ENEREDE – REDE RACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA

ENEREDEREDE RACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA

Revisão: Agosto 2011, dedicada ao e-jornal RD.

Por: Thomas Renatus Fendel

Engenheiro Mecânico, FEG – UNESP, thomas@fendel.com.br

ENEREDE ou ENERNET é o uso recíproco das redes de Energia Elétrica (EE), com seus milhões de consumidores, que também devem e podem gerar e injetar EE nas redes existentes, aumentando em várias vezes sua capacidade de distribuição.

As redes de baixa tensão são superdimensionadas, principalmente aqui no Brasil, terra dos chuveiros elétricos, exclusividade nossa.

Um único chuveiro elétrico de 6 kW consome a EE de duas mil lâmpadas LED de 3 W. Como milhões de brasileiros tomam banho entre as 18 e 21 horas, resultam 3 horas diárias de altíssimo consumo de EE, conhecido como horário de ponta. Nas outras 21 horas, a utilização de muitas redes é irrisória, chegando a menos de 5% em trechos consideráveis.

A EE descentralizada, substitutiva e adicional da ENEREDE será gerada por co-geração e por fontes diversas, como por exemplo, pequenas quedas de água, biodigestores e combustíveis convencionais.

O co-gerador da fig. acima é formado por um motor Diesel de 5 HP adaptado para óleo de fritura, acoplado a um motor elétrico de 3 HP, que, rodando acima de velocidade síncrona, e conectado à rede, se transforma automaticamente num gerador. Os gases de escapamento são direcionados ao fogão/forno residencial e à chaminé metálica interna, que funciona como aquecedor ambiente, sendo a água de refrigeração ligada à caixa de água quente da moradia, por termo-sifão.

Co-geração significa aproveitar o calor residual, normalmente jogado fora em motores e em usinas térmicas.

Os combustíveis podem ser quaisquer, nobres como etanol e óleo vegetal (OV); ou descartados como resíduos agro-florestais.

A co-geração com combustíveis líquidos e gasosos é muito simples e ideal para equipamentos pequenos, de 1 a 1.000 kW. Através da co-geração, deve-se substituir a queima de combustíveis em diversos sistemas de aquecimento e de geração térmica de EE. Em alguns casos, utiliza-se parte da estrutura existente.

90% do calor residual descartado pode ser transformado em calor útil local para os pequenos consumidores. Deste motor é eliminado o radiador. Sua bomba de água circula a própria água do tanque, enquanto resfria o motor e aquece a água de consumo. Os gases de escapamento deste motor são insuflados no aquecedor central ou na caldeira de recuperação e adicionalmente aquecem a água ou geram vapor.

O controlador do sistema é programado para “fornecer o calor necessário” do consumidor, ligando o conjunto às 18 horas, e o desligando quando a água atingir 95 graus Celsius. O sistema pode funcionar automaticamente, sem nenhuma intervenção manual.

Como a demanda de EE no horário de ponta, num hotel, por exemplo, é de 5 kW, e o gerador é de, por exemplo, 50 kW, há um saldo de 45 kW que é injetado na rede de distribuição pública de EE, durante este crítico horário, e deverá ser vendido ou trocado com a concessionária, a preços compatíveis, pois neste horário a EE tem um valor muito maior. Nas outras 20 e tantas horas do dia, o hotel recompra ou permuta com a concessionária a EE necessária, automaticamente.

A água quente armazenada em tanques isolados, com capacidade de alguns metros cúbicos, está disponível o dia inteiro, e é usada nas duchas, piscinas, lavanderia, cozinha, e para aquecer o ar ambiente no inverno. Parte deste calor residual, ou vapor, ou gases quentes; através do ciclo de absorção, pode ainda servir para fazer, também por acumulação, a refrigeração das geladeiras, dos freezers, e do ar condicionado central no verão. O ciclo de absorção é aquele das geladeiras de antigamente, movidas a querosene ou a GLP.

A co-geração em: prédios de apartamentos, residências, escritórios, hotéis, clubes, academias, shoppings, hospitais, etc., pode ser feita preferencialmente, ou exclusivamente, durante o horário de ponta. Além de se injetar EE na rede pública neste horário crítico, teremos ainda, ao mesmo tempo, uma considerável redução de consumo de EE pela retirada dos chuveiros e aquecedores elétricos.

O co-gerador a óleo vegetal da fig. acima é de 8 kW elétricos e de 16 kW térmicos.

A co-geração permite rendimentos totais de até 95% e deve ser feita em todos os locais que necessitam: de calor, e/ou de frio, e de EE.

Nas ineficientes usinas termelétricas, o rendimento varia de apenas 5% a 50%, e a maior parte da energia presente em qualquer combustível, isto é, de 95 a 50%, é jogada fora.

No Brasil, infelizmente muitos consumidores industriais e comerciais são induzidos a gerarem EE com Diesel, diariamente nas 3  horas de elevado consumo nacional, porque é mais barato alimentar um gerador Diesel, a pagar a tarifa 10 vezes mais cara do contrato de ponta. E quando este consumidor instala o gerador a Diesel, e só então, as imorais concessionárias, sem exceção, reduzem o preço da energia de ponta deste cliente, para que o gerador permaneça desligado… 

Estes geradores devem ser transformados em co-geradores e instalados em locais que possam aproveitar a enorme quantidade de calor disponível e descartada. Termelétrica não é co-geração. Este aproveitamento do calor residual, não é possível de ser feito nas grandes centrais, elas não tem “o que fazer” com esta enorme quantidade de calor de baixa temperatura. Num veículo, até se justifica este desperdício, porque é tecnicamente inviável armazená-lo. Mas numa instalação fixa, este descarte é estúpido e imoral. E mesmo assim, 80% da EE gerada no planeta ainda provem de ineficientes termelétricas.

Com a ENEREDE, estas irracionais termelétricas, serão todas substituídas por milhões de pequenos e médios equipamentos de co-geração, com o dobro ou triplo de rendimento, e que não necessitam de combustíveis subsidiados. Isso significa, que  através da ENEREDE podemos diminuir o consumo global de combustíveis, em no mínimo 20%.

As termelétricas e grandes usinas requerem adicionais vultosos investimentos em linhas de transmissão e transformadores, coisas de que os pequenos geradores não necessitam, porque estão ligados nas redes de distribuição existentes de baixa tensão, estão ligados na ENEREDE.

Vivemos no país da agro-floresta imbatível, com muita sobra de resíduos: bagaço de cana, palha de milho, palha de trigo, fibra de coco, cascas de alimentos, cascas de árvores reflorestadas, galhos, folhas, etc.; que deverão ser utilizados para co-gerar energia elétrica, calor e ainda, no mesmo processo industrial descentralizado e contínuo, produzir carvão vegetal em pó ou compactado.

Num pé de soja, de arroz, de trigo ou de milho, a biomassa descartada é de 80%. A co-geração com estes combustíveis sólidos é viável para consumidores maiores do que 500 kW, devido a seus  equipamentos e operações mais delicadas (caldeiras de alta pressão, turbinas a vapor, gaseificadores, etc.).

A energia solar é bem aproveitada para aquecer água, em substituição ao chuveiro elétrico, e para produzir biomassa, mas continua inviável para gerar EE diretamente por placas fotovoltaicas ou por sistemas concentradores de raios solares.

A imensa costa litorânea brasileira e demais áreas com ventos freqüentes e fortes, são ideais para a instalação de pequenos geradores eólicos individuais, conectados à ENEREDE.

No Brasil, são gerados 100  milhões de kW hidrelétricos. O potencial levantado é de 300 milhões de kW. Isto é, podemos gerar 3 vezes mais EE com as águas catalogadas; sem contar o enorme potencial hidráulico das pequenas usinas, desprezado e ignorado pelos tecnocratas.

Como todas as represas são alimentadas por rios com suas inúmeras cachoeiras; estas milhares de quedas podem ser aproveitadas para acionarem micro usinas, viabilizando enorme quantidade de pequenos empreendimentos privados, num potencial total superior ao convencional catalogado.

As pequenas centrais hidráulicas interligadas com a ENEREDE não necessitam de represas, elas podem aproveitar a energia estática e dinâmica das quedas naturais, embora que, com estes fantásticos e mal falados reservatórios de acumulação de água, se obtém mais energia e promove-se a criação de peixes, controle de enchentes, incremento da navegação (eclusas), da irrigação e se alcança um melhor equilíbrio ambiental.

Por muitos anos difundiu-se a mentira de que pequenas usinas não são viáveis.

Um preço de R$ 0,20 kWh torna rentável qualquer micro usina e dá chance de retorno financeiro a inúmeros investimentos particulares, de todos os tamanhos. O ideal é uma tarifa escalonada, inversamente proporcional à potência do gerador.

Por exemplo:

– até 10 kW um valor de R$  0,25 por kWh;
– de 10 até 50 kW – R$ 0,20 kWh;
– de 50 até 250 kW – R$ 0,17 kWh;
– e acima de 250 kW – R$ 0,15 kWh. 

Para efeito de comparação, paga-se para as concessionárias, pelo consumo de EE nas residências, pequenos comércios e micro indústrias R$ 0,50 por kWh, incluso os 33% de impostos. As concessionárias têm excelentes lucros comprando excedentes de EE em baixa tensão a R$ 0,20 kWh, e revendendo a R$ 0,37 kWh (mais impostos) aos vizinhos.

A roda de água da fig. acima (5kW) poderia estar ligada à ENEREDE e proporcionar uma renda contínua de R$ 900,00 mensais a seu proprietário.

A EE da ENEREDE é distribuída aos consumidores a pouca distância e não necessita ser transmitida por milhares de km.

Num cano de água, podem-se fazer inúmeros furos e injetar água em alguns destes furos; e quintuplicar ou centuplicar a capacidade de distribuição de água deste tubo.

Esta analogia (fig. acima) vale exatamente igual para um fio elétrico.

Qualquer rede, aceita a injeção e a ejeção de energia, em qualquer ponto, contrariando a falácia dos técnicos capachos concessionários.

Para as moléculas de água numa mangueira, ou para os elétrons num fio, não interessa se o caminho é de ida ou de volta. Um transformador pode abaixar ou elevar a tensão, com exatamente o mesmo rendimento. O controle de um micro gerador ligado na ENEREDE é muito mais simples do que o controle de um gerador isolado, porque é a própria rede que define a tensão e a freqüência do gerador.

O setor elétrico é o melhor setor para o efetivo livre mercado, para a quebra dos hediondos monopólios que beneficiam poucos ladrões. É inclusive muito mais simples e seguro produzir e injetar EE de qualidade na rede de EE, do que obter, tratar e injetar água potável num cano da concessionária de água.

Gerar EE em pequena escala, com excelente qualidade, é facílimo. O gerador pode ser uma simples máquina assíncrona, de baixo custo, mais conhecido como “motor gaiola” ou motor de indução, ou seja, qualquer motor elétrico assíncrono girando acima da velocidade síncrona, impulsionado por uma energia mecânica externa e ligado à rede para excitação do campo eletromagnético.

O rendimento no funcionamento como motor é semelhante ao rendimento do funcionamento como gerador. Os harmônicos gerados como gerador são parecidos e parcialmente opostos aos harmônicos gerados pelos outros motores conectados à rede, e se anulam.

Não existem dificuldades técnicas, embora os pelegos monopolistas inventem as mais bobas e esfarrapadas desculpas, como por exemplo: o item segurança, que supervalorizam por falta de conhecimento primário, afinal, além de um micro-gerador não conseguir injetar energia num sistema muito maior desenergizado, todos os geradores tem sistemas de conexão e segurança automática, além da segurança intrínseca adicional dos geradores assíncronos, que necessitam de excitação externa da própria rede.

ENEREDE é um bom e lucrativo negócio para todos os envolvidos, e não tem desvantagens. Para as concessionárias é um ótimo negócio. Seu faturamento será maior, terão mais clientes, e suas redes existentes atenderão um número muito maior de consumidores, sem necessidade de investimento algum, por parte delas.

Para a medição do saldo de EE gerada ou consumida, bastam registradores comuns, ou dois registradores com travas de recuo invertidas, ou registradores eletrônicos bi-direcionais.

Recentemente as concessionárias passaram a assaltar ainda mais o povo com a hipocrisia do “smart grid” traduzido: “rede inteligente”, que de inteligente não tem absolutamente nada, muito pelo contrário, pois através da substituição dos registradores analógicos por eletrônicos unidirecionais, os consumidores que eventualmente tenham excedentes de energia, como, os suinocultores, terão que pagar também pela energia injetada.

É isso mesmo, se agora alguém injetar EE na rede, ele vai pagar a mais, ao invés de ter um desconto, e ainda iludem com a mentira de sistema esperto, social, ecológico, etc. Tudo fachada. Tudo armação petralha.

Aliás por que os concessionários fazem tanta propaganda? Que função tem essa falação monopolista? Exatamente calar a boca de seus meios de comunicação contratados para encobrir os desvios e desmandos.

Para os pequenos geradores, os contratos de compra e venda de EE são desnecessários. Para os pequenos é desnecessário o conjunto de leis e taxas, como por exemplo: Demanda, Multa de Ultrapassagem, Tarifas Horo-sazonais, Demanda Suplementar de Reserva (DSR), Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), Encargos de Uso de Transporte, de Energia Emergencial, etc.

Quando a ENEREDE estiver implantada, haverá uma equalização de preços e de demanda de EE, e estes artifícios não serão mais necessários.

O poder público, por um bom tempo, não terá que investir em novas usinas, torres, linhas de transmissão, sub-estações, redes de distribuição, sindicatos, marajás, superfaturamentos, leilões viciados, etc. O governo aumentará a sua arrecadação, pois continuará cobrando seus 33% de ICMS de todos os consumidores (25% de R$100,00 é igual ao acréscimo de 33,33% sobre o preço de R$ 75,00). Aliás, esta contabilidade reversa de impostos é outra exclusividade e invenção safada brasileira, pois os alegados 25%, na realidade equivalem a 33%, como considerado em todos os sistemas tributários das demais nações ao redor deste planeta.

As pequenas usinas particulares promovem o surgimento de centenas de novas indústrias, comércios, empregos, assistência técnica, cursos e prestadores de serviços (geradores, motores, controladores, aquecedores, refrigeradores, etc.), resultando em desenvolvimento industrial, tecnológico e comercial.

ENEREDE é sinônimo de progresso distribuído e generalizado, aliado à erradicação de nefastos oligopólios e de funestas negociatas entre os grandes e perpétuos ladrões.

Em poucos anos, a ENEREDE poderá ser ampliada do seguinte modo: Os geradores e as redes poderão ser providos de controladores micro processados, interligados pelos próprios fios elétricos, com tecnologia “Plug & Play”, ou seja: conecte e funcione.

Na ENEREDE fase 2, serão transmitidos poucos bytes de controle pelos robustos fios de energia, assim como estamos acostumados a transmitir bilhões de informações por milhares de km em 2 frágeis fios de telefone.

Por meio deste controle poderemos através da ENEREDE, aumentar dezenas de vezes a energia distribuída, nas redes existentes.

Mesmo sem este controle, pode-se aumentar imediatamente em no mínimo 50% a EE comercializada em qualquer país e local, em qualquer rede, mesmo saturada, devido à alimentação intermediária e pela “outra ponta” dos fios.

Na ENEREDE, as redes, os sistemas de geração, e os consumidores, funcionam como um pulmão de EE. Com o intercâmbio de EE da ENEREDE, um gerador de 0,3 kW, é suficiente para as necessidades de energia de uma residência normal. Mas independente da rede elétrica, o gerador da mesma residência teria que ser no mínimo de 9 kW, isto é, 30 vezes maior.

O gerador ideal está conectado na rede de EE; rede existente e bem desenvolvida. Sem a ENEREDE, um agricultor não consegue aproveitar nem 20% da EE de uma queda de água, porque as necessidades não coincidem com as disponibilidades.

A roda de água da fig. acima aciona um ampliador (redutor invertido) e um motor elétrico de 10 HP que, rodando acima da velocidade síncrona, e ligado à rede, funciona como gerador.

Na ENEREDE, é possível obter o máximo de utilização de todos os geradores, porque só assim poderão trabalhar em regime de 100% da carga, 24 horas por dia e 365 dias ao ano.

A Internet amplia violentamente a utilidade de um computador. Idem a ENEREDE o funcionamento de um gerador.

Cada micro-usineiro terá interesse em gerar o máximo possível de EE, e vender o excedente. O hotel, por exemplo, após 4 anos de amortização dos equipamentos, obterá uma economia de 30% em seus custos de energia e combustível.

Minha primeira hidroelétrica clandestina de 7 kW completou agora em 2011, 28 anos de funcionamento ininterrupto, injetando energia na rede e reduzindo a conta de EE de uma pequena fábrica da região. 

Assim tenho várias outros geradores em funcionamento “irregular”, de vários tipos e tamanhos, infelizmente sem poder criar negócios lícitos, com seus enormes e imensuráveis benefícios.

Há 3 décadas venho demonstrando a ENEREDE em todos os meios imagináveis; senado, câmaras, federações, ministérios, seminários, institutos e aos barnabés de todo quilate. Não fiz patente, na esperança de acelerar e facilitar sua imediata e ampla implantação.

No Brasil, as pequenas empresas e os assalariados sustentam e subsidiam os grandes grupos com EE. Aqui, as microempresas, as residências, os pequenos comerciantes, pagam até 6 vezes mais pela EE, do que as grandes empresas financiadoras de políticos.

O nosso preço residencial de EE é 70% superior aos preços praticados no primeiro mundo. E o preço da EE das grandes indústrias, por sua vez, é o menor preço de EE encontrado no planeta.

Há décadas, os preços para os consumidores eletro intensivos são inclusive inferiores ao preço de venda de EE de Itaipu. E mesmo assim contratam lobistas “consultores” e fazem pressão para obterem preços ainda menores. 

Na realidade a tarifação deveria ser igual ou oposta, ou seja, quanto maior o consumidor, mais deveria pagar pelo kW. Este preço baixo desestimula seus investimentos em co-geração e geração própria de EE. Não dá nem prá imaginar a quantidade de EE que será gerada e co-gerada pelos grandes grupos industriais, a partir do momento em que cessar a mamata, a corrupção, e terão que pagar um preço justo pela EE.

Hoje até já é possível vender energia às concessionárias, mas é necessário um calhamaço de negociatas, subornos, brindes, favores, mimos, leilões fantoches, autorizações e detalhes técnicos medíocres, que só se “pagam” com uma potência considerável.

A ENEREDE pode evitar aqui as especulações e as negociatas do mercado de EE, tal como aconteceu na Califórnia – EUA, onde além de inúmeros apagões intencionais, o custo médio do kWh teve um aumento superior a 1000% (um mil por cento) durante o ano de 2000. Na Califórnia, algumas concessionárias desligaram intencionalmente suas usinas no horário de ponta, para provocar apagões, aumentar o preço da EE, e obter lucros astronômicos. Detalhe: A EE da Califórnia independe das chuvas.

Um sistema de co-geração custa de R$ 500,00 a R$ 1.000,00 por kW, ou seja, num hotel, um co-gerador de 50 kW terá um custo de implantação de aproximadamente R$ 40.000,00. Os equipamentos são todos nacionais. O Brasil exporta para o primeiro mundo: motores à combustão, geradores, caldeiras, pás de geradores eólicos de 3600 kW com 104 m de diâmetro, controladores, turbinas hidráulicas, etc.

No conjunto, as pequenas usinas são muito mais confiáveis e seguras do que as grandes. As grandes e suas linhas de transmissão estão sujeitas a interrupções por vários motivos: raios, greves, vendaval, conluios, sabotagens do MST, etc. Nunca estes acontecimentos irão ocorrer simultaneamente nos milhões de pequenos geradores. As pequenas usinas diminuem e evitam o efeito cascata, ou seja, impedem que um apagão regional se transforme num apagão nacional.

A ENERDE reduz as atuais perdas (de +/- 20%) dos sistemas de transmissão de EE. Existe um enorme campo a ser desenvolvido, por empresas, universidades e centros de pesquisa, para produzir e aumentar a eficiência dos equipamentos de pequeno porte. Por exemplo, para fazer os micro co-geradores residenciais, serão produzidos motores a combustão de alto rendimento, silenciados, com apenas 0,75 kW (=1HP) com refrigeração a água, vida útil projetada de 20 anos e pouca manutenção.

Os geradores (motores) elétricos usados em co-geração, serão resfriados a água, para aproveitar seu calor dissipado, e aumentar ainda mais os rendimentos totais.

Para quedas de água de mais de 10 metros de altura e com  pouca água é suficiente uma rodinha plástica ligada diretamente ao gerador. E se tem mais água, basta aumentar o número de tubos, (na fig. acima até 4).

A ENEREDE tem em relação à internet, as seguintes vantagens: É muito mais simples e de uso imediato, não necessita de complexos protocolos, endereços, provedores, modens, configurações, gigabytes, etc., e não tem congestionamentos, vírus e linhas ocupadas. Ao contrário, a ENEREDE amplia a capacidade das linhas existentes.

A Internet teve um crescimento rápido, porque não havia monopólios e nem restrições “técnicas” que impediam a conexão de computadores com a rede de telefone, muito mais complexa, e não havia impedimento da injeção de bytes nestes fiozinhos.

Na Dinamarca é proibida a construção de termelétricas.

O nosso cobiçado e maravilhoso sistema energético baseado na hidroeletricidade, (sem considerar as ladras tarifas diferenciadas, e os indecentes assaltos e desvios das grandes obras), da noite para o dia ficou patético: em épocas de chuva, agora temos que deixar as termelétricas em funcionamento permanente, para “gastar” o gás maracutaia comprado da Bolívia, e ao mesmo tempo temos que abrir as comportas das usinas hidrelétricas e jogar fora a preciosa água acumulada. Sem falar que aqui, em todas as refinarias e poços petrolíferos, a porcobráisch simplesmente joga fora (queima inutilmente, sem gerar EE ou calor útil) o gás natural associado.

Num país equatorial e hidrológico, o horário de verão não traz economia alguma.

O aquecimento global antropogênico é outra mentira. Estamos novamente em resfriamento global cíclico, pelas próximas décadas. O CO2, presente com apenas 0,04% no ar, é o gás da vida, e quanto mais tem no ar, mais os vegetais crescem. Infelizmente até, não estamos em aquecimento, pois a graciosa produtividade vegetal seria aumentada, vide efeito das estufas artificiais.

Plantas não comem terra, comem CO2.

Uma tonelada de biomassa, ou seja, 1 t de madeira, para ser formada, come aprox. 1 t de gás carbônico da atmosfera, aprox. 1 m3 de água do solo e libera aprox. 1 t do oxigênio. Portanto, devido à nossa alta produtividade vegetal, temos montanhas de resíduos descentralizados a serem co-gerados, e se, os eco-falastrões estivessem preocupados com a água e a fome, incentivariam a queima racional e útil de qualquer coisa, afinal o produto da combustão completa é CO2 e H2O.

Devido á nossa  localização geográfica e devido à abundância de água, podemos ter 3 safras anuais nas lavouras e nossas florestas chegam a produzir 10 vezes mais madeira do que florestas de mesma área no Canadá. É esse o real motivo que norteia as ONGs estrangeiras na criação de hipócritas reservas indígenas e de imbecis e restritivos códigos ambientais e florestais, outra exclusividade brasileira, afinal ninguém consegue competir com os férteis trópicos naturalmente irrigados.

Gerador eólico residencial “FENDEL” conectado à rede, em desenvolvimento (fig. acima).

Para a implantação da ENEREDE, é necessária apenas uma lei, e sua divulgação: de maneira clara e objetiva: “Lei que obrigue as concessionárias a comprarem qualquer fração de EE a preços compatíveis”.

Esta lei sozinha; elimina o risco de novos “black-outs”; diminui o consumo de combustíveis; reduz o consumo de ponta de EE; melhor utiliza o sistema elétrico instalado; incrementa a economia nacional; e aumenta no mínimo em 50% (com capital privado e em curto espaço de tempo) a EE gerada e distribuída no país.

ENEREDE é sinônimo de real preservação ambiental, de desenvolvimento exponencial da humanidade e da pulverização dos nefastos oligopólios.

 

REFERÊNCIAS

– Contas de Energia Elétrica.

– Vidal, J.W.Bautista,  “Poder dos Trópicos”, Ed. Casa Amarela, São Paulo.

– www.fendel.com.br

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2 Comentários

Arquivado em Artigos, Biocombustíveis, Técnicas

2 Respostas para “ENEREDE – REDE RACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA

  1. vladimir

    boa noite, parabéns pelo projeto , gostaria de saber se eu ligar um conversor caseiro de 24vdc para 220v cc na minha rede eletrica causara algum problema? Obs : não é de onda pura, desde já obrigado.

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  2. Olá Vladimir.
    Obrigado pela deferência.
    O conversor eletrônico para ser conectado à rede precisa ser especialmente projetado para tal. É mais sofisticado e mais caro do que os comuns.
    Portanto, se teu conversor não é do tipo “gried tied” ou seja, do tipo “conectável à rede”, ele não consegue injetar energia na rede existente.

    HidroEólicosBioAbraços

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