Arquivo do mês: agosto 2014

Os cenários fantásticos de Carl Warner

Inspirado em artistas como Salvador Dali e Patrick Woodrofe, o fotógrafo britânico Carl Warner cria cenários fantásticos à partir de alimentos usados no nosso dia-a-dia.

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Com uma equipe de montadores de maquete, designers e estilistas de produtos, Warner, inicia as criações de suas paisagens à partir de um esboço para que depois consiga imaginar qual o melhor ingrediente consegue retratar o seu delineamento inicial.

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Na série “Foodscape”, Carl Warner desenha paisagens convencionais, usando técnicas clássicas de composição, para facilitar a ilusão do espectador de ser uma imagem real à primeira vista. “Depois de alguns segundos, o observador tem a constatação de que a cena é feita de alimento e inevitavelmente, soltam um belo sorriso. Esta, para mim, é a melhor parte”.

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Guardiões de sementes, um resgate do direito à soberania alimentar

Heloisa Ribeiro

Heloisa Ribeiro

Em São Paulo, comunidades tradicionais chegam a trocar até 80 tipos de sementes crioulas nas feiras que acontecem anualmente no local associadas a saberes que só existem em sua cultura e na relação com a floresta tropical

Por Heloisa Bio

A liberdade de produzir sementes garante a autonomia dos agricultores. As variedades ainda mantidas e multiplicadas em regiões como o Vale do Ribeira, em São Paulo, surgem como recuperadoras da diversidade agrícola e, principalmente, da produção de alimentos saudáveis e adequados do ponto de vista ambiental e social. Ali, comunidades tradicionais chegam a trocar até 80 tipos de sementes crioulas nas feiras que acontecem anualmente no local, associadas a saberes que só existem em sua cultura e na relação com a floresta tropical.

Esses agricultores familiares fazem parte das comunidades quilombolas descendentes de africanos escravizados, que no Vale do Ribeira somam a maior parte das comunidades quilombolas do Brasil, com 66 quilombos identificados (mas somente seis com títulos de terra). Trata-se de um dos mais valiosos corredores socioambientais do país, em meio a maior área remanescente de Mata Atlântica (2,8 milhões de hectares), cujo contato direto com a natureza provê os meios para sua subsistência e reprodução cultural.

Pode-se dizer que as roças quilombolas extrapolam a agricultura tradicional, conforme expressam uma riqueza de conhecimentos e práticas a elas associadas, incluindo o envolvimento de homens, mulheres e crianças na atividade. Usam o sistema de corte e queima, conhecido como coivara, em que trabalham o rodízio de áreas de plantio, deixando-as em pousio (descanso ou repouso dado às terras cultiváveis) por anos até voltarem a ser produtivas.

“Há mais de 300 anos já fazíamos a preservação ambiental, nunca plantamos em topos de morro ou próximo aos mananciais, pois lá, roça não vai e não queremos ficar sem água. Após a queima, logo vê a volta das minhocas nas cinzas e das pacas e catetos”, conta Benedita Dias da Costa, do Quilombo Maria Rosa, com 20 famílias, sobre como as roças tradicionais têm garantido a diversidade no Vale do Ribeira, compreendendo altas taxas de regeneração da mata nativa.

Muitos elementos da cultura que só existem ali, a exemplo das variedades crioulas (sementes adaptadas ao ambiente local) e das práticas de troca, perderam-se com a maior proximidade urbana e, principalmente, com as restrições impostas pela legislação ambiental, que a partir de 2000 passou a exigir o licenciamento das roças tradicionais (conforme Resolução da Secretaria Estadual de Meio Ambiente de SP, de 2013).

Nesse contexto, a VII Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas, que aconteceu entre os dias 22 e 23 de agosto, com realização pelo Instituto Socioambiental (ISA), surge como um importante esforço para resgatar o conhecimento e a criatividade dos agricultores nas adaptações ao diversificado ambiente do Vale do Ribeira.

No Vale, há mais de 30 variedades de batata-doce, catalogadas recentemente pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Registro (SP). As diferentes etapas da roça tradicional, as formas de reprodução e a manutenção das sementes pelas comunidades vêm impedindo que a rica diversidade local se perca.

Nesse sentido, as sementes são um ponto chave para a discussão da preservação socioambiental, onde o objetivo é o potencial de se produzir e preservar diversidade para as gerações futuras e não o debate sobre capacidade de volume de produção. A relação entre as sementes crioulas e a forma de plantio tradicional é direta, pois as variedades devem ser plantadas o ano todo pelas comunidades para se manterem.

“O ideal seria criar uma rede de guardiões de sementes, cujos conhecimentos expressam um histórico genético de séculos de adaptação à natureza local. Ao contrário, hoje somos reféns das grandes corporações do agronegócio, cujas sementes híbridas são cada vez menos adaptadas e empobrecidas”, afirmou Lauro Komuro, pesquisador do Centro Paula Souza, presente no seminário que aconteceu durante a VII Feira.

A promotora de Justiça do Distrito Federal e uma das fundadoras do ISA, Juliana Santilli, destacou que o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional considera alimentação não só o atendimento das necessidades biológicas, mas a sustentabilidade socioambiental na produção, e a valorização das culturas alimentares locais. “O Brasil possui até 55 mil espécies de plantas da agrodiversidade, enquanto isso os produtos processados dos supermercados são quase totalmente baseados em quatro espécies de grãos”, destacou Juliana.

De fato, a relação entre agrodiversidade (expressão para a biodiversidade agrícola) e saberes locais é determinante para a adaptação das variedades de plantas. As experiências como o consórcio de espécies, os melhores dias para o plantio ou os segredos sobre como guardar sementes, garantiram a manutenção de cultivos tão variados no Vale do Ribeira, que segundo o coordenador geral da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica, Pedro Jovchelevich, “muitas não devem ser conhecidas fora da região”.

As bananeiras dão as tradicionais banana ouro e prata, mas também a banana pacová, vinagre, preta e zinga, enquanto os nomes das variedades expostas na VII Feira revelam o quanto são pouco comuns: feijão bico de ouro, milho palha dura, mandioca manteiga, chuchu fofo, arroz vira lomba, mangarito ou cará mandioca.

“Planto todo ano e hoje estou com 73 anos, então acabo conhecendo a ‘mania’ de cada tipo, o ‘arroz três meses’ se plantar em agosto leva cinco meses para colher, mas se plantar em novembro leva três. E não tem como saber o tipo de arroz olhando só a semente, é preciso plantar e ver se nasce tudo com o mesmo verde”, revela o agricultor Hermes, do quilombo Morro Seco.

Outras experiências de preservação de sementes foram trazidas ao encontro, como a da Rede de Sementes do Xingu, criada há sete anos para atender a necessidade de restauração de áreas no Mato Grosso e, hoje, um caso de sucesso na manutenção de espécies florestais. Quando surgiu, contava com dez coletores de sementes que, aos poucos transmitiram conhecimentos aos novos interessados. Atualmente são 350 coletores (indígenas, da agricultura familiar e coletores urbanos).

Em sete anos, o projeto possibilitou uma renda de R$ 1,2 milhão para as famílias envolvidas com a venda das sementes florestais para recuperação de Áreas de Preservação Permanente, Reservas Legais e áreas de compensação ambiental, além do impacto político, de fortalecimento dos grupos locais numa região de graves conflitos sociais.

Já a fundação francesa Kokopelli, que resgata e reproduz sementes orgânicas no mundo, conseguiu catalogar em 20 anos de atividade cerca de 2,5 mil espécies da agrodiversidade, mostrando a possibilidade de criar adaptações de variedades em diferentes ecossistemas.

“Trabalhamos as variedades da chamada ‘polinização aberta’, que se desenvolvem com base nas condições locais, tornando-se cada vez mais diversificadas. Já as monoculturas buscam proteger uma única espécie agrícola e, com isso, eliminam a cadeia alimentar que a sustenta, microrganismos, insetos e outras plantas”, finaliza Clayton França, representante da Associação Kokopelli Brasil.

Fonte: [ Brasil de Fato ]

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SiSTSP – Orquídea Pato-voador (Caleana major)

NOME CIENTIFICO: Caleana major
NOME(S) POPULAR(ES): Orquídea Pato-voador
FAMILIA (Cronquist): Orchidaceae
FAMILIA (APG): Orchidaceae
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A orquídea pato-voador é uma planta herbácea, terrestre e sua flor, como o próprio nome diz, lembra um pequeno pato em pleno vôo.

Por seu pequeno porte, e cores não chamativas, é bastante difícil encontrá-la na natureza.

Infelizmente ainda não foi possível cultivar ou propagar a orquídea pato-voador em viveiro, visto que suas raízes tem uma estreita relação simbiótica com um fungo que só cresce no seu habitat.

O fungo parece ser responsável por proteger a orquídea de infecções, de forma que ao tentar cultivá-la longe do seu ambiente natural, ela perece rapidamente.

Portanto, como a orquídea pato-voador é dificilmente avistada, é bem provável vê-la apenas em fotografias.[2]
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ficha disponivel online em:
http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=16554
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| SiSTSP – Banco de Plantas Notaveis – Projeto Tudo Sobre Plantas
| registro atualizado em: 29/08/2014 13:29:01, por Anderson Porto.
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SiSTSP – Orquídea Bebê-no-Berço (Anguloa uniflora)

NOME CIENTIFICO: Anguloa uniflora
NOME(S) POPULAR(ES): Orquídea Bebê-no-Berço
FAMILIA (Cronquist): Orchidaceae
FAMILIA (APG): Orchidaceae
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A orquídea Anguloa uniflora se caracteriza pelo tamanho grande e perfil fino ideal para o cultivo em vasos cilíndricos altos.

Este tipo de orquídea cresce em climas quentes e ostenta um “tronco” verde escuro que carrega duas a três folhas decíduas, cada uma tendo de 15 a 25 centímetros de comprimento, e dois bulbos elípticos.

A haste em si, frequentemente atinge alturas de cerca de 60 centímetros.

A flor em forma de tulipa, de espessura grossa e macia exala um aroma perfumado e é conhecida como uma orquídea de longa duração, tornando-a uma boa opção para presente.
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ficha disponivel online em:
http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=372169
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| SiSTSP – Banco de Plantas Notaveis – Projeto Tudo Sobre Plantas
| registro atualizado em: 29/08/2014 12:06:08, por Anderson Porto.
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SiSTSP – Orquídea Sapatinho (Cypripedium calceolus)

NOME CIENTIFICO: Cypripedium calceolus
NOME(S) POPULAR(ES): Orquídea Sapatinho
FAMILIA (Cronquist): Orchidaceae
FAMILIA (APG): Orchidaceae
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O gênero Cypripedium realmente merece um capítulo à parte em qualquer narrativa sobre orquídeas terrestres.

São plantas terrestres que crescem em áreas de clima frio em grande parte do hemisfério norte. Algumas espécies crescem até no Alaska e Sibéria, um habitat extremamente frio para quase todas as outras orquídeas.

As plantas têm uma aparência exótica e das cerca de 45 espécies no mundo alguns podem ser cultivadas com sucesso em jardins em regiões com climas frios de inverno.

Com um pouco de cuidado especial, em solo bem drenado e semi-sombra, várias espécies e muitos híbridos modernos podem viver por muitos anos, assim como outras plantas perenes jardim crescendo em plantas cada vez maiores a cada ano.

Infelizmente, a beleza e a raridade da Cypripediums tem inflamado um comércio ilegal rentável em plantas de origem selvagem.

A maioria dos países hoje em dia tentar regular esse comércio com mais ou menos sucesso.

É lamentável que muitos entusiastas de horticultura têm contribuído para este comércio ilegal, quer conscientemente ou por ignorância.

Por estas razões, é um forte incentivo para propagar plantas Cypripedium artificialmente, não só não só para crescer um maior número de exemplares a preços mais razoáveis, mas também para a produção de híbridos Cypripedium incríveis modernas, que tornam as plantas selvagens menos atraente comercialmente.

Deveria ser normalmente encontrada em brejos, pântanos e prados úmidos.
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ficha disponivel online em:
http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=17179
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| SiSTSP – Banco de Plantas Notaveis – Projeto Tudo Sobre Plantas
| registro atualizado em: 29/08/2014 05:26:41, por Anderson Porto.
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SiSTSP – Tansagem (Plantago major)

NOME CIENTIFICO: Plantago major
NOME(S) POPULAR(ES): Tansagem, tanchagem-maior, tanchagem, língua de vaca, plantagem, tranchagem, cinco-nervos, erva-de-orelha, sete-nervos, tranchás, transage
FAMILIA (Cronquist): Plantaginaceae
FAMILIA (APG): Plantaginaceae
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Nativa do Velho Mundo, se encontra nas Antilhas, Estados Unidos, Bermudas, América Central e do Sul; naturalizada em Cuba, cresce silvestre em lugares frescos por todo o país.

As partes aéreas da tanchagem possuem elevados teores de mucilagem (polissacarídeos), taninos, glicosídeosiridóides, incluindo aucubina e catalpol, ácido salicílico, ácidos fenólicos carboxílicos, flavonóides (apigenina e luteolina) e minerais incluindo zinco e potássio.

Possui propriedades adstringente, antibacteriana e emoliente, favorecendo a eliminação de catarro do trato respiratório e a melhora em casos de bronquite crônica.

Atua auxiliando no tratamento de inflamações da mucosa oral e faríngea.[7]

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ficha disponivel online em:
http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=22615
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| SiSTSP – Banco de Plantas Notaveis – Projeto Tudo Sobre Plantas
| registro atualizado em: 27/08/2014 13:12:56, por Anderson Porto.
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Drugo

Drugo é um dragão que vive em um reino e vive cercado por pessoas. O relacionamento com ele as faz faltarem ao trabalho, esquecerem da família, se tornarem mais violentas. Até que um dia, o Rei resolve combatê-lo e decide que a melhor forma de afastar as pessoas de Drugo é bani-lo do reino.

Como era inimigo do Rei, o governante usou toda força possível em seu combate. O dragão teve de se esconder e essa situação deu origem a grupos armados que passaram a lucrar com as visitas feitas a ele às escondidas, gerando crimes e corrupção.

Entretanto, à medida que a violência aumentava, mais forte o dragão ficava. Até que um dia, pensadores se organizaram para discutir qual a melhor forma de estabelecer uma convivência pacífica entre Drugo e o reino, já que viver sem ele por perto era uma utopia.

http://www.globalcommissionondrugs.org/

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Anteprojeto elaborado pelo Ministério da Agricultura prevê controle privado sobre sementes crioulas

Por Maura Silva

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Diversas organizações e movimentos sociais do campo estão preocupados com o anteprojeto elaborado pelo Ministério da Agricultura (MAPA) que visa regular o acesso e o uso da agrobiodiversidade brasileira.

Na prática, a proposta iria dar ao MAPA poderes de controlar as sementes crioulas – por meio da obrigatoriedade de registro das variedades e raças num banco de dados – e criaria um mercado de “repartição de benefícios”, em que as grandes empresas poderiam se apropriar dessas sementes e de outros produtos da biodiversidade.

A proposta foi redigida sem nenhuma intervenção da sociedade civil ou movimentos sociais que representam as comunidades mais afetadas. Contou apenas com a participação de atores do agronegócio, como a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e a Frente Parlamentar da Agropecuária.

Para André Dallagnol, assessor jurídico da Terra de Direitos, o fato do projeto não ter sido amplamente discutido com a sociedade, em especial os agricultores, fere o direito de decisão dos povos do campo, tirando de cada um sua autonomia e colocando nas mãos do poder público.

“A agrobiodiversidade passa a ser considerada pelo anteprojeto como ‘bem da União’, gerido única e exclusivamente pelo MAPA e sem qualquer participação dos agricultores e de suas organizações”, explica Dallagnol.

Segundo o advogado, caberia unicamente ao MAPA definir como aplicar os recursos destinados à implementação dos direitos de agricultor. “Os agricultores e suas organizações não terão qualquer direito de decidir sobre as formas de utilização de eventuais recursos que lhes sejam destinados por meio do Fundo Federal Agropecuário, administrado também exclusivamente pelo Mapa e sem qualquer participação social”, afirma.

As empresas transnacionais do agronegócio, como Monsanto, Syngenta, Dupont, Basf e Bayer, seriam as mais interessadas na criação dessa lei, pois possibilitaria que avançassem ainda mais sobre o controle das sementes.

Essas empresas já detêm o monopólio das sementes transgênicas em todo o mundo. De acordo com o Grupo ETC (organização socioambientalista internacional que atua no setor de biotecnologia e monitora o mercado de transgênicos), as seis maiores empresas controlam atualmente 59,8% do mercado mundial de sementes comerciais e 76,1% do mercado de agroquímicos, além de serem responsáveis por 76% de todo o investimento privado no setor.
Agora, essa nova lei também lhes permitiria a monopolização do mercado, a hegemonia e o poder corporativo sobre as sementes crioulas.

Bancada ruralista

Segundo Dallagnol, o texto contém uma afirmação equivocada: a de que a legislação nacional deverá definir normas não só para o acesso aos recursos genéticos da agrobiodiversidade brasileira por outros países, como para o acesso aos recursos genéticos de espécies exóticas por instituições nacionais.

O advogado explica que, como o Brasil não ratificou o protocolo de Nagoya – acordo internacional que regulamenta o acesso aos recursos genéticos -, a bancada ruralista elaborou esse anteprojeto para formar uma espécie de ‘marco regulatório interno’, antes de uma possível aprovação de Nagoya.

Em contrapartida, a proposta fecha os olhos para os direitos dos agricultores, ao afirmar expressamente que o acesso à variedade tradicional, local ou crioula ou à raça localmente adaptada para as finalidades de alimentação e de agricultura, compreende o acesso ao conhecimento tradicional associado e não depende da anuência do agricultor tradicional que cria, desenvolve, detém ou conserva a variedade.

Ainda para Dallagnol, a não participação da sociedade e a pressão exercida pela bancada ruralista para aprovação do projeto é uma afronta aos direitos democráticos que busca privilegiar os donos do agronegócio.

“Precisamos nos mobilizar, fazer petições, manifestações, usar todos os meios possíveis para colocar essa questão em evidência e pressionar o governo que, com o pretexto de regulamentar a produção rural, está limitando os direitos dos agricultores”, finaliza.

Fonte: [ Ecodebate ]

[ Íntegra do Anteprojeto de Lei ]

Mais infos:

Anteprojeto sobre agrobiodiversidade ignora direitos de agricultores familiares e indígenas

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Estudo mostra nova forma de comunicação entre plantas

Virginia Tech College of Agriculture and Life Sceinces/VEJA

Virginia Tech College of Agriculture and Life Sceinces/VEJA

Cientistas americanos descobriram uma nova forma de comunicação entre plantas, que permite a troca de informações genéticas entre elas. Baseado no intercâmbio de material genético, esse processo permite que plantas parasitas exerçam um certo controle sobre suas hospedeiras, diminuindo suas defesas, por exemplo. A pesquisa abre as portas para uma área da ciência que explora como as plantas se comunicam em escala molecular, além de ajudar a desvendar novas formas de combater parasitas que prejudicam cultivos em diversas partes do mundo. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (14), na revista Science.

“A descoberta desta nova forma de comunicação entre organismos mostra que isto acontece muito mais do que se acreditava”, afirma Jim Westwood, professor de patologia e fisiologia das plantas da Universidade Estadual da Virgínia, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. “Agora que sabemos que elas estão compartilhando toda essa informação, a próxima pergunta é: o que exatamente estão dizendo umas as outras?”

O cientista analisou a relação entre uma planta parasita, a cuscuta, e duas hospedeiras, Arabidopsis (do mesmo gênero das couves) e o tomate. Em uma pesquisa anterior, Westwood havia descoberto que durante a interação parasita ocorre um transporte de RNA (molécula que transporta informação genética e controla a produção de proteínas) entre as duas espécies. No novo trabalho, ele e sua equipe aprofundaram o estudo sobre essa troca, e analisaram o RNA mensageiro, que envia mensagens entre as células dizendo a elas qual direção seguir e quais proteínas produzir.

Acreditava-se que o RNA mensageiro era muito frágil e pouco durável, o que tornava inimaginável sua transferência entre espécies. Porém, os novos resultados mostraram que durante essa relação parasita milhares de moléculas de RNA mensageiro estavam sendo trocadas entre as plantas, criando um diálogo. Por meio desta troca, as plantas parasitas podem ditar o que a planta hospedeira deve fazer, como diminuir sua defesa, para tornar o ataque mais fácil. Westwood afirma que seu próximo trabalho será descobrir exatamente o que o RNA está “dizendo”.

“Plantas parasitas são um grande problema para plantações que ajudam a alimentar algumas das regiões mais pobres da África. Esta descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de controle, baseadas na modificação da informação do RNA mensageiro que a parasita usa para reprogramar a hospedeira”, afirma Julie Scholes, professora da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, que não participou do estudo. “O RNA mensageiro pode ser o calcanhar de Aquiles dos parasitas”, afirma Westwood, que aposta em diversos usos possíveis para sua descoberta.

Fonte: [ Planeta Sustentável ]

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O valor do alimento que é jogado fora

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por Julio Zanella

As pessoas costumam jogar no lixo cascas de frutas e folhas e talos de hortaliças, que muitas vezes contêm nutrientes como vitamina C, carboidratos, proteínas e fibras em quantidades maiores do que as encontradas nas partes consumidas desses produtos

O valor nutricional de frutas e legumes não é nenhuma novidade. O que as pessoas não sabiam é que as cascas, folhas e talos de alguns desses alimentos possuem nutrientes como vitamina C, carboidratos, cálcio e fibras, muitas vezes em quantidades superiores às da própria polpa. Essa descoberta faz parte de uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Biociências (IB), campus de Botucatu, que avaliou o valor nutricional, em cada 100 gramas, de 20 espécies de frutas e hortaliças das mais consumidas pelos brasileiros.

O estudo integra o projeto Alimente-se Bem, promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) de São Paulo, que ensina donas-de-casa de comunidades carentes a preparar receitas baratas e nutritivas.

“Sempre soubemos que as cascas também contêm vitaminas e nutrientes, mas não conhecíamos a quantidade dessas substâncias”, comenta Tereza Watanabe, diretora de Alimentação do Sesi-SP, que solicitou a ajuda da UNESP para a realização do projeto.

“Por falta de conhecimento da população sobre o valor nutricional dos talos, folhas e cascas e como aproveitá-los nos pratos, eles acabam indo para o lixo, algo inadmissível em um país em que a desnutrição atinge cerca de 22 milhões de pessoas”, comenta Giuseppina Lima, docente do Departamento de Química e Bioquímica do IB e coordenadora da pesquisa.

Presença da vitamina C

A folha da couve-flor foi o produto que mais surpreendeu os pesquisadores. Embora geralmente não seja aproveitada no preparo de pratos, o estudo constatou que 100 g da folha contêm 122 mg de vitamina C, quantidade quatro vezes
maior do que no mesmo volume da polpa da laranja, por exemplo. A casca do mamão, por sua vez, registrou 52 mg. “Esses dois alimentos possuem níveis acima da dose diária de 45 mg da vitamina, recomendada pelos médicos”, aponta Giuseppina.

A vitamina C é um dos nutrientes mais importantes para o organismo. Sua carência pode levar a distúrbios neurológicos, dores musculares, perda de dentes e ao escorbuto, doença que provoca hemorragia nas gengivas. Outra função importante é a de neutralizar a ação dos radicais livres, moléculas associadas ao envelhecimento e à formação de tumores. Goiaba, acerola, morango, tomate, pimentão, manga, caju e limão também têm bons níveis da vitamina.

Já em 100 g de casca de laranja, os pesquisadores acharam 107 mg de fósforo, volume bem superior ao verificado na polpa da fruta (18 mg). Esse elemento químico é utilizado pelas células humanas para armazenar e transportar energia em forma de calorias. “O fósforo potencializa os efeitos de algumas vitaminas, especialmente as do complexo B, que ajudam a transformar os carboidratos, lipídios e proteínas em energia, fortalecendo os sistemas neurológico, dermatológico e gastrintestinal”, revela Giuseppina. No estudo, essa substância foi encontrada ainda na casca do mamão, no talo do espinafre, na folha e no talo da salsinha.

Na casca da laranja, também foi detectado cálcio na concentração de 362 mg. Outro destaque foram as folhas do salsão, com 66 mg dessa substância, que faz parte da constituição dos ossos, dentes e músculos. “É um mineral que controla a atividade hormonal, evita contraturas musculares e cãibras, além de auxiliar a transmissão de impulsos nervosos”, esclarece Suraya Rocha, que realizou, com esse estudo, a sua dissertação de mestrado no IB.

Níveis de carotenóides

Em quantidade de 68 mg, o cálcio também é encontrado na rama da cenoura, cuja polpa é rica em carotenóides (119 mg). Esses pigmentos, responsáveis pela cor dos alimentos, auxiliam o crescimento ósseo e estão relacionados à vitamina A, sendo antioxidantes associados à prevenção do câncer de pulmão, pele e estômago. São recomendados, ainda, em casos de doenças cardiovasculares, aids e processos ligados ao envelhecimento, como o mal de Alzheimer. As cascas de abóbora, goiaba e mamão são outros produtos que apresentam esses pigmentos. “Nos vegetais, os níveis de carotenóides aumentam à medida que eles amadurecem”, observa Suraya.

Na rama da cenoura, as análises identificaram teor de 25 mg de ferro, quantidade necessária para suplementação diária de homens e mulheres. A deficiência desse elemento, responsável pelo transporte do oxigênio na hemoglobina do sangue, costuma causar anemia. “Trata-se de um dos minerais mais importantes na absorção de substâncias fundamentais para a vida”, afirma Pedro Magalhães Padilha, que integrou o grupo do IB.

Outro produto rico em nutrientes é a casca de limão, que possui 3 g de proteínas a cada 100 g, o maior volume entre as frutas estudadas. “Compostas por vários aminoácidos que ajudam a formação de novas proteínas, elas são ligadas ao bom funcionamento do sistema de defesa, que combate bactérias e vírus”, aponta Padilha.

As cascas de limão também se mostraram as mais ricas em fibras, com 6,7 g. O baixo consumo de fibras pode originar problemas que vão de prisão de ventre a câncer de cólon. Seu consumo reduz os índices de glicemia e colesterol no sangue, o que previne as doenças do coração. Componentes de muitas frutas, hortaliças e cereais, as fibras são encontradas ainda nas cascas de laranja
(6,4 g) e maracujá (5,2 g). “Os indivíduos adultos devem ingerir de 30 g a 35 g de fibras por dia”, alerta Giuseppina.

Dieta mais saudável

O estudo demonstra que as camadas externas de várias frutas são ricas em carboidratos, que fornecem energia às células, fortalecem a parede celular e servem de reserva energética. As cascas do abacaxi (4 g), da maçã (4,7 g) e da laranja (12 g) podem ser aproveitadas em várias receitas de bolos e sobremesas. De qualquer forma, a polpa da banana superou todos os demais produtos analisados, com 14 g de carboidratos. Um grama de carboidrato possui 3,7 calorias – valor utilizado para medir o valor energético dos alimentos.

Outro componente importante das cascas de algumas frutas são os lipídios, encontrados principalmente no limão (0,9 g), na laranja (0,7 g) e na maçã (0,7 g). “Cada grama dessas moléculas de gordura possui 9 calorias de energia”, destaca Giuseppina. “Eles fazem parte da membrana celular e exercem no organismo um importante papel de transportar elétrons, hormônios e vitaminas A, D, E e K.” A pesquisadora ressalta que é recomendável o consumo de 80 g de lipídios por dia.

Um dos nutrientes mais importantes para a formação dos dentes e ossos nas crianças, o potássio foi encontrado (2,3 mg) nas folhas do salsão. A substância também aparece em quantidades expressivas na rama da cenoura (1,1 mg), na casca do limão (1,9 mg) e no talo do espinafre (1,0 mg). A casca de banana tem o dobro de potássio, 0,9 g, em relação ao encontrado na polpa da fruta, com 0,4 g. A carência de potássio causa fraqueza, desorientação mental e fadiga muscular.

Segundo Giuseppina, os próximos passos da pesquisa serão ampliar o número de espécies vegetais analisadas e comparar os valores nutricionais com as formas de cultivo e armazenamento dos alimentos. “Vamos continuar a estudar partes geralmente descartadas dos vegetais, para proporcionar à população uma dieta mais saudável; afinal de contas, uma alimentação balanceada é o primeiro passo para uma vida saudável”, argumenta.

Fonte: [ UNESP ]

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