Impactos da pandemia do novo coronavírus na conservação da biodiversidade

Estudo publicado na revista Biological conservation aponta os impactos e as perspectivas do futuro da conservação das formas de vida pós-COVID-19.

Cientistas renomados da área da conservação biológica, editores da revista Biological conservation se reuniram para tentar apontar os impactos do novo coronavírus na biodiversidade. O resultado foi um artigo intitulado “Impacts of the coronavirus pandemic on biodiversity conservation” publicado hoje na revista já citada. O artigo é de autoria de Richard T. Corlett, e colaboradores do mundo todo. Entre estes, Richard B. Primack, Bea Maas, Rafael Loyola e Anna Pidgeon e está disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S000632072030495X?via%3Dihub .

O blog Tudo Sobre Plantas traz até vocês uma versão traduzida do artigo em tradução livre.

O artigo conta que, a primeira grande influência da pandemia na ciência da biologia da conservação está relacionada ao ensino. Aulas e cursos de biologia da conservação são agora transmitidas pela internet, mas como essa é uma ciência aplicada, como a medicina por exemplo, os alunos e pesquisadores futuros terão um déficit de aprendizagem do conteúdo. As consequências vão depender do tempo que o confinamento persistir e o quanto as atividades praticas podem ser adiadas. A formação também vem sendo comprometida, provas e entregas de diplomas estão sendo adiados, assim como entrevistas de emprego e editais de projetos de pesquisa e parcerias desfeitas. Até mesmo as oportunidades de voluntariado em fundações e ONG’s de conservação surgiam como locais de aprendizado, mas que não oferecem mais essa opção. Tudo isso pode causar a perda de profissionais e novos interessados para áreas mais atrativas ou que pagam melhor. Por outro lado, os cientistas contam também que essa situação pode atrair os jovens interessados que entendem da relação entre conservação do meio ambiente e saúde.

O segundo impacto está ligado a manutenção das pesquisas que vinham acontecendo. Idas à campos de pesquisa foram canceladas e laboratórios fechados. Viagens para congressos e consolidação de parcerias se tornaram impossíveis. Perder pesquisas é também perder as oportunidades de identificar as prioridades da conservação, monitorar o estado das espécies ameaçadas e prover soluções para proteção e uso sustentável dos recursos naturais.

A iminente recessão mundial também diminuirá a verba destinada à pesquisas direcionadas para a conservação da biodiversidade. Essa área da ciência provavelmente não estará em primeiro plano nos projetos para reerguer as economias. Os cientistas ambientais têm que atuar para convencer do porque essa área necessita de investimentos.

Congressos e eventos científicos a médio prazo foram cancelados. O contato de forma remota pode até servir para eventos menores, mas os grandes congressos, grandes encontros que aconteciam com milhares de cientistas para trocar ideias e experiências não tem como acontecerem por internet, com perdas mais significantes para estudantes e jovens pesquisadores. Entretanto, de certa forma, a crise criou a necessidade e oportunidade para os cientistas conversarem mais entre si. Reuniões governamentais globais também, importantíssimas para criar diretrizes para os governos, estão ameaçadas de não acontecerem

É difícil apontar como as formas de vida estão sobrevivendo durante a pandemia, mas estudos prévios apontam que instituições como parques e guardas-florestais continuam trabalhando em prol da conservação. Somado a isso, tem acontecido uma redução da pressão humana sobre as espécies selvagens. Espécies estão sendo revistas em zonas rurais e urbanas que não eram vistas a muitos anos à medida que o tráfego humano diminui. Imagens de satélite mostram a diminuição de emissões de gases do efeito estufa em áreas afetadas pela covid-19.

Concentrações de dióxido de nitrogênio no leste da China de 1 a 20 de janeiro de 2020 (antes da quarentena do COVID-19) e de 10 a 25 de fevereiro (durante a quarentena). Dados coletados por
Tropospheric Monitoring Instrument (TROPOMI) em ESA’s Sentinel-5 satellite. NASA Earth Observatory images by Joshua Stevens, using modified Copernicus Sentinel 5P data processed by the European Space Agency.

Este ano provavelmente vai ser um ano de diminuição das emissões de gases tóxicos na atmosfera.

Se por um lado, os índices de qualidade ambiental tendem a aumentar em curto prazo, as ONG’s e instituições que promovem a conservação tendem a terem seus recursos rareados. Entretanto, essas mesmas entidades podem ganhar novos aliados. Especialistas em infecções tem alertado há décadas do aumento de doenças infecciosas. Os argumentos destes podem servir como incentivo para estabelecimento de regulamentações mais fortes para a preservação do meio ambiente. De qualquer forma, esse evento de escala mundial pode trazer novas oportunidades para a pesquisa na biologia da conservação, a depender de como a pandemia se desenvolverá e variará entre os locais.

Para concluir, é muito cedo para prever o real impacto do novo coronavírus na biodiversidade, mas alguns efeitos já podem ser estimados: as áreas protegidas parecem seguras e, em muitos lugares, a biodiversidade está se beneficiando da redução das atividades humanas, mas se pode generalizar. O treinamento e aprendizado dos novos cientistas está comprometido e as instituições de pesquisa devem se preocupar com isso.

Os cientistas terminam contando que finalmente, embora nos concentremos aqui na conservação, esta é antes de mais uma tragédia humana, interrompendo vidas e matando muitas pessoas. As prioridades da sociedade devem ser a saúde humana e a contenção da pandemia, mas também precisamos pensar no futuro para a retomada das práticas e educação de conservação. Existe aqui uma oportunidade para lembrar as pessoas das ligações entre ecossistemas saudáveis ​​e resilientes e o bem-estar humano.

Apostila do Curso Hortas em Pequenos Espaços

Para que todos possam acessar e avaliar o material introdutório do curso Hortas em Pequenos Espaços, estamos colocando disponível para download, gratuitamente, a apostila do curso.

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Bom cultivo!

A coisa mais rara no universo só existe na Terra

No pequeno recorte da imensidão do espaço que é conhecida por nós, o ser humano já encontrou muitas maravilhas: ciclones milenares, vulcões quilométricos, galáxias brilhantes, etc. Entretanto, não encontrou em nenhum outro lugar uma coisa que só existe aqui na Terra: a vida. A vida está presente apenas nesse pálido ponto azul que flutua na periferia de uma galáxia sem destaque especial em relação às outras.

Estando na superfície do planeta temos a impressão que ele é imenso e de fato é, visto em perspectiva da escala humana. Entretanto, na escala espacial não é bem assim. Essa imagem foi capturada por uma sonda espacial, a Voyager 1, cerca de 6 bilhões de quilômetros da Terra, enquanto passava por Saturno. Aquele pontinho azul brilhante é a Terra e nós e tudo que conhecemos existe e existiu ali.

O ser humano até agora não encontrou vida em mais nenhum lugar no universo. É nosso dever proteger as formas de vida pois somos totalmente dependentes dela.
Fotografia mostrando o planeta Terra a uma distância de 6 bilhões de quilômetros registrada pela sonda Voyager 1.
Créditos: NASA/JPL-Caltech

Mesmo sendo pequena, da perspectiva espacial, essa rocha voadora abriga as únicas formas de vida conhecidas pelo homem. Vivem aqui e somente aqui. Dividimos o mesmo planeta, as mesmas águas, a mesma terra e o mesmo ar com girassóis, tigres, bacilos, planárias, caracóis, enguias, galinhas, ipês, samambaias e todas as outras formas de vida. Entretanto, o homem vive com a impressão de ser superior a todos eles e de que as outras espécies existem apenas para serví-lo e, diante dessa prerrogativa, retira, explora e toma para si os recursos naturais disponíveis na terra não levando em consideração que outras espécies também dependem daquele recurso. Além do que, a maneira que esses recursos naturais são explorados causa muita degradação ambiental sendo essa a principal causa da extinção de espécies (e são as plantas, as mais vulneráveis) dos ambientes naturais.

A forma que exploramos a Terra destrói o habitat das outras formas de vida, compromete a sobrevivência dos peixes, baobás, cactos, lagartos, ornitorrincos, etc. mas, com que direito? Por quais motivos, razões ou circunstâncias devemos colocar as nossas necessidades a frente das outras? A nossa espécie não é mais importante do que as outras e somos totalmente dependentes delas para viver. Fora isso, sendo essas as únicas formas de vida conhecidas em todo o universo, devemos protegê-las, devemos cuidar delas, devemos garantir que as espécies terão uma oportunidade de sobreviver. Elas merecem isso.

Já gastamos bem mais do que a Terra consegue produzir. A Terra não consegue mais suprir toda a demanda por recurso que o ser humano exige. A necessidade de se mudar os meios de produção é emergencial. Deixar de explorar os recursos naturais de forma descontrolada como agora é urgente para que possamos garantir a sobrevivência da nossa e de todas as formas de vida que existem no planeta.