Transgênico ameaça um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros

A liberação comercial de uma variedade de feijão geneticamente modificado – conhecido como transgênico – será votada nesta quinta-feira (15) pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O pedido de liberação foi feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O feijão em questão é resistente ao vírus “mosaico dourado” e foi desenvolvido pela Embrapa.

Algumas organizações sociais que acompanham o tema afirmam que essa nova variedade é uma ameaça ao feijão convencional cultivado no Brasil. Para elas, não houve estudos suficientes sobre a ação dos polinizadores (abelha, pássaros, vento, etc.). Além disso, os estudos demonstram falhas na modificação genética das planas testadas. Dos 22 testes feitos, apenas dois resistiram ao vírus.

A assessora jurídica da organização Terra de Direitos, Larissa Parker, lembra que os dados do IBGE mostraram que 70% do feijão consumido pelos brasileiros vêm da agricultura familiar, e que os agricultores controlam o vírus sem a necessidade de alteração genética no grão.

“Esse vírus do mosaico dourado no manejo familiar consegue ser controlado com diversas técnicas que não são as transgênicas.”

Larissa ainda afirma que a Embrapa quer entrar no mercado de transgêncicos para concorrer com as multinacionais Monsanto, DuPont, entre outras.

“A escolha pela tecnologia é uma escolha política do Estado brasileiro. O transgênico tem o incentivo econômico, tem inserção de royalties. Com isso a Embrapa conseguiria ter uma porcentagem no retorno dos royalties dos transgênicos. A Emprapa, que é uma empresa pública, quer entrar na competição com esse tipo de tecnologia para receber as patentes com isso.”

Larissa reforça que a votação do feijão tem sido atropelada e sem a realização de avaliação de riscos a saúde humana.

De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.

15/09/11

Veja a nota da Terra de Direito.

FEIJÃO TRANSGÊNICO: MAIS ESTUDOS, MENOS PROPAGANDA.

.
Os estudos são insuficientes: A Embrapa não realizou testes em todas as regiões do país, o que impede de saber a interação desta nova planta nos diferentes biomas. Preocupação especialmente com a região Nordeste, tradicional produtora de feijão crioulo na agricultura familiar, e que foi excluída dos testes da Embrapa, descumprindo decisão judicial que exige a realização de estudos caso a caso em todos os biomas brasileiros.

O risco de contaminação é grande: Não houve estudos suficientes sobre a ação dos polinizadores (abelha, pássaros, vento etc) e a possibilidade de contaminação genética pelo feijão transgênico. É preciso garantir o direito dos agricultores à livre escolha de seu sistema produtivo, seja convencional, agroecológico ou transgênico, de forma que as culturas coexistam, e também que o direito dos consumidores à informação sobre que tipo de alimento querem consumir seja também respeitado.

A tecnologia é falha: Os estudos apresentados pela Embrapa demonstram falhas na modificação genética das planas testadas: dos 22 eventos gerados, apenas 2 realmente resistiram ao vírus do mosaico dourado, sem que se tenha estudado porque os outros 20 falharam. Menos de 10% dos testes deram certo e a própria Embrapa afirma não saber o motivo. Então para que a pressa em aprovar este novo feijão?

Muitos segredos e poucos esclarecimentos: Informações indispensáveis sobre o feijão transgênico estão sob sigilo, ou seja, a sociedade, e até alguns membros da CTNBio, não sabem o que de fato foi inserido na construção genética do feijão e quais seus impactos no meio ambiente e na saúde humana. Apesar disso, o pedido é de que esta mesma seqüência genética possa ser inserida em todas as outras variedades comerciais de feijão existentes no Brasil, sem promover novos estudos para cada uma delas, ao contrário do que obriga a legislação nacional e internacional.

CTNBio se recusa a pedir mais estudos: Diante dos diversos problemas identificados pela comunidade cientifica, organizações e movimentos da sociedade civil, a CTNBio deveria, no mínimo, justificar cientificamente por que considera os estudos atuais suficientes para a liberação do feijão transgênico. Ao contrário, a Comissão, apesar de técnica e com a função de avaliação, ao invés de cumprir com as próprias normas que edita, afirma que não vai seguir a Lei porque a mesma é “caduca”.

Fala-se em ciência, mas se mostra pouco conhecimento científico: A CTNBio é um colegiado composto por 27 pesquisadores. Destes, 16 já se mostraram favoráveis ao feijão transgênico e anteciparam seus votos, sem aguardar o debate técnico em plenária sobre o assunto, desconsiderando os pontos apresentados pela comunidade científica e a sociedade civil em audiência pública. Os pareceres favoráveis à liberação do feijão transgênico também não possuem nenhum argumento científico e não citam nenhuma referência bibliográfica para fundamentar suas opiniões a favor da liberação. Muitos defendem o feijão transgênico somente por ele ser desenvolvido pela Embrapa, como se isso substituísse a devida avaliação de riscos exigida por Lei.

Existem outras opções tecnológicas: A Embrapa já havia desenvolvido experiências que comprovavam o controle do vírus do mosaico dourado a partir de práticas de manejo do feijão orgânico. Mas agora prioriza investir na tecnologia transgênica, mesmo assumindo as diversas falhas em seu desenvolvimento, dando um péssimo exemplo de descumprimento das leis nacionais. Enquanto ente público, a Embrapa deveria priorizar o respeito pela Lei de Biossegurança e garantir os estudos de avaliação de risco obrigatórios pela legislação brasileira.

Feijão brasileiro é feijão da agricultura familiar: Alguns pesquisadores da CTNBio e articulistas têm falado que o feijão transgênico é uma tecnologia “verde e amarela” e afirmam ainda que o Brasil não tem variedade crioula de feijão. Por isso, supostamente, a falta de estudos não geraria risco para a biodiversidade de feijão no país. Contudo, o senso agropecuário publicado pelo IBGE em 2009 revela que é a agricultura familiar quem alimenta os brasileiros produzindo 70% de todo o feijão disponível no país . Diante disso pergunta-se: qual o feijão está na mesa do povo brasileiro?

É preciso estudos, pesquisas, dados e comprovações que garantam a proteção do meio ambiente e da saúde humana. Por enquanto, verde e amarelo é o feijão produzido pela agricultura familiar responsável pela segurança alimentar dos brasileiros!

Fonte: [ Radioagência NP ]

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2 Comentários

Arquivado em Alimentos, Técnicas, Transgênicos

2 Respostas para “Transgênico ameaça um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros

  1. Aurelio

    Vou apenas ressaltar que na cultura do feijão são realizadas até 5 aplicações de inseticidas para controle da mosca-branca, transmissora do mosaico dourado.

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  2. Bianca

    Me parece que o companheiro ainda nao conhece agroecologia, culturas consorciadas, controle biologico. Ninguem precisa de agrotoxico nem de transgenico para ter alimento saudavel, isso sao obras de corja corrupta na qual o orgao publico pelo visto continua incluido. Fora corrupcao!!! Podem enganar muitos por muito tempo, mas nunca todos por todo o tempo, acorda Brasil!!!

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