Labiatas – A família curandeira

Por: Giseli Fernandes

Labiatas – A família curandeira.

Alecrim, Lavanda, Hortelã, Patchouli… o que será que essas plantinhas têm em comum?

Na família das labiatas, ou lamiáceas, todas as espécies possuem algum poder curativo. Isso é um fenômeno que só acontece com as labiatas!!! Essa singularidade traz uma sintonia entre nós e elas maior talvez que com outras plantas.

Sua área de atuação está entre a respiração e a digestão, atuando também na organização do eu, ajudando nas mais diversas fraquezas e descontroles interiores.

As Labiatas são chamadas de “Plantas do calor”. Têm predileção pelo Mediterrâneo e evitam regiões frias. Gostam de habitats livres, abertos, declives secos e montanhas ensolaradas. Preferem zonas de clima médio, por isso, evitam também a floresta tropical. Florescem geralmente no verão, e a colheita é feita durante o período mais quente do dia, quando apresentam maior quantidade de óleos essenciais.

A função dos óleos essenciais nas plantas são diversas, mas podemos destacar as de proteção e reprodução. As flores quando liberam suas partículas de óleos essenciais, nos fazem sentir um aroma agradável que servirá de atração para certos insetos que irão ajudar na polinização delas visando a perpetuação de suas espécies.

Interessante notar que cada aroma de flor possui misturas específicas para atrair determinadas espécies de polinizadores.

As Labiatas costumam atrair abelhas, vespas, borboletas, besouros, moscas e pássaros. O inseto, ao perceber a pluma odorífera desprendida pelas flores, sabe que ali terá alimento: o néctar, resinas e óleos.

Algumas plantinhas quando percebem que há perigo à vista, liberam sinais químicos (óleos essenciais) para avisar animais como insetos e pássaros que estão sendo ameaçadas ou mesmo atacadas. Esses animais entendem como um aviso de que há comida próxima ou um local de ovoposição, e acabam por socorrer as plantas. Esta é a ação predatória de impedir os predadores herbívoros. Curioso perceber que muitos óleos essenciais são usados como repelentes de insetos.

E por aí vai… As labiatas têm uma capacidade muito grande de se adaptarem a lugares novos, climas, temperaturas, solos, etc., sendo por isso as que mais desenvolvem quimiotipos e têm a capacidade de serem imunoestimulantes. Outra característica em comum dessa família é a capacidade de aquecer e estimular o metabolismo.

É muito interessante saber que podemos associar as características das plantas da família das Labiatas com as propriedades que vamos encontrar nos óleos essenciais dessas mesmas plantas. Vamos reparar que elas possuem funções terapêuticas em comum. Conforme vamos “afunilando” mais, passando de família para gênero, espécie e subespécie, as propriedades vão se tornando cada vez mais semelhantes.

As Labiatas compreendem aproximadamente 258 gêneros e 3.200 espécies. No Brasil existem cerca de 23 gêneros e 232 espécies nativas. Curiosamente, a palavra “labiata” vem de “lábios”, devido ao formato geral das pétalas.

Na continuação deste artigo veremos alguns exemplos de plantas labiatas importantes no uso da Aromaterapia, até a próxima semana…

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Lavandula

Possui aproximadamente 60 espécies diferentes, sem contar as subespécies. As espécies mais usadas em Aromaterapia são: Lavandula officinalis (ou L. augustifolia), Lavandula x intermédia, Lavandula spica e Lavandula latifolia.

Propriedades do óleo essencial de Lavandula offcinalis:

Analgésico, antisséptico, cicatrizante, desodorante, antidepressivo, carminativo (reduz gases intestinais), diurético, sedativo, citofilático, emenagogo (conduz à menstruação) e hipotensor. Como regenerador celular, é um dos óleos mais indicados, podendo assim ser usado em qualquer tipo de pele (seca, oleosa, rachada, normal) e também em qualquer estado da pele (dermatite, acne, eczema, seborréia). Em caso de queimadura é o melhor. Lavandula latifólia (lavanda spike) possui propriedades semelhantes, bem como as outras, porém o óleo produzido é de qualidade inferior, apesar da planta fornecer óleo em quantidades maiores que a Lavandula officinalis.

Alecrim

O gênero Rosmarinus possui 23 espécies, a mais usada em Aromaterapia é a Rosmarinus officinalis. O alecrim desenvolveu vários quimiotipos em regiões climáticas diferentes, por ex: QT cânfora, QT cineol e QT verbenona. O alecrim-do-campo ou Bacchans dracunculifolia não faz parte da família das labiatas.

Propriedades do óleo essencial de Alecrim:

Analgésico, antisséptico, cicatrizante, antiespasmódico, digestivo, diurético, hipertensor, estimulante, cefálico, reaviva a memória, indicado para queda de cabelo e caspa.

Hortelã

O gênero Mentha possui aproximadamente 48 espécies. As mais usadas em Aromaterapia são: Mentha arvensis (hortelã doce), Mentha piperita (hortelã pimenta), Mentha spicata, Mentha viridis, Mentha pelugium (poejo).

Propriedades dos óleos essenciais do gênero Mentha:

Analgésico, antisséptico, adstringente, antiespasmódico, cefálico, carminativo, digestivo, expectorante, febrífugo, emenagogo. Ótimo se usado no banho como um óleo revigorante e refrescante no verão, e também como enxaguante bucal. A Mentha viridis é mais fresca e menos acre que a Mentha piperita. A Mentha pelugium (poejo) tem a fragrância semelhante à Mentha piperita (hortelã pimenta), porém menos acre. Em doses elevadas, o poejo pode ser abortivo. A Mentha arvensis é menos adocicada que a Mentha piperita.

Patchouli

O gênero Pogostemon possui 126 espécies, sendo os mais usados em Aromaterapia: Pogostemon patchouli e Pogostemon cablin. As duas espécies possuem propriedades muito semelhantes.

Propriedades do óleo essencial de Patchouli:

Antidepressivo, antisséptico, descongestionante, cicatrizante, desodorante, sedativo, bactericida e fungicida. É um óleo anti-rugas, rejuvesnecedor da pele, afrodisíaco, e tem sido muito usado em perfumaria como fixador. Curiosamente, o patchouli tem a rara propriedade de melhorar de odor com a idade. Como uma planta do calor, é como o sol: estimulante em pequenas doses e sedativo em grandes doses.

Sálvia

O gênero Sálvia possui 1.800 espécies, as mais usadas em Aromaterapia: Sálvia officinalis (salveta) e Sálvia esclarea (esclaréia). As duas espécies possuem propriedades parecidas, porém a esclaréia dá ênfase especial nas doenças da mulher (ex. regulação da menstruação, frigidez, menopausa, leucorréia).

Propriedades da Salvia esclarea:

Antidepressivo, antisséptico, antiespasmódico, adstringente, carminativo, desodorante, emenagogo, digestivo, hipotensor, sedativo e uterino.

Hissopo

O gênero Hyssopus possui aproximadamente 55 espécies. A mais usada em Aromaterapia é a H. officinalis. O hissopo anis pertence a outro gênero denominado Agastache, espécie foeniculum, este também usado em Aromaterapia. Os dois possuem propriedades semelhantes, apesar de serem de gêneros diferentes.

Propriedades do óleo essencial de Hissopo:

Antisséptico, antiespasmódico, carminativo, cicatrizante, digestivo, diurético, emenagogo, expectorante, sedativo e regulador da pressão sanguínea. Curiosamente, o hissopo anis produz grande quantidade de néctar que dá o aroma de anis ao mel dessa flor. É uma flor muito comestível entre os americanos. As flores são bem perfumadas e atraem borboletas e beija-flores.

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Manjericão

O gênero Ocimun possui aproximadamente 24 espécies, sendo as mais usadas em Aromaterapia as seguintes: Ocimun basilicum (manjericão doce), Ocimun canum (manjericão cabeludo), Ocimun gratissimun L. (manjericão de cheiro) e Ocimun sanctum (manjericão santo).

O manjericão se parece com o hortelã-pimenta em muitos aspectos, como por ex: cheiro penetrante e ardente, ambos são bons para desmaio, indigestão e vômito, e ambos possuem uma qualidade quente / fria similares.

No gênero Ocimun, a composição química dos óleos essenciais pode variar muito, por ex: Ocimun gratissimun L. (manjericão de cheiro). Existem 2 tipos químicos dele, um que produz grandes quantidades de eugenol e outro de timol. A concentração de eugenol pode variar de 98% se for coletada ao meio dia, à 11,37% se for coletada às 17:00h. Os fatores responsáveis por essa variação podem ser o horário de chegada do polinizador e quantidade de irradiação solar, dentre outros.

Propriedades do óleo essencial de Manjericão Doce:

Antidepressivo, antisséptico, antiespasmódico, carminativo, cefálico, digestivo, emenagogo, expectorante e nervino.

Propriedades do óleo essencial de Manjericão Cabeludo:

Descongestionante das vias respiratórias, atua em problemas de garganta, contra dores reumáticas, articulares e musculares e é estimulante da circulação.

Propriedades do óleo essencial de Manjericão Santo:

Digestivo, expectorante, fungicida, bactericida, febrífugo, bom para dores de garganta.

Propriedades do óleo essencial de Manjericão de Cheiro:

Digestivo, hepático, relaxante, estrogênico (atua no conjunto de hormônios básicos da mulher, os estrogênios) e atua contra cólicas.

Menjerona e Orégano

O gênero Origanum possui 205 espécies. Seguem as mais usadas em Aromaterapia: Origanum marjorana (manjerona), Origanum vulgare, Origanum compactum (orégano) e Origanum dubium (orégano selvagem).

O gênero Majorana possui 33 espécies, sendo a mais usada em Aromaterapia a Majorana hortensis (manjerona verdadeira).

Propriedades do óleo essencial de Manjerona:

Analgésico, antisséptico, antiespasmódico, carminativo, digestivo, sedativo, emenagogo, expectorante, hipotensor, laxativo e nervino.

Propriedades do óleo essencial de Orégano:

Antisséptico, antiespasmódico, sedativo, expectorante, analgésico, antitóxico e antivirótico.

Propriedades do óleo essencial de Orégano Selvagem:

Anti-inflamatório, anti-infeccioso, digestivo, estimulante geral, contra dores articulares e musculares, contra abcessos, acne e furúnculos.

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Melissa

O gênero Melissa possui aproximadamente 80 espécies, sendo a mais usada em Aromaterapia a Melissa officinalis.

Curiosamente, a planta recebeu o nome em homenagem a ninfa grega Melissa, protetora das abelhas, pois elas são muito atraídas pelo aroma dessa planta, achando suas flores muito apropriadas para fazer mel.

Propriedades do óleo essencial de Melissa:

Antidepressivo, antiespasmódico, carminativo, digestivo, antitérmico, hipotensor, nervino, sedativo, uterino e vermífugo.

Tomilho

O gênero Thymus possui aproximadamente 1.200 espécies. As mais usadas em Aromaterapia são: Thymus vulgaris (tomilho), Thymus vulgaris linalol (thyme doce), Thymus mastichina (manjerona bela-luz), Thymus serphyllium (tomilho serpolet), e Thymus hiemalis (serpão). O gênero Thymus produz muitos quimiotipos, como por ex: QT timol, QT carvacrol, QT geraniol, QT linalol, QT citral e QT tuianol, produzindo composições químicas inteiramente diferentes.

O tomilho consegue criar sozinho quase todo o espectro de fragrâncias exibido pela família das Labiatas, com aromas que lembram o orégano, a melissa, a lavanda, a manjerona… Esse fato comprova a incrível adaptabilidade do gênero, logo, o seu amplo poder terapêutico.

Propriedades do óleo essencial de Tomilho:

Sudorífico, estimulante geral, desinfetante, antisséptico, expectorante, rubefaciante, alivia depressão e é levemente sedativo.

Propriedades do óleo essencial de Tomiho Serpolet:

Citofilático, antibiótico e anti-inflamatório da pele.

Para Reflexão

Deus, em sua bondade e generosidade infinitas, conferiu ao homem, por meio das plantas, quase todos os alimentos, vestes e medicamentos.
– Herbal de Gerarde (1636)

Se os odores podem produzir satisfação, eles são tão soberanos nas plantas e tão agradáveis que nenhuma confecção dos boticários pode se igualar à sua excelente virtude.
– John Gerarde

Fonte: [ PHYTOTERÁPICA – Labiatas (Partes de 1 a 4) ]

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Arquivado em Plantas Medicinais

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