Casca de café substitui carvão vegetal

Cascas de café podem virar briquetes para substituir carvão vegetal

Cascas de café podem virar briquetes para substituir carvão vegetal

Segundo estudo publicado nesta semana [2008] pelo site da Universidade de Brasília (UnB), a casca do café pode ser uma excelente opção para substituir o carvão vegetal. Este subproduto do café tem alto potencial energético e é muito mais barato do que a madeira, o que o faz um aliado contra o desmatamento. Além disso, o uso do material diminui a poluição causada pela alta quantidade deste tipo de resíduos deixados na natureza.

[20 de julho de 2008] Na safra de 2004/2005, o Brasil produziu 33 milhões de sacas de café, o equivalente a dois milhões de toneladas do produto. Desse total, que garante ao Brasil liderança absoluta na produção do grão, praticamente a metade, ou cerca de 1 milhão de toneladas, era composta por resíduos da casca do café, atualmente de baixo uso comercial. Esse subproduto, no entanto, pode ser usado como fonte de energia na indústria, diminuindo custos das empresas, reduzindo a poluição ambiental e agregando valor ao que normalmente vai para o lixo.

Segundo estudo do professor do Departamento de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (UnB), o agrônomo Luiz Vicente Gentil, a casca tem um potencial energético próximo ao da madeira. Experimentos permitiram identificar que a queima de cada quilo do material seco, com 0% de umidade, gera 3.933 quilocalorias, número considerado excelente pelo pesquisador se comparado à lenha, principal fonte usada pelas empresas, que produzem, 4.932 quilocalorias.

A constatação pode resultar em uma opção mais barata e ecologicamente correta para empresas que usam madeira na geração de energia. Dados de 2005 apontam que, naquele ano, a lenha respondia por 14,17% da matriz energética brasileira. Suprir parcelas desse mercado significa cortar menos árvores e contribuir para a redução do desmatamento.

“A própria indústria de café pode consumir a casca in natura nas fornalhas que secam o grão”, afirma o agrônomo.

Valor Agregado

Hoje, o resíduo tem uma aplicação bem menos rentável. A principal utilização se limita à forragem do solo das plantações de café, como meio de manter a umidade da terra e evitar o crescimento de capim. A segunda opção ocorre nas granjas, no pátio onde ficam as galinhas, com a função de absorver fezes e urina dos animais, a fim de evitar a proliferação de doenças.

No entanto, a casca pode também ser prensada, transformando-se em cilindros chamados briquetes, e assim ser queimada em fornalhas. Existem no Brasil 60 empresas de briquetagem, que produzem os cilindros principalmente a partir de resíduos de madeira. Nesse processo, qualquer tipo de material orgânico pode ser prensado no formato de pequenos cilindros, como forma de substituir a lenha em indústrias de oleaginosas, cerâmica ou outras que utilizem fornos para alimentar caldeiras ou para secagem.

Uma tonelada de briquete feito com casca de café seria uma alternativa a mais no mercado, que atualmente comercializa uma tonelada de briquete de serragem e restos de madeira por valores entre R$ 350 e R$ 400.

Segundo o professor Luiz Vicente Gentil, produz-se anualmente no País 620 mil toneladas de briquetes de madeira, o que correspondende a 190 milhões de reais. Porém, o estudo ainda não tem a estimativa de produção de briquetagem da casca do café.

Apesar disso, o agrônomo afirmou que se fosse aproveitada a carga anual de resíduos de café, o fornecimento de briquetes deste material seria de 300 milhões de toneladas por ano.

Gentil informou que grandes empresas em Minas Gerais já estão utilizando o processo de briquetagem a partir do café.

Sustentabilidade

Segundo Gentil, o uso do material reúne uma série de benefícios. Em primeiro lugar, ajuda a “limpar” o meio ambiente, já que reduz a quantidade de subprodutos deixados na natureza. Em segundo, contribui para a minimização do desmatamento de áreas nativas, pois substitui a madeira. Por fim, ao mesmo tempo em que constitui uma fonte energética de custo zero, pode gerar renda aos produtores de café.

Já Ailton do Vale, professor e pesquisador da área de energia de biomassa da UnB, afirma que, ao contrário dos derivados de petróleo, os combustíveis renováveis a partir de biomassa, como é o caso da casca de café, seqüestram o carbono emitido na queima para realização da fotossíntese.

Viabilidade

Apesar de todas as vantagens levantadas pelo estudo, Luiz Vicente Gentil admitiu que a utilização desse material em todos os cantos do País pode ser dificultada devido ao alto custo do transporte. “A idéia de transportá-lo poderia inviabilizar o negócio das empresas. A alternativa seria briquetar junto da agroindústria, assim que a colheita fosse realizada”, explicou.

Fonte: [ Terra ]

Carvão de café

+ infos: [ UNICAMP – Processamento de cascade café rende aplicações ]

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1 comentário

Arquivado em Biocombustíveis, Curiosidades, Meio Ambiente

Uma resposta para “Casca de café substitui carvão vegetal

  1. EXCELENTE artigo. Gostei muito!

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