Arquivo da categoria: Biodiversidade

Lei da nova política pública para o município de Matinhos, litoral do Paraná

Política Municipal de Agricultura Urbana e Periurbana – Lei Nº 2030/2019

Institui a Política Municipal de Agricultura Urbana e Periurbana de Matinhos (PMAUP) e dá outras providências

Eis o teor da Lei:


__’ A Câmara Municipal de Vereadores de Matinhos aprova e eu, Prefeito Municipal, sanciono a seguinte Lei:

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Fica instituída a Política Municipal de Agricultura Urbana e Periurbana como parte integrante das políticas desenvolvidas pela Secretaria de Meio Ambiente, Habitação, Assuntos Fundiários, Agricultura e Pesca, em harmonia com a política ambiental e urbana de competência de outros órgãos do Município de Matinhos, com o objetivo de promover em bases sustentáveis:

I – a segurança alimentar e nutricional e a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável (DHAA) da população, notadamente as que se encontram em estado de vulnerabilidade social;

II – ações relacionadas à Educação Ambiental, Agroecologia e Educação para uma alimentação adequada e saudável;

III – o bom uso do solo na região urbana e periurbana com ações que visem à inclusão produtiva para fins de subsistência, para a comercialização e para doação;

IV – o fortalecimento de redes solidárias de produção, de comercialização e o desenvolvimento local e sustentável; e

V – Estratégias, diretrizes, medidas, ações e intervenções que promovam a solução dos problemas e conflitos de uso do espaço em áreas de proteção ambiental no município, bem como a orla marítima, de forma a viabilizar o seu desenvolvimento integrado e sustentável, considerando os aspectos ambientais, socioeconômicos, territoriais e patrimoniais;

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A Vida Secreta das Árvores

  • Secret Life of Trees, 2014
    Por Artur Homan / Saturnina Homan
Documentário completo (em inglês).

[acp]

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Junt@s! 💖

junt@s_trees
__’Muita gente acha que as árvores são solitárias.
A reportagem foi publicada por BBC News e reproduzida por Amazônia.org, 05-07-2018.
Essa percepção cai literalmente por terra, segundo novas pesquisas científicas.
Analisando o solo onde elas vivem, os cientistas descobriram que há uma espécie de rede subterrânea de fungos que conecta as árvores que estão próximas – uma espécie de internet vegetal.
Por meio dessa rede, as plantas trocam nutrientes e mensagens de alerta, por exemplo, quando se sentem ameaçadas.
Mas, assim como a internet, essa rede também tem seu lado obscuro e, por meio dela, uma planta pode sabotar a outra, por exemplo, roubando nutrientes.’__
__

Leia mais:

[ACP]

 

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A Revolução Verde e o Problema do Nitrogênio no Solo

O PROBLEMA DO NITROGÊNIO NO SOLO

Ana Primavesi

Nitrogênio é o adubo químico mais usado, sempre tentando aumentar a massa verde e nunca a saúde vegetal e nem sempre a produção de grãos. O adubo nitrogenado veio maciçamente com a Agricultura Convencional, que foi introduzida graças a uma combinação entre a indústria química e a mecânica. Foi capitaneado pelo prof. Borlaug e mediado pelo então presidente Kennedy (1961-63).

O problema da indústria era que possuía enormes estoques de produtos químicos altamente venenosos, e uma linha de produção para máquinas pesadas que ninguém necessitava mais porque a guerra terminara. E, se a indústria ia à falência, os EUA afundariam numa crise que poderia ser de difícil recuperação.

Foi combinado assim que a agricultura compraria químicos e máquinas das indústrias, e estas, uma vez recuperadas, iriam pagar impostos elevados. Com todas estas despesas, a agricultura convencional obviamente não iria mais ter lucros e até trabalhar no vermelho, mas o Governo se comprometia a devolver à agricultura parte destes impostos em forma de subsídios, dando início a uma “agricultura subsidiada” combatida em vão pelo governo brasileiro, uma vez que esquece a razão do subsídio.

Instaurou-se a famosa “Revolução Verde”. Para os EUA e Europa, que tinham o problema da indústria, era a solução milagrosa. Indústria e países recuperaram-se rapidamente, mas a agricultura familiar tinha de ser trocada pela agricultura industrial para dar espaço às máquinas..

Milhões e milhões de pessoas migravam do campo para as cidades, onde as indústrias as esperavam ansiosamente. Iniciou-se a época de êxodo rural e o crescimento gigantesco das cidades. Era o início da “sociedade de serviço”. E como este convênio era até milagroso para a indústria química e mecânica, ambicionou-se mais. Resolveu-se levar a Revolução Verde também para o Terceiro Mundo, que nesta época, estava em pleno desenvolvimento.

Milhares de “técnicos” americanos se espalharam pelo mundo afora e incutiram em todos as maravilhas da Revolução Verde, e por mais de 10 anos os EUA treinaram os técnicos do Terceiro Mundo gratuitamente nesta agricultura. E até fundaram-se no Terceiro Mundo organizações estatais, como a EMATER para introduzir a Revolução Verde. (Esta reconheceu seu erro e atualmente luta pela Agricultura Orgânica.)

Como o Terceiro Mundo não era o dono destas fábricas, ele tinha que comprar tanto os químicos como as máquinas pesadas, com créditos que o Primeiro Mundo lhes concedia generosamente a juros entre 20 a 25% por ano, endividando os países violentamente.

Para eles, a Revolução Verde tornou-se somente um dreno permanente de todas as riquezas dos seus povos, fluindo para os países do Norte. Também no Sul a população rural tinha de migrar às cidades graças às máquinas, mas como não possuíam indústrias que a esperavam, foram acolhidos somente pelas favelas. E enquanto o Primeiro Mundo enriqueceu, o Terceiro Mundo entrou num ciclo de miséria do qual, até hoje, não conseguiu sair ainda. A Revolução Verde salvou a industria do Primeiro Mundo mas endividou horrivelmente o Terceiro Mundo.

Como foi introduzido

O primeiro passo da Revolução Verde era matar os solos: pela calagem corretiva – a aração profunda – e a adubação nitrogenada.

Por quê?

Porque isso acabou com toda matéria orgânica nos solos.E sem matéria orgânica os solos perderam sua vida, que sem alimento não podia existir, Os solos se desagregaram, compactaram e tornaram-se quase impermeáveis. A água das chuvas escorreu, causando erosão – enchentes – secas aos quais, atualmente, se juntam os ciclones e tufões. É um ciclo do qual não saímos ainda, ao contrário, que está piorando cada vez mais e levando muitas partes do Mundo à desertificação. Mas não se consegue produzir em solos mortos sem todo este pacote químico, mais irrigação. Finalmente os solos servem somente de suporte para as culturas, que praticamente se criam em “hidropônicos ao ar livre.”

Como os solos temperados são rasos (40 a 100 cm) e muito ricos (250 a 2.200 mmol) e os solos tropicais são profundos até muito profundos ( até 35 m) mas pobres ( 1-17 mmol na média as vezes chegando até 35 a 70 mmol), parece lógico que necessitam de manejo distinto. Porém, até agora, foram tratados segundo o manejo dos solos temperados.

O que sacudiu o Mundo após a introdução da Revolução Verde eram os desmatamentos em grande escala, a fim de poder instalar as agroindústrias onde atualmente tem umas com tamanho de até quase 300.000 ha e cuja mecanização é total: trabalham com tratores teleguiados, sem tratorista e com análises químicas e adubação já feitos ao passar dos tratores. Mas nem no laboratório, nem no campo a análise química considera o estado do solo ( agregado, com lajes duras, compactado) nem a possibilidade de absorção pelas raízes, que não somente depende do estado físico do solo mas também do equilíbrio entre os nutrientes.

O nitrogênio do adubo químico não é estável no solo, sendo lixiviado quando em forma de nitratos e nitritos ou se perde para o ar, quando em forma amoniacal ou em estado elementar, Também não considera-se que com o aumento da temperatura pelo aquecimento do Globo os nutrientes Ca – Mg – Cu – B se tornam de difícil absorção.

Pelas deficiências minerais, existentes ou introduzidas, uma adubação elevada com N em forma amoniacal, por exemplo(que pode ser aplicada ou induzida pela falta de oxigênio no solo), resulta na deficiência de Cu, Zn, Mn e a toxidez de Fe além da deficiência de K, Ca e Mg. Enquanto o N se perde para o ar, criam-se desequilíbrios minerais que predispõem as plantas a pragas e doenças.

Também aqui age-se muito sumariamente e combatem-se os parasitas sumariamente com “defensivos” de toxidez cada vez mais elevada. Poucos consideram que uma praga ou doença somente pode atacar uma planta quando sua enzima (bactérias possuem somente 1 enzima, insetos 2 e fungos podem ter até 4) consegue digerir a substância presente mas inacabada.

Não existe enzima nenhuma capaz de quebrar uma substância pronta, como proteínas, somente consegue digerir aminoácidos, ou polissacarídeos, somente conseguem quebrar monossacarídeos. E mesmo quando a planta morrer, suas substâncias completas têm de ser rompidas pelas próprias enzimas da planta, para que depois insetos e micróbios possam fazer a decomposição.

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Fica óbvio que cada praga ou doença é ligada a uma deficiência : p.ex. Oídio – B , Antracnose – Ca , Brusone – Cu etc. que impede o acabamento de uma substância completa.

As deficiências podem existir : por causa da falta de um mineral nutritivo ou seu desequilíbrio pelo excesso de outro mineral, por ex., uma adubação elevada com nitrogênio provoca p.ex. Botrytis em videiras, Puccinia em cereais, Erwinia em batatinhas, Alternaria em tomates, Pseudomonas em fumo etc.(Bergmann, 1976). E em lugar de combater a deficiência mineral induzida, combate-se a doença por agrotóxicos, que, por sua vez, em base de algum mineral, produzem outros desequilíbrios e outras doenças.

A degradação ambiental, não somente graças ao desmatamento mas também pela lavração do solo e sua exposição ao sol e o impacto das chuvas levou à erosão – enchentes e rios secos (por causa da deficiente infiltração de água no solo os mananciais subterrâneos ficaram vazios).

Por outro lado, a adubação de pastagens com elevada quantidade de nitrogênio produz no segundo ano um pasto exuberante e no terceiro ano uma decadência violenta. Isso porque as forrageiras formam somente raízes superficiais , pequenas, que não conseguem reabastecer seu estoque de nutrientes e morrem finalmente de exaustão, uma vez que o nitrogênio leva a um crescimento forçado. Nitrogênio não é um nutriente isolado, mas somente um dos nutrientes que a planta precisa. E quando o pasto entra em degradação assenta-se não somente a erosão mas também cupins.

Existe uma diferença muito grande entre o Nitrogênio químico e orgânico. O nitrogênio químico sempre contribui para o desaparecimento de matéria orgânica por aproximar a relação C / N, e consequentemente promover sua eliminação por micróbios que leva a decadência e compactação do solo. O nitrogênio orgânico, tem como pré-requisito a vida microbiana, que agrega o solo.

Nenhum processo no solo ocorre isolado. Tudo é interligado como o ciclo da vida. A planta capta luz e gás carbônico e absorve água do solo e com isso forma a primeira substância um açúcar simples ( plantas C-3 ) ou um ácido orgânico como o málico.(plantas C-4). As folhas que morrem cobrem o solo, servem aos micróbios de alimento e recambiam os minerais ao solo. Conforme o solo será a raiz, abundante em solo bem agregado ou retorcida e pequena em solo compactado.

Geralmente supõe-se que os micróbios do solo são independentes e somente depende ter um germe e já se desenvolvem. Mas não é bem assim. Nenhuma bactéria ou fungo nasce em solo que não é apropriado.

O nitrogênio acrescido pelo adubo não é estável no solo, e as leguminosas não enriquecem o solo em nitrogênio como se acreditou que podiam comprovar com mais que 1.200 análises de solo com as mais diversas formas de matéria orgânica, a partir de leguminosas até simplesmente palha de arroz. E muitas vezes a quantidade de N no solo era maior após a palha de que após leguminosas. Por que?

Nenhuma planta é atacadista vendendo um produto como N. Cada uma somente fixa N para si mesma. E o que os micróbios não seguram é lixiviado ou perdido para o ar. E a palha às vezes deixou mais N no solo, porque forneceu mais matéria orgânica que não é “nutriente” para as plantas mas somente comida para a vida do solo, que fixa N do ar e mobiliza nutrientes vegetais até de sílica.

Assim cresce a mata Amazônica e assim produzem as culturas orgânicas em solos vivos. Em solos mortos a agricultura orgânica produz miseravelmente, (por isso necessita o “preço acrescido”) em solos vivos produz abundantemente ( 2 a 3 vezes mais do que a melhor agricultura química) e ainda sem nenhuma praga e doença.

A disponibilidade de N no solo depende das bactérias fixadoras (praticamente todos fixam) e seus fagos, especialmente nematóides (em solos mais úmidos) e protozoários (em solos mais secos) que “pastam” os micróbios e liberam seu nitrogênio. Assim, nematoides liberam 30% do N absorvido pelas plantas e de fagos que pastam fungos fornece-se o resto.

Solos vivos com vida intensa mobilizam nutrientes e fixam Nitrogênio do ar.

Microrganismos fixadores de N:

Simbiontes : como rizóbios, Bradyrizóbios, Azospirillo, etc.
Bactérias livres: como Azotobacter, Beijerinckia, Closatridium pasteurianum etc.
Somente 8,6 % das leguminosas nodulam.

Tem rizóbios noduladores e rizóbios endofitas (vivem na folha da planta) graças a estas no Brasil a cana-de-açúcar necessita somente 50 kg/ha de adubo nitrogenado, Nos outros países necessita de 150 a 300 kg /ha de adubo nitrogenado.

Como funcionam os rizóbios endofitas: (Seja ciente: a nodulação não é necesssária para fixar Nitrogênio) . Os rizóbios saem da raiz da leguminosa e entram na raiz da gramínea seguinte, p.ex. milho, trigo, arroz etc.(Dazzo, 2006). Eles sobem às folhas onde aumentam a fotossíntese e a atividade enzimática. Parece que no arroz do sistema SRI existem também rizóbios endofitas.

Micorrizas aumentam o espaço radicular das plantas pelos micélios. Em raízes onde existem micorrizas e rizóbios, os primeiros fortalecem as plantas enquanto os rizóbios , nas plantas mais fortes, são mais ativos. Inoculam as plantas com micorrizas porém o efeito depende da variedade de micorrizas – da espécie vegetal – e da nutrição vegetal. Mas micorrizas não necessitam ser inoculadas se as plantas são suficientemente abastecidas com os nutrientes mais essenciais para elas. p.ex. Milho =. Cu e Zn, / arroz = Cu, aveia =Mn, videira = B etc.

Não é somente importante a presença de N no solo mas especialmente sua transformação para proteínas. Cada proteína se forma de 3 aminoácidos em base de N e 1 em base de S. Mas nem todos os aminoácidos formam proteínas. Para isso necessita-se de Molibdênio (Mo) . Assim muitas vezes saúvas começam cortar folhas de uma roseira ou de uma árvore mas logo abandonam tudo e vão para outro lugar. Isso porque a jardineira que fez a análise das folhas avisou: estes não prestam, eles tem proteínas. E proteínas nenhuma fungo, bactéria ou inseto conseguem digerir. Não possuem enzima para isso. De modo que aplicando Mo num pasto, campo, plantação frutífera, bosque etc. Contribui-se para a formação de proteínas e impede que saúvas cortem suas folhas.

MOKITI OKADA diz: a substância base de toda vida é N – O – H. e que também Rudolf Steiner afirma. Mas como combina isso com o fato que a primeira substância que uma planta forma é um monossacarídeo C – O – H . :

Mas aí o mestre explica: “ Não existe vida sem proteínas, e não existem proteínas sem Nitrogênio.”

O segredo do solo tropical:

Como se explica que os solos mais pobres do Mundo, os amazônicos conseguem criar uma das florestas mais frondosas do Mundo? Se as leis de clima temperado valessem, seria uma região semi desértica. Mas ao contrário, é uma floresta frondosa. Como ?

O segredo da floresta equatorial é:

– solos vivos e ativos,
– biodiversidade máxima (muitas árvores exalam substâncias que impedem o
nascimento de suas próprias semente num raio de até 50 m.)
– proteção contra a insolação direta e o impacto da chuva. Somente 3 a 4% da luz solar
atinge o solo, e muitas vezes a chuva é interceptada pelas folhas, de onde evapora.
– proteção contra o vento (não existe vento nenhum dentro da floresta amazônica)
Sabe-se que o vento leva 51 até 67% da umidade, diminuindo drasticamente o crescimento vegetal. No Ceará, no semi-árido , onde têm bosques que impedem o vento, a agricultura vai bem.

A produção agrícola não é um fator isolado. Tudo na natureza é interligado . É a famosa “ TEIA DA VIDA”, tudo depende de todos. São leis rígidas e imutáveis. E quando queremos “melhorar” um fator rasgamos a Teia da Vida e tudo somente tende a piorar. As leis naturais são imutáveis, modificar é somente destruir. E a natureza se vinga. Assim o Nitrogênio orgânico é altamente benéfico, o químico sempre é destrutivo a médio prazo.

Assim, por exemplo, o aquecimento do nosso Globo não é somente pela camada de gases-estufa (CO2 , CH4, N2O). Gases são frios e não quentes. É pelos solos compactados e expostos ao aquecimento do sol (após uma aração, ou numa cultura capinada, tanto faz se é por herbicidas ou por máquinas). O solo aquece e o ar acima dele (até 74 oC). O ar sobe, até como tufão, esbarra na camada de gases e em lugar de se dissipar para o espaço, se distribui pelo Globo. O clima aquece.

Não é tanto por causa dos gases estufa produzidos por carros e aviões, arroz de água, lixo urbano, rebanhos de gado etc. mas é por causa da falta de florestas e uma agricultura que mantém os solos expostos por muito tempo. É a agricultura convencional que acaba com nossos solos, nosso clima, nossa água, nosso Globo.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

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História genética do cacau no Brasil é descrita

por Peter Moon  |  Agência FAPESP

Pesquisadores avaliam estrutura genética e diversidade de variedades na Bahia e identificam árvores resistentes à vassoura-de-bruxa (divulgação)

Pesquisadores avaliam estrutura genética e diversidade de variedades na Bahia e identificam árvores resistentes à vassoura-de-bruxa (divulgação)

A saga do cacau no sul da Bahia faz parte da história econômica e cultural do Brasil. Não fosse a bem-sucedida introdução dos cacaueiros na região de Ilhéus no século 18, não haveria o ciclo do cacau da Bahia nem motivos para inspirar Jorge Amado a escrever Gabriela, Cravo e Canela.

Mas o sucesso da cultura do cacau na Bahia é coisa do passado. O Brasil, que já foi o segundo maior produtor mundial de cacau, hoje é apenas o sexto. E foi somente em 2015, após mais de 20 anos excluída do mercado mundial, que a Bahia pôde retomar a exportação do produto.

A culpa do declínio da cacauicultura baiana é o fungo Moniliophtora perniciosa, que transmite a doença da vassoura-de-bruxa. A praga apareceu na região de Ilhéus-Itabuna em 1989 e se alastrou afetando os frutos, os brotos e as flores dos cacaueiros.

As árvores deixaram de dar frutos. A produção brasileira, que era de 320 mil toneladas por ano, despencou para 190 mil toneladas por ano em 1991. Toda a queda corresponde ao tombo da cacauicultura baiana, estado que concentrava 80% da produção.

Nas últimas duas décadas, muitos esforços têm sido feitos para o combate à vassoura-de-bruxa, especialmente na busca de novas variedades de cacau resistentes à praga, pois o fungo continua presente no sul da Bahia.

Uma iniciativa inovadora é o estudo de estrutura genética e da diversidade molecular do assim chamado “cacau da Bahia”, um conjunto de variedades locais desenvolvidas nos últimos dois séculos. O estudo é conduzido pela professora Anete Pereira de Souza, do Instituto de Biologia e do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas, ao lado de pesquisadores de diversas universidades e centros de pesquisa da Bahia, como a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano).

Os resultados foram publicados na PLoS One, com apoio da FAPESP.

“A baixa resistência do cacau da Bahia à praga da vassoura-de-bruxa sempre me intrigou”, disse Souza. “A Amazônia brasileira é um dos centros da espécie Theobroma cacao. Portanto, devem existir muitas variedades e tipos de cacau diferentes, alguns inclusive resistentes ao fungo M. perniciosa. Então, como se explica que a praga praticamente dizimou as plantações de cacau do sul da Bahia em poucos anos, sendo que ele veio da Amazônia? Decidimos então estudar a história genética do cacau da Bahia para encontrar a razão de sua baixa resistência à vassoura-de-bruxa e assim encontrar uma maneira de torná-lo mais resistente ao fungo.”

O cacau chegou à Bahia em 1746, quando um colonizador francês que vivia no Pará, Luiz Frederico Warneau, enviou algumas sementes da variedade “Forastero” (do grupo Amelonado) ao fazendeiro baiano Antonio Dias Ribeiro, que as semeou no município de Canavieiras.

Em 1752, foram plantadas as primeiras sementes em Ilhéus. As plantas se aclimataram bem à região. Ao longo do século 19, as fazendas de cacau foram se disseminando na região e as exportações avançaram à medida que aumentava o consumo de chocolate na Europa e nos Estados Unidos. Nas primeiras décadas do século 20, o cacau era o principal produto de exportação da Bahia.

“O cacau da Bahia é de excelente qualidade, tanto que todos os cinco maiores produtores mundiais (Costa do Marfim, Gana, Indonésia, Nigéria e Camarões, nesta ordem) plantam o cacau da Bahia. As sementes que lá foram introduzidas pertenciam todas à variedade Forastero da Bahia”, explicou Souza.

A vassoura-de-bruxa é endêmica na América do Sul e no Caribe, mas jamais atravessou o oceano para infestar os plantios na África e no sudeste asiático.

Após grande combate epidemiológico e científico à vassoura-de-bruxa, resultados começaram a aparecer. A produção brasileira de cacau, que havia recuado a um mínimo de 170 mil toneladas em 2003, atingiu 291 mil toneladas em 2014, a maior safra em 26 anos.

O maior controle da vassoura-de-bruxa possibilitou à Bahia voltar ao mercado externo, com a exportação de 6,6 mil toneladas de amêndoas para o mercado europeu em 2015.

Base genética estreita

Para entender a razão genética da extrema suscetibilidade do cacau da Bahia à vassoura-de-bruxa, Souza e a então doutoranda Elisa Santos, da Universidade Estadual do Sudeste da Bahia, juntamente com pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, ambas em Ilhéus (BA), foram a campo. Santos coletou 219 amostras de folhas de cacaueiros em sete fazendas, assim como outras 51 amostras de híbridos desenvolvidos ao longo de décadas no Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec/Ceplac), de Ilhéus.

De volta ao Centro de Biologia Molecular da Unicamp, foi realizado o sequenciamento do DNA nuclear das 270 amostras, focalizando a investigação em 30 marcadores moleculares – pequenos trechos do DNA que servem de parâmetro de comparação entre as variedades.

O que se descobriu foi que a base genética do cacau da Bahia é muito estreita. Literalmente todos os cacaueiros baianos têm a sua origem em um número muito pequeno de indivíduos, ou seja, de sementes da variedade Forastero. É que essas sementes foram muito bem escolhidas pela qualidade do cacau produzido pelas árvores que deram origem a elas. Entre aquelas estão as sementes trazidas por Warneau há 270 anos.

Se por um lado a baixa diversidade genética das plantas garantia a qualidade do fruto, por outro tornava toda a população de cacaueiros frágil, dada a ausência de variedades que pudessem resistir a uma ameaça como acabou sendo a vassoura-de-bruxa.

Para piorar a situação, os pesquisadores descobriram que os híbridos desenvolvidos pelo centro de melhoramento nos anos 1950 e 1960 (e cultivados até hoje), em vez de aumentarem a variação genética na população cacaueira, acabaram por reduzi-la ainda mais, já que também foram produzidos com base apenas na qualidade do cacau.

“Já havia uma base genética estreita. Então se escolheu unicamente plantas dessa base para obter híbridos. Não se pensou em trazer novas variedades de fora da Bahia para ampliar a base genética das árvores da região. O resultado foi a obtenção de híbridos ainda menos resistentes à vassoura-de-bruxa”, disse Souza.

Uma boa notícia da pesquisa foi a descoberta nas fazendas de árvores resistentes à doença e com maior variação genética que aquela encontrada nos híbridos atualmente existentes.

“São cacaueiros anteriores à praga, que jamais foram atacados, não foram derrubados e continuam produzindo. E devem existir outros, além dos que coletamos. Essas árvores não podem ser perdidas. Governo e fazendeiros precisam preservar essas variedades, elas representam o sucesso no futuro da cacauicultura baiana, nacional e também mundial, já que o cacau da Bahia foi exportado para o mundo todo”, disse Souza.

Atualmente novos híbridos envolvendo as árvores de cacau com resistência à vassoura-de-bruxa e maior variação genética já estão sendo obtidos pelos pesquisadores dos centros de pesquisa na Bahia.

O artigo Genetic Structure and Molecular Diversity of Cacao Plants Established as Local Varieties for More than Two Centuries: The Genetic History of Cacao Plantations in Bahia, Brazil (doi: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0145276), de Elisa S. L. Santos, Carlos Bernard M. Cerqueira-Silva, Gustavo M. Mori, Dário Ahnert, Durval L. N. Mello, José Luis Pires, Ronan X. Corrêa, Anete P. de Souza, pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0145276.

fonte: [ Agência FAPESP]

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A Lavoura

por  Ana Maria Primavesi

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A Lavoura

A economia brasileira é alavancada e sustentada pela atividade agrícola. O país é visto como celeiro de alimentos para o mundo. A atividade agrícola iniciou o salto de desenvolvimento com a revolução verde (com máquinas ampliando a produtividade humana, adubos, defensivos, irrigação, sementes responsivas ao nitrogênio), seguido pela agricultura conservacionista (plantio direto na palha), e atualmente a agricultura digital (de precisão), em que as máquinas são dirigidas por computadores, orientados por satélites. E certamente existe a certificação de boas práticas de manejo e a rastreabilidade para segurança do consumidor.

Os problemas ambientais como plantas daninhas, pragas, estresse hídrico, estresse térmico, estresse salino e diversos outros estresses, recebem o aporte de tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética, que garante ser solução de ponta para esses problemas.

Porém, as fábricas de proteínas, carboidratos, fibras e energia, as plantas, continuam tendo raízes. Raízes que representam figurativamente os intestinos (por onde absorvem água e nutrientes) e, junto com o colo, que seria os pulmões (absorvem oxigênio para a respiração) das plantas. O estômago seria constituído pela rizosfera, onde nutrientes são disponibilizados, sendo afetados pelo pH (acidez). E este trato digestivo e pulmonar das plantas, necessita de um substrato úmido, aerado, fresco, com um limite de salinidade e de acidez. Ou seja, um solo agregado, permeável, vivo (com intensa atividade biológica).

Para que isso ocorra necessita de tripla proteção permanente (dossel vegetal; serapilheira ou restos vegetais ou cobertura morta ou mulch; e trama radicular abundante na superfície e em profundidade), contra insolação excessiva, impacto das gotas de chuva tropical, e com bom teor de matéria orgânica, que é fonte de energia para essa vida do solo, e também atua como se fosse a fibra para dar funcionalidade ao trato digestivo das plantas, às raízes e à rizosfera.

Sistematicamente, com cada avanço tecnológico, o solo vem sendo relegado ou mesmo eliminado do planejamento de gestão da propriedade. Na revolução verde proibia‐se o uso de adubos orgânicos. E aconselhava‐se que os restos vegetais deveriam ser incorporados profundamente ou fornecidos como alimento ao gado bovino, ou mesmo sendo utilizado como fonte de energia industrial ou simplesmente queimados.

Veio o sistema plantio direto na palha. Com esse sistema foram eliminadas gradativamente as práticas mecânicas de conservação de solo e de água. E conforme a região, e com a possibilidade de se realizar mais de um cultivo por ano, foi desaparecendo o cuidado pela produção de palhada para proteger osolo, e alimentar a vida do solo.

Atualmente não se diz mais plantio direto na palha, mas simplesmente plantio direto, onde o que importa são as máquinas, os herbicidas e os cultivares resistentes aos herbicidas. Como consequência o solo, sem retorno adequado de material orgânico e sem sua conservação adequada, degrada, compacta, encrosta, erode, esquenta e resseca, amplia os estresses hídricos e térmicos para os cultivos, e aumenta a incidência de pragas e de patogenias. O produtor ou empresário rural vê a solução no uso dos agroquímicos, na engenharia genética, e na robótica teleguiada.

E o solo?

Antes, abandonava‐se uma área de solo degradado, improdutivo, por uma nova área de cultivo. Mas estas novas áreas, sob mata nativa, também estão acabando, por conta da degradação, da urbanização, da mineração a céu aberto, da submersão por lagos artificiais de hidrelétricas. Soluções modernas aparecem. De Nova Iorque vêm notícias de fazendas hidropônicas em edifícios (vertical farm). Da Holanda vêm notícias de fazendas hidropônicas flutuantes (floating farms). Não se precisa mais de solo. Será? Os solos bons e férteis servem para serem urbanizados.

Acredito que neste ponto seria interessante resgatar a lembrança sobre a verdadeira necessidade e função do solo. Muitos chamam‐no pejorativamente de pó (na seca) e barro (nas chuvas), que tudo emporcalha.

Com o advento da ideia da agricultura sustentável, o solo de referência geralmente citado é o da mata virgem, do ambiente natural clímax. Mas acredito que o referencial mais lógico e impactante seria o do ambiente natural primário, em que predomina a rocha exposta. Aí não tem solo. Nem água residente, nem lençol freático. As amplitudes térmicas e hídricas são extremas. Tem água somente quando chove. As chuvas são torrenciais. Os ventos e brisas que levam umidade são mais intensos. É um ambiente inóspito para a vida superior e a produção de biomassa. Não ocorrem os chamados serviços ecossistêmicos, ou seja, não há estruturas nem processos naturais para garantir a produção de biomassa.

A estratégia inicial da natureza para transformar esse ambiente natural primário em natural clímax foi o de reter a água das chuvas. Para isso, foi preciso primeiramente produzir algo como uma esponja, construir o que chamamos de solo permeável e com capacidade de armazenar água, a partir da degradação das rochas. Para tanto designou os líquens (algas+fungos) a iniciarem os trabalhos de desmonte das rochas. Os líquens utilizavam o artifício da cor clara (albedo alto) para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento exagerado do substrato. Os líquens mortos foram a primeira matéria orgânica visível na formação dos solos, e de sua proteção. Era preciso proteger a superfície.

Conforme a camada de solo ia sendo formada, aumentava a água residente. Foi estabelecido o lençol freático. Havia água para as plantas superiores fora do período das chuvas. A função primeira do solo é captar e armazenar água das chuvas de forma disponível. É a água residente. Plantas pioneiras de diversas espécies foram se estabelecendo. E conforme o solo ia aprofundando, e sendo colonizado por plantas diversificadas, foi diversificando a vida associada às plantas e a vida do solo. É que as exsudações radiculares (como de açúcares e aminoácidos) e os restos vegetais serviam de fonte de energia para estes seres de vida livre, e também para os simbióticos. Mais água era captada e armazenada. Esse novo ambiente emergente, num desenvolvimento construtivo, sintrópico, permitia o aparecimento de novos seres, novas espécies. As cadeias alimentares formavam teias alimentares, aumentando a resiliência ou estabilidade da vida nos ecossistemas.

Os organismos do solo servem para dar continuidade aos processos químicos de construção da estrutura agregada, grumosa, do solo, que permite a circulação fácil de água e de ar (oxigênio, produzido pelas partes verdes dos vegetais durante a fotossíntese), bem como o desenvolvimento das raízes. E ainda servem para auxiliar na nutrição mineral e orgânica das plantas. Mas para isso precisam de material orgânico na superfície do solo, a serapilheira, em condições aeróbicas.

Sim, material orgânico bruto, não estabilizado biologicamente, na superfície do solo, em contato com o solo, e não enterrado. Este material poderia ser misturado com a terra superficial, até no máximo de 5 cm. Os organismos do solo degradam o material orgânico, sendo que nas etapas iniciais bactérias celulolíticas produzem gomas que auxiliam na colagem de partículas minerais floculadas quimicamente, e posteriormente fungos que vão atrás da energia dessa goma bacteriana enlaçam esses agregados, estabilizando‐os contra a ação dispersante da água. Mas esse processo, realizado por material orgânico bruto, não compostado, necessita ser renovado continuamente ao longo do ano.

Por isso da importância de manter o solo constantemente vegetado, preferencialmente de forma diversificada, com suas atividades radiculares e produção de restos vegetais para proteger a superfície do solo. A diversificação é necessária para diversificar a atividade biológica e assim dar estabilidade à teia alimentar e garantir a porosidade do solo. Por isso se diz que solo não vegetado deixa de ter a função primeira de solo. Volta às condições impermeáveis de uma rocha. Perde a capacidade de captar e armazenar água.

Neste desenvolvimento construtivo, verifica‐se o aparecimento de diferentes estruturas e processos, ou serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a capacidade de produção de biomassa ou culturas com sua vida associada, como bactérias, fungos, insetos como abelhas, borboletas, besouros, formigas, bem como também pássaros, mamíferos e outros. A natureza finaliza esse processo construtivo de ecossistemas naturais clímax com árvores, tanto faz se o ambiente é quente ou frio. As árvores esquentam ambientes frios (por conta da cor escura das folhas) e esfriam ambientes quentes (por conta da transpiração), além de atuarem na umidificação do ar e na atenuação das temperaturas e amplitudes térmicas, tornando o ambiente mais hospitaleiro para a vida superior.

Assim, quando se domestica o ecossistema natural clímax para transformá‐lo em agroecossistema, deveria ser considerada, planejada, a manutenção da infraestrutura natural mínima para captar e armazenar água das chuvas, manter um ambiente saudável para o trato digestivo das plantas, manter estável a estrutura estabilizadora do microclima favorável à produção vegetal e ao funcionamento dos insumos empregados. Isso seria considerar princípios ecológicos de boa produção. Pertence ao rol das boas práticas de manejo agrícola. Garantindo a produção sustentável, do ponto de vista ambiental.

Quando se desconsidera esses aspectos biológicos, priorizando os aspectos químicos e talvez também os físicos do solo (mas não os biofísicos), pratica‐se uma agricultura mineradora, uma regressão ecológica, de volta às características ambientais primárias inóspitas à produção, por mais tecnologia que se queira aplicar para substituir os serviços ecossistêmicos essenciais. Seria como o de um ambiente urbanizado, sem áreas verdes, impermeabilizado, quente e seco, inóspito, causador de alergias, viroses e muitas doenças. Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Cidades vivem do campo. É a terra que as mantém.

Assim, manter o solo protegido superficialmente com material orgânico não é uma necessidade somente para a agricultura orgânica, mas vale mais ainda para a agricultura industrial, digital. Ainda mais sabendo‐se que a matéria orgânica do solo, em nossas condições tropicais, é responsável por 60 a 80% da capacidade de troca catiônica do solo, ou seja, consegue estocar os adubos aplicados de forma disponível para as plantas, reduzindo os prejuízos do produtor rural. Porque não adianta colocar adubo em um solo parcialmente morto, que a planta não vai conseguir usar, pois é exatamente essa microvida, alimentada pela matéria orgânica, que mobiliza os nutrientes necessários à cultura.

Visto isso, parece lógico que deveremos praticar uma agricultura conservacionista, de preferência agrossilvipastoril, em que o plantio direto volte a ser na palha, que aumenta a rugosidade do terreno, e que a quantidade e qualidade da palha seja o astro principal do sistema de produção. O estabelecimento de curvas de nível e de terraços de base larga também são necessários em terrenos mais inclinados, pois aí a palha segura muito bem o solo mas não toda a água, que é retida por rugosidades mais fortes do terreno. Deve‐se lembrar, solo sem cobertura vegetal permanente e diversificada (incluindo as árvores estrategicamente alocadas para interceptar a água das chuvas cada vem mais intensas), deixa de ter a função primeira, que é a de captar e armazenar água, o mineral mais importante para o sucesso e a sustentabilidade de nossa agricultura, a saúde de nosso povo. Solo cuidado com matéria orgânica fornece alimento nutricional funcional, conserva os solos propiciando seu cultivo ilimitado e a continuidade da vida no planeta.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

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Como preparar ME – Microorganismos Eficazes (EM4)

ME = Microorganismos Eficazes. Em inglês, EM.

São microorganismos vivos (bactérias, leveduras, actinomicetos, fungos, bactérias e outros).

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Para que serve:
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  • Estabelecimento do equilíbrio da flora microbiana ou seja estabelecimento do equilíbrio da vida do solo.
  • Servem para inocular visando provocar e acelerar a fermentação de Bokashi e compostos orgânicos .
  • Ajudam na fixação do nitrogênio e ajudam na decomposição putrefativa da matéria orgânica e ao mesmo tempo eliminamos vários efeitos nocivos causados pela matéria orgânica não decomposta.
  • Exerce uma grande ajuda auxiliar no controle de doenças de folhagem.
  • Provocam a mineralização da matéria orgânica.

Benefícios do uso:

  • Melhoram a capacidade fotossintética das plantas;
  • Aumentam a eficácia das matérias orgânicas como fertilizantes;
  • Melhoram os aspectos físico, químico e biológico do solo;
  • Eliminam doenças e patógenos do solo;
  • Fermentam matéria orgânica ao contrário de deteriorá-la. Assim, qualquer tipo de matéria orgânica pode ser usada para fazer composto com EM, já que não há produção de odores ofensivos;
  • Decompõem matéria orgânica rapidamente, uma vez incorporada no solo;
  • Facilitam a liberação de quantidades maiores de nutrientes para as plantas.

Material :

  • 1 gomo de bambu açú cortado ao meio
  • 700 gramas de arroz cozido sem óleo e sem tempero
  • 1 litro de garapa
  • 5 garrafas pet’s

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Captura dos Microrganismos Eficientes :

  • Cozinhe aproximadamente 700 gramas de arroz sem sal.
  • Coloque o arroz cozido em bandeja de plástico ou de madeira ou ainda em calhas de bambu.
  • Cobrir com tela fina visando proteger.
  • Coloque a bandeja com arroz e a tela em mata virgem (na borda da mata) e deste modo capturar os microrganismos.
  • No local onde vai deixar a bandeja, afastar a matéria orgânica (serrapilheira). Após colocar a bandeja, a matéria orgânica que foi afastada deve cobrir a bandeja sobre a tela.
  • Após 10 a 15 dias os microrganismos já estarão capturados e criados.
  • Nas partes do arroz que ficarem com as colorações rosada, azulada, amarelada e alaranjada estarão os microrganismos eficientes (regeneradores). As partes com coloração cinza, marrom e preto devem ser descartadas (deixe na própria mata).
  • Observação: as colorações no arroz variam em função do tipo de mata onde foram capturados os microrganismos.
  • Quanto mais diversificada e estruturada for a mata mais cores estarão presentes.

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Ativar os Microrganismos Eficientes :

  • Distribuir o arroz colorido em mais ou menos 5 garrafas de plástico de 2 litros
  • Colocar 200 ml de melaço em cada garrafa.
  • Completar as garrafas com água limpa (sem cloro) ou água de arroz.
  • Fechar as garrafas e deixar à sombra por 10 a 20 dias.
  • Liberar o gás (abrir a tampa) armazenado nas garrafas, de 2 em 2 dias.
  • Coloque a tampa e aperte a garrafa pelos lados retirando o ar que ficou dentro da garrafa (a fermentação deve ser anaeróbica, ou seja, sem ar, sem presença do Oxigênio). Aperte bem a tampa.
  • Está pronto o EM (neste momento não há mais produção de gás dentro da garrafa).

O EM tem coloração alaranjada. Pode ser mais clara ou mais escura, o que depende da matéria-prima, não implicando, porém, na qualidade do produto. O cheiro é doce agradável. No caso de apresentar mau cheiro, o EM não deve ser usado. Pode ser armazenado por até 1 ano.

Observações:

  • A água tratada com cloro (água de rua, água de cidade) deve ser previamente colocada em recipiente destampado.
  • Somente após 24 horas a água poderá ser usada. Isso porque o cloro mata os microrganismos. A água de mina é usada diretamente.
  • O melado (pode ser substituído por caldo de cana) é alimento dos microrganismos. Por isso faz crescer a comunidade microbiana ativa que pelas reações de fermentação, produzem ácidos orgânicos, hormônios vegetais (giberelinas, auxinas e citocinina), além de vitaminas, antibióticos e polissacarídeos, enriquecendo a solução.
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Onde e como usar:

Usos Agrícolas

– EM solo: 100 ml para cada 100 litros de água;
– EM planta: para cada 100 litros do EM solo, colocar 5 ml de vinagre.

– No Bokashi: aplicar o EM até atingir 50% de umidade, ou quando se apertar um punhado da mistura e ela fica molhado sem escorrimento de água entre os dedos.

Para saber sobre o adubo organico BOKASHI, feito através dos EM, acesse BOKASHI: O ADUBO ORGÂNICO QUE CURA O SOLO.

– Inoculação em sementes (use somente sementes que não foram tratadas com fungicidas):
Coloque as sementes imersas em solução de EM/solo durante 1 hora. Sementes que absorvem mais água ficam tempo menor. Sementes que absorvem menos água ficam maior tempo imersas.

Pode ser feita a peletização das sementes: umedecer sementes com a solução EM/solo. Acrescentar cinza de fogão ou farelo (pode ser farelo de arroz, soja, mamona, etc.) envolvendo as sementes. Pronto, está feita a peletização.

– Para animais
Como fonte de nutrientes dos animais o EM é acrescido ao alimento ou à água de beber.
Na água de beber, a cada 3 litros de água acrescente 1 colherzinha do EM.
No tratamento dos resíduos animais (cama-de-frango, estercos, fezes de cachorros e gatos) o EM/solo é pulverizado sobre os resíduos.
Pode também ser utilizado na limpeza das instalações e em banhos de higienização.
O uso do EM elimina mau cheiro e moscas. Ao iniciar o uso do EM, aplicar uma vez a cada três dias, durante o primeiro mês. Quando o mau cheiro diminuir a pulverização poderá ocorrer apenas 1 vez ao mês.

– Descontaminação de lagoas:
• Misture 1 litro de EM em 1.000 litros de água a ser tratada.
• Observe a água durante 1 a 6 meses. Se necessário repita a aplicação e aguarde o próximo mês.
• Ao alcançar os resultados esperados, há necessidade de manutenção do sistema. Aplique mensalmente 1 litro de EM por 10.000 litros de água.
O método de aplicação, assim como as dosagens, pode variar de acordo com as condições do sistema local. Em água corrente também pode ser usado. Pense nos custos, no modo de aplicar, no envolvimento com seus vizinhos e toda a comunidade.

– Aterro sanitários:
Prepare a solução a 5% de EM (5 partes de EM, por 95 partes de água). Pulverize diariamente sobre os resíduos. Em grandes aterros sanitários, o uso de caminhão pipa é fundamental nas aplicações. Supondo que o caminhão pipa de 10.000 L pulveriza toda a área do aterro sanitário, então adicione 500 L de EM no tanque do caminhão, complete com água e pulverize. É recomendável que as pulverizações sejam feitas nas primeiras horas da manhã.
Use esta mesma proporção (5%) na limpeza das ferramentas e máquinas, e principalmente na lavagem dos caminhões de coleta do lixo.
No meio rural, no tratamento dos resíduos de banheiro, a família agrícola pode usar o EM. É opção no tratamento das fossas sépticas.
No meio urbano pode ser aplicado nas caixas de gordura das casas.

– Preparo de solo ou berço (cova é de defunto 😀 ):
misture matéria orgânica vegetal (mato, adubação verde, etc…) com ½ de farinha de osso (200 g/m2) + ½ farelo de arroz (200 g/m2) a terra. Molhar BEM o terreno/leiras com uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 por m2 (em solos muito pobre pode-se usar até 1:1:300). Cobrir o solo com palha ou capim. Se você tiver pressa, após 10 dias pode-se fazer o plantio das sementes ou transplante das mudas. O ideal é aguardar 3 meses para usar o berço e, uma semana antes de plantar, regar com uma solução de EM a 1:1000.

– Nos solos e nos berçários de plantio:
Cada 1 litro do EM dissolver em 1000 litros de água e está pronto o EM/solo (solução de aplicação ao solo).
Lembrete: a água tratada com cloro deve ser colocada um dia antes em recipiente destampado, por 24 horas. No dia seguinte acrescente o EM. O cloro mata microrganismos.
O EM/solo é utilizado na pulverização da terra como ativador/acelerador da decomposição da matéria orgânica, contribuindo com o aumento da vida no solo. É tecnologia de mobilização dos nutrientes.
O bom preparo do solo é feito cobrindo o solo com produtos naturais de origem vegetal (folhas, adubação verde, capim picado, restos de cultura, etc.) e de origem animal (esterco, “cama de galinha”). Molhar o solo ou as leiras com a solução de EM/solo.
Atenção! Molhar bem as leiras. Após a aplicação do EM/solo cobrir as leiras com capim ou palha. Manter o solo úmido. Esperar 7 a 10 dias até o semeio ou o transplante das mudas.

– Pulverizações foliares:
fazer uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 e fazer pulverizações foliares semanalmente até observar uma melhora na estrutura do solo e na saúde das plantas, então pulverize quinzenalmente.

– Preparos de compostos:
fazer os montes de no máximo 1 metro de altura, regar com uma solução de EM a 1:100. Proceder os tratos para como em uma compostagem normal. Não deixar que a temperatura sua alem de 55ºC, caso isso venha a acontecer, revolver o monte. Ao revolver, caso o monte apresente mau cheiro, regar novamente com a solução de EM indicada acima. Dependendo das condições ambientes, do material usado para compostar e do local o composto poderá ficar pronto em 15 dias, no mínimo.

– Pulverização de plantas:
A pulverização das plantas é feita com o EM/planta.
Adicione em 100 litros de EM/solo, ½ litro de vinagre e está pronto o EM/planta.
É indicado após a germinação ou em culturas já estabelecidas.
Aplicar via pulverizações foliares ou via regador.
Fazer aplicação semanal até melhorar a estrutura do solo ou melhorar a saúde da planta.
Depois fazer pulverizações quinzenais.
No ano em que se começa a usar o EM, o número de aplicações é maior.
Se as condições de crescimento das plantas estiverem em ordem, ano após ano, a frequência pode diminuir.
Pulverizar no período da manhã ou após a chuva

– Na recuperação de solos degradados
A sugestão de dosagem e frequência de uso é a seguinte:

• 100 a 200 L por ha, realizando 4 a 8 aplicações anuais.
• 1º ano ‒ 200 L por ha / 8 aplicações por ano
• 2º ano ‒ 150 L por ha / 6 aplicações por ano
• 3º ano em diante ‒ 100 L por ha / 4 aplicações por ano.

Dicas e cuidados:

  • Não espere resultados imediatos. O EM é um organismo vivo e, para atuar sobre a matéria orgânica, tem que, primeiro, se adaptar ao solo para, aos poucos, ir recuperando-o;
  • Utilizar a solução (EM + caldo de cana + água) no mesmo dia de preparo;
  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações no final da tarde ou em dias nublados;
  • No caso de queimar as bordas das folhas, utilizar uma concentração menor, 1 ml para 2 litros de água;
  • Não utilizar água tratada com cloro. Nesse caso separar um recipiente com água e ou deixar – descansar por 24 horas ou use desclorante comercial antes de misturar o EM;

A aplicação de EM só terá bom resultado se observada outras técnicas da Agricultura Orgânica, como:
cobertura do solo com palha, adição de matéria orgânica (adubação verde, compostagem,biofertilizante), um bom manejo conservacionista do solo, rotação e consorciação de culturas, entre outras práticas.

Cuidados ao guardar e aplicar o EM

  • Guardar em local fresco e ventilado.
  • Utilizar a solução no mesmo dia de preparo.
  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações pela manhã, bem cedinho, no final da tarde ou em dias nublados.
  • Os microrganismos são muito sensíveis à seca, por isso, no período do verão, quando a insolação é muito forte, a aplicação deve ser feita ao entardecer ou em dias nublados. O ideal é aplicar antes e depois da chuva, quando o solo está úmido.
  • Se queimar as bordas das folhas utilize concentração menor.
  • Não utilizar água clorada (de cidade). Separar o recipiente com água e após 24 horas obter a solução de EM.
  • As aplicações de EM podem ser feitas em conjunto com biofertilizantes.
  • O pulverizador ou o regador utilizado com agrotóxico deve ser lavado com água e sabão, diversas vezes, até sair todo o veneno. Se possível compre novo, separe e deixe só por conta do EM.

Fonte: [ Agroecologia Sulminas ]

Fotos: [ Akira Akika ]

+ infos: [ e-campo ]

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Curso de Horta Orgânica (em espanhol, legendado em português)

Este curso online e gratuito disponibilizado pelo BorelliStudio – um canal de vídeos educativos e de entretenimento de alta qualidade – é composto de 10 videoaulas. A duração de cada videoaula é de cerca de 30 minutos. Veja abaixo:

Aula 1 – A Horta Orgânica – (27m:23s);

Aula 2 – Composição do Solo e Adubos – (27:15);

Aula 3 – O Plantio (Primeira parte) – (28:24);

Aula 4 – O Plantio (Segunda parte) – (25:54);

Aula 5 – As culturas – (24:48);

Aula 6 – A Horta em Vasos – (27:27);

Aula 7 – Controle de pragas e doenças (Primeira parte) – (25:52);

Aula 8 – Controle de Pragas e Enfermidades (segunda parte) – (25:52);

Aula 9 – Cuidados e manutenção de uma horta orgânica – (28:22)

Aula 10 – A Colheita – (26:58).

Lembre-se de ativar as legendas, caso elas não apareçam automaticamente.

Bom proveito! Bom cultivo!

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Dossiê ABRASCO – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde

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“Este dossiê é um alerta da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrascp) à sociedade e ao Estado brasileiro. Registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no país e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos sobre a saúde pública e a segurança alimentar e nutricional da população”

Para baixar [ CLIQUE AQUI ].

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Noções morfológicas e taxonômicas para identificação botânica

 Autoria: MARTINS-DA-SILVA, R. C. V.; SILVA, A. S. L. da.; FERNANDES, M. M.; MARGALHO, L. F. Ano de publicação: 2014


Autoria: MARTINS-DA-SILVA, R. C. V.; SILVA, A. S. L. da.; FERNANDES, M. M.; MARGALHO, L. F.
Ano de publicação: 2014

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