Orgânicos: preparem-se para ataques oportunistas dos idiotizadores; ou, Como assustar a população mundial com a falácia das bactérias assassinas!

Por Anderson Porto

Eis que finalmente os defensores dos agrotóxicos, dos herbicidas, do NPK, da monocultura, da utilização de máquinas compactadoras do solo, da irrigação e da colheita mecanizada, dos organismos geneticamente modificados, dos transgênicos, das patentes, da concentração do produção de alimentos por meia dúzia de corporações transnacionais etc…

Eis que finalmente eles tem a oportunidade de criticar e de tabela tentar incriminar os alimentos orgânicos por causa da contaminação de cerca de 3 (5? 10?) mil pessoas por uma variedade tóxica da Escherichia coli O104:H4, um microorganismo capaz de produzir uma toxina poderosa e levar um ser humano à morte rapidamente.

Pois bem… Onde está a verdade?

O nome dessa bactéria não me é estranho… E pra vocês? Alguém sabe quem é essa tal de Escherichia coli?

Segundo a Wikipédia, “também conhecida pela abreviatura E. coli é uma bactéria bacilar Gram-negativa, que, juntamente com o Staphylococcus aureus é a mais comum e uma das mais antigas bactérias simbiontes do homem.

O seu descobridor foi o alemão-austríaco Theodor Escherich, em 1885. […]

O seu habitat natural é o lúmen intestinal dos seres humanos e de outros animais de sangue quente. […]

Cada pessoa evacua em média, com as fezes, um trilhão de bactérias E.coli todos os dias. […]

Pesquisando um pouco mais, vem um trecho importante:

A presença da E.coli em água ou alimentos é indicativa de contaminação com fezes humanas (ou mais raramente de outros animais).

A quantidade de E.coli em cada mililitro de água é uma das principais medidas usadas no controlo da higiene da água potável municipal, preparados alimentares e água de piscinas. Esta medida é conhecida oficialmente como índice coliforme da água.“.

Aha!! Coliformes fecais! Eu sabia que o nome dessa bactéria não me era estranho…

Continuando…

A estirpe de E.coli que existe normalmente nos intestinos de um determinado indivíduo é bem conhecida e controlada pelo seu sistema imunitário, e raramente causa problemas excepto quando há debilidade do indivíduo.

A maioria das doenças é devido a E.coli vindas de indivíduos diferentes e portanto de estirpe diferente, não reconhecida pelos linfócitos.

As intoxicações alimentares em particular são quase sempre devidas a bactérias de estirpes radicalmente diferentes.

É por este motivo que é raro um Europeu, por exemplo apanhar intoxicação alimentar de uma E.coli existente noutro país da Europa, porque mesmo uma E.coli do Reino Unido é suficientemente parecida com uma de Portugal para um português não apanhar intoxicação quando ingere uma salada mal lavada nesse país.

Salada mal lavada? Hummm… As saladas são muitas vezes regadas com águas contaminadas e, uma vez não sanitizadas corretamente, transmitem a diarreia do turista!

Então, basicamente, o problema está na água contaminada que é utilizada para irrigar as verduras. É claro que, pelo expostos acima, é também um problema de higienização correta das saladas, verduras, legumes, brotos etc.

Então a solução é simplesmente lavar direito a salada? Oras… Como é que se lava salada direito?

Alimentos como frutas, legumes e hortaliças devem ser higienizados, tendo em vista que esses podem ser consumidos crus. A correta higienização elimina os micróbios patogênicos e os parasitas.

Para higienização de hortaliças, frutas e legumes:

1) Selecionar, retirando as folhas, partes e unidades deterioradas;

2) Lave em água corrente vegetais folhosos (alface, escarola, rúcula, agrião, etc.) folha a folha, e frutas e legumes um a um;

3) Colocar de molho por 10 minutos em água clorada, utilizando produto – hipoclorito de sódio (*) – adequado para este fim (ler o rótulo da embalagem), na diluição de 200 ppm (1 colher de sopa para 1 litro);

4) Enxaguar em água corrente vegetais folhosos folha a folha, e frutas e legumes um a um;

5) Fazer o corte dos alimentos para a montagem dos pratos com as mãos e utensílios bem lavados;

6) Manter sob refrigeração até a hora de servir.

(Adaptado: BRASIL. CGPAN/SAS/Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira: Promovendo a alimentação saudável, 2005.)

(*) Concentrações usadas do Hipoclorito de sódio como desinfectante:

– 0,15 a 0,25 ppm (0,000015%) elimina bactérias vegetativas em 30 segundos;

– 100 ppm ( 0,01 %) elimina fungos em menos de 1 hora;

– 200 ppm ( 0,02 %) elimina 25 tipos diferentes de vírus em menos de 10 minutos;

– 100 ppm ( 0,01 % ) elimina 107 de S. aureus e P. aeruginosa em menos de 10 minutos.

– 500 ppm (0,05%) elimina 106 de HBV, em 10 minutos, 20°C.

– 50 ppm (0,005%) elimina 105 de HIV, em 10 minutos, 25°C.

10ppm=1:5000; 50ppm=1:1000; 100ppm=1:500;

500ppm=1:100; 1000ppm=1:50; 5000ppm= 1:10

Busca pelos fatos do passado

É sempre bom ver o que já aconteceu no passado, para ver quais as soluções adotadas, que possam servir de base para ações futuras.

Nos Estados Unidos, de acordo com os dados do CDC (Center for Disease Control and Prevention) [34], os alimentos mais freqüentemente implicados em surtos provocados por cepas de E.coli enteropatogênica, no período de 1993 a 1997, foram a carne bovina (25%) e as frutas, vegetais e saladas (20%). A US Food and Drug Administration [18] acredita que dentre as cepas enteropatogênicas envolvidas, E.coli O157:H7 seja a mais freqüente, representando hoje o segundo agente etiológico de diarréia bacteriana nos Estados da costa do Pacífico.

E.coli O157:H7 foi implicada pela primeira vez em surto de doença de origem alimentar em 1982 e, nos anos seguintes, mais de 30 surtos foram registrados só nos Estados Unidos [21]. Em 1993 um grande surto envolvendo mais de 700 pessoas atingiu 4 estados norte americanos, com 51 casos de HUS e 4 mortes. O surto foi provocado pelo consumo de hambúrguer mal cozido em uma rede regional de restaurantes tipo “fast food”, chamando a atenção para a carne como fonte potencial desse microrganismo. A partir daí as pesquisas demonstraram que o trato-intestinal de ruminantes, particularmente bovinos e ovinos, parece ser o principal reservatório das cepas entero-hemorrágicas de E.coli O157:H7 [26]. Nesse tipo de animais, a incidência em fezes varia de 0 a 10% [15] e a carne bovina moída (hambúrguer), de maneira especial, tem sido o principal agente de surtos registrados nos Estados Unidos [18, 19] e países da Europa.

Nos últimos 10 anos, entretanto, aumentou significativamente o número de surtos associados com outros veículos além da carne, particularmente as frutas, os sucos de frutas, os vegetais e as saladas preparadas com vegetais. Em 1991 ocorreu um surto nos Estados Unidos em que 23 pessoas foram atingidas através do consumo de cidra de maçã não pasteurizada [19]. Aparentemente, a cidra foi produzida com maçãs recolhidas do chão e contaminadas com esterco de bovinos.

Em 1993 ocorreu um surto no Estado do Oregon, EUA, provocado pelo consumo de melões e outros itens da mesa de saladas de um restaurante, aparentemente atingidos por contaminação cruzada através de produtos cárneos manipulados na cozinha [19].

Em 1995, 92 pessoas foram atingidas por um surto em Montana, EUA, provocado pelo consumo de alface contaminada com água de irrigação [3].

Em 1996 ocorreram dois surtos nos Estados Unidos, provocados pelo consumo de suco de maçã não pasteurizado. O primeiro atingiu pelo menos 70 pessoas, espalhadas por vários estados do oeste, com 3 casos de HUS e 1 morte [10]. O segundo atingiu 45 pessoas dos estados da California, Colorado, Columbia Britânica e Washington, com 12 casos de HUS e nenhuma morte [9].

Em 1996 também foram registrados 4 surtos em escolas primárias do Japão, envolvendo o consumo de saladas [2]. O maior deles ocorreu na cidade de Sakai, com mais de 5.500 pessoas atingidas pelo consumo de broto de rabanete, com 3 mortes registradas. Os demais ocorreram nas cidades de Gifu, com 379 pessoas atingidas pelo consumo de salada, Morioka, com 47 atingidos pelo consumo de salada e frutos do mar e Obihiro, com 157 atingidos também pelo consumo de salada.

Em 1997 ocorreram dois surtos nos Estados Unidos, provocados pelo consumo de broto de alfafa [11], um no estado de Michigan, com 60 pessoas atingidas (2 casos de HUS) e outro no Estado da Virginia, com 48 pessoas atingidas e nenhum caso de HUS. Em 2000, novamente nos Estados Unidos, mais 58 pessoas foram atingidas por E.coli O157:H7, através do consumo de salada [3]“.

E a higienização funciona?

O estudo (2) demonstrou que tanto o cloreto de benzalcônio quanto o hipoclorito e o dicloroisocianurato de sódio são eficazes na destruição de E.coli O157:H7 em suspensão, nas concentrações de 100 e 200ppm, após 30s de contato. […]

Assim, é razoável supor que, no monitoramento dos processos de desinfecção de verduras em restaurantes e cozinhas industriais, acompanhar a redução na contagem de E.coli ou coliformes fecais depois da desinfecção seja suficiente para avaliar a segurança dos tratamentos.


Bibliografia pesquisada:

1) Wikipédia – Escherichia coli

2) Ocorrência de Escherichia coli 0157:H7 em vegetais e resistência aos agentes de desinfecção de verduras

3) ANVISA – Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços de Alimentação

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1 comentário

Arquivado em Alimentos, Artigos, Biodiversidade, Controle biológico, Cultivo, Curiosidades, Doenças, Homeopatia, Orgânicos

Uma resposta para “Orgânicos: preparem-se para ataques oportunistas dos idiotizadores; ou, Como assustar a população mundial com a falácia das bactérias assassinas!

  1. Ricardo

    Se produtos organicos causassem doenças ñ existiria pessoas idosas. Antigamente quase nem usavam esses argotoxico e as pessoas viviam mais e com mais qualidade de vida. As industrias de agrotoxicos, geralmente estrangeira, barram todass e quaisquer pesquisa voltada à agricultura organica. Há comentarios que elas manipulam as universidades de agronomia ($$$) para q agronomos ñ tenha acesso as pesquisas organicas.
    R. Zulato bioquimico

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