Transgênicos da Embrapa

Rótulo de um produto transgênico

Basicamente o que lerão a seguir é um texto-propaganda babaca, pois força o leitor desinformado a crer que ser ambientalista responsável é ser contra a pesquisa da tecnologia OGM e de sua aplicação de forma ambientalmente segura. É a manipulação da informação.

Quem produz alimentos sabe, desde que a humanidade começou com a agricultura de subsistência, que o combate às pragas na lavoura se faz com cultivos diversos. Se ocorre o ataque de uma praga, apenas parte da lavoura é perdida, pois as demais variedades resistiriam.

A falácia de dizer que criar um “feijão maravilha”, resistente ao vírus do mosaico dourado, é tamanha que esquecem do óbvio: basta uma mutação (que vai ocorrer em menos de 5 a 10 anos) para que um vírus resistente ocorra naturalmente e torne-se predominante.

É assim que a Natureza funciona e qualquer tentativa de burlar esta lei dá com os burros n’água.[7]

Fora a contaminação de espécies crioulas !!! Nós já vimos isto acontecer. Quem acompanha o assunto sabe que, através da polinização, os genes das plantas transgênicas passam para plantas não-transgênicas [5].

Aí, o agricultor que plantou o seu feijão de forma orgânica, respeitando a Natureza, respeitando o solo, a terra, or rios, o mar, os lençóis freáticos, o ar que respiramos; esse agricultor merece uma compensação financeira por ter este respeito; o que acontece? Ele tem seu cultivo criminosamente contaminado e terá que pagar royalties para a Embrapa ??? Isso é justo?

Oras… Ao meu ver, o Xico Graziano deveria se informar melhor, antes de sair fazendo propaganda deste crime contra a agricultura familiar, que é responsável por quase 70% dos alimentos que consumimos !!!

E olha que nem citei os venenos… Fizeram as contas da quantidade de resíduos de agrotóxicos que consumimos indiretamente, através dos alimentos, e chegaram ao valor de 5,6 litros por ano !!!

Vocês tem ideia do mal que faz consumir 5,6 LITROS de agrotóxicos por ano ???

Mas… É aquilo… Melhor voltar pras violetas, begônias… e esquecer este assunto. Não vale a pena…

Anderson Porto

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Feijão maravilha

Autor(es): Xico Graziano
O Estado de S. Paulo – 06/09/2011

Está chegando o transgênico verde-amarelo, maravilha da biotecnologia nacional. Trata-se de uma variedade de feijão resistente à virose. Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a descoberta vai economizar agrotóxicos e favorecer os agricultores familiares. Golaço da moderna agronomia.

Pela primeira vez uma variedade geneticamente modificada nasce exclusivamente em instituição pública. Segundo o agrônomo Francisco Aragão, um dos responsáveis pela pesquisa, os estudos na Embrapa demoraram toda uma década. Agora resta aguardar a liberação do plantio comercial do feijão transgênico, decisão a ser tomada nestes próximos dias pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O agressivo vírus do mosaico dourado contamina as lavouras de feijão por meio da picada de um pequeno inseto, a famosa mosca branca. Seu controle químico é difícil e oneroso, exigindo seguidas pulverizações preventivas com defensivos. As perdas na safra, de 40% a 85%, seriam capazes de alimentar entre 9 milhões a 18 milhões de pessoas adultas.

Por meio da biobalística, técnica de bombardeamento celular em laboratório, os cientistas conseguiram introduzir parte de material genético do vírus diretamente no genoma nuclear do feijoeiro. A mistura genética criou nos descendentes da planta uma capacidade inerente de resistência à terrível doença. Assim, pesadelo dos agricultores, majoritariamente familiares, que se dedicam ao cultivo da leguminosa no Brasil, o mosaico dourado trombou com a ciência.

Especialmente desenvolvido após a descoberta do DNA, o melhoramento clássico sempre alterou a carga genética das espécies por meio do cruzamento sexual. Na recombinação entre os cromossomos Y e X (masculino e feminino), aparecem variações que, se interessantes, se fixam nos descendestes após sucessivas gerações. A manga sem fiapo, o arroz agulhinha, o frango de granja, a celulose macia, a rosa graúda, tudo, plantas, grãos e raças conhecidos hoje na agropecuária pouco se parecem com seus ancestrais.

Diferentemente do melhoramento tradicional, na engenharia transgênica transfere-se carga genômica entre espécies distintas sexualmente. Genes são transplantados de um organismo vivo para outro, interespécies, sem cruzamento. Por isso, quando foram anunciados, seus críticos os consideraram antinaturais, contra as leis divinas. A comida “Frankenstein”.

Mas, por incrível que pareça, a transgenia foi copiada da natureza. Ela acabou descoberta, em 1972, quando os cientistas perceberam que certos organismos parasitas conseguiam transferir partes de seu germoplasma para plantas hospedeiras, fazendo-as produzir açúcares. Dez anos depois surgiram os primeiros organismos, de laboratório, geneticamente modificados: eram bactérias produtoras de insulina humana. A ciência dera um passo fenomenal. E os diabéticos foram os primeiros a comemorar.

Quando os organismos geneticamente modificados começaram a ser anunciados, trouxeram, compreensivelmente, grande receio à sociedade. Em nome do princípio da precaução, típico da boa ciência, pregava-se uma moratória de cinco anos para se aquilatar, convenientemente, sua biossegurança. Cautela nunca é demais.

Hoje, passados quase 15 anos de forte expansão em vários ecossistemas produtivos, e tendo sofrido todo tipo de ataque – científico, ideológico e religioso -, os transgênicos provam sua biossegurança. Os problemas relatados em pesquisas sobre organismos geneticamente modificados trazem questões difíceis, mas conhecidas, como resistência de variedades, alergenia, influência no ecossistema, escape genético. Inexiste milagre, tampouco maldade, na ciência.

Inquestionavelmente, para desgosto dos fatalistas, nenhum desastre ecológico ocorreu e nunca ninguém faleceu por ingestão de organismo geneticamente modificado. Prova elementar de que os procedimentos metodológicos, aceitos universalmente, garantem a biossegurança da tecnologia. A ciência superou o medo.

Por isso avança, em todo o mundo, a utilização de variedades transgênicas na agricultura. Em 2000 havia 13 países plantando-as numa área de 40 milhões de hectares. Passada uma década, o cultivo subiu para 148 milhões de hectares, em 29 países. O Brasil ocupa o segundo lugar do ranking mundial (25,4 milhões de hectares), abaixo dos Estados Unidos (66,8 milhões de hectares).

A Suécia, rigorosa na política ambiental, tornou-se o primeiro país escandinavo a cultivar sementes transgênicas. O próximo deverá ser a Dinamarca, que aguarda a vinda da batata resistente ao vírus da requeima, doença que causa perdas anuais de US$ 5 bilhões nas lavouras europeias. Filipinas, Indonésia e Vietnã, entre outras nações asiáticas, nutrem grandes expectativas para a chegada ao mercado do arroz dourado, há cerca de 20 anos em desenvolvimento, com elevado teor de betacaroteno. Ação decisiva no combate à desnutrição infantil.

“Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”. A frase, atribuída a Itamar Franco, aplica-se aos detratores do feijão transgênico. Contrários à sua liberação pela CTNBio, alardeiam perigos, jamais comprovados, que descreem da ciência. Inventam motivos, gritam surrados slogans contra a biotecnologia.

Na verdade, o transgênico verde-amarelo desenvolvido pela Embrapa quebrou o queixo daqueles que sempre acusaram a engenharia genética de servir às multinacionais e favorecer os grandes produtores. Perderam o eixo do fácil discurso ideológico.

Ao atacar a Embrapa, o ambientalismo retrógrado namora o vírus do mosaico dourado. Que ambos se cuidem. Vem aí o feijão maravilha, obra-prima da pesquisa nacional.

Fonte: [ Clipping ASCOM-GM ]

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Referências:

1 – Praga do milho cria resistência a planta transgênica da Monsanto

2 – Com prós e contras, CTNBio vota hoje liberação comercial de feijão transgênico

3 – Embrapa obtém primeiras plantas transgênicas de cana-de-açúcar

4 – Tomate prestes a ser patenteado pela empresa Monsanto

5 – Pesquisa confirma que plantações de milhos transgênicos contaminam as convencionais

6 – Canola transgênica se espalha na Natureza

7 – Pragas ameaçam lavouras transgênicas brasileiras

8 – IMPRENSA CÚMPLICE – A ameaça dos transgênicos

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9 Comentários

Arquivado em Notícias, Transgênicos

9 Respostas para “Transgênicos da Embrapa

  1. Por que não falam que a transgenia perde-se, em meio a sucessivas gerações, através de um código de recuperação genética que as próprias plantas possuem?

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  2. Anderson, você pode não concordar com o teor do texto do Graziano, até mesmo rotular a coisa toda de propaganda babaca, mas devia ter mais cuidado em embaralhar usas informações para o leitor, porque assim vai se alinhar ao lado da propaganda contra pela propaganda, sem contribuir para a compreensão do problema.
    Esta variedade de feijão transgênico é resistente ao vírus do mosaico dourado. Quer dizer que vai ser preciso aplicar muito menos inseticida na safra, porque a mosca branca, que transmite o virus, não costuma ser um problema agronômico, mas o produtor precisa combatê-lo com muito esforço por causa do virus. Bom para o ambiente e para o consumidor.
    Segundo ponto: qualquer resistência genética acaba sendo quebrada um dia por mutação do agente infeccioso (e não da planta – há controle para isso na produção de semente, claro). Um dia a tecnologia será perdida, provavelmente. Mas isso acontecerá com todas as plantas resistentes, sejam elas obtidas pela melhoramento convencional ou pela engenharia genética. Isso NÂO É razão para se condenar a tecnologia. Passar isso ao leitor é um desserviço à agricultura e aos brasileiros que buscam conhecimento no seu site.
    Terceiro: as espécies crioulas de feijão essencialmente não existem, não é como o caso do milho. Além disso, há bancos de germoplasma que preservam as variedades que foram introduzidas no Brasil faz tempo.
    Quarto ponto: as tecnologias convivem perfeitamente. Quem quiser continuar plantando variedades de família, em seu sítio, fazendo uma agricultura orgânica ou convencional séria vai poder continuar fazendo. E os que quiserem optar pela nova variedade devem também ter o direito de fazê-lo. Assim funciona uma democracia.

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    • Meu caro Paulo,

      O dia que o quadro da CTNBio for composto por técnicos e especialistas não atrelados aos interesses da indústria de transgênicos aí sim você poderá falar de democracia.

      Quem não divulga devidamente as informações são os órgãos de controle e pesquisa, faz mais de 10 anos.

      Sobre espécies que essencialmente não existem (“feijão crioulo”), bem…


      Feijão crioulo – São variedades tradicionalmente utilizadas pelos agricultores que estão em avaliação pela pesquisa. Para a pesquisa, elas são uma opção para o produtor orgânico, pois, ao longo dos anos, vêm sendo cultivadas com baixo nível de insumos industriais. Esses materiais nem sempre obtêm o melhor desempenho nas áreas experimentais, mas geralmente se comportam muito bem nas condições dos agricultores (embora os pesquisadores alertem que, na maioria dos casos, essa adaptação se dê no âmbito de um único produtor ou pequena região de plantio). Atualmente o IAPAR dispõe de 20 variedades de feijões crioulos em experimentos (dez de grãos pretos e dez de cor), obtidos em propriedades de Bituruna, Cruz Machado, Irati, Reserva e outros municípios do centro-sul do Paraná.

      Fonte:
      Pedro Mário de Araújo – Pesquisador – Coordenador da Área de Melhoramento e Genética Vegetal – (43) 3376-2294 -pmaraujo@iapar.br

      Potencial fisiológico em sementes de cultivares de feijão crioulo (Phaseolus vulgaris L.)

      […] A semente utilizada pelo agricultor advém de anos anteriores, as quais, normalmente são selecionadas pelo próprio agricultor por muitos anos, o que a caracteriza como semente crioula. […]

      >>>

      Ao meu ver, uma coisa é criar uma tecnologia que melhore a vida do agricultor e dos consumidores. Outra, completamente diferente, é criar uma tecnologia que escravize e que force o agricultor a sempre comprar sementes.

      Sobre a polinização de feijões (e a possível contaminação de cultivos orgânicos por cultivos transgênicos) e convívio:

      No caso do milho, do arroz e do feijão essa transferência é realizada, predominantemente, pelo vento. Há indicativos, no entanto, de que a polinização no feijão seja mais eficiente, quando há abelhas visitando as flores.

      Fonte: A importância das abelhas na produção de alimentos

      >>>

      Mas não se preocupe, aqui no BRasil o dinheiro fala mais alto e a população continua desinformada sobre os transgênicos, então nem tem como exercer seu direito a informação. O consumidor passará a comer feijão transgênico e nem ficará sabendo.

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  3. Meu caro Paulo Andrade,

    Já que você gosta de responder questões pela dita “ótica” científica, me faça a gentileza de responder então:

    1) A CTNBio é composta por pesquisadores que não tenham, de forma alguma, vínculo com as empresas que produzem transgênicos?

    2) Por que investir em tecnologia OGM, quando o cultivo de feijão, nas últimas décadas, vem sendo efetuada pela agricultura familiar?

    3) O feijão transgênico pode contaminar cultivos orgânicos e crioulos? Se sim, qual a medida de combate para evitar a disseminação da contaminação e qual o papel do Governo neste processo?

    4) O agricultor perceberá quais vantagens e desvantagens?

    5) Onde estão os resultados dos testes com cobaias?

    6) Se o feijão é ambientalmente e biologicamente seguro, como afirma a Embrapa e agora a CTNBio, no caso de ocorrerem problemas (contaminação, problemas como alterações genéticas na flora intestinal etc), quem deverá ser responsabilizado e assumir a culpa?

    7) Você tem filhos? Se sim, você daria feijão transgênico para seus filhos sem culpa? E se você der, pode tirar uma foto e me enviar, para que eu publique em meu blog?

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  4. Anderson, aí vão as respostas aos itens que não envolvem minha vida privada.
    1) Em geral os membros da CTNBio não têm vínculo qualquer com as empresas privadas. Quando eventualmente eles têm, sempre se abstêm de votar em assuntos sobre a empresa. Da mesma forma, se abstêm de votar sobre assuntos em que suas unidade de trabalho estão envolvidas. Isso é uma regra geral. Algumas vezes os membros têm relação noa com empresas, mas com ONGs ambientalistas e movimentos contra os transgênicos. Que te parece isso?

    2)Investe-se em tecnologia porque o agricultor familiar merece uma variedade sempre melhor de feijâo e deve ter a maior produção possível para não ser condenado à miséria. Ou você pensa ao contrário? Devemos negar ao pequeno agricultor as melhorias dadas aos grandes?

    c)pode haver fluxo de pólen do feijão GM para o convencional, mas isso é pouco comum, o feijoeiro funciona como uma autógama. Uma “contaminação” só vai ocorrer se as duas roças estiverem coladas uma na outra uu se o agricultor plantar na mesma roça as duas variedades.

    4) O agricultor vai perceber as vantagens quando olhar a roça do vizinho. O agricultor pode ser tudo, menos burro. Assim aconteceu com a soja, o milho e o algodão GM.

    5) Os resultados de testes com cobaias estão no processo, é público, acesse http://www.ctnbio.gov.br, baixe de lá e olhe.

    6)Se problemas ambientais ou de saúde ocorrerem, a Embrapa é legalmente responsável e a CTNBio também, além de, provavelmente, o MAPA, que ainda precisa autorizar o plantio (só vai ocorrer daqui a 3 anos, falta multiplicar semente, fazer testes agronômicos, etc.)

    Esta é a ótica científica. Para ter respostas claras foi preciso me debruçar sobre as 500 páginas do projeto e estudar muito o assunto. Eu não emprenho peras orelhas e não compro opinião de outros. Sugiro que você faça o mesmo: leia o processo, tire dúvidas com especialistas em genética molecular e biossegurança e depois tenha uma opinião com a ótica da ciência, que é a ÚNICA que cabe aqui.

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  5. Ao meu ver, a única verdade que cabe é o bom senso, e ele não é feito somente de Ciência – se fosse como você diz o mundo não estaria poluído – as águas não estariam cheias de venenos, a terra teria nutrientes suficientes e não existiria poluição no ar.

    1) O que seria correto é que a composição da CTNBio fosse feita exclusivamente de doutores que não tivessem vínculo com empresas, públicas ou privadas. Ou eles não conhecem o que seria ético?

    2) Você realmente acha que os agricultores de feijão irão ficar ricos depois que plantarem feijões transgênicos? Você consegue citar o exemplo de algum pequeno agricultor que tenha ficado rico? Você já analisou a cadeia de distribuição de alimentos para verificar onde fica a maior parte da $$$, correto? Não é com o agricultor, correto? Então não fale bobagens!

    3) Não, a contaminação pode ocorrer através do vento e se pode haver contaminação, PRIMEIRO deveriam proteger quem usa do bom senso e planta feijões orgânicos e crioulos.

    4) As variedades de milho, soja e algodão estão ficando cada vez menos vantajosas, porque a produtividade está caindo e, além de terem que pagar royalties, estão tendo que usar mais fertilizantes e agrotóxicos.

    A vantagem inicial é temporária.

    5) Pelo que pude entender, foram apenas 3 meses de testes?

    6) Você conhece como a justiça brasileira funciona quando o cidadão brasileiro precisa processar o Governo ou os órgãos federais? Você já teve a oportunidade de conhecer o que são os precatórios? Você tem ideia de quanto tempo leva para que a justiça seja feita quando nossa cidadania é lesada por nossos governantes?

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  6. Anderson desculpe o atraso em responder-lhe, estive muito ocupado e só agora encontrei um tempo para escrever uma curta réplica. Vai em duas etapas.

    No seu comentário de resposta, você disse que, na sua visão, a única verdade é o bom senso e que ele não é feito apenas de ciência. Não posso concordar com você porque não sei o que é verdade: este é um tema polêmico e pode ter certeza que a “verdade” apontada pelo bom senso muitas vezes se prova errada. Assim, o bom senso não diz que a Terra é redonda, nem que ela roda, nem que os objetos caem com a mesma aceleração, independente de seu peso. Outros milhares de exemplos contundentes estão aí para mostrar que o bom senso não aponta sempre para teorias comprovadas. Isso porque as aparências enganam e porque o bom senso não é experimental, mas contemplativo. Na área da biossegurança de transgênicos o bom senso tem pouca valia, assim como na física quântica ou na cosmogonia, por exemplo. Já a ciência não aponta a verdade, apenas adianta uma teoria que foi fundamentada em experimentos. Por vício de linguagem dizemos que é a verdade, ainda que seja sempre provisória, podendo ser revertida por outros dados e resultados novos.
    Entretanto, independente dos erros da ciência, ela não é culpada pela poluição do mundo. A poluição é feita por muitos diferentes atores que usam mal a tecnologia que redundou da ciência e por vezes poluem porque não usam a tecnologia…
    Para fechar a questão da Ciência, te digo que ela é totalmente impotente para fazer análises que não deixem dúvida: o que se procura com a Ciência é explicar da melhor forma possível um determinado fenômeno, mas sempre restarão dúvidas. As incertezas devem ser consideradas pelo avaliador de riscos e a decisão é sempre delicada. A abordagem de precaução (e não o princípio) diz que “na ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano”. Como sempre haverá incertezas, há duas coisas que devemos considerar: primeiro que medidas podem prevenir o dano; segundo, se os danos são sérios ou irreversíveis. Em nenhum momento os danos possíveis advindos da adoção de qualquer planta GM adotada até hoje foram considerados sérios ou irreversíveis. Ao contrário, todos os analistas de risco apontam para danos discretos e de baixa probabilidade. Logo, a abordagem de precaução não se aplica. Ainda assim, medidas de coexistência e outras (áreas de restrição de plantio) têm sido adotadas. No caso do feijão, os riscos são de fato negligenciáveis e, portanto, a abordagem de precaução está inteiramente cumprida.

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  7. Então, vamos aos pontos:

    1) Vários membros da CTNBio são cientistas que trabalham na EMBRAPA e em outras empresas DO GOVERNO. Não há empregados de empresas privadas, sobretudo de multinacionais, embora alguns cientistas sejam sócios de micro-empresas que ajudaram a fundar. Isso é mais do que natural e não é nenhum impedimento para uma boa análise de risco.

    2) Você disse que falo bobagens quando digo que o agricultor vai lucrar com a adoção da tecnologia. Será mesmo? Eu acompanhei de perto várias culturas no Brasil justamente para entender a cadeia produtiva de arroz, milho e feijão no meu país. Visitei dezenas de agricultores, grandes e pequenos, acompanhei os custos com preço de sementes, insumos, mão de obra, transporte, etc. de todos estes produtos ao longo dos últimos anos no Sul, no Centro-Oeste e no Nordeste. Não sei de cor os números, mas sei onde buscá-los e não emprenho pelos ouvidos. Você é que diz bobagens ao insistir que o pequeno agricultor deve seguir semeando seus grãos. Você tem idéia da diferença de produtividade entre uma semente familiar comum e um híbrido? Você faz idéia dos problemas fitosanitários advindos do uso de grão como semente? Você tem a mínima idéia do problema que é o arroz vermelho? Bom, procure saber tudo isso e depois me chame de bobo.

    3) Pela minha introdução a este comentário, os riscos de biossegurança foram considerados negligenciáveis. A coexistência pode ser garantida por uma norma a ser emitida posteriormente (há 3 anos para se elaborar uma…). Assim, quem quiser plantar orgânico e crioulo pode continuar fazendo, quem quiser adotar outra tecnologia (transgênica ou não), também pode. Assim funciona a democracia.

    4) Eu não conheço os estudos que apontam perda de eficiência da soja, milho ou algodão GM no Brasil. Recebo sempre os relatórios do MAPA e nunca li isso. Apreciaria ter uma cópia destes documentos para leitura.

    5) Não sei a duração exata dos testes, creio que não devem ultrapassar 3 meses, porque um roedor acaba sofrendo problemas metabólicos sérios depois de 3 meses consumindo uma dieta desbalanceada, rica em um produto que se deseja avaliar. Como sou da setorial vegetal/ambiental respeito o parecer majoritário das sub-comissões animal e humana, que foi pela liberação. Não me debrucei sobre os dados de inocuidade porque não sou um especialista nesta área e posso concluir erradamente. Neste assunto, como em quase todo este processo, não vale o bom senso, mas o conhecimento sólido da área.

    6) Eu conheço bem a lerdeza da justiça brasileira quando se trata da defesa dos direitos dos pequenos e dos direitos difusos. Mas isso nada tem a ver com a liberação deste feijão: se houver de fato danos à saúde ou ao meio ambiente, haverá uma legião de denodados defensores do ambiente e dos direitos individuais para processar a Embrapa e a CTNBio.

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  8. valdetes de castro

    bom dia…
    sou presidente de uma coperativa,a qual cultivamos IHAME DA COSTA, toda a produçao em media 800 familia.base agricultura familiar.quero desenvolver o DNA,da planta,a qual contra nematoide e resistente a um tipo de veneno,que seria gramocil,ou dma.
    nossa produçao e vendida no BRASIL,ESTADOS UNIDOS,CANADA.
    me informe.
    no aguardo;
    69 9974 0325
    69 81163640

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