Poda de renovação de videira / parreira

Incisiva, poda é mais indicada para as variedades americanas e híbridas

O cenário está pronto. A Serra gaúcha entra na época ideal da poda seca nas videiras (período de dormência). Até meados de setembro, produtores podam as plantas para a produção da nova safra e o equilíbrio da parte vegetativa com a produtiva.

Uma técnica não tão recente, mas que exige conhecimento, contribui para melhorar a produção, reduzir o número de aplicações de fungicidas, e o volume de adubos, além de simplificar a mão de obra. Trata-se da poda de renovação, mais indicada para as variedades americanas e híbridas, chamadas de comuns, e no sistema latada.

“A técnica é incisiva, e até considerada drástica, por retirar grande volume de madeira da parreira”, explica o engenheiro agrônomo Enio Ângelo Todeschini, assistente regional de fruticultura da Emater Regional da Serra. Sem a poda, as pernadas (ramos velhos que formam a estrutura da copa) crescem muito, produzindo só na ponta, o que exige muita energia da planta.

Com a poda de renovação, a videira emite brotos novos e mais vigorosos, pois a madeira velha (galhos) consome nutrientes que devem ser dirigidos a outras partes da planta, alimentado as futuras bagas, por exemplo.

A ponta dos ramos podados deve ser pincelada com tinta branca PVA adicionada de 20% a 30% de água, pois reflete a luz do sol, evita a entrada de doenças e sinaliza que a área foi podada. No verão, o produtor precisa fazer a poda verde, pois normalmente há excesso de novas brotações.

Além disso, essa poda contribui para a qualidade dos frutos, pois elimina o excesso e permite que as bagas que sobraram na planta recebam boa quantidade de nutrientes, já que estão com baixa competição.

E tem mais. “A raiz mal alimentada enfraquece a videira e não consegue enviar água e nutrientes para, após processados nas folhas, alimentar toda a planta”, detalha. Para piorar, o excesso de madeira é ninho de pragas e doenças, onde fungos entram e podem matar a planta de cima para baixo.

Outro aspecto importante, e comum na região, é o excesso de gemas por hectare. “O ideal é ter de 60 mil a 100 mil gemas por hectare, dependendo da variedade.

Por exemplo, tendo 2.000 vinhas/ha e querendo-se trabalhar com 80.000 gemas, cada planta deverá ser podada de forma a se obter 40 gemas, distribuídas entre varas e esporões”, ensina Todeschini.

Normalmente, o viticultor trabalha com o triplo disto, mesmo sabendo dos riscos climáticos e das dificuldades de conter doenças. “Procedendo assim, ele terá um vinhedo com copa muito densa, favorecendo a instalação do míldio (mufa), que é a principal doença da parreira na Serra”, alerta.

Ganhos – A técnica reduz a mão de obra, pois elimina grande parte do amarrio das varas (galhos produtivos) e do número de cachos; 50% da área deixa de ser tratada, com menos uso de calda e menor volume de fungicidas. Os cachos são até três vezes maiores, embora em menor número. “Por exemplo, em vez de colher 600 mil cachos por hectare, colherá 250 mil na mesma área, mas com o triplo do peso”, diz ao CR.

As vantagens vão mais além: a luz solar penetra entre filas/linhas, as videiras ganham sanidade e as uvas, coloração e graduação, evitando doenças e futuros gastos. “Em resumo, o viticultor trabalha dois terços a menos com a adoção da poda de renovação”, conclui o engenheiro agrônomo.

(matéria indicada por Karine Endres, do grupo de estudos Tudo Sobre Plantas)

Fonte: [ Correio Riograndense ]

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Arquivado em Alimentos, Cultivo, Doenças, Frutas, Técnicas

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