Grão livre de transgenia ganha espaço no mercado

Mato-grossense reforça oferta de sementes convencionais para safra

Da Redação

MT deve manter 35% da área total de soja ao cultivo convencional

O Brasil é o principal fornecedor de soja livre – convencional, sem transgenia – do mundo e, Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, destina 35% das lavouras ao cultivo desta variedade.

Mesmo com o predomínio do plantio de soja transgênica, o consumo do grão livre começa a ganhar destaque no mercado, principalmente, o internacional.

A demanda pelo produto em crescimento na comunidade européia, Japão, Coréia, Austrália, Nova Zelândia e China, que começam a solicitar produtos segregados e certificados como “Livres de Transgênicos”.

Países da Europa e Ásia compraram 5 milhões de toneladas de soja livre em 2010, o equivalente a 18% do total destinado à exportação. Os europeus e asiáticos ainda consumiram 6,5 milhões de toneladas de farelo de soja durante o ano passado.

A crescente procura pelo grão não geneticamente modificado por parte do mercado internacional tem feito com que os sojicultores mato-grossenses reivindiquem o aumento da oferta por mais disponibilidade de sementes e novas variedades.

Dentro deste cenário, a Agro Norte Pesquisa e Sementes desenvolveu, ao longo de nove anos de pesquisa, cinco novas variedades de soja convencional. “Essas variedades possuem alto nível de produtividade, rusticidade, tolerância à seca e algumas tolerância à chuva”, afirmou o engenheiro agrônomo e diretor da Agro Norte, Ângelo Maronezzi.

As variedades ANSC 84107 e ANSC 89109 são indicadas para o plantio de outubro até fevereiro. Já a ANSC 94104 e a Integração devem ser semeadas na segunda safra (safrinha), no mês janeiro e fevereiro nos solos de textura média.

“A ANSC 84107 tem um ciclo curto que dá colheita com 108 a 110 dias, permitindo um plantio tranqüilo na segunda safra. Já a ANSC 89109 tem ampla adaptação e alta produtividade, características comprovadas na safra passada”, informou Maronezzi.

As variedades desenvolvidas para a segunda safra, ANSC 94104 e Integração, apresentam boa tolerância à seca e se adaptam às condições climáticas do plantio após 15 de janeiro. “São variedades que resultam em bons rendimentos e possuem um custo de produção interessante. Além disso, a colheita é realizada em um período no qual não há problemas com chuvas e em uma época que já não há tanta soja de qualidade disponível no mercado”, acrescentou o engenheiro agrônomo.

Financeiramente a produção de soja convencional rende mais ao produtor. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), na última safra o sojicultor que optou pela semente tradicional teve uma economia de quase 15%, já que gastou R$ 366 por hectare com o cultivo do grão livre. Já quem manteve as lavouras com a semente transgênica teve um custo de R$ 429 por hectare.

Além disso, os produtores que optaram pela soja livre não tiveram gastos com royalties, valor pago à empresa que detém a patente do grão geneticamente modificado.

“Para a próxima safra a tendência é de elevação para o custo de produção da soja transgênica devido ao aumento dos royalties. O agricultor que opta pela soja livre, a cada mil hectares de plantio do grão tem uma economia de R$ 23 mil pelo não pagamento de royalties”, informou o diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange), Ivan Paghi.

Fonte: [ Diário de Cuiabá ]

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Arquivado em Cultivo, Orgânicos, Transgênicos

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