*Arca de Noé* para plantas no permafrost

foto: RIA Novosti

Em 2013, na Yacútia deve começar a construção do Crioarmazém Federal de Sementes. O permafrost promete preservar todo o conjunto genes de plantas modernas para futuras gerações. A diversidade biológica na Terra está se reduzindo a um ritmo alarmante e tais sistemas podem se tornar uma “Arca de Noé” para as muitas espécies ameaçadas de extinção.

Refrigerador natural

O problema da preservação de espécies biológicas preocupa os cientistas de todo o mundo. Uma maneira de “preservar” a atual diversidade é “congelar” o material genético, poupando-o para futura reprodução durante anos ou mesmo décadas. Este procedimento não é fácil mas, em troca, a humanidade pode obter um “banco de dados” de animais e plantas, que poderão na altura já não existir na natureza.

As sementes de plantas são bastante fáceis de processar. O número total de bancos de sementes em diferentes países chega quase a mil e quinhentos. Em suas coleções estão armazenadas até um milhão de amostras. Na Rússia, até agora, o maior guardião de uma tal coleção era o Instituto Russo de Horticultura de N. I. Vavilov, que juntou cerca de 270 mil amostras.

Possivelmente, nos próximos anos, a Rússia terá mais um banco destes.

A decisão de construir em Yakutsk a 1ª etapa do Crioarmazém Federal de Sementes de plantas cultiváveis, raras e ameaçadas de extinção, foi tomada em 2011. Ao mesmo tempo começou a reconstrução da mina no território do Instituto de Permafrost Melnikov, pertencentes ao departamento siberiano da Academia de Ciências Russa. É lá que se pretende implantar a 1 a fase do crioarmazém, onde mais de 100.000 amostras serão conservadas numa área de 1.900 metros quadrados. Segundo planos, o projeto, cujo custo é estimado em 180 milhões de rublos, será implementado em 2013-2015. Com base no crioarmazém em Yacútia se propõe, no futuro, criar um Criobanco internacional de sementes.

O crioarmazém da Yacútia está sendo construído em um “frigorífico natural” – no permafrost. As vantagens são óbvias: não há necessidade de sistemas de refrigeração especiais e caros que dependem do fornecimento constante de eletricidade e, portanto, são vulneráveis a desastres naturais como terremotos e tsunamis.

Um banco semelhante está sendo estabelecido em permafrost, na Noruega. Este silo global de sementes, que a mídia chamou de “Repositório do Dia do Julgamento”, contém “cópias de reposição” de amostras armazenadas em bancos de sementes ao redor do mundo. Além da baixa temperatura, Svalbard tem outra vantagem: ele está localizado numa área sismicamente segura.

Teste de resistência

O criobanco da Yacútia foi concebido com base em muitos anos de experiências em armazenamento de sementes no permafrost, que começaram no laboratório subterrâneo do Instituto de Permafrost ainda no final dos anos 70 do século passado.

Na altura, mais de 10 mil sementes de leguminosas da coleção do Instituto de Horticultura de Vavilov foram colocadas no laboratório. Mais tarde, cerca de mil amostras de sementes de culturas agrícolas e selvagens da Yacútia foram acrescentadas à coleção.

Trinta e três anos após o início da experiência foram anunciados os seus resultados intermédios, que foram muito encorajadores: as sementes estavam excecionalmente bem preservadas, a germinação manteve-se em 80-100%.

No entanto, segundo notam os cientistas, ainda é necessário percorrer um longo caminho desde o laboratório até um banco de grande escala de amostras de sementes não só agrícolas, mas também de plantas silvestres, para investigar em detalhe as características particulares de armazenamento de diferentes tipos de sementes.

O caso, em particular, é que o armazenamento de sementes a longo prazo requer que elas sejam secas e, em seguida, armazenadas com um equilíbrio adequado de temperatura e umidade.

“Estratégia do hamster”

A necessidade de preservar sementes é ditada pelo declínio rápido da diversidade biológica na Terra. Sua velocidade é tal que já se fala de uma grande extinção de espécies, semelhante à que atingiu o planeta no final do período Permiano ou Cretáceo, quando os dinossauros foram extintos.

Este processo é associado às mudanças climáticas globais que fazem com que plantas inadaptadas às novas condições simplesmente morram.

Os bancos de sementes são uma das tentativas de preservar para as futuras gerações pelo menos uma pequena parte da diversidade vegetal da Terra de hoje.

As capacidades dos bancos existentes são relativamente pequenas, mas em alguns casos com a ajuda deles já se consegue fazer voltar espécies extintas novamente à natureza.

As riquezas coletadas nos bancos de sementes podem ser acumuladas e depois gradualmente usadas para combater a fome, que a ONU reconhece como um dos maiores problemas de hoje.

É evidente que os bancos de sementes não se tornarão “celeiros” universais. A sua função permanecerá a mesma: manter as amostras que podem ser usadas já em aplicações de consumo.

Fonte: [ Voz da Russia ]

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