Como utilizar enraizadores e auxinas

feijao

Quem nunca fez aquele experimento de plantar feijão em chumaços de algodão? Ver de perto o nascimento de uma plantinha desde o brotamento, acompanhando o crescimento das folhas…

É mais ou menos, talvez mal comparando, a expectativa dos pais em relação aos filhos. Esperamos que elas, as plantas, se tornem saudáveis e fortes, cuidando de sua alimentação, podas e banhos de sol.

Da mesma forma que nós possuímos hormônios de crescimento, as plantas desenvolvem seus próprios hormônios que aceleram ou inibem o seu desenvolvimento. Estes são produzidas numa parte do organismo vegetal e transportadas para outra, onde promoverão algum efeito especial.

Uma distinção pode ser feita entre os termos hormônio vegetal e reguladores de crescimento.

O hormônio vegetal é uma substância natural produzida pela própria planta.

Já os reguladores de crescimento ou reguladores vegetais, em suas formas natural ou sintética, quando aplicados em plantas influenciam no seu crescimento e desenvolvimento.

Hormônios sintetizados quimicamente, provocam reações similares àquelas causadas pelos naturais.

Os cinco grupos de hormônios naturais de plantas conhecidos são: auxinas (AIA, IBA, ANA,) giberelinas (GAs em várias formas), citocininas (Zeatina, Cinetina, 6-BA), etileno (Etephon) e ácido abscísico (ABA).

:: Auxinas

A maioria das plantas começa a se desenvolver respeitando ciclos (podemos notar pelo espaçamento entre os nós de seu caule), por sua capacidade de absorção de água e pela produção de auxinas, através de seu sistema meristemático.

As células meristemáticas são dotadas de um alto poder proliferativo, isto é, reproduzem-se rápida e intensamente, promovendo o crescimento da planta.

À medida que a célula meristemática passa por um processo de diferenciação e se “especializa” numa determinada função, perde parcial ou totalmente a capacidade proliferativa. Podemos encontrar dois tipos de meristemas:

Meristemas primários – localizam-se nas extremidades (também chamado de ápice) e ao longo do caule, definindo, respectivamente, as gemas apicais e laterais. Na raiz acham-se presentes na região subapical (pontas das raízes), onde são envolvidos pela coifa, uma estrutura resistente que lhes confere proteção contra o atrito com o solo e contra o ataque microbiano. Ainda podemos localizar nas extremidades das folhas e embriões de sementes.

Meristemas secundários – estes promovem o crescimento em diâmetro da planta, isto é, são responsáveis pelo alargamento vegetal de troncos e caules. Apenas as gimnospermas, como pinheiros e sequóias, e certas angiospermas dicotiledôneas, como o ipê e o flamboyant, apresentam meristemas secundários.

Sabe-se que as auxinas podem agir como indutores ou inibidores do crescimento, dependendo de sua concentração num determinado órgão.

Podemos verificar que:

  • Concentrações abaixo de um determinado ponto mínimo são insuficientes para promover o crescimento;

  • Já concentrações acima de um determinado ponto máximo inibem totalmente o crescimento;

  • Entre os pontos mínimos e máximos de uma espécie existe sempre uma concentração ótima, com o qual o crescimento é mais rápido.

As raízes são, geralmente, muito mais sensíveis à ação das auxinas do que os caules. Isso significa que a faixa exigida pelas raízes está aquém da faixa exigida pelos caules.

Se aplicarmos auxina às raízes de uma planta crescendo normalmente algo interessante acontecerá: em geral o crescimento destas será retardado; todavia, se removermos as extremidades da raiz, eliminando assim o seu suprimento próprio de auxina, então o crescimento deverá acelerar.

Como as concentrações de auxina no caule e na raiz são aproximadamente as mesmas, concluímos que a raiz é mais sensível à auxina do que ao caule.

Veja o gráfico abaixo:

gráfico dos níveis de AIA

:: Giberelinas

Por volta de 1890, alguns agricultores japoneses observaram que estavam surgindo, em seus arrozais, plantinhas de arroz extraordinariamente alongadas. Observam tais plantinhas meticulosamente.

Qualquer lavrador perpicaz sabe que uma planta bem desenvolvida pode ser valiosa como matriz para reprodução.

Todavia aquelas plantinhas nunca chegavam à maturidade e só raramente floresciam. Essa ”doença” foi chamada de doença de ”plantinhas loucas” ou bakanae.

Em 1926, um botânico descobriu que essas plantinhas estavam todas infectadas com o fungo Gibberella fujikuroi. Quando este fungo era transferido de uma plantinha infectada para outra sadia, esta passava a exibir a doença.

Os japoneses descobriram também que, quando o fungo era cultivado num frasco, em meio artificial, neste acumulava-se uma certa substância. Quando esta substância era inoculada numa planta sadia, esta desenvolvia sintomas de crescimento excessivo, típicos da doença da ”plantinha louca”. A substância foi chamada giberelina, em razão do nome do fungo que produz.

Por volta de 1930, fisiologistas e químicos japoneses, trabalhando em colaboração, isolaram diversas substâncias do meio de cultura de Gibberella. Algumas inibiam o crescimento vegetal, outras favoreciam-no.

A Segunda Guerra Mundial interrompeu o prosseguimento das pesquisas e a notável história da Giberelina permaneceu desconhecida do mundo ocidental até por volta de 1950.

Em 1955, cientistas britânicos já tinham confirmado a observação japonesa original e, além disso, isolaram uma substância a que chamaram ácido giberélico, que diferia ligeiramente da isolada pelos japoneses.

O ácido giberélico produz enorme alongamento caulinar. Em certos casos, também reduz a área foliar. Seu efeito mais impressionante é a imediata estimulação da floração em plantas de ”dia longo”.

Qualquer substância química que promova a floração de um vegetal é potencialmente importante na agricultura.

Atualmente, o uso agrícola mais importante da giberelina é na viticultura. Quando a giberelina é aplicada nos cachos da uva sem sementes, os frutos aumentam de tamanho e de número.

A giberelina é também útil no cultivo do aipo. Produz plantas grandes e suculentas num tempo relativamente curto.

Pode, também, ser usada para estimular a germinação de sementes e o crescimento de plantinhas de gramíneas, inclusive da cevada usada como fonte de malte na indústria de cerveja.

Seu potencial de emprego na agricultura é muito grande e somente agora começa a ser explorado. Contudo nem todas as plantas correspondem à giberelina. Se aplicarmos giberelina em ervilhas anãs e altas ou em milho anão e alto, as variedades anãs tornar-se-ão altas, mas as normalmente altas exibirão pequena ou nenhuma alteração.

Uma hipótese plausível é que o nanismo é causado pela incapacidade da planta de produzir giberelina suficiente para permitir o seu crescimento até o tamanho alto.

Sabemos que o estado anão, que pode ser causado por um único gene, é transmitido de pai a filho. Sabemos, também, que plantas anãs, embora possam atingir tamanho alto por tratamento com giberelina, não obstante produzem descendentes anãs.

Não importa quanta giberelina seja fornecida ou quantas gerações de uma planta anã sejam tratadas; não mudaremos o gene que produz o nanismo. Seria lógico pensar que as plantas altas sejam mais ricas em giberelinas do que as anãs. Mas, ao que tudo indica, não são.

Tudo o que sabemos é que substâncias do tipo das giberelinas existem nas plantas.

Até agora foram isoladas 11 diferentes giberelinas, de fungos e de plantinhas de vários tipos. A maneira exata de como a giberelina trabalha bioquimicamente é ainda um enigma. Possivelmente, estimula a produção de determinadas enzimas.

Sabemos que o ácido giberélico estimula o aparecimento da enzima que dirige o amido, amilase, no endosperma de grãos de cevada. Ele inicia, também, a produção de auxina nos ápices caulinares.

:: Citocinas

Além das auxinas e das giberelinas, há outros promotores do crescimento de células vegetais. O leite de coco, que é parte do endosperma da semente, estimula o crescimento de muitas plantas. Dentre os materiais que este leite contém, há auxinas, aminoácidos e insitol (um álcool).

Outro material promotor de crescimento é a cinetina, uma substância sintética. Quando aplicada em certas células vegetais, como as de determinados calos ou raízes crescidos em cultura de tecidos, essa substância atua junto com a auxina e produz um enorme aumento das divisões celulares.

A auxina sozinha produz unicamente tumefação e aumento das células existentes, enquanto que a cinetina estimula a divisão celular (mitose) e a formação de gema.

A cinetina produz diversos outros efeitos interessantes. Folhas que tenham sido removidas de uma planta tendem a amarelecer e morrer rapidamente; porém, quando supridas com cinetina, sobrevivem por tempo muito maior.

Se a cinetina for aplicada numa pequena área de uma folha recém-cortada, somente esta região permanecerá verde. Se suprirem materiais nutrientes numa outra área da folha, eles serão transportados para o sítio de aplicação da cinetina e aí acumular-se-ão.

:: O que se sabe?

Foram descobertas recentemente substâncias análogas à cinetina, que ocorrem, naturalmente, em certos tecidos vegetais. Estas substâncias, referidas como citocininas, constituem, provavelmente, um novo grupo de hormônios vegetais.

Além das substâncias que aceleram o crescimento, os tecidos vegetais podem conter outras, que o retardam ou o impedem.

Por exemplo, muitas sementes não germinarão se forem colocadas sobre papel-filtro umedecido, numa placa de Petri, a temperatura ambiente. Porém germinarão se forem colocadas em água corrente de uma torneira.

A água corrente remove substâncias que impedem a germinação. Isso pode ser importante para sementes de plantas que vivem em zonas áridas.

No deserto, se cair uma chuva ligeira, tais sementes não germinarão. Isto é oportuno, pois a germinação produziria uma plantinha delicada que morreria na ausência de mais umidade.

Durante uma chuva pesada, todavia o inibidor é lavado da semente, a germinação ocorre prontamente e a planta pode sobreviver em virtude da abundância de água no solo que circunda a raiz da plantinha recém-nascida.

Os inibidores que controlam a dormência de sementes e gemas podem, também, ser removidos por tratamento térmico. Admite-se, agora, que as substâncias inibidoras são produzidas durante a estação de crescimento e se acumulam na gema, determinando a sua dormência.

Quando inverno se estabelece, as baixas temperaturas começam gradualmente a destruir o inibidor. Na primavera, após um período frio suficientemente longo, as gemas estão livres do inibidor e podem crescer.

Portanto, de certo modo, não é o aparecimento da primavera que estimula o crescimento da gema, mas sua fase durante o inverno.

O valor desse mecanismo para a sobrevivência é obvio. Se logo no início da primavera ocorrerem alguns dias quentes, uma gema desprotegida poderá iniciar o desenvolvimento e morrer por um retorno de tempo frio.

Todavia, se a gema for mantida em dormência pelo inibidor, não se desenvolverá até uma ocasião ”segura” da estação quando um número suficiente de dias frios terá garantido a completa destruição do inibidor. Tais gemas e sementes possuem um ”relógio químico”, o inibidor, que só parará quando este tiver sido destruído.

As pesquisas sobre reguladores químicos do crescimento e desenvolvimento vegetais freqüentemente são causa de surpresas.

Por exemplo, alguns pesquisadores ingleses foram capazes de isolar em gemas dormentes de faia, uma substância que acreditaram ser responsável pelo início da dormência. Chamaram esta substância de dormina.

Na mesma época, outros pesquisadores, na Califórnia, estavam investigando uma substância produzida por algodoeiros que causa a queda das folhas (abscisão) no fim da estação. Eles, também, tiveram êxito em isolar um material cristalino puro, a que chamaram abscisina.

Essas descobertas foram feitas independente e praticamente ao mesmo tempo. Imagine a surpresa dos dois grupos de pesquisadores quando verificaram que ambos haviam descoberto a mesma substância! Abscisina e dormina, obtidas, de plantas diferentes no estudo de processos diferentes, têm exatamente a mesma constituição química!

Quando as fórmulas estruturais dessas duas substâncias idênticas forma publicadas os bioquímicos observaram que pareciam ser compostas de unidades isoprenóides (cadeia ramificada de unidades de 5 carbonos contendo uma dupla ligação) e que, portanto tinham alguma relação estrutural com as giberelinas, que são construídas de maneira semelhante.

Como as giberelinas normalmente promovem o crescimento, enquanto que dormina-abscisina o inibem, surge naturalmente a questão: ”O crescimento é controlado pela relação de giberelina com dormina-abscisina?” A resposta parece ser ”sim”, pois a aplicação de abscisina parece inibir a ativação da amilase no endosperma de cevada causada por giberelina.

Também enquanto a giberelina promove a floração em plantas de dia longo, mesmo as mantidas em dias curtos, a abscisina impede tal fenômeno, ainda quando as plantas sejam estimuladas adequadamente por fotoperíodos corretos. Assim, um único tipo de substância, construídos por unidades isoprenóides, parece controlar processos tão diferentes como a dormência de gemas, queda de folhas, ativação enzimática durante a germinação e floração.

:: Dominância apical

É o fenômeno em que as gemas laterais têm o seu desenvolvimento inibido por um acúmulo do AIA produzido nas extremidades. Retirando-se as gemas apicais do caule (poda de ramos com folhas e “pontas”) cessa a produção de AIA e as gemas laterais, agora sem o excesso inibidor, “despertam” e brotam, formando ramos, folhas ou flores.

A poda é muito utilizada no cultivo de plantas diversas; numa laranjeira, por exemplo, a formação de novos ramos contribui para a formação de mais flores e conseqüentemente, mais frutos. É ainda utilizada na topiaria e no cultivo de bonsais, para determinar o aparecimento de galhos formados a partir de gemas localizadas abaixo dos pontos de corte.

Digitalizar0002

:: Movimentos vegetais

Algumas plantas possuem movimentos facilmente perceptíveis, onde parecem seguir o Sol, ou ainda fechando-se ao serem tocadas, como é o caso das mimosas (também conhecidas como dormideiras ou sensitivas). Entretanto, normalmente encontra-se nos vegetais um movimento bem mais lento, quase imperceptível.

Sabe-se que as auxinas são oxidadas pela luz solar. Isto significa que o lado exposto de uma planta à luz terá sua concentração de auxinas reduzida.

Já o lado que está na sombra permanece com seu nível de auxina em concentrações maiores, promovendo, junto com outros hormônios vegetais, uma proliferação das células daquele lado.

Concluímos que devemos sempre, ao cultivar plantas em vasos, girar o vaso da planta para que todas as partes dela recebam luz solar, caso desejemos que as plantas cresçam uniformemente.

Os vegetais apresentam movimentos chamados tropismos, tactismos e nastismos.

1) Tropismo: são os movimentos de curvatura orientados em relação a um excitante externo, positivos ou negativos.

São positivos quando a curvatura ocorre na direção do excitante (ex.: luz do Sol); são negativos quando a curvatura afasta a planta do excitante.

Existe um problema do tropismo, não resolvido pela ciência, que seria como uma planta detecta os estímulos luminosos e gravitacionais. O espectro de ação do fototropismo indica que somente a luz azul e parte do ultravioleta promovem a curvatura. Algum pigmento amarelo, possivelmente relacionado com o caroteno ou com a riboflavina (vitamina B2), poderia estar envolvido na recepção da luz.

O mecanismo da sensação gravitacional parece envolver estatolitos. São partículas pequenas existentes na célula que caem de uma parede a outra, à medida que a célula se inclina.

Existem mais mistérios em uma planta do que a vã miopia da ciência pode perceber.

Os tropismos podem se apresentar em dois tipos característicos:

1.1 – Fototropismo – o lado exposto ao sol, neste caso, apresenta oxidação das auxinas, inibindo o crescimento e duplicação da células. Já no lado onde se percebe a sombra (ausência de luz ou reduzida) o crescimento e duplicação (meiose) acontece, promovendo uma dilatação e conseqüentemente uma perceptível curvatura no local mencionado.

1.2 – Geotropismo – é o tropismo provocado pela ação da gravidade. Os caules crescem num sentido contrário ao da força da gravidade; assim, apresentam geotropismo negativo. Já as raízes crescem no mesmo sentido da força da gravidade; logo, apresentam geotropismo positivo. Ex.: um caule disposto horizontalmente ao longo do solo depois de algum tempo acumula mais auxina na face inferior do que na superior. Isto resulta num crescimento acelerado da face inferior e, como conseqüência, numa curvatura para cima, colocando, o órgão perpendicularmente ao solo.

2) Tactismos: é o movimento das algas (ex.: euglenas) em direção ao Sol.

3) Nastismos: Já os nastismos são apresentados sempre dependendo da direção ou da origem do estímulo. Um exemplo do nastismo é o seismonastismo, movimento observado nas mimosas. Quando a planta é tocada, seus folíolos perdem rapidamente a água do lado superior – que se desloca para os ramos – e dobram-se para cima.

Isto evidencia que a natureza possui seus mecanismos de defesa, totalmente funcionais e adaptáveis. Quando uma animal passa perto desta planta, ao perceber o risco de perda de água, ela “esconde” em suas reservas, exatamente por perceber que poderá perder um de seus galhos com a passagem do animal.

:: Aplicações do conhecimento

Embora não saibamos exatamente como as auxinas atuam, podemos empregá-las na agricultura. Quer um exemplo? A batata é um caule modificado, um tubérculo caulinar, cujos ”olhos” são gemas.

Quando removida do solo, a batata está dormente, mas, depois de alguns meses de armazenamentos, suas gemas começam a brotar. Se adicionarmos auxinas sintéticas a essas batatas, as gemas permanecerão dormentes por períodos muito longos. Isto tem permitido o armazenamento de batatas por três anos, ao invés de um ano só.

As auxinas também são importantes na regulação da queda de folhas e frutos das plantas.

A lâmina foliar (limbo) é presa ao caule por um pecíolo. Este persiste ao longo da estação de crescimento, depois do que, cai. Enquanto o limbo produz quantidades adequadas de auxina, o pecíolo permanece firmemente ligado ao caule. Quando esta produção atinge níveis muito baixos, o pecíolo enfraquece e a folha cai da planta.

Este conhecimento tem tido boa aplicação na agricultura. Assim, se queremos que uma laranjeira ou macieira mantenha suas folhas e frutos por período mais longo do que o normal, é suficiente que pulverizemos a planta com uma solução diluída de uma das auxinas.

Este simples processo tem enviado enormes prejuízos aos fruticultores, por impedir que os frutos caiam das arvores antes que estejam em condições de serem colhidos. Este processo pode, também, ser invertido, pulverizando-se a planta com substâncias que interfiram na ação das auxinas. Isto fará com que as folhas ou frutos caiam prematuramente.

A colheita mecânica do algodão tem sido bastante ajudada por esse processo. O rendimento da colheita é maior quando as plantas têm poucas folhas. No caso de haver muitas folhas “antiauxinas” podem ser pulverizadas sobre o algodoal, alguns dias antes da colheita. Isto é seguido, geralmente dentro de 48 horas, por uma queda maciça de folhas. A máquina pode, então, trabalhar facilmente, colhendo as cápsulas sem muita interferência.

A floração dos abacaxizeiros pode ser induzida pela aplicação de uma auxina sintética (ácido µ – naftalenoacético). A vantagem disso na cultura do abacaxi é óbvia. As plantas podem desenvolver-se num tamanho uniforme e o ácido naftalenoacético pode ser aplicado em qualquer época. Os frutos se desenvolvem uniformemente, possibilitando o emprego dos métodos maciços de colheita.

A floração de lichia e de muitas outras plantas também pode ser controlada pelo uso de pulverização de auxinas.

Podemos também aplicar a auxina no pistilo de uma flor para induzir, artificialmente, o desenvolvimento de frutos partenocárpios. O que é isso? Normalmente os frutos se formam como resultado da polinização e fecundação do ovário da flor. O ovário então desenvolve-se em fruto.

Todavia, se o pólen não atingir o pistilo, o desenvolvimento do ovário num fruto pode ser estimulado pela aplicação de quantidade relativamente grandes de substâncias tipo auxinas.

Podemos então pulverizar flores de tomate com ácido naftalenoacético ou tocá-lo, em mistura com lanolina, sobre estigma das flores dessa planta para produzir frutos bastante típicos, grandes, vermelhos, e saborosos, mas sem sementes.

Hoje em dia podemos constatar esta técnica na produção de limões sem sementes. Ninguém descobriu, até agora, uma forma de se obter o desenvolvimento de sementes sem fecundação normal.

:: Ex. de Aplicação

ÁCIDO 4-INDOL-3-ILBUTÍRICO (AIB)

O ácido indolbutírico é uma auxina sintética pouco solúvel que tem uma translocação fraca nos tecidos das plantas, tendo por isso uma ação muito localizada. Estimula a iniciação radicular e promove o enraizamento de estacas para propagação vegetativa.

Condições de Aplicação:

  1. Escolher material vegetativo são e cortar as estacas 2 a 6 meses antes da nova estação de crescimento, usando uma navalha afiada e limpa.
  2. Cortar estacas com 5 a 30 cm, dependendo da espécie e do tipo de estaca, retirando as folhas inferiores.
  3. Introduzir no pó a ponta da estaca, depois de umedecida, até cerca de 1 cm, sacudindo o excesso de produto.
  4. Plantar, segundo técnica apropriada.
  5. Efetuar a plantação das estacas num meio de enraizamento adequado à espécie (areia, turfa, perlite).
  6. Procurar manter constante a humidade e a temperatura, evitando a incidência direta de luz solar.

Observações Complementares:

O ácido indolbutírico é um produto muito persistente, que não se transloca na planta, ficando a sua acção confinada aos tecidos onde foi aplicado.

:: Uso de Inibidores

Dissemos que altas concentrações de auxina retardam ou param o crescimento de certos tipos de células.

É verdade também, que algumas das auxinas sintéticas (como o ácido 2,4-Diclorofenoxiacético, cuja abreviatura é 2,4D) matam certas plantas e não outras.

O 2,4D mata dicotiledôneas, em geral plantas de folhas largas , e não monocotiledôneas, geralmente as folhas estreitas.

Portanto, num campo infestado por dentes de leão, o 2,4D os mata, deixando intactas as gramíneas.

Analogamente, quando o 2,4D é pulverizado num milharal infestado por ervas daninhas de folhas largas (como ipoméias, por exemplo), estas são destruídas e o milho permanece intacto.

Podemos discutir a síntese de inibidores artificiais do crescimento das plantas em laboratório e o uso desses inibidores no controle de ervas daninhas e outras plantas.

Outros inibidores interessantes (como o Amo – 1618 e o CCC ) têm sido usados recentemente como ”antigiberelinas”. Quando aplicadas em crisântemos, estas substâncias causam inibição do alongamento caulinar sem muito efeito sobre o tamanho da folha e de suas flores. Assim é possível cultivar plantas de crisântemo de tamanho total muito pequeno, entretanto bastante floridas.

Existem substâncias que atuam como veneno para a fotossíntese. Podem ser usadas para clarear uma área, como o leito de ferrovia, de toda a vegetação verde, sem causar danos a animais e ao homem inclusive.

:: Controle x Natureza

O uso agrícola indiscriminado de produtos químicos no controle de ervas daninhas, fungos e insetos traz problemas difíceis para o agricultor.

Algumas dessas substâncias são bastante venenosas. Quando se acumulam no solo ou nas plantas, podem causar doenças nos animais que comem vegetais.

Portanto é importante que testemos cuidadosamente todos os novos produtos químicos antes de pulverizá-los em toneladas sobre os campos.

A substância ideal deveria ser tóxica somente a um organismo indesejável e passível de degradar-se rapidamente pelas bactérias do solo, de sorte a impedir que sejam atingidos níveis perigosos como resultado de uso repetido.

Mesmo um inseticida, fungicida ou herbicida bem idealizado pode produzir efeitos colaterais desastrosos, tornando o seu uso desaconselhável.

Por exemplo, se exterminarmos radicalmente insetos, mataremos de fome muitos pássaros que nos dão alegria e benefícios econômicos. Em nossa tentativa de matar mosquitos, podemos, também, dizimar a população de abelhas que polinizam árvores frutíferas de interesse comercial.

Se exterminarmos impiedosamente certas ervas daninhas, poderemos causar a ruína da população bacteriana do solo, de que depende a manutenção de sua boa estrutura granular e fertilidade.

O crescimento da população da Terra e nossa dependência crescente da agricultura intensa de alto rendimento é a desculpa para a necessidade o uso de agentes químicos para combater animais e vegetais indesejados nos cultivos.

Devemos, pois, nos precaver e esperar um aumento no emprego de tais substâncias, muitas das quais atingirão nosso organismos.

Devemos, ao mesmo tempo, salvaguardar nossa saúde através da cooperação governamental e industrial adequada, no sentido de só serem usados produtos bem experimentados e seguros.

Anderson Porto
http://www.TudoSobrePlantas.com.br

___
Fonte:

  1. Compilação pessoal de informações.
  2. http://cadernodecienciasebiologia.blogspot.com.br/2013/02/experiencia-do-feijao.html
  3. http://fisiologiavegetal.webnode.com.br/movimentos-vegetais/
  4. portal www.TudoSobrePlantas.com.br 
Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Artigos, Cultivo, Estudos, Técnicas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s