Arquivo do mês: abril 2014

A importância das coisas mais orgânicas

Noutro dia comentávamos no grupo de estudos sobre a origem dos “inhames” que plantei e fiquei meio ressabiado; afinal, que problemas poderiam haver? Aí hoje recebi este vídeo…

Pesquisando na Internet, encontrei este trecho, falando sobre o Chlorpropham:

“Na verdade, o composto citado [no vídeo]- chlorpropham ou “bud nip” – é um defensivo agrícola de baixa toxicidade para o homem, utilizado justamente para impedir o brotamento de tubérculos e raízes, como a batata-doce (ou seja, a menina nada mais do que comprovou que o insumo realmente funciona). Isso porque quando a raiz germina, ocorre a produção de solanina, um composto natural de sabor amargo que protege a planta em crescimento de predadores e parasitas, essa sim perigosa a saúde humana.

Não bastasse a alteração sensorial do alimento, a substância é tóxica e sua ingestão pode causar sintomas como alterações gastrointestinais (diarreia, cólica, vômitos) e neurológicas (dor de cabeça, tontura, alucinações), podendo até mesmo levar à morte.

Então gente: quando a menina perguntar qual batata-doce você escolheria comer, você definitivamente não vai querer a brotada.”

http://alimentandoadiscussao.com/2014/04/02/alimentos-organicos-sao-mais-saudaveis/

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O Veneno Está na Mesa 2

Direção: Silvio Tendler

Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos em O Veneno está na Mesa, o diretor Sílvio Tendler apresenta no segundo filme uma nova perspectiva. O Veneno Está Na Mesa 2 atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores.

Com este documentário, vem a certeza de que o país precisar tomar um posicionamento diante do dilema que se apresenta: Em qual mundo queremos viver? O mundo envenenado do agronegócio ou da liberdade e da diversidade agroecológica?

Realização: Caliban Cinema e Conteúdo

Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida
Fiocruz
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio
Bem Te Vi
Cineclube Crisantempo

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Substratos – Cuidados na escolha do tipo mais adequado

por Eng. Agr. José Augusto Taveira

Mudanças e adaptações sempre foram parte do dia a dia no cultivo de plantas em estufas, mas no mundo moderno, a velocidade com que isto vem-se processando, é alarmante. Há alguns anos atrás, os produtores podiam utilizar, por anos a fio, soluções por eles encontradas no cultivo de plantas.

Atualmente, com o volume de informações, corre-se um grande risco de tornar-se obsoleto e/ou perder oportunidades de mercado. Existem vários critérios a seguir para se escolher o tipo mais adequado de substrato, que mais convém a cada tipo de cultivo. Um primeiro critério pode ser o custo deste substrato, mas há inúmeros outros fatores físico-químicos difíceis de se valorizar numa primeira análise, mas que terão papel decisivo num novo sistema de cultivo.

Uma primeira regra básica, escolher o tipo de substrato em função do sistema de irrigação (e/ou fertirrigação) que será adotado pelo viveiro. De maneira geral pode-se dizer que não existe um substrato ruim, o que normalmente ocorre é uma desinformação do viveirista quanto às suas propriedades e características, levando o produtor a erros de manejo em seu viveiro. Todavia o produtor deve se precaver não adotando simplesmente o custo ou aparência visual do substrato como critérios de escolha.

Durante os muitos anos que venho acompanhando esta área, tive a oportunidade de presenciar verdadeiros desastres em diversos viveiristas, devido a escolha inadequada de substratos. Como exemplo podem ser citados a utilização de cascas de Eucalyptus (escolhida por sua coloração escura e baixo custo) e a torta de Tungue (disponibilidade e custo). Infelizmente, no Brasil, há um grande número de profissionais que não sabem diferenciar substrato para cultivo em container, de fertilizantes orgânicos e/ou organo/minerais, e os recomendam de forma indiscriminada.

Funções dos Substratos

Podemos resumir em quatro as funções básicas de um substrato:

  • Propiciar suporte ou ancoragem para a planta.
  • Proporcionar suficiente porosidade de modo a permitir o ingresso de oxigênio e o escape de gás carbônico e etileno produzidos durante a respiração das raízes.
  • Propiciar alguma reserva de água para as plantas.
  • Suprir a planta com nutrientes.

Infelizmente há um grande mal entendido destas funções, como se automaticamente elas fizessem parte do substrato após a mistura de seus componentes. A única função que está assegurada, após a mistura dos diferentes componentes de um substrato, é a ancoragem. As outras três funções serão controladas pelo viveirista.

Componentes de misturas.

Os substratos atuais são na sua grande maioria, misturas de dois ou mais componentes. As propriedades físicas e químicas resultantes destas misturas, normalmente não são equivalentes à soma das partes. Por analogia, pode-se dizer que produzir um substrato é como preparar uma sopa. Quando os primeiros ingredientes são adicionados, todos os aromas podem ser distinguidos. Todavia após cozinhar por algum tempo, os aromas combinam entre si, criando nova fragrância. Da mesma maneira, quando se produz um substrato para utilização em viveiros, e para isto misturam-se diversos componentes, as propriedades físicas e químicas destes componentes se combinam, gerando novas propriedades que são distintas de seus componentes isoladamente.

Aspectos Físicos

Os aspectos físicos de qualquer substrato estão relacionados ao balanço ar/água na mistura, o total de partículas sólidas e o arranjamento entre estas partículas.

As questões mais frequentes que surgem quanto a um novo substrato, são: “qual é a aeração (porosidade preenchida com ar) deste substrato?” ou “quanta água ele pode reter?” estas questões não podem ser respondidas sem que uma série de premissas sejam estabelecidas.

As capacidades de aeração e retenção de água dependerão, além dos componentes e da maneira como o substrato é preparado, de pelo menos três outros fatores: o container que a planta será cultivada, como o substrato será manuseado (compactação, umidade, maneira de enchimento dos vasos e/ou bandejas) antes do plantio ou semeadura, e as práticas de irrigação a serem adotadas.

Para exemplificar esta questão, pode-se observar a Figura 1, onde compara-se valores de aeração, conteúdo de água e parte sólida, de um mesmo substrato (mistura 1:1 de Turfa e Vermiculita) quando colocado em containers (vasos e células de bandejas) com diferentes profundidades. É curioso observar que à medida que a profundidade do container diminui, a aeração também diminui, mas o conteúdo de água aumenta.

container

Boletim Ibraflor Informativo – nº 13/dez/1996.
Ibraflor@correionet.com.br
Eng. Agr. José Augusto Taveira
Plântula Consultoria (019) 234-1092

Fonte: [ UESB ]

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Financiamento coletivo: projeto Multiplica!

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Multiplicar sementes, conhecimento, sabedoria, respeito, diversidade, cultura e iniciativas.

Projeto itinerante que promove o fortalecimento e multiplicação das sementes crioulas valorizando a sabedoria ancestral, através de ações para a troca de conhecimentos e registro de iniciativas, integrando comunidades tradicionais e ecovilas.

Conheça melhor nossa proposta e colabore como puder
http://catarse.me/pt/multiplica

a-multiplicacao

siganos

estamos-escutando

Cada dia somos mais os que percebemos a necessidade de uma mudança em nossa maneira de viver como sociedade. As cidades já não se sustentam… Talvez por isso cada vez mais surgem novas ecovilas no Brasil. Um êxodo urbano se iniciou, e com isso, muitas iniciativas interessantes, porém, precisamos nos informar para que estas não interfiram de maneira negativa na biodiversidade local.

Conhecendo bem a terra e reconhecendo os povos locais podemos evitar colapsar os espaços preservados ou esgotar os recursos naturais que ainda existem.

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Pasta de berinjela, além de saborosa, reduz colesterol, emagrece e afina cintura

pasta de berinjela - babaganuche

A pasta da berinjela é tradicional no Oriente. Ela é conhecida como babaganuche e é ótima para a saúde.

Por isso faça essa pasta com frequência para rechear sanduíche e canapés e enriquecer pratos como saladas, risotos e macarronadas.

Muitos estudos já comprovaram que a berinjela faz o colesterol despencar.

Essas mesmas pesquisas provaram que o consumo deste legume (a rigor, a berinjela é fruto) também reduz as taxas de triglicérides e ácido úrico – afastando, portanto, as chances de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Os benefícios da berinjela vão além da redução do colesterol e da prevenção das doenças do coração.

Uma substância presente na berinjela, a niacina, contribui intensamente para o emagrecimento.

Além disso, há as fibras, que são responsáveis por proporcionar uma sensação de saciedade e ainda auxiliam na redução da absorção intestinal da gordura.

E, para você que quer “exterminar” a barriguinha, olha esta notícia: uma pesquisa feita pelo Departamento de Nutrição e Dietética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) constatou que houve uma redução significativa na circunferência da cintura (ou seja, a gordurinha abdominal) do grupo que incluiu a berinjela na dieta.

Como se não bastasse, esse grupo ainda viu o índice de massa corporal (IMC) baixar e o percentual de massa magra subir.

Viu por que a pasta de berinjela, ou o babaganuche, só tem coisa boa?

Quer aprender a receita? Lá vai…

INGREDIENTES

2 berinjelas médias (700 gramas)

5 colheres (sopa) de tahine (compra-se em bons supermercados ou em lojas de produtos naturais/orientais)

4 colheres (sopa) de suco de limão

2 colheres (chá) de sal

2 dentes de alho amassados

1/3 de xícara de água

Azeite e salsinha a gosto

MODO DE PREPARO

Coloque as berinjelas com casca sobre a chama do fogão, em fogo baixo.

Grelhe as berinjelas, virando-as de vez em quando, até que fiquem bem macias e soltem a casca com facilidade (a casca fica bem queimada).

Deixe-as esfriar.

Corte-as ao meio com uma colher, retire a polpa das berinjelas e deixe escorrer numa peneira por 5 minutos até soltar todo líquido.

Amasse a polpa com um garfo até formar um purê.

Acrescente o tahine, o limão, o sal e o alho.

Misture bem.

Ponha a pasta em um prato ou travessa, regue-a com o azeite e polvilhe com a salsinha.

Fonte: [ Cura pela Natureza ]

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Senhor X – depoimento de Carl Sagan sobre experiência pessoal com Cannabis

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por Carl Sagan

“Tudo começou há cerca de dez anos atrás. Eu chegara a um período consideravelmente mais relaxado na minha vida – um momento no qual eu passei a sentir que havia mais a viver do que a ciência, um momento de despertar da minha consciência social e amabilidade, um tempo no qual estava aberto a novas experiências.

Eu tinha amizade com um grupo de pessoas que, ocasionalmente, fumavam cannabis, de forma irregular, mas com evidente prazer. Inicialmente, eu não estava disposto a participar, mas a euforia aparente que a cannabis produzia e o fato de que não havia vício fisiológico para a planta me convenceram a tentar.

Minhas experiências iniciais foram totalmente decepcionantes; não houve efeito algum, e eu comecei a cogitar uma variedade de hipóteses sobre a cannabis ser um placebo, que funciona pela expectativa e hiperventilação, em vez de química.

Após cerca de cinco ou seis tentativas sem sucesso, no entanto, aconteceu. Eu estava deitado de costas na sala de estar de um amigo examinando ociosamente o padrão de sombras no teto expressos por um vaso de plantas (não cannabis!). De repente eu percebi que eu estava examinando uma intricada e detalhada miniatura de um Volkswagen, claramente delineada pelas sombras.

Eu era muito cético a esta percepção, e tentei encontrar inconsistências entre o Volkswagen e o que eu via no teto. Mas tudo estava lá, até as calotas, placa de licença, cromo, e até mesmo a pequena alça utilizada para a abertura do porta-malas.

Quando eu fechei os olhos, fiquei chocado ao descobrir que havia um filme passando no interior das minhas pálpebras. Flash… uma simples cena de um campo com uma casa de fazenda vermelha, um céu azul, nuvens brancas, um caminho amarelo sinuoso entre colinas verdes ao horizonte… Flash… a mesma cena, casa laranja, céu marrom, nuvens vermelhas, caminho amarelo, campos violetas… Flash… Flash… Flash.

Os flashes vieram a cerca de uma vez por cada batimento cardíaco. Cada flash trouxe a mesma cena simples em vista, mas cada vez com um conjunto diferente de cores… Matizes extraordinariamente profundos e, surpreendentemente, harmoniosos em sua justaposição. Desde então, tenho fumado ocasionalmente e desfrutado completamente.

Ela (cannabis) amplifica sensibilidades tórpidas e produz o que para mim são efeitos ainda mais interessantes, como vou explicar brevemente.

Eu posso lembrar-me de outra breve experiência visual com cannabis, na qual eu vi uma chama de vela e descobri no coração da chama, em pé com indiferença magnífica, o chapéu preto do cavalheiro espanhol que aparece no rótulo da garrafa de vinho Sandman. Olhar para o fogo na “onda”, a propósito, especialmente, através de um daqueles caleidoscópios de prisma é uma experiência extraordinariamente tocante e bonita.

Eu quero explicar que em nenhum momento eu pensei que estas coisas estavam “realmente” lá fora. Eu sabia que não havia Volkswagen no teto e não havia homem salamandra na chama. Eu não sinto qualquer contradição nestas experiências. Há uma parte de mim fazendo, criando a percepção que na vida cotidiana seria bizarra; há uma outra parte de mim que é uma espécie de observador.

Cerca de metade do prazer vem da parte-observador apreciando a obra da parte-criadora. Eu sorrio, ou às vezes até rio em voz alta das imagens no interior de minhas pálpebras. Neste sentido, suponho que a cannabis seja psicotomimética, mas sem as crises de pânico ou terror que acompanham algumas psicoses. Possivelmente, isso é porque eu sei que é minha própria viagem, e que eu posso “descer” rapidamente a qualquer momento que eu quiser.

Enquanto minhas percepções iniciais foram todas visuais, e carente de imagens de seres humanos, esses dois itens têm mudado ao longo dos anos seguintes. Acho que hoje só um baseado é o suficiente para me deixar ‘chapado’. Eu testo se estou ‘chapado’ fechando os olhos e olhando para os flashes. Eles vêm muito antes de outras alterações em minhas percepções visuais ou outras percepções. Eu penso que este é um problema de ruído de sinal, o nível de ruído visual é muito baixo com os olhos fechados.

Um outro interessante aspecto de informação teórica é a prevalência – pelo menos nas minhas imagens em flash – de desenhos animados: apenas os contornos das figuras, caricaturas, e não fotografias.

Eu acho que isso é simplesmente uma questão de compressão de informação, seria impossível compreender o conteúdo total de uma imagem a partir do conteúdo de informação de uma fotografia comum, digamos, 108 bits, na fração de segundo que ocupa um flash. E a experiência do flash é projetada, se é que posso usar essa palavra, para apreciação imediata. O artista e o espectador são um. Isso não quer dizer que as imagens não são maravilhosamente detalhadas e complexas.

Eu tive recentemente uma imagem em que duas pessoas estavam conversando, e as palavras que eles estavam dizendo formavam e desapareciam em amarelo acima de suas cabeças, em cerca de uma sentença por batimento cardíaco. Desta forma foi possível acompanhar a conversa. Ao mesmo tempo, uma palavra ocasionalmente aparecia em letras vermelhas, entre os amarelos acima de suas cabeças, perfeitamente no contexto da conversa, mas se um lembrava-se destas palavras vermelhas, eles enunciavam um conjunto completamente diferente de declarações penetrantemente críticas para a conversa. O conjunto inteiro da imagem que eu esbocei aqui, eu diria que pelo menos 100 palavras amarelas e algo como 10 palavras vermelhas, ocorreu em algo menos de um minuto.

A experiência com cannabis tem melhorado muito o meu apreço pela arte, um assunto que eu nunca tinha apreciado antes. A compreensão da intenção do artista que eu posso conseguir quando estou ‘chapado’, algumas vezes, continua quando estou “careta”. Esta é uma das muitas fronteiras humanas que a cannabis me ajudou a atravessar.

Há também alguns insights relacionados à arte – não sei se são verdadeiros ou falsos, mas eles foram divertidos de formular. Por exemplo, eu ter passado algum tempo ‘chapado’ olhando para o trabalho do surrealista belga Yves Tanguey. Alguns anos mais tarde, eu emergi de um longo mergulho no Caribe e descansei exausto em uma praia formada pela erosão nas proximidades de um recife de coral. Examinando ociosamente os fragmentos arqueados de coral de cor pastel que iam até a praia, vi diante de mim uma grande pintura de Tanguey. Talvez Tanguey tenha visitado aquela praia na sua infância.

Uma melhoria muito semelhante na minha apreciação pela música ocorreu com a cannabis. Pela primeira vez eu fui capaz de ouvir as partes separadas de uma harmonia de três partes e a riqueza do contraponto. Desde então, descobri que os músicos profissionais podem facilmente tocar muitas partes separadas simultaneamente em suas cabeças, mas esta foi a primeira vez para mim.

Novamente, a experiência de aprendizagem quando ‘chapado’ teve pelo menos até certo ponto permanecido quando estou “careta”. O prazer dos alimentos é amplificado; sabores e aromas surgem, por alguma razão, nós, normalmente, parecemos estar muito ocupados para notar. Eu sou capaz de dar a minha atenção para a sensação. Uma batata terá uma textura, um corpo, e sabor como o de outras batatas, mas muito mais.

Cannabis também aumenta o prazer do sexo – por um lado dá uma extraordinária sensibilidade, mas também por outro lado adia o orgasmo: em parte por me distrair com a profusão de imagem que passa diante dos meus olhos. A duração do orgasmo parece se alongar muito, mas esta pode ser a experiência usual de expansão do tempo que ocorre ao se fumar cannabis.

Eu não me considero uma pessoa religiosa, no sentido usual, mas há um aspecto religioso em algumas experiências. A sensibilidade em todas as áreas me dá um sentimento de comunhão com o meu entorno, tanto com seres animados, quanto inanimados.

Às vezes, um tipo de percepção existencial do absurdo toma conta de mim e eu vejo com terríveis certezas as hipocrisias e posturas minhas e dos meus semelhantes. E em outras vezes, há um sentido diferente do absurdo, uma lúdica e fantástica consciência. Ambos os sentidos do absurdo podem ser comunicados, e alguns dos picos mais gratificantes que tive foram em compartilhar conversas e percepções e humor.

Cannabis nos traz uma consciência de que nós gastamos uma vida inteira sendo treinados para ignorar e esquecer e colocar para fora de nossas mentes. A sensação de que o mundo é realmente como pode ser é enlouquecedora; cannabis me trouxe alguns sentimentos de como é ser louco, e como usamos a palavra “louco” para evitar pensar em coisas que são muito dolorosas para nós.

Na União Soviética, dissidentes políticos são rotineiramente colocados em manicômios. O mesmo tipo de coisa, um pouco mais sutil, talvez, ocorre aqui: “você ouviu o que Lenny Bruce disse ontem? Ele deve ser louco”. Quando, na experiência sob cannabis, descobri que há alguém dentro daquelas pessoas que chamamos de loucos.

Quando estou ‘chapado’, posso penetrar no passado, recordar memórias de infância, amigos, parentes, brinquedos, ruas, cheiros, sons e sabores de uma época que já desapareceu. Eu posso reconstruir atuais ocorrências de episódios de infância entendidos apenas pela metade na época. Muitas, mas não todas minhas viagens com cannabis, têm em algum lugar um simbolismo importante para mim que não vou tentar descrever aqui, uma espécie de mandala em alto relevo no alto. Associar-se livremente a esta mandala, tanto visualmente, quanto como em palavras, produz um leque muito rico de insights.

Existe um mito sobre tais ‘chapações’: o usuário tem uma ilusão de grande insight, mas ele não sobrevive ao escrutínio na manhã seguinte. Estou convencido de que isto é um erro, e que os insights transformadores alcançados, quando sob o efeito da planta, são percepções reais, o problema principal é colocar essas ideias em uma forma aceitável para nós mesmos quando estivermos tão diferentes no dia seguinte.

Algum dos mais difíceis trabalhos que já fiz foi colocar tais ideias em fita ou por escrito. O problema é que dez ainda mais interessantes ideias ou imagens se perdem no esforço de uma gravação. É fácil entender porque alguém pode pensar que é um desperdício de esforço ter todo este trabalho para colocar o pensamento no modo “careta”, uma espécie de intrusão da Ética Protestante. Mas, em quase toda a minha vida “careta”, eu tenho feito naturalmente este esforço – com sucesso, eu acho. Aliás, acho que ideias razoavelmente boas podem ser lembradas no dia seguinte, mas somente se algum esforço for feito para colocá-las “no modo careta” de outra maneira. Se eu escrever o insight “no modo careta” ou descrevê-lo a alguém, então eu posso lembrar sem assistência na manhã seguinte, mas se eu apenas digo para mim mesmo que tenho que fazer um esforço para lembrar, eu nunca faço.

Acho que a maioria dos insights que eu consegui, quando estava ‘chapado’, foram sobre questões sociais, uma área da compreensão humana muito diferente daquela pela qual eu sou geralmente conhecido. Lembro-me de uma ocasião, tomando um banho com a minha mulher, também ‘chapada’, em que eu tive uma ideia sobre a origem e invalidez do racismo em termos de curvas de distribuição gaussiana.

Foi um ponto óbvio de uma forma, mas raramente falado. Eu desenhei as curvas em sabão na parede do chuveiro, e fui escrever a ideia. Uma ideia levou a outra, e no final de cerca de uma hora de muito trabalho duro, eu descobri que tinha escrito onze ensaios curtos sobre uma ampla gama de tópicos humanos sociais, políticos, filosóficos e biológicos. Devido a problemas de espaço, não posso entrar em detalhes sobre estes ensaios, mas de todos os sinais externos, tais como reações públicas e comentários de especialistas, eles parecem conter insights válidos. Eu os usei em tratados acadêmicos, palestras públicas e em meus livros.

Mas deixe-me tentar pelo menos dar o sabor de tal visão e os seus acompanhamentos. Uma noite, ‘chapado’ de cannabis, eu estava investigando a minha infância, um pouco de autoanálise, e fazendo o que me pareceu ser um progresso muito bom. Eu, então, parei e pensei o quão extraordinário foi Sigmund Freud, que sem ajuda de drogas, tinha sido capaz de alcançar a sua própria notável autoanálise. Mas então me bateu como um trovão que eu estava errado, que Freud tinha passado a década anterior de sua autoanálise como um experimentador e divulgador das propriedades da cocaína, e pareceu-me muito evidente que os genuínos insights psicológicos que Freud trouxe para o mundo foram, pelo menos em parte, derivados de sua experiência com drogas.

Eu não tenho ideia se isso é de fato verdade, ou se os historiadores de Freud concordariam com esta interpretação, ou mesmo se tal ideia foi publicada no passado, mas é uma hipótese interessante que deveria passar pelo escrutínio no mundo “careta”.

Eu posso lembrar-me da noite na qual, de repente, eu percebi como era ser louco, ou noites nas quais meus sentimentos e percepções foram de natureza religiosa. Eu tinha uma sensação muito precisa de que estes sentimentos e percepções, escritos casualmente, não resistiriam ao escrutínio crítico habitual.

Se eu encontro, na parte da manhã, uma mensagem de mim mesmo da noite anterior, informando-me que há um mundo que nos rodeia que mal percebemos, ou que podemos nos tornar um com o universo, ou mesmo que alguns políticos são homens desesperadamente assustados, eu posso tender à descrença; mas quando estou ‘chapado’ que eu sei sobre essa descrença. E, então, eu tenho uma fita na qual eu me exorto a levar a sério tais comentários. Eu digo “Ouça com atenção, seu “filho-da-puta-da-manhã”! Esta coisa é real!”.

Tento mostrar que a minha mente está trabalhando com clareza; lembro-me o nome de um conhecido colégio que eu não havia pensado em trinta anos, eu descrevo a cor, tipografia e formato de um livro em outra sala e estas memórias passam para a crítica do escrutínio da manhã. Estou convencido de que há níveis genuínos e válidos da percepção, alcançados somente com cannabis (e provavelmente com outras drogas), que são, através dos defeitos da nossa sociedade e nosso sistema educacional, indisponíveis para nós sem essas drogas. Tal observação se aplica não apenas à autoconsciência e de atividades intelectuais, mas também para as percepções de pessoas reais, uma sensibilidade muito maior para a expressão facial, entonação, e escolha de palavras que às vezes produzem um relacionamento tão próximo, é como se duas pessoas estivessem lendo, cada uma, a mente da outra.

Há um aspecto muito bom em relação à cannabis. Cada “puxada” é uma dose muito pequena, o intervalo de tempo entre a inalação de uma “puxada” e a sensação do seu efeito é pequeno, e não há desejo de mais após a “chapação” chegar. Eu acho que a relação R, do tempo de sentir a dose tomada em relação ao tempo necessário para tomar uma dose excessiva é uma quantidade importante. R é muito grande para o LSD (que eu nunca tinha tomado) e razoavelmente curto para cannabis.

Pequenos valores de R devem ser uma medida de segurança para drogas psicodélicas. Quando a cannabis for legalizada, espero ver esta relação como um dos parâmetros impressos na embalagem. Espero que o tempo não seja muito distante, a ilegalidade da cannabis é ultrajante, um impedimento à plena utilização de uma droga que ajuda a produzir a serenidade e discernimento, sensibilidade e companheirismo tão desesperadamente necessários neste mundo cada vez mais louco e perigoso.

Carl Sagan.

Vida sofista: http://vidasofista.blogspot.com.br/2012/11/carl-sagan-ensaio-sobre-maconha.html

Huffington Post: http://www.huffingtonpost.com/2013/05/31/carl-sagan-marijuana_n_3367112.html

Original em: http://hermiene.net/essays-trans/mr_x.html

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Obra de avenida olímpica derrubará 200 mil m² de Mata Atlântica no Rio

por Vinicius Konchinski

A construção da TransOlímpica, avenida prometida para integrar o esquema de transporte da Rio-2016, vai causar a derrubada de 200 mil m² de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. A supressão da vegetação de área equivalente a 24 campos de futebol foi autorizada pelo então governador Sérgio Cabral no início deste mês, dias antes de ele renunciar ao cargo.

A construção da avenida é um dos compromissos assumidos pelo Rio com o COI (Comitê Olímpico Internacional) para sediar os Jogos de 2016. A via terá 23 km de extensão e ligará Deodoro à Barra da Tijuca. Nos dois bairros serão construídas as duas maiores área de competição da Olimpíada: o Parque Olímpico, na Barra, e o Parque de Deodoro.

A área de mata que será derrubada para a obra fica na zona oeste do Rio, num local conhecido como Colônia Juliano Moreira, que fica nos limites do Parque Estadual da Pedra Branca. O parque é uma das maiores áreas de conservação ambiental do Brasil e também a segunda maior floresta urbana do mundo, com 12,5 mil hectares (125 mil km²) de vegetação.

Já a área que será derrubada é de 20 hectares. De acordo com o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), desse total, 19,6 hectares são de vegetação considerada de estágio médio de regeneração e outros 0,4 hectare de estádio avançado. Só é autorizada a derrubada desse tipo de mata quando não há alternativa e quando há interesse público. Para Cabral, que autorizou a supressão, a TransOlímpica é de interesse público.

A TransOlímpica vai custar R$ 1,5 bilhão e terá três pista em cada sentido. Uma delas será uma faixa para tráfego exclusivo de ônibus expressos BRT (Bus Rapid Transit).

Segundo a Prefeitura do Rio, a obra vai beneficiar moradores do Recreio dos Bandeirantes, Jardim Sulacap, Magalhães Bastos, Vila Militar e de outros bairros. A passagem da avenida por trechos de Mata Atlântica é necessária para reduzir o impacto da obra para quem mora em de Curicica, André Rocha, do Guerenguê e do Outeiro Santo.

A Secretaria Municipal de Obras (SMO) informou que o traçado original da TransOlímpica não previa os 200 mil m² de mata fossem derrubados. No entanto, a execução do projeto causaria a desapropriação de 497 imóveis.

O novo traçado, por dentro da vegetação, demandará 25 desapropriações, informou a SMO. A secretaria ressaltou ainda que a supressão da Mata Atlântica será compensada pelo plantio de 400 mil m² de espécies de plantas do mesmo bioma justamente no Parque Estadual da Pedra Branca –duas vezes o que será derrubado para a construção da avenida.

Sustentabilidade

Realizar uma Olimpíada sustentável é um dos objetivos do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, instituição privada que trabalha na preparação do evento. A derrubada de áreas de Mata Atlântica e outras intervenções olímpicas, entretanto, fazem com que especialistas questionem esse compromisso.

“O ideal é não desmatar nada”, afirmou a jurista e professora Sonia Rabello, presidente da Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro, quando questionada sobre a TransOlímpica. “Reduzir o número de desapropriações é bom, mas garanto que nenhum morador ficaria chateado em deixar sua casa se recebesse um belo apartamento em troca. O problema é que a prefeitura não quer pagar por isso. Aí diz que derrubar a Mata Atlântica é uma opção. A Mata Atlântica é um bem de todos, que não tem preço.”

Rabello já foi vereadora no Rio e acompanha as obras olímpicas em execução na cidade. Para ela, o compromisso com a sustentabilidade está perto de se tornar mais uma promessa não cumprida, vide o que tem sido feito também na construção do campo de golfe da Rio-2016.

A obra está sendo realizada em terreno do que era parte da APA (Área de Preservação Ambiental) de Marapendi, na zona oeste. Segundo ela, a vegetação que existia na APA deveria ser preservada ou recuperada. Ela reclama que a prefeitura autorizou a plantação de grama importada necessária para o campo de golfe. “Plantar grama não quer dizer que a vegetação está sendo preservada”, disse ela.

Já o biólogo Mario Moscatelli reclama do andamento da despoluição da Baía de Guanabara e lagoas da Barra. A recuperação dos locais é compromisso olímpico. Moscatelli, porém, diz que políticos “fazem tudo para não cumpri-lo”.

“Se não é falta de vontade, não sei o que é”, afirmou. “Até agora, não foi feito nada para a despoluição. O governo do Estado do Rio de Janeiro [responsável pela despoluição] está lesando a imagem do Rio e do Brasil perante o mundo.”

Rio-2016 responde

Procurado pelo UOL Esporte, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 ratificou seu compromisso com a sustentabilidade. Em nota, informou que ele “começa dentro de casa”. Por isso, o órgão compra madeira ou papel com certificado de manejo florestal, vai servir pescado produzido de forma sustentável mas refeições durante os Jogos e trabalha para a ampliação da acessibilidade em hotéis do Rio.

Sobre a TransOlímpica, o comitê afirmou que a obra é um exemplo “do desafio que é a sustentabilidade”. O órgão ressaltou que a derrubada das árvores só será feita para reduzir as remoções de famílias. Informou também que espera que a compensação da derrubada seja bem feita. “Para o Comitê, é essencial que haja manejo adequado e contínuo até a completa recuperação do ambiente onde foi feito o plantio”, complementou o comitê.

O comitê ainda ressaltou que não executa nenhuma obra olímpica. Porém, monitora a construção do campo de golfe e a despoluição da Baía de Guanabara. Sobre o campo de golfe, o Rio-2016 informou que a obra recuperará o terreno e multiplicará em cinco a área de vegetação do espaço. Já a despoluição da baía, segundo o Rio-2016, está em execução.

Fonte: [ UOL Esporte ]

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‘Sementes da Paixão’ germinam na pior seca dos últimos 40 anos na PB

Grãos são mais resistentes e de tradição mantida há décadas.
Comunidades rejeitam milho oferecido pelo poder público.

Canteiro em terreno comunitário é usado para plantar durante a seca (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Canteiro em terreno comunitário é usado para plantar durante a seca (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Pequenas comunidades de até 300 agricultores na Paraíba estão sobrevivendo durante a seca graças às ‘Sementes da Paixão’, nome dado aos grãos resistentes de milho, feijão e outros alimentos que germinam mesmo durante a pior estiagem dos últimos 40 anos na região.

São 6,5 mil famílias rurais em 61 municípios no Agreste, Cariri e Sertão do estado que mantêm, há décadas, esta prática, sendo nos últimos anos auxiliadas por organizações não-governamentais e associações de apoio ao desenvolvimento da agricultura local.

Na região da Borborema, há pelo menos 57 bancos de ‘Sementes da Paixão’. Nas demais regiões da Paraíba, há mais de 230 bancos de grãos resistentes à estiagem, catalogados pela Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) Agricultura Familiar e Agroecologias. “O grão é a semente com a finalidade para alimentação animal, humana ou comércio. Tecnicamente, a semente serve para a propagação da cultura”, explica o agrônomo Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA.

A relação dos agricultores paraibanos com o meio ambiente levou a fotógrafa paulista Fernanda Rappa a pesquisar o tema através de um projeto contemplado pelo Prêmio Brasil de Fotografia.

“Eu soube das Sementes da Paixão através de amigos que documentaram isso para o Rio+20. Comecei a pesquisar a história porque achei genial que, no meio da Paraíba, existisse uma consciência ambiental protegendo as comunidades das sementes transgênicas que são super prejudiciais ao mundo, ao meu ver. É um modelo a ser seguido e é bonito demais de ver no meio daquela seca, do deserto, uma plantação de coentro verdinha. Parece um sonho”, explica.

fernandarappa-0082 Durante o mês de março deste ano, o projeto fotográfico foi desenvolvido através da construção de uma câmara escura no meio da plantação, para registrar o ciclo das plantações. “A ideia era que, através da imagem formada dentro da câmara escura, as pessoas das comunidades pudessem ter outra experiência visual com algo que para eles é tão corriqueiro. E dessa forma, exaltar a importância do trabalho que eles vêm desenvolvendo há anos”, relatou Fernanda.

Produtores rurais e os técnicos que auxiliam os agricultores paraibanos na manutenção das sementes explicam que estes grãos são selecionados naturalmente ao longo de várias décadas, sem nenhum tipo de modificação genética, devido à sua capacidade de adaptação ao clima do semiárido nordestino. São estas as poucas variações que conseguem sobreviver às secas históricas que atingem a Paraíba e, mais recentemente, à estiagem de 2013.

Seu Dodô mostra feijão das Sementes da Paixão, nome criado por ele (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Seu Dodô mostra milho feijão das Sementes da Paixão, nome criado por ele (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

A tradição de guardar sementes que germinam em temperaturas pouco amenas vem de várias gerações na família destes agricultores. Hoje, com uma ampla variedade de espécies de grãos já guardadas, eles se unem em pequenas comunidades e auxiliam uns aos outros para sobreviver com o plantio em tempos de escassez. Nestas associações, os agricultores promovem a troca entre si das variedades. Em outras regiões do Nordeste, elas são conhecidas de modo geral como ‘sementes crioulas’.

Antônio Salviano, 62 anos, conhecido como Seu Dodô, é um dos mantenedores da tradição de guardar grãos na zona rural de Desterro, no Cariri, a 289 km de João Pessoa. Ele foi o responsável por dar o nome ‘Sementes da Paixão’ às variedades locais. “É uma coisa de família, meu bisavô já guardava as sementes. A gente trabalha em comunidade, então sempre que alguém por aqui precisa a gente ajuda e depois repõe”, conta o agricultor. No sítio em que ele e outras cerca de 20 famílias moram, foram plantados com sucesso milho, alface e coentro destas sementes.

Milho das Sementes da Paixão (Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Milho das Sementes da Paixão
(Foto: Fernanda Rappa/Divulgação)

Na zona rural de Queimadas, no Agreste, a 155 km da capital, a comunidade local conseguiu plantar milho, feijão e variedades de fava branca. Todos os alimentos são provenientes dos grãos guardados das chamadas ‘Sementes da Paixão’.

O agricultor José Batista, 50, é uma das lideranças locais e com apoio de familiares e moradores, conseguiu produzir mesmo com a seca no semi-árido. “Aqui na região ‘deu’ muito milho e fava. Não tivemos problema nenhum com os grãos que a gente guarda, mas os que o governo manda a gente nem usa, porque sabe que não dá”, ressaltou.

O desafio de uma seca histórica

De acordo com a AS-PTA, em 2013 a Paraíba enfrentou a pior seca das últimas quatro décadas. Para isso, a entidade investe em capacitação das comunidades. “A gente auxilia o trabalho deles, tenta explicar um pouco melhor sobre as técnicas de guardar os grãos e oferece apoio ao pequeno agricultor. As variações que eles guardam são resistentes a esta temperatura, diferentemente dos grãos que os órgãos estaduais e federais fornecem e que, para o plantio nas terras deles, não servem”, disse o técnico Emanoel Dias.

Segundo a direção da Conab, houve duas tentativas de contato com os agricultores que produzem as ‘Sementes da Paixão’, mas não foi possível realizar um trabalho conjunto. “Em outubro de 2013 marcamos duas reuniões com eles, com a proposta de recompor o estoque deles do banco de sementes. A gente tem a proposta de comprar e doar as sementes para eles, porque estavam apenas com 40% do banco em estoque. Temos tudo para ajudar, conversamos e continuamos abertos a ajudar a compor os estoques”, explicou o superintendente da Conab, Gustavo Guimarães.

A previsão climática para 2014 também não é animadora. As chuvas no semi-árido paraibano devem superar a estiagem do ano passado e igualar a média histórica, mas durante os próximos meses, até o início do segundo semestre vão continuar irregulares e mal distribuídas, prevê a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa).

Fonte: [ G1 ]

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A verdadeira fruta proibida

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por Dante Mendonça

Em 1927, quando o explorador David Fairchild andou pela África, o guia lhe apresentou algumas bagas vermelhas que “não eram boas o suficiente para ficar entusiasmado, embora não tão ruins”. Pouco tempo depois lhe ofereceram uma cerveja para saciar a sede e veio a surpresa: de repente, a cerveja ficou doce.

Era a magia da miraculina, a fruta proibida e milagrosa originária dos Camarões, chamada pelos cientistas de “Synsepalum dulcificum”. Mastigada sem engolir, ela tem a propriedade de adoçar o que a pessoa pode colocar depois na boca, quer azedo ou amargo.

Depois de beber a cerveja e mastigar limões magicamente doces, David Fairchild relatou que a baga em si mesma não tem muito sabor; o ingrediente ativo da fruta é uma glicoproteína chamada miraculina. Como algo saído de super-homem, a molécula de miraculina age como uma chave para o cadeado de suas papilas gustativas.

Em seu delicioso livro “Os caçadores de frutas”, o jornalista Adam Leith Gollner conta que a qualidade da doçura induzida pela fruta milagrosa é mais desejável do que qualquer dos adoçantes naturais ou sintéticos conhecidos. Empreendedores sentiram o potencial dessa alternativa saudável ao açúcar, até que na década de 1960 um jovem biomédico visionário chamado Bob Harvey conseguiu o milagre que poderia mudar o mundo da alimentação.

Na época com 35 anos, inventor de um coração artificial movido a energia nuclear e já milionário, Harvey descobriu um modo de tornar a miraculina disponível em forma de pílulas. Nos cinco anos seguintes, ele levantou US$ 7 milhões de investidores e desenvolveu uma linha de produtos isentos de açúcar, como refrigerantes, coberturas para saladas e “drops” da fruta milagrosa. Seus picolés eram cobertos de miraculina, de modo que as primeiras lambidas preparavam a língua para o sorvete azedo de dentro. Em testes nas escolas, esses picolés se revelaram mais populares entre as crianças do que os adoçados com açúcar.

A fruta milagrosa estava pronta para fazer bilhões. No entanto, as corporações mastodontes da indústria do açúcar, ciclamatos, aspartame, sacarinas e outras drogas artificiais estavam teimosamente determinadas a acabar com ela. Em 19 de setembro de 1974 a FDA (Food and Drug Administration, órgão governamental dos Estados Unidos que faz o controle dos alimentos) proibiu a miraculina, determinando que uma solicitação de aditivo alimentar teria de ser preenchida, exigindo anos e milhares de dólares em testes adicionais. Imediatamente, sob a pena da lei, Bob Harvey fechou a empresa e o que era doce se acabou.

Fonte: [ Paraná Online ]

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Deu branco na queimadura

por Liana John

Ou melhor, o extrato da casca do breu-branco (Protium heptaphyllum) tem bom potencial como protetor solar, por suas atividades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a prevenir queimaduras de sol e câncer de pele.

Essa árvore, de 7 a 20 metros de altura, ocorre na Mata Atlântica, no Cerrado e na Floresta Amazônica e tem frutos comestíveis, de casca vermelha e polpa amarelada, com gosto suave e refrescante. Os frutos são bem apreciados por aves e mamíferos, mas não são conhecidos pela maioria dos brasileiros.

Na verdade, bem conhecido mesmo é perfume extraído da resina, vendido tanto em frascos simples, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), como sofisticados, pelas revendedoras da indústria de cosméticos Natura. O cheirinho bom também exala das folhas, justificando diversos nomes comuns da espécie: almecegueira-de-cheiro, almecegueira-cheirosa, pau-de-incenso, incenso-de-caiena.

Já o nome breu-branco deriva do fato de a resina assumir coloração branca quando exsudada pelo tronco cortado ou raspado. Para os indígenas de origem tupi-guarani, o nome da espécie ora faz referência à resina – icicaçu (resina grande) – ora faz referência à espessura do tronco – guapuycy (mãe de tronco fino).

Seja qual for o nome, a espécie é popularmente considerada medicinal. A resina oleosa é usada como analgésico, cicatrizante e expectorante. Uma pesquisa conduzida pelo doutor em Farmacologia, Francisco de Assis Oliveira, na Universidade Federal do Ceará (UFCE) conferiu a atividade da resina como anti-inflamatória e gastroprotetora. Mas também encontrou alta toxicidade de alguns de seus componentes nos testes com camundongos.

Outra pesquisa, realizada no Laboratório de Controle de Qualidade de Medicamentos e Cosméticos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP/USP), elegeu o extrato da casca do breu branco como o de melhor potencial fotoquimioprotetor, entre os testes realizados com 40 espécies nativas. “Recebemos os extratos prontos, de diversas instituições, e testamos primeiro a toxicidade e depois as atividades antioxidante e anti-inflamatória, que são as mais importantes para esse tipo de proteção solar”, diz Ana Luiza Scarano Aguillera Forte, responsável pelo estudo. O extrato do breu branco foi enviado por uma equipe do Museu Emílio Goeldi, do Pará.

Nos primeiros testes, de toxicidade, apenas 4 das 40 plantas “passaram na peneira”: os extratos das folhas de quaresmeira (Miconia minutiflora), canela-de-cutia (Eugenia protenta) e de uma mirtácea sem nome comum (Eugenia biflora), além do extrato da casca do tronco de breu-branco. As 4 espécies foram estão testadas em condições semelhantes às reais, com exposição a raios ultravioleta. E os melhores resultados foram obtidos com o breu branco, cuja atividade antioxidante se mostrou capaz de “sequestrar” da pele a maior parte dos radicais livres prejudiciais, além de agir contra a inflamação normalmente causada pela irradiação solar, quando a pele é exposta sem proteção.

“Os produtos fotoquimioprotetores são de pré-tratamento e devem compor produtos cosméticos para a pele junto com filtros solares”, esclarece a pesquisadora. “Não servem para pós-tratamento, para cuidar da pele após a queimadura solar, como é o caso do gel pós-sol”.

O estudo dos 40 extratos foi objeto do mestrado de Ana Luiza, realizado sob a orientação de Maria José Vieira Fonseca, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O laboratório também conta com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Agora Ana Luiza avalia outro extrato, proveniente do Cerrado, com a mesma atividade fotoquimioprotetora. É sua tese de doutorado em Ciências Farmacêuticas e inclui um ano de pesquisas na Espanha. Como o estudo só deve terminar em 2016, ela ainda não pode revelar qual é a planta. Então, enquanto esperamos, o jeito é procurar cosméticos que já tenham incorporado o breu-branco para a proteção solar.

Foto: Liana John (tronco de breu-branco, Rio Negro, AM)

Fonte: [ Educação Ambiental Itajubá ]

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