Arquivo do mês: abril 2013

Comida longa vida

169Ao abrir a geladeira, um cheiro desagradável já dá uma ideia do estrago.

Por Larissa Veloso

Um odor azedo vem da gaveta de verduras, e o consumidor percebe que mais uma vez não deu para aproveitar tudo o que foi comprado na última feira.

A vida curta de alguns alimentos, principalmente dos vegetais frescos, é um dos principais fatores de desperdício de recursos naturais.

Entre perdas por pragas nas plantações, armazenamento inadequado e demora no consumo, 1,3 bilhão de toneladas de comida apodrece e vai para o lixo, o equivalente a oito anos da produção de grãos no Brasil.

Em seu último relatório sobre o tema, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) fez um alerta grave: “Em um mundo com recursos naturais limitados e no qual ainda faltam soluções para garantir nutrição a todos, reduzir o desperdício de comida não deveria ser uma prioridade esquecida”.

A ciência tem combatido esse quadro e algumas das respostas têm aparecido.

Kavita Shukla é uma pesquisadora americana de origem indiana. Ainda adolescente, enquanto visitava parentes na Índia, ela descobriu uma mistura de ervas que sua avó usava para prevenir infecções por água contaminada. De volta aos USA, ela resolveu testar aquele “chá milagroso” com vários tipos de alimentos e descobriu que a mistura continha propriedades que evitavam a proliferação de bactérias. Desenvolveu então uma embalagem de papel contendo a substância e, aos 17 anos, patenteou a invenção.

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Arquivado em Alimentos, Biotecnologia, Orgânicos

Agrotóxicos: Brasil já sofre colapso das colmeias

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Fenômeno alastra-se. Ibama tenta limitar o uso de inseticidas nocivos às abelhas, mas recua, diante do poder das transnacionais junto ao Estado

Por José Alberto Gonçalves Pereira, na Página22

A mortandade de abelhas tornou-se acontecimento corriqueiro no mundo do século XXI, inclusive no Brasil. O fenômeno foi batizado de Colony Collapse Disorder (CCD) e identificado inicialmente nos Estados Unidos no inverno em fins de 2006, quando apicultores relataram perdas de 30% a 90% de suas colmeias [1].

O mais recente caso no Brasil, com relato às autoridades, ocorreu em fevereiro na região de Dourados (MS), onde 70 colmeias de um único apicultor feneceram em poucos dias, selando o destino de quase 3,5 milhões de abelhas, que produziam mais de 1 tonelada de mel ao ano. “Há forte suspeita de que a morte das abelhas foi provocada pela aplicação de um inseticida da classe dos neonicotinoides em um canavial”, conta Osmar Malaspina, professor do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro (SP). O especialista ainda não possui detalhes da matança, que está sendo investigada pelo governo do Mato Grosso do Sul.

Foram casos como o de Dourados e evidências científicas recentes que levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a comprar uma briga – desigual – com a indústria dos agrotóxicos, ao proibir temporariamente a aplicação de quatro inseticidas em lavouras que recebem insetos polinizadores: fipronil (um pirazol) e três neonicotinoides, imidacloprido, clotianidina e tiametoxam (Veja o comunicado). “O Ibama apanhou muito da indústria e do Ministério da Agricultura por causa da medida”, revela uma fonte de fora do governo, que prefere não se identificar.

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