspecto alimentar e dietético, a produção e o consumo de frutas é muito importante. Dentro dos critérios aprovados pela Organização Mundial de Saúde – OMS, é recomendável consumir de 3 a 5 porções diárias, ou seja, uma porção a cada refeição. Cabe lembrar, também, que essas porções de frutas, podem ser substituídas por hortaliças.

As frutas, com seu elevado valor nutricional, têm destaque em características como:

  • – são alimentos naturais que não necessitam ser preparados;
  • – possuem diversos sabores e aromas;
  • – são fontes naturais, principalmente, de vitaminas, sais minerais, água, fibras, glicídios de fácil digestão (açúcares solúveis naturais), antioxidantes e gorduras insaturadas;
  • – contém fitoquímicos benéficos à saúde (carotenóides, flavonóides, licopenos, pectinas e outros), que atuam como antioxidantes, combatendo os radicais livres, prevenindo e até curando certas doenças;
  • – auxiliam no bom funcionamento do organismo, estimulando as glândulas endócrinas (de secreção interna) e órgãos vitais do organismo, possibilitando o seu bom funcionamento.

O cultivo de frutíferas, ou seja, a fruticultura pode ter diversas e úteis finalidades. Entre outras, pode-se destacar: a reserva ecológica; o reflorestamento; a arborização e o embelezamento; a proteção do solo, das encostas e do meio ambiente; o consumo familiar e a subsistência; a geração de renda e o retorno econômico.

No aspecto econômico e de um modo geral, a fruticultura tem apresentado bons resultados, apesar das dificuldades que comumente ocorrem, mas que assim é, também, para qualquer outra atividade que se queira desenvolver.

É normal que a disponibilidade de uma área de terra permita pensar em sua utilização econômica, de acordo com a sua dimensão e com as possibilidades existentes. A venda pode ser uma opção, aplicando o recurso resultante no mercado de capitais ou em outras atividades ou outros fins, do próprio interesse.

Quando a área apresenta dimensões suficientes e está em local adequado, pode-se pensar em aproveitá-la para atividades produtivas e aí surgem diversas possibilidades. Pode-se usá-la isoladamente ou conjuntamente com: reflorestamento; criação de animais; lavouras extensivas; fruticultura; olericultura; floricultura; turismo rural; outras atividades que as condições permitam.

A escolha dependerá de alguns fatores importantes. É necessário avaliar qual atividade proporciona o melhor retorno, seja pela área a ser ocupada, seja pelo capital a ser utilizado, seja pela mão de obra a ser empregada.

Todos os fatores citados podem ser medidos e comparados, optando-se pela atividade que melhor retorno ofereça a aquele que é o mais escasso ou o mais caro.

Existe, no entanto, outro fator que é fundamental, para o sucesso do empreendimento, que é o gosto e a preferência do interessado. Ele é quem fará ou dará as condições para que o empreendimento se desenvolva da melhor forma possível. Tudo, portanto, ficará subordinado a este fator e à decisão de atender às exigências e de correr todos os riscos que a atividade ou as atividades apresentam, buscando as alternativas de proteção e segurança possíveis, para obter os melhores resultados.

Os cálculos dos fatores mensuráveis, citados anteriormente, podem se feitos de forma simples e prática. Considera-se o custo do investimento de cada item necessário e, conforme a sua duração ou vida útil, transforma-se em custo anual. Se, portanto, a duração ou vida útil for por 5 anos, divide-se o custo ou valor por 5 e obtém-se o custo anual do item considerado e assim, calculam-se os demais itens.

À soma do valor anual de tudo o que foi investido, adiciona-se o custo anual de manutenção, isto é, aquele que é necessário em cada ano. Com este cálculo, se obterá o custo anual do empreendimento ou da atividade (custo anual do investimento + custo anual de manutenção = custo anual do empreendimento ou da atividade).

Com a definição do total anual do custo do empreendimento, é possível fazer o cálculo econômico da atividade, com base na produção e nos preços médios de venda, obtidos pelo produto. Pode-se, assim, calcular a produção de equilíbrio e o rendimento, seja pela área ocupada, seja pelo dinheiro aplicado, seja pela mão de obra empregada. O rendimento, que for superior ao da produção de equilíbrio, será o lucro da atividade.

Pode-se, portanto, identificar a rentabilidade de cada fator citado, dentro das diversas opções de atividades, escolhendo a melhor para cada caso ou situação.

A fruticultura, de um modo geral, tem apresentado, com dinamismo e progresso técnico, bons resultados econômicos, o que é interessante, para quem nela queira investir.

Se a opção for pela fruticultura, deve-se também medir a rentabilidade entre as diversas espécies e variedades, além de ter bons conhecimentos sobre ela, pois possui aspectos e características próprios. É importante saber:

  • – existem muitas espécies e variedades, com exigências e adaptações diferentes;
  • – é considerada uma cultura permanente, ou seja, deverá ser cultivada para produzir, por muitos anos;
  • – é exigente em clima, solo, tecnologia, tratos culturais e cuidados, além de mão de obra bem preparada e capacitada;
  • – considera-se, em geral, que a produção comercial só inicie 2 a 3 anos, após o plantio;
  • – seus produtos, no geral, são bastante perecíveis e de comercialização um tanto complexa;
  • – é necessário combinar bem espécies e variedades para diluição de riscos e melhor aproveitamento de fatores básicos como a infra-estrutura, as máquinas e os equipamentos, a mão de obra e outros itens comuns.

Quanto ao aspecto econômico da atividade, pode-se citar:

  • – é uma atividade de alta densidade econômica, exigindo altos custos, mas possibilitando altos rendimentos, mesmo que em pequenas áreas;
  • – permite melhor aproveitamento e proteção, de áreas mais difíceis, do que muitas outras atividades;
  • – valoriza a área ocupada e a propriedade;
  • – possibilita diversificar a propriedade, aumentando a segurança e o aproveitamento de toda a infraestrutura, além das máquinas, equipamentos e mão de obra;
  • – cria diversas oportunidades econômicas e de circulação de riquezas (compras, vendas, transporte, beneficiamento, atividades complementares, insumos, crédito, indústrias, comércio, etc.);
  • – gera divisas para o país, através das exportações, sendo elas, tanto na forma industrializada, como na “in natura”.

No aspecto social, pode-se destacar que além da produção de alimentos, cria muitas oportunidades de ocupação e renda para profissionais e trabalhadores de diversas áreas e diversos segmentos, possibilitando melhorar a evolução econômica e social dos envolvidos e do local onde vivem.

De um modo geral, pode-se dizer que cada hectare (1 ha) de frutas, quando convenientemente estruturado, proporciona, em média, de 1 a 2 empregos diretos e outros tantos indiretos, demonstrando sua importância social e econômica para todos os envolvidos.

Cultivar frutas, portanto, além dos benefícios à nutrição, à saúde e ao meio ambiente, pode ser uma boa alternativa econômica. Pode proporcionar a colheita de ”bons frutos” desde que haja realmente o interesse, com recursos, conhecimento e dedicação.


¹ Cooperado da UNEAGRO/SC

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