Arquivo da categoria: Controle biológico

“Queremos uma horta em casa”: Saiba como os ciclos da lua podem ajudar

Hortaliças, tubérculos, leguminosas, ervas… Cada grupo, com suas variadas espécies, tem a melhor época de semear e colher. Observar a natureza é uma das melhores formas de aprender.

Ter uma horta orgânica em casa passou a ser o objeto de desejo de muitas famílias. Se você também deseja produzir alimentos livres de agrotóxicos e frescos, estude o melhor espaço para receber terra onde você mora. Em um canteiro de 3 x 4 metros já é possível iniciar uma pequena produção orgânica.

Importante fazer um breve estudo de horticultura, a começar pelos instrumentos e equipamentos que são necessários, além das noções sobre solo, germinação de sementes, reconhecimento e controle de ervas daninhas e pragas, para então iniciar o projeto da horta da família. Outro fator importante, na opinião de Anderson Porto, pequeno produtor rural e criador do portal Tudo Sobre Plantasé desenvolver uma leitura mais próxima da natureza. “Observar os ciclos da lua pode ajudar a marcar as melhores épocas de plantio, cultivo e colheita”, ele acrescenta.

Como os ciclos da lua podem ajudar na horticultura

Lua Nova: Melhor época para acontecer a semeadura, o plantio de tudo o que cresce acima da terra. Ideal também para o corte de bambu para construção; colheita e plantio de raízes, tubérculos, rizomas e bulbos; podas gerais para a produção de matéria seca.

Lua Crescente: Nesta época, a seiva sobe para as folhas, concentrando-se nos talos e ramos. Quando também pode ocorrer o plantio de tudo o que cresce acima da terra (tomate, laranja, alface, milho, soja são alguns exemplos). Durante a lua crescente, costuma acontecer a colheita de folhas (medicinais) e, pouco antes da lua cheia, a colheita de cereais. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase. Já no final da lua crescente, costuma ocorrer o corte de madeira para lenha.

Lua Cheia: Perto da lua cheia, as plantas estão com seus aromas potencializados, atraindo animais. No período de maior luminosidade lunar, a seiva está nas folhas. A lua cheia é ideal para a colheita de flores, frutos e folhas, assim como o plantio. Deve-se evitar mexer muito nas plantas, limitando-se a retirar folhas secas e galhos. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase.

Lua Minguante: A seiva desce para as raízes. Boa época para plantio, semeadura de tudo o que cresce abaixo da terra (alho, cenoura, cebola, mandioca, batata, rabanete são alguns exemplos). Podas e corte de árvores e bambus estão em boa fase. Pouco antes da lua nova, é o momento ideal para colheita de sementes. Dê preferência para intercalar adubações de 15 em 15 dias, sendo uma delas durante o último quarto minguante.

fonte: [ Fluid ]

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Adubação, Alimentos, Artigos, Controle biológico, Curiosidades, Estudos, Etnobotânica, Eventos, Meio Ambiente, Observações, Plantas Medicinais, Técnicas

O que não te contaram sobre o Míldio nas parreiras

20170422_165249

Todo ano é a mesma coisa. Chega uma certa época do ano e a parreira é “atacada” por este fungo e perde todas as folhas.

Segundo a literatura sobre cultivo de parreiras de uvas:

com a chegada do verão e início das chuvas, a viticultura passa pelo momento mais crítico com relação ao míldio, doença causada pelo fungo Plasmopara viticola – provavelmente a mais séria das doenças para a cultura da uva. O míldio é uma doença mundial, sendo problema onde o desenvolvimento da cultura é acompanhado pela alta umidade e temperaturas moderadas a quentes. A temperatura ótima para o desenvolvimento da doença é de 18oC a 24oC, com um mínimo de 12oC a 13oC e um máximo de 30oC.“[1]

Pois bem… Ao longo dos anos comecei a reparar que as plantas desenvolveram interações com outras espécies no meio ambiente. Elas literalmente “conversam” com insetos através de atrativos químicos e outras formas de comunicação.

20170422_164850

Comecei a perceber então que o “míldio” faz parte do ciclo natural da Vitis vinifera, ocorrendo todos os anos. Sua função é fazer com que a parreira perca suas folhas, e assim elas possam armazenar água para a época de dormência (abril a agosto).

Perder as folhas significa menos evapotranspiração. A planta passa a bombear menos água para a atmosfera, digamos assim.

É claro, ocorrer naturalmente não significa que deva-se deixar se instalar ou alastrar num cultivo destinado a comercialização. Ao investir numa produção de uvas gasta-se tempo e dinheiro, e portanto torna-se necessário obter um retorno desse investimento.

Para isso, em um cultivo que respeite o meio ambiente, existem as plantas bioindicadoras (pr ex., roseiras) plantadas perto, fungicidas e fertilizantes orgânicos. As soluções existem.

Em cultivos caseiros não há necessidade de combate. Basta acompanhamento. Você abdica do controle em prol do ciclo natural e apenas observa a natureza seguir seu curso.

Quis apenas trazer esse assunto à baila porque reparei que esse pequeno “detalhe”, a ocorrência de forma natural do míldio não é destacada devidamente nas publicações sobre este assunto. Ninguém fala sobre isso.

Colocam sempre o míldio como uma praga, devastador, etc., sem comentar sobre ele fazer parte do ciclo natural da Vitis vinifera.

Interessante, não?

Abraços!

Anderson Porto
(25/04/2017)
___
[1] http://www.grupocultivar.com.br/artigos/uva-hora-do-ataque-do-mildio

[2] Mais infos sobre Vitis vinifera: http://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=22240

Deixe um comentário

Arquivado em Controle biológico, Cultivo, Curiosidades, Doenças, Meio Ambiente, Observações

4º Curso de HORTAS em Pequenos Espaços – ONLINE – edição 2017

Sobre o CURSO

O curso é uma introdução ao Cultivo de Hortas Orgânicas em Pequenos Espaços. Irá preparar você para dominar todas as etapas de cultivo orgânico de alimentos, temperos e plantas aromáticas, utilizando espaços ensolarados que estejam disponíveis em áreas cimentadas, paredes, varandas, janelas e pequenos pedaços de terra no quintal.

O curso prepara os alunos para desenvolverem com máxima eficiência HORTAS COMUNITÁRIAS em quintais, escolas, terrenos baldios e/ou espaços públicos no condomínio.

Início, dias da semana e carga horária

O curso começa dia 5 de JUNHO de 2017, com carga horária máxima de 14h, em dois dias na semana: SEGUNDA e QUARTA.

São 4 aulas de até 2 horas cada, das 20 às 22h, podendo haver uma aula extra, caso seja necessário tirar dúvidas.

Nível do curso – público alvo

O curso é voltado para INICIANTES, pessoas que nunca plantaram ou que desejam aprender técnicas específicas para o cultivo de plantas em pequenos espaços.

Para fazer algumas atividades é necessário habilidade no manuseio de soldas elétricas, tesouras, serras, serrotes e/ou furadeiras, além de vasos, garrafas PET e demais materiais e ferramentas necessárias para o plantio.

Objetivo geral

Os alunos assistem as aulas no conforto de sua casa ou trabalho, via ambiente virtual de EAD (Educação à Distância via Internet), com apresentação de slides do curso e áudio transmitido online em tempo real, com espaço para comentários e perguntas para o professor.

Serão apresentadas informações sobre todo o ciclo de cultivo de alimentos, começando pela germinação de sementes, a preparação de substratos, como fazer compostagem, como e quando fazer o transplante de mudas, quais os tratos culturais necessários, como fazer a adubação, como instalar uma irrigação automática e quando e como fazer a colheita.

Durante o curso são passadas atividades para colocar em prática aquilo que o aluno está aprendendo. Desta forma, na próxima aula todos podem tirar dúvidas e comentar sobre possíveis dificultades que estejam tendo. Mais do que simplesmente um curso, é também uma consultoria online com um profissional especializado.

Ao final do curso os alunos estarão capacitados a cultivar seu próprio alimento orgânico, desenvolendo um contato maior com as plantas e economizando para sempre nas compras do mês.

Foi criado um grupo de estudos específico  para o curso no Facebook, para que os alunos possam trocar experiências e receber orientações durante e após o curso.

Valor e inscrições

Valores a partir de 11/04/2017:

  • Valor integral: R$ 198,00.
  • Parcelado em 03 vezes de R$ 79,00.

Pagamento por depósito em conta. Dados da conta enviados por email, após a inscrição.

[ CLIQUE AQUI PARA SE INSCREVER ]

É necessário o envio dos comprovantes de depósito para confirmar as inscrições, até 20/05/2017, por email: tudosobreplantas@gmail.com

A prioridade nas inscrições foi dada a todos que responderam a pesquisa do curso.

RESTAM POUCAS VAGAS!
___

Sobre o AUTOR

DSC_3890_recorte

O gestor do projeto Tudo Sobre Plantas, Anderson C. Porto, possui mais de 10 mil horas de experiência no cultivo de hortas orgânicas e plantas em geral.

Formado em Tecnologia em Processamento de Dados, pela FACHA-RJ, em outubro de 2002 começou o projeto Tudo Sobre Plantas criando um grupo de estudos sobre plantas, e desde então vem cadastrando informações e fotos de espécies nativas ou exóticas cultivadas em um banco de dados de acesso público e gratuito na Internet.

Durante todos esses anos já ministrou cursos e workshops de plantio, cultivo de bonsai e instalação de irrigação automática.

Possui formação técnica em produção de mudas, implementação de floriculturas, sistemas produtivos, manejos culturais e recuperação de nascentes. É autodidata em poda de frutíferas, cultivo de bonsai, reaproveitamento e economia de água, instalação e manutenção de sistemas de irrigação por gotejamento e aspersão, berçários de germinação de sementes, compostagem acelerada e utilização de areia em substratos. Fora a paixão por fotografia.

Como desafio, durante os últimos 5 anos desenvolveu técnicas específicas para o plantio com areia, compostagem acelerada e cultivos visando a economia de água. O curso atual é um resumo desta experiência.

É o atual gestor da fanpage do projeto Tudo Sobre Plantas no Facebook:
https://www.facebook.com/tudosobreplantas/

+ informações por email: tudosobreplantas@gmail.com

Bom curso a todos e todas!

2 Comentários

Arquivado em Adubação, Alimentos, Controle biológico, Cultivo, Cursos, Eventos, Mudas, Notícias, Orgânicos, Passo a passo

A Lavoura

por  Ana Maria Primavesi

ana_maria_primavesi

A Lavoura

A economia brasileira é alavancada e sustentada pela atividade agrícola. O país é visto como celeiro de alimentos para o mundo. A atividade agrícola iniciou o salto de desenvolvimento com a revolução verde (com máquinas ampliando a produtividade humana, adubos, defensivos, irrigação, sementes responsivas ao nitrogênio), seguido pela agricultura conservacionista (plantio direto na palha), e atualmente a agricultura digital (de precisão), em que as máquinas são dirigidas por computadores, orientados por satélites. E certamente existe a certificação de boas práticas de manejo e a rastreabilidade para segurança do consumidor.

Os problemas ambientais como plantas daninhas, pragas, estresse hídrico, estresse térmico, estresse salino e diversos outros estresses, recebem o aporte de tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética, que garante ser solução de ponta para esses problemas.

Porém, as fábricas de proteínas, carboidratos, fibras e energia, as plantas, continuam tendo raízes. Raízes que representam figurativamente os intestinos (por onde absorvem água e nutrientes) e, junto com o colo, que seria os pulmões (absorvem oxigênio para a respiração) das plantas. O estômago seria constituído pela rizosfera, onde nutrientes são disponibilizados, sendo afetados pelo pH (acidez). E este trato digestivo e pulmonar das plantas, necessita de um substrato úmido, aerado, fresco, com um limite de salinidade e de acidez. Ou seja, um solo agregado, permeável, vivo (com intensa atividade biológica).

Para que isso ocorra necessita de tripla proteção permanente (dossel vegetal; serapilheira ou restos vegetais ou cobertura morta ou mulch; e trama radicular abundante na superfície e em profundidade), contra insolação excessiva, impacto das gotas de chuva tropical, e com bom teor de matéria orgânica, que é fonte de energia para essa vida do solo, e também atua como se fosse a fibra para dar funcionalidade ao trato digestivo das plantas, às raízes e à rizosfera.

Sistematicamente, com cada avanço tecnológico, o solo vem sendo relegado ou mesmo eliminado do planejamento de gestão da propriedade. Na revolução verde proibia‐se o uso de adubos orgânicos. E aconselhava‐se que os restos vegetais deveriam ser incorporados profundamente ou fornecidos como alimento ao gado bovino, ou mesmo sendo utilizado como fonte de energia industrial ou simplesmente queimados.

Veio o sistema plantio direto na palha. Com esse sistema foram eliminadas gradativamente as práticas mecânicas de conservação de solo e de água. E conforme a região, e com a possibilidade de se realizar mais de um cultivo por ano, foi desaparecendo o cuidado pela produção de palhada para proteger osolo, e alimentar a vida do solo.

Atualmente não se diz mais plantio direto na palha, mas simplesmente plantio direto, onde o que importa são as máquinas, os herbicidas e os cultivares resistentes aos herbicidas. Como consequência o solo, sem retorno adequado de material orgânico e sem sua conservação adequada, degrada, compacta, encrosta, erode, esquenta e resseca, amplia os estresses hídricos e térmicos para os cultivos, e aumenta a incidência de pragas e de patogenias. O produtor ou empresário rural vê a solução no uso dos agroquímicos, na engenharia genética, e na robótica teleguiada.

E o solo?

Antes, abandonava‐se uma área de solo degradado, improdutivo, por uma nova área de cultivo. Mas estas novas áreas, sob mata nativa, também estão acabando, por conta da degradação, da urbanização, da mineração a céu aberto, da submersão por lagos artificiais de hidrelétricas. Soluções modernas aparecem. De Nova Iorque vêm notícias de fazendas hidropônicas em edifícios (vertical farm). Da Holanda vêm notícias de fazendas hidropônicas flutuantes (floating farms). Não se precisa mais de solo. Será? Os solos bons e férteis servem para serem urbanizados.

Acredito que neste ponto seria interessante resgatar a lembrança sobre a verdadeira necessidade e função do solo. Muitos chamam‐no pejorativamente de pó (na seca) e barro (nas chuvas), que tudo emporcalha.

Com o advento da ideia da agricultura sustentável, o solo de referência geralmente citado é o da mata virgem, do ambiente natural clímax. Mas acredito que o referencial mais lógico e impactante seria o do ambiente natural primário, em que predomina a rocha exposta. Aí não tem solo. Nem água residente, nem lençol freático. As amplitudes térmicas e hídricas são extremas. Tem água somente quando chove. As chuvas são torrenciais. Os ventos e brisas que levam umidade são mais intensos. É um ambiente inóspito para a vida superior e a produção de biomassa. Não ocorrem os chamados serviços ecossistêmicos, ou seja, não há estruturas nem processos naturais para garantir a produção de biomassa.

A estratégia inicial da natureza para transformar esse ambiente natural primário em natural clímax foi o de reter a água das chuvas. Para isso, foi preciso primeiramente produzir algo como uma esponja, construir o que chamamos de solo permeável e com capacidade de armazenar água, a partir da degradação das rochas. Para tanto designou os líquens (algas+fungos) a iniciarem os trabalhos de desmonte das rochas. Os líquens utilizavam o artifício da cor clara (albedo alto) para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento exagerado do substrato. Os líquens mortos foram a primeira matéria orgânica visível na formação dos solos, e de sua proteção. Era preciso proteger a superfície.

Conforme a camada de solo ia sendo formada, aumentava a água residente. Foi estabelecido o lençol freático. Havia água para as plantas superiores fora do período das chuvas. A função primeira do solo é captar e armazenar água das chuvas de forma disponível. É a água residente. Plantas pioneiras de diversas espécies foram se estabelecendo. E conforme o solo ia aprofundando, e sendo colonizado por plantas diversificadas, foi diversificando a vida associada às plantas e a vida do solo. É que as exsudações radiculares (como de açúcares e aminoácidos) e os restos vegetais serviam de fonte de energia para estes seres de vida livre, e também para os simbióticos. Mais água era captada e armazenada. Esse novo ambiente emergente, num desenvolvimento construtivo, sintrópico, permitia o aparecimento de novos seres, novas espécies. As cadeias alimentares formavam teias alimentares, aumentando a resiliência ou estabilidade da vida nos ecossistemas.

Os organismos do solo servem para dar continuidade aos processos químicos de construção da estrutura agregada, grumosa, do solo, que permite a circulação fácil de água e de ar (oxigênio, produzido pelas partes verdes dos vegetais durante a fotossíntese), bem como o desenvolvimento das raízes. E ainda servem para auxiliar na nutrição mineral e orgânica das plantas. Mas para isso precisam de material orgânico na superfície do solo, a serapilheira, em condições aeróbicas.

Sim, material orgânico bruto, não estabilizado biologicamente, na superfície do solo, em contato com o solo, e não enterrado. Este material poderia ser misturado com a terra superficial, até no máximo de 5 cm. Os organismos do solo degradam o material orgânico, sendo que nas etapas iniciais bactérias celulolíticas produzem gomas que auxiliam na colagem de partículas minerais floculadas quimicamente, e posteriormente fungos que vão atrás da energia dessa goma bacteriana enlaçam esses agregados, estabilizando‐os contra a ação dispersante da água. Mas esse processo, realizado por material orgânico bruto, não compostado, necessita ser renovado continuamente ao longo do ano.

Por isso da importância de manter o solo constantemente vegetado, preferencialmente de forma diversificada, com suas atividades radiculares e produção de restos vegetais para proteger a superfície do solo. A diversificação é necessária para diversificar a atividade biológica e assim dar estabilidade à teia alimentar e garantir a porosidade do solo. Por isso se diz que solo não vegetado deixa de ter a função primeira de solo. Volta às condições impermeáveis de uma rocha. Perde a capacidade de captar e armazenar água.

Neste desenvolvimento construtivo, verifica‐se o aparecimento de diferentes estruturas e processos, ou serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a capacidade de produção de biomassa ou culturas com sua vida associada, como bactérias, fungos, insetos como abelhas, borboletas, besouros, formigas, bem como também pássaros, mamíferos e outros. A natureza finaliza esse processo construtivo de ecossistemas naturais clímax com árvores, tanto faz se o ambiente é quente ou frio. As árvores esquentam ambientes frios (por conta da cor escura das folhas) e esfriam ambientes quentes (por conta da transpiração), além de atuarem na umidificação do ar e na atenuação das temperaturas e amplitudes térmicas, tornando o ambiente mais hospitaleiro para a vida superior.

Assim, quando se domestica o ecossistema natural clímax para transformá‐lo em agroecossistema, deveria ser considerada, planejada, a manutenção da infraestrutura natural mínima para captar e armazenar água das chuvas, manter um ambiente saudável para o trato digestivo das plantas, manter estável a estrutura estabilizadora do microclima favorável à produção vegetal e ao funcionamento dos insumos empregados. Isso seria considerar princípios ecológicos de boa produção. Pertence ao rol das boas práticas de manejo agrícola. Garantindo a produção sustentável, do ponto de vista ambiental.

Quando se desconsidera esses aspectos biológicos, priorizando os aspectos químicos e talvez também os físicos do solo (mas não os biofísicos), pratica‐se uma agricultura mineradora, uma regressão ecológica, de volta às características ambientais primárias inóspitas à produção, por mais tecnologia que se queira aplicar para substituir os serviços ecossistêmicos essenciais. Seria como o de um ambiente urbanizado, sem áreas verdes, impermeabilizado, quente e seco, inóspito, causador de alergias, viroses e muitas doenças. Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Cidades vivem do campo. É a terra que as mantém.

Assim, manter o solo protegido superficialmente com material orgânico não é uma necessidade somente para a agricultura orgânica, mas vale mais ainda para a agricultura industrial, digital. Ainda mais sabendo‐se que a matéria orgânica do solo, em nossas condições tropicais, é responsável por 60 a 80% da capacidade de troca catiônica do solo, ou seja, consegue estocar os adubos aplicados de forma disponível para as plantas, reduzindo os prejuízos do produtor rural. Porque não adianta colocar adubo em um solo parcialmente morto, que a planta não vai conseguir usar, pois é exatamente essa microvida, alimentada pela matéria orgânica, que mobiliza os nutrientes necessários à cultura.

Visto isso, parece lógico que deveremos praticar uma agricultura conservacionista, de preferência agrossilvipastoril, em que o plantio direto volte a ser na palha, que aumenta a rugosidade do terreno, e que a quantidade e qualidade da palha seja o astro principal do sistema de produção. O estabelecimento de curvas de nível e de terraços de base larga também são necessários em terrenos mais inclinados, pois aí a palha segura muito bem o solo mas não toda a água, que é retida por rugosidades mais fortes do terreno. Deve‐se lembrar, solo sem cobertura vegetal permanente e diversificada (incluindo as árvores estrategicamente alocadas para interceptar a água das chuvas cada vem mais intensas), deixa de ter a função primeira, que é a de captar e armazenar água, o mineral mais importante para o sucesso e a sustentabilidade de nossa agricultura, a saúde de nosso povo. Solo cuidado com matéria orgânica fornece alimento nutricional funcional, conserva os solos propiciando seu cultivo ilimitado e a continuidade da vida no planeta.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

Deixe um comentário

Arquivado em Adubação, Alimentos, Artigos, Biodiversidade, Controle biológico, Cultivo, Ecologia

Como ajudar na divulgação da Rede Solidária de Alimentos?

para_impressao_A4_campanha_rsa_1_por_pag

Uma ideia que pode ajudar a melhorar o mundo! Iremos compartilhar o excedente dos alimentos, mudas e sementes através de um aplicativo GRATUITO para celulares.

A campanha de financiamento coletivo da REDE SOLIDÁRIA DE ALIMENTOS visa arrecadar fundos para o desenvolvimento de um aplicativo para celulares que funcione como se fosse um “Tinder”, só que para plantas.

A ideia principal é compartilhar o excedende de alimentos, criando uma rede colaborativa de distribuição que forneça alimentos gratuitamente entre vizinhos, familiares, amigos, como também para asilos, creches, igrejas e por aí vai.

Participe!  Acesse agora e escolha sua recompensa: https://goo.gl/UB69oz

O desenvolvimento de um aplicativo que realmente funcione e que promova a oferta e troca de alimentos, mudas e sementes necessita de uma equipe especializada em programação para celulares. E isso não é barato.

O QUE É O PROJETO TUDO SOBRE PLANTAS?

O projeto Tudo Sobre Plantas é um conjunto de ferramentas de pesquisa para ajudar as pessoas em sua busca por informações sobre espécies nativas e exóticas cultivadas.

O portal surgiu através de uma pergunta de seu filho, uma vez voltando da praia, quando ele perguntou sobre uma planta que colheu a folha e Anderson não soube responder, dizendo que iria pesquisar. De lá pra cá passaram-se 14 anos de muitos estudos…

Ele aproveitou um trabalho que fez na faculdade, pesquisou o que existia na Internet e começou um projeto de troca de informações sobre plantas, cadastrando em fichas de espécies tudo aquilo que aprendia.

Disponível a partir de dezembro de 2002, a base de dados, chamada de “Banco de Plantas Notáveis“, vem sendo constantemente aprimorada e atualizada. São atualmente 76 descritores que abrangem a maior parte dos usos, formas de cultivo, cuidados específicos e chaves para identificação.

Seleção_550

Exemplo de ficha de uma espécie.

O projeto cresceu e tornou-se uma importante ferramenta de pesquisa e divulgação de informações sobre plantas, aliando o conhecimento científico com a etnobotânica e descrevendo usos empíricos e científicos através de textos que podem ser entendidos por qualquer pessoa.

COMO NASCEU A IDEIA DA REDE SOLIDÁRIA DE ALIMENTOS?

Por mais de 25 anos o gestor do projeto Tudo Sobre Plantas, Anderson Porto, coordenou equipes e desenvolveu sistemas para grandes empresas como Comissão de Valores Mobiliários, Cultura Inglesa, Banco do Brasil, Petrobras.

A ideia do APP nasceu há cerca de 10 anos. Ele criou uma opção para que os usuários marcassem, nas fichas de espécies, quais eram suas favoritas, quais estariam em busca, quais teriam para oferecer… Entretanto, o sistema não funcionava de forma satisfatória por email e foi necessário aguardar que as tecnologias se desenvolvessem e chegarmos nos smartphones e tablets, para poder arrecadar fundos e lançar uma versão que possa ser acessada por qualquer pessoa, de qualquer lugar do planeta, via celular.

QUAL O OBJETIVO DESSA CAMPANHA?

Ao longo desse tempo estudando sobre plantas, em 2011 Anderson resolveu se mudar para uma cidade do interior (Araruama, RJ) e começar uma produção caseira de alimentos, plantando no quintal tudo que fosse possível: hortaliças, frutíferas, temperos…

20160826_103123

Anderson Porto, gestor do portal Tudo Sobre Plantas.

Aí aconteceu uma coisa interessante. Ele descobriu que a Natureza produz MUITO, mas muito além do que é possível consumir. Mesmo dando de presente esses alimentos para os vizinhos, família, amigos… ainda sobrava muita coisa.

O objetivo dessa campanha é criar um aplicativo para celular que possibilite doar o excedente de alimentos a quem precisa, garantindo o seu consumo.

Além disso, o aplicativo permitirá que as pessoas conheçam outros cultivadores de sua região e possam também trocar mudas e sementes, aumentando a variedade do que PRODUZEM.

Para quem quer começar a plantar e não sabe como, o projeto Tudo Sobre Plantas fornece também o suporte técnico com informações corretas sobre como plantar, cuidar, adubar, irrigar, quando colher…

COMO AJUDAR?

Acesse a campanha no site BENFEITORIA.COM e escolha uma recompensa, pagando com cartão ou boleto bancário. Após fazer a sua colaboração divulgue para seus amigos, para que mais e mais pessoas possam colaborar.

Para ajudar na divulgação do projeto criamos cartazes em formato A4, para que todos possam imprimir e colar nos quadros de avisos de escolas, faculdades, universidades, igrejas… Onde for possível divulgar.

Para efetuar o download do arquivos acesse:

Contamos com a ajuda de todos vocês!

Colabore, contribua, dê o exemplo, faça a sua parte!
http://goo.gl/UB69oz

logo_tudosobreplantasEste projeto é representado por uma árvore: rumo ao sol, gerando vários frutos e sementes, sempre fornecendo abrigo indistintamente a todos que dele necessitam.

Participe! Seja bem vindo!


O portal Tudo Sobre Plantas é desenvolvido e mantido por seu criador, Anderson C. Porto, analista de sistemas, fotógrafo amador, poeta, amante da Natureza e pesquisador autodidata de espécies de plantas do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

Arquivado em Alimentos, Controle biológico, Cultivo, Estudos, Fotos e Vídeos, Jardinagem, Notícias, Orgânicos, Parcerias, Passo a passo, Plantas Medicinais, Projetos, Software

Como preparar ME – Microorganismos Eficazes (EM4)

ME = Microorganismos Eficazes. Em inglês, EM.

São microorganismos vivos (bactérias, leveduras, actinomicetos, fungos, bactérias e outros).

11737886_1680976862134346_5602529962689320191_n

Para que serve:
­

  • Estabelecimento do equilíbrio da flora microbiana ou seja estabelecimento do equilíbrio da vida do solo.
  • Servem para inocular visando provocar e acelerar a fermentação de Bokashi e compostos orgânicos .
  • Ajudam na fixação do nitrogênio e ajudam na decomposição putrefativa da matéria orgânica e ao mesmo tempo eliminamos vários efeitos nocivos causados pela matéria orgânica não decomposta.
  • Exerce uma grande ajuda auxiliar no controle de doenças de folhagem.
  • Provocam a mineralização da matéria orgânica.

Benefícios do uso:

  • Melhoram a capacidade fotossintética das plantas;
  • Aumentam a eficácia das matérias orgânicas como fertilizantes;
  • Melhoram os aspectos físico, químico e biológico do solo;
  • Eliminam doenças e patógenos do solo;
  • Fermentam matéria orgânica ao contrário de deteriorá-la. Assim, qualquer tipo de matéria orgânica pode ser usada para fazer composto com EM, já que não há produção de odores ofensivos;
  • Decompõem matéria orgânica rapidamente, uma vez incorporada no solo;
  • Facilitam a liberação de quantidades maiores de nutrientes para as plantas.

Material :

  • 1 gomo de bambu açú cortado ao meio
  • 700 gramas de arroz cozido sem óleo e sem tempero
  • 1 litro de garapa
  • 5 garrafas pet’s

11694837_1680976962134336_5223124711592984690_n

Captura dos Microrganismos Eficientes :

  • Cozinhe aproximadamente 700 gramas de arroz sem sal.
  • Coloque o arroz cozido em bandeja de plástico ou de madeira ou ainda em calhas de bambu.
  • Cobrir com tela fina visando proteger.
  • Coloque a bandeja com arroz e a tela em mata virgem (na borda da mata) e deste modo capturar os microrganismos.
  • No local onde vai deixar a bandeja, afastar a matéria orgânica (serrapilheira). Após colocar a bandeja, a matéria orgânica que foi afastada deve cobrir a bandeja sobre a tela.
  • Após 10 a 15 dias os microrganismos já estarão capturados e criados.
  • Nas partes do arroz que ficarem com as colorações rosada, azulada, amarelada e alaranjada estarão os microrganismos eficientes (regeneradores). As partes com coloração cinza, marrom e preto devem ser descartadas (deixe na própria mata).
  • Observação: as colorações no arroz variam em função do tipo de mata onde foram capturados os microrganismos.
  • Quanto mais diversificada e estruturada for a mata mais cores estarão presentes.

11750609_1680976895467676_3340401265474706660_n

Ativar os Microrganismos Eficientes :

  • Distribuir o arroz colorido em mais ou menos 5 garrafas de plástico de 2 litros
  • Colocar 200 ml de melaço em cada garrafa.
  • Completar as garrafas com água limpa (sem cloro) ou água de arroz.
  • Fechar as garrafas e deixar à sombra por 10 a 20 dias.
  • Liberar o gás (abrir a tampa) armazenado nas garrafas, de 2 em 2 dias.
  • Coloque a tampa e aperte a garrafa pelos lados retirando o ar que ficou dentro da garrafa (a fermentação deve ser anaeróbica, ou seja, sem ar, sem presença do Oxigênio). Aperte bem a tampa.
  • Está pronto o EM (neste momento não há mais produção de gás dentro da garrafa).

O EM tem coloração alaranjada. Pode ser mais clara ou mais escura, o que depende da matéria-prima, não implicando, porém, na qualidade do produto. O cheiro é doce agradável. No caso de apresentar mau cheiro, o EM não deve ser usado. Pode ser armazenado por até 1 ano.

Observações:

  • A água tratada com cloro (água de rua, água de cidade) deve ser previamente colocada em recipiente destampado.
  • Somente após 24 horas a água poderá ser usada. Isso porque o cloro mata os microrganismos. A água de mina é usada diretamente.
  • O melado (pode ser substituído por caldo de cana) é alimento dos microrganismos. Por isso faz crescer a comunidade microbiana ativa que pelas reações de fermentação, produzem ácidos orgânicos, hormônios vegetais (giberelinas, auxinas e citocinina), além de vitaminas, antibióticos e polissacarídeos, enriquecendo a solução.

11745768_1680976732134359_2666509235508186993_n

Onde e como usar:

Usos Agrícolas

– EM solo: 100 ml para cada 100 litros de água;
– EM planta: para cada 100 litros do EM solo, colocar 5 ml de vinagre.

– No Bokashi: aplicar o EM até atingir 50% de umidade, ou quando se apertar um punhado da mistura e ela fica molhado sem escorrimento de água entre os dedos

– Inoculação em sementes (use somente sementes que não foram tratadas com fungicidas):
Coloque as sementes imersas em solução de EM/solo durante 1 hora. Sementes que absorvem mais água ficam tempo menor. Sementes que absorvem menos água ficam maior tempo imersas.

Pode ser feita a peletização das sementes: umedecer sementes com a solução EM/solo. Acrescentar cinza de fogão ou farelo (pode ser farelo de arroz, soja, mamona, etc.) envolvendo as sementes. Pronto, está feita a peletização.

– Para animais
Como fonte de nutrientes dos animais o EM é acrescido ao alimento ou à água de beber.
Na água de beber, a cada 3 litros de água acrescente 1 colherzinha do EM.
No tratamento dos resíduos animais (cama-de-frango, estercos, fezes de cachorros e gatos) o EM/solo é pulverizado sobre os resíduos.
Pode também ser utilizado na limpeza das instalações e em banhos de higienização.
O uso do EM elimina mau cheiro e moscas. Ao iniciar o uso do EM, aplicar uma vez a cada três dias, durante o primeiro mês. Quando o mau cheiro diminuir a pulverização poderá ocorrer apenas 1 vez ao mês.

– Descontaminação de lagoas:
• Misture 1 litro de EM em 1.000 litros de água a ser tratada.
• Observe a água durante 1 a 6 meses. Se necessário repita a aplicação e aguarde o próximo mês.
• Ao alcançar os resultados esperados, há necessidade de manutenção do sistema. Aplique mensalmente 1 litro de EM por 10.000 litros de água.
O método de aplicação, assim como as dosagens, pode variar de acordo com as condições do sistema local. Em água corrente também pode ser usado. Pense nos custos, no modo de aplicar, no envolvimento com seus vizinhos e toda a comunidade.

– Aterro sanitários:
Prepare a solução a 5% de EM (5 partes de EM, por 95 partes de água). Pulverize diariamente sobre os resíduos. Em grandes aterros sanitários, o uso de caminhão pipa é fundamental nas aplicações. Supondo que o caminhão pipa de 10.000 L pulveriza toda a área do aterro sanitário, então adicione 500 L de EM no tanque do caminhão, complete com água e pulverize. É recomendável que as pulverizações sejam feitas nas primeiras horas da manhã.
Use esta mesma proporção (5%) na limpeza das ferramentas e máquinas, e principalmente na lavagem dos caminhões de coleta do lixo.
No meio rural, no tratamento dos resíduos de banheiro, a família agrícola pode usar o EM. É opção no tratamento das fossas sépticas.
No meio urbano pode ser aplicado nas caixas de gordura das casas.

– Preparo de solo ou berço (cova é de defunto 😀 ):
misture matéria orgânica vegetal (mato, adubação verde, etc…) com ½ de farinha de osso (200 g/m2) + ½ farelo de arroz (200 g/m2) a terra. Molhar BEM o terreno/leiras com uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 por m2 (em solos muito pobre pode-se usar até 1:1:300). Cobrir o solo com palha ou capim. Se você tiver pressa, após 10 dias pode-se fazer o plantio das sementes ou transplante das mudas. O ideal é aguardar 3 meses para usar o berço e, uma semana antes de plantar, regar com uma solução de EM a 1:1000.

– Nos solos e nos berçários de plantio:
Cada 1 litro do EM dissolver em 1000 litros de água e está pronto o EM/solo (solução de aplicação ao solo).
Lembrete: a água tratada com cloro deve ser colocada um dia antes em recipiente destampado, por 24 horas. No dia seguinte acrescente o EM. O cloro mata microrganismos.
O EM/solo é utilizado na pulverização da terra como ativador/acelerador da decomposição da matéria orgânica, contribuindo com o aumento da vida no solo. É tecnologia de mobilização dos nutrientes.
O bom preparo do solo é feito cobrindo o solo com produtos naturais de origem vegetal (folhas, adubação verde, capim picado, restos de cultura, etc.) e de origem animal (esterco, “cama de galinha”). Molhar o solo ou as leiras com a solução de EM/solo.
Atenção! Molhar bem as leiras. Após a aplicação do EM/solo cobrir as leiras com capim ou palha. Manter o solo úmido. Esperar 7 a 10 dias até o semeio ou o transplante das mudas.

– Pulverizações foliares:
fazer uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 e fazer pulverizações foliares semanalmente até observar uma melhora na estrutura do solo e na saúde das plantas, então pulverize quinzenalmente.

– Preparos de compostos:
fazer os montes de no máximo 1 metro de altura, regar com uma solução de EM a 1:100. Proceder os tratos para como em uma compostagem normal. Não deixar que a temperatura sua alem de 55ºC, caso isso venha a acontecer, revolver o monte. Ao revolver, caso o monte apresente mau cheiro, regar novamente com a solução de EM indicada acima. Dependendo das condições ambientes, do material usado para compostar e do local o composto poderá ficar pronto em 15 dias, no mínimo.

– Pulverização de plantas:
A pulverização das plantas é feita com o EM/planta.
Adicione em 100 litros de EM/solo, ½ litro de vinagre e está pronto o EM/planta.
É indicado após a germinação ou em culturas já estabelecidas.
Aplicar via pulverizações foliares ou via regador.
Fazer aplicação semanal até melhorar a estrutura do solo ou melhorar a saúde da planta.
Depois fazer pulverizações quinzenais.
No ano em que se começa a usar o EM, o número de aplicações é maior.
Se as condições de crescimento das plantas estiverem em ordem, ano após ano, a frequência pode diminuir.
Pulverizar no período da manhã ou após a chuva

– Na recuperação de solos degradados
A sugestão de dosagem e frequência de uso é a seguinte:

• 100 a 200 L por ha, realizando 4 a 8 aplicações anuais.
• 1º ano ‒ 200 L por ha / 8 aplicações por ano
• 2º ano ‒ 150 L por ha / 6 aplicações por ano
• 3º ano em diante ‒ 100 L por ha / 4 aplicações por ano.

Dicas e cuidados:

  • Não espere resultados imediatos. O EM é um organismo vivo e, para atuar sobre a matéria orgânica, tem que, primeiro, se adaptar ao solo para, aos poucos, ir recuperando-o;
  • Utilizar a solução (EM + caldo de cana + água) no mesmo dia de preparo;
  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações no final da tarde ou em dias nublados;
  • No caso de queimar as bordas das folhas, utilizar uma concentração menor, 1 ml para 2 litros de água;
  • Não utilizar água tratada com cloro. Nesse caso separar um recipiente com água e ou deixar – descansar por 24 horas ou use desclorante comercial antes de misturar o EM;

A aplicação de EM só terá bom resultado se observada outras técnicas da Agricultura Orgânica, como:
cobertura do solo com palha, adição de matéria orgânica (adubação verde, compostagem,biofertilizante), um bom manejo conservacionista do solo, rotação e consorciação de culturas, entre outras práticas.

Cuidados ao guardar e aplicar o EM

  • Guardar em local fresco e ventilado.
  • Utilizar a solução no mesmo dia de preparo.
  • Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações pela manhã, bem cedinho, no final da tarde ou em dias nublados.
  • Os microrganismos são muito sensíveis à seca, por isso, no período do verão, quando a insolação é muito forte, a aplicação deve ser feita ao entardecer ou em dias nublados. O ideal é aplicar antes e depois da chuva, quando o solo está úmido.
  • Se queimar as bordas das folhas utilize concentração menor.
  • Não utilizar água clorada (de cidade). Separar o recipiente com água e após 24 horas obter a solução de EM.
  • As aplicações de EM podem ser feitas em conjunto com biofertilizantes.
  • O pulverizador ou o regador utilizado com agrotóxico deve ser lavado com água e sabão, diversas vezes, até sair todo o veneno. Se possível compre novo, separe e deixe só por conta do EM.

Fonte: [ Agroecologia Sulminas ]

Fotos: [ Akira Akika ]

+ infos: [ e-campo ]

Deixe um comentário

Arquivado em Biodiversidade, Controle biológico, Técnicas

Curso de Horta Orgânica (em espanhol, legendado em português)

Este curso online e gratuito disponibilizado pelo BorelliStudio – um canal de vídeos educativos e de entretenimento de alta qualidade – é composto de 10 videoaulas. A duração de cada videoaula é de cerca de 30 minutos. Veja abaixo:

Aula 1 – A Horta Orgânica – (27m:23s);

Aula 2 – Composição do Solo e Adubos – (27:15);

Aula 3 – O Plantio (Primeira parte) – (28:24);

Aula 4 – O Plantio (Segunda parte) – (25:54);

Aula 5 – As culturas – (24:48);

Aula 6 – A Horta em Vasos – (27:27);

Aula 7 – Controle de pragas e doenças (Primeira parte) – (25:52);

Aula 8 – Controle de Pragas e Enfermidades (segunda parte) – (25:52);

Aula 9 – Cuidados e manutenção de uma horta orgânica – (28:22)

Aula 10 – A Colheita – (26:58).

Lembre-se de ativar as legendas, caso elas não apareçam automaticamente.

Bom proveito! Bom cultivo!

Deixe um comentário

Arquivado em Alimentos, Biodiversidade, Controle biológico, Cultivo, Orgânicos, Vídeos

Publicação: A horta intensiva familiar

11143475_1118626451485407_6511972630098249774_n

[ CLIQUE NA IMAGEM PARA EFETUAR O DOWNLOAD ]

Manual do método Centro de Educaion y Tecnologia CET para implantação de hortas familiares, traduzido no final na década de 1990.

Fonte: [ AS-PTA ]

1 comentário

Arquivado em Alimentos, Controle biológico, Cultivo, Estudos, Técnicas

Ana Primavesi – brasileira pioneira da agroecologia

Engenheira agrônoma brasileira, de 92 anos, receberá o principal prêmio de agricultura orgânica mundial.

ana-primavesi

Depois de 65 anos na luta pela saúde dos solos, a engenheira agrônoma Ana Primavesi, de 92 anos, receberá o One World Award – o principal título de agricultura orgânica mundial. Conferido pela International Federation of Organic Agriculture Movements (Ifoam), o prêmio honra ativistas cujo trabalho tenha impactado positivamente a vida de produtores rurais, sobretudo os mais desfavorecidos. Neste ano, a cerimônia será realizada em setembro, na Alemanha.

Uma das pioneiras do movimento orgânico no Brasil, a austríaca naturalizada brasileira foi escolhida pelo grande impulso que deu aos movimentos agroecológicos não só no Brasil, como na América Latina, contribuindo, segundo os organizadores, para moldar um paradigma alternativo à agricultura industrial.

Ana dedicou a sua vida a ensinar como é possível aliar a produção de alimentos à conservação do meio ambiente, nunca se esquecendo do pequeno produtor e das suas necessidades. “O segredo da vida é o solo, porque do solo dependem as plantas, a água, o clima e nossa vida. Tudo está interligado. Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas, nutridas”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em 65 anos de trabalho, Ana não somente revolucionou a produção agrícola, mas também mudou a vida de muita gente para melhor. Por isso esse prêmio é mais que merecido. Se você quer se familiarizar um pouco mais com o trabalho desta agrônoma espetacular, vale a pena ler o livro Manejo Ecológico do Solo – escrito por ela e considerado uma das bíblias da produção orgânica e leitura obrigatória nas faculdades de Agronomia do país – ou assistir o documentário [ O Veneno Está Na Mesa ].

ana-primavesi_frase

Fonte: [ As Boas Novas ]

2 Comentários

Arquivado em Alimentos, Controle biológico, Cultivo, Ecologia, Orgânicos

Terras pretas e férteis de índios

Em áreas de antigas ocupações indígenas na Amazônia, existem solos de grande fertilidade e alta capacidade de reter carbono. A partir deles, cientistas desenvolvem biocarvão, que reproduz suas características e permite uma agricultura mais produtiva e orgânica.

Por: Antonio S. Mangrich, Claudia M. B. F. Maia, Etelvino H. Novotny

O biocarvão é produzido pelo aquecimento de biomassa na ausência de oxigênio ou com baixos teores desse gás. Esse processo, conhecido como pirólise, permite reter nas cinzas 50% do carbono inicialmente contido na biomassa. (foto cedida pelos autores)

O biocarvão é produzido pelo aquecimento de biomassa na ausência de oxigênio ou com baixos teores desse gás. Esse processo, conhecido como pirólise, permite reter nas cinzas 50% do carbono inicialmente contido na biomassa. (foto cedida pelos autores)

Naturalistas e geólogos que viajaram pela Amazônia, a partir da década de 1870, observaram manchas profundas de solo escuro, muito fértil, diferentes do solo pobre existente em quase toda a região. O solo amazônico comum é em geral arenoso ou argiloso, tem poucos nutrientes e exibe apenas uma fina camada superficial de húmus produzida pela floresta.

As manchas, ao contrário, são ricas em carbono, contendo, em média, 150 g desse elemento por quilo de solo, enquanto os outros solos da região têm de 20 a 30 g de carbono por quilo. Esses solos estão em geral associados a antigas ocupações indígenas, identificadas por fragmentos de cerâmica, ossos e outros vestígios – por isso, ganharam o nome de ‘terra preta de índio’.

Os solos escuros amazônicos vêm despertando, cada vez mais, o interesse dos cientistas, devido à sua fertilidade e à capacidade de reter carbono, evitando que seja liberado para a atmosfera. As importantes revistas científicas Nature e Science têm publicado, nos últimos anos, diversos artigos a respeito do assunto.

Além disso, vêm sendo criados grupos de pesquisa para estudar esses solos e encontros científicos são realizados para debater o tema. Em 2006, por exemplo, a reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) dedicou um simpósio – Amazonian Dark Earths: New Discoveries (Terras Pretas da Amazônia: Novas Descobertas) – a essa questão.

Alguns pesquisadores calculam que esses solos escuros ocupem 1% (63 mil km2) de toda a área de floresta na Amazônia, mas outras estimativas atingem até 10%. As terras pretas foram formadas pelos índios pré-colombianos, embora não esteja claro se foi um processo intencional de melhoria do solo ou um subproduto das atividades agrícolas e de habitação desses povos.

A ‘terra preta’, formada por índios pré-colombianos, é caracterizada pela cor escura e a presença de fragmentos de artefatos de cerâmica. Ainda não está claro se é resultante de um processo intencional de melhoria do solo ou um subproduto das atividades agrícolas e de habitação desses povos. (foto cedida pelos autores)

A ‘terra preta’, formada por índios pré-colombianos, é caracterizada pela cor escura e a presença de fragmentos de artefatos de cerâmica. Ainda não está claro se é resultante de um processo intencional de melhoria do solo ou um subproduto das atividades agrícolas e de habitação desses povos. (foto cedida pelos autores)

Essas terras caracterizam-se por altos teores de elementos químicos importantes para a nutrição das plantas (além do carbono, estão presentes cálcio, nitrogênio, fósforo, manganês e zinco) e por uma atividade biológica maior que a dos solos próximos.

O carbono está presente no solo na forma de carvão, gerado provavelmente por meio da queima de materiais orgânicos em condições especiais (com pouco oxigênio disponível). A grande concentração de carbono no solo melhora a absorção de água, facilita a penetração de raízes e torna as plantas mais resistentes.

O tipo de carvão encontrado na terra preta de índio garante a longa retenção do carbono no solo, ao contrário do que deveria acontecer na região amazônica, em que a temperatura e a umidade são elevadas. Nessas condições, a matéria orgânica tende a se degradar rapidamente, gerando gás carbônico (CO2), mas nas terras pretas esse processo pode demorar centenas ou milhares de anos.

Condicionamento dos solos

As qualidades das terras pretas de índios levaram pesquisadores, no Brasil e no exterior, a estudar a produção de um fertilizante orgânico condicionador de solo que imite suas características. O produto obtido a partir dessas pesquisas é chamado de biocarvão (biochar, em inglês).

O otimismo em torno do tema levou à criação de uma associação mundial, a Iniciativa Internacional Biochar (IBI, na sigla em inglês), que realiza congressos a cada dois anos. O último ocorreu no Rio de Janeiro, de 12 a 15 de setembro de 2010, com a presença de mais de 200 pesquisadores do tema, vindos de 30 países de todos os continentes.

O biocarvão é produzido pelo aquecimento de biomassa na ausência de oxigênio ou com baixos teores desse gás – processo conhecido como pirólise. Enquanto a combustão (ou seja, a queima na presença de ar) permite reter, nas cinzas, apenas 2% a 3% do carbono inicialmente contido na biomassa, a pirólise aumenta esse teor para mais de 50%.

Esse processo é utilizado, de forma rústica, nos fornos que produzem carvão vegetal no interior do Brasil: após uma etapa inicial de queima na presença de ar, para secar a madeira, os fornos são lacrados para a etapa da pirólise.

Na produção de biocarvão são utilizados resíduos orgânicos urbanos sólidos (restos de podas de árvores, lodo de esgoto), resíduos agrícolas (restos de culturas, bagaço e palha de cana-de-açúcar), resíduos industriais (da indústria de papel e celulose, por exemplo), ou materiais de origem animal (ossos, esterco).

Além do biocarvão, são gerados bioóleo e biogás, combustíveis substitutos do petróleo, em quantidades que dependem da condução do processo.

Fonte: [ Ciência Hoje ]

Deixe um comentário

Arquivado em Adubação, Controle biológico, Cultivo, Curiosidades