O que é uma planta?

As plantas são seres vivos incríveis com capacidades únicas sendo muito maior que a soma de suas partes.

Você já se perguntou o que é uma planta? Pode parecer uma pergunta boba, mas não é. É fácil ter a ideia do que é uma planta. Já transformar essa ideia ou lembrança que absorvemos intuitivamente, transformar em palavras e explicar para alguém o que é uma planta é mais difícil.

Cientificamente falando, uma planta é um organismo vivo, multicelular, autotrófico (que produz seu próprio alimento) e geralmente de cor verde. Esses atributos não são fixos, ou seja, podem variar de indivíduo para indíviduo, mas são casos específicos, por exemplo: plantas parasitas que não produzem o próprio alimento. Outra definição pode ser organismo vivo pertencente ao Reino Plantae.

Entretanto as plantas possuem atributos próprios a elas que não são tão intuitivos, mas fazem com que sejam seres vivos dotados de capacidades únicas na terra.

Sésseis e fotossintetizantes

Árvores recebendo luz solar e realizando a fotossíntese

As plantas são sésseis e fotossintetizantes. Isso quer dizer que elas não tem a capacidade de se locomover como os animais. Sem locomoção não podem sair em busca de alimento nem fugir em caso de perigo. As plantas não precisam se locomover pois produzem seu próprio alimento através de um processo chamado fotossíntese que converte gás carbônico e água em oxigênio e carboidrato com a energia proveniente da luz solar. Já para se defender das adversidades do clima as estratégias usadas são várias podendo ser estruturas específicas para proteção das partes mais importantes como as brácteas, por exemplo ou florescer numa época do ano mais favorável. Há também a fabricação de compostos químicos que são usados para a proteção contra predadores e patógenos. Esses compostos químicos são chamados também de metabólitos secundários e o homem aprendeu a tirar proveitos deles também. A cafeína (um composto estimulante presente no café) e isoflavona ( uma substância que combate o colesterol ruim) são exemplos de metabólitos secundários.

Reprodução sexuada e vegetativa

Poda em roseira para replicação. Plantas replicadas são um exemplos de reproduções vegetativas.

As plantas têm capacidade de se reproduzirem, criar novos indivíduos, de duas formas. A partir da reprodução sexuada que acontecem quando o grão de polén de uma planta encontra a oosfera de outra, ocorre a troca de material genético entre as plantas e daí tem-se um novo indivíduo. Esse processo acontece com quase todos as espécies já registradas. Entretanto a reprodução vegetativa é mais rara. Acontece quando tiramos um galhinho, uma muda, uma parte de uma planta e a cultivamos seja na água ou na terra e esse pedaço vira um nova planta. Geneticamente são a mesma planta pois tem o mesmo DNA, mas ecologicamente são dois indivíduos diferentes.

Plasticidade fenotípica

Plantas são como água, tem alta capacidade de se moldarem ao ambiente que estão.

A plasticidade fenotípica é um fenômeno genético caracterizado pela mudança de estruturas ou hábitos dos organismos vivos de acordo com as pressões do meio ambiente. Esse fenômeno está previsto no código genético e pode acontecer com qualquer ser vivo, mas é muito mais acentuado nas plantas. Um exemplo de plasticidade fenotípica acontece quando plantas que crescem em ambiente de pouca luz sofrem estiolamento. Esse fenômeno proporciona a uma planta crescer nos mais diversos terrenos e ambientes e sob as mais diversas circunstâncias ainda que não tenham todas as condições necessárias para um crescimento saudável. O bonsai é um exemplo perfeito de como as plantas podem se moldar ao ambiente à medida que crescem.

Crescimento modular

Árvore criada com peças de montar

As plantas crescem criando e unindo unidades vegetativas que se repetem nas unidades já desenvolvidas. Essas unidades são chamadas de fitômeros e são constituídos de nó, entrenó, folhas e gema axilar. Esse método de crescimento é que é o crescimento modular que faz com que as plantas possam ter as mais variadas formas como se fossem feitas de pecinhas para montar várias esculturas diferentes com as mesmas peças. O que permite também que possamos cortar vários ramos de uma planta sem que ela morra.

Essas habilidades fazem com que as plantas sejam organismos únicos e que é muito maior que a soma de suas partes.

Por que as folhas jovens são vermelhas?

As folhas são conhecidas por serem verdes, mas nascem vermelhas. Essa troca de cores é acontece para a planta absorver melhor a luz do sol.

Um espécime de Rosa sp. com folhas verdes maduras na parte de baixo e folhas jovens de cor vermelha na parte de cima.

As folhas, em geral, são verdes. Na verdade, folhas maduras, em geral é que são verdes. Folhas recém-nascidas ou juvenis tem uma cor variando entre o vermelho e o roxo. As folhas adultas ou maduras são verdes devido à presença de um pigmento chamado clorofila. Os pigmentos são estruturas que interceptam a energia proveniente da luz do sol para que a fotossíntese possa ocorrer. Já se sabe desde Newton, que a luz do sol, de cor branca, é resultado da soma de todas as cores que enxergamos. A clorofila, captura os comprimentos de onda do espectro visível das faixas próximas ao azul e o vermelho e reflete as ondas de cor verde que chegam aos nossos olhos e por isso, vemos as folhas na cor verde.

Folhas jovens não tem clorofila, por isso não são verdes. Sem um pigmento pra absorver a radiação solar, essas folhas podem sofrer danos severos. Nas etapas iniciais do crescimento, as células vegetais têm uma alta taxa de divisão celular. A radiação, nessa etapa de crescimento, pode causar mutações genéticas no indivíduo e produção de radicais livres e comprometer o funcionamento normal das estruturas. Por outro lado, um pigmento chamado antocianina está muito presente. A antocianina absorve os comprimentos de onda da cor verde e reflete os de cor azul e vermelha(comprimentos de onda com mais energia), o contrário da clorofila. A antocianina protege as folhas jovens da radiação solar e dos radicais livres enquanto seu aparato fotossintético ainda está em construção e dá essa cor avermelhada às folhas. Com o tempo a antocianina é completamente substituída pela clorofila à medida que as plantas e suas folhas crescem.

As antocianinas também são responsáveis em dar tons de azul e vermelho a outras estruturas das plantas como, flores, frutos e troncos. Existem pesquisas que mostram que alimentos com grandes quantidades de antocianinas como cereja, ameixa, uva, tomate, cenoura, etc. tem a capacidade de prevenir o câncer devido ao seu poder antioxidante.

As sementes das plantas têm cérebro?

Uma nova pesquisa encontrou grupos de células especializadas em sementes de plantas que efetivamente tomam decisões sobre a germinação, escreve Andrew Masterson.

Grupos especiais de células em uma semente podem se comunicar uns com os outros para decidir quando as condições são certas para a germinação.
foto: Power and Syred / Science Photo Library / Getty

A ortodoxia botânica sustenta que a germinação de plantas é um processo puramente mecanicista, impulsionado inteiramente por estímulos externos. A semente da planta em si não tem voz na matéria.

Uma pesquisa publicada no Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS) , no entanto, está prestes a mudar radicalmente essa ideia.

Cientistas da Universidade de Birmingham descobriram que as próprias plantas determinam quando germinar, efetivamente tomando uma decisão através da interação de dois grupos de células que constituem um análogo de um cérebro.

Os cientistas, liderados por George Bassel, da Escola de Biociências da universidade, descobriram dois tipos de células operando em conjunto nos embriões de uma planta chamada Arabidopsis, ou thale cress. Um grupo de células promove a dormência das sementes, enquanto o outro impulsiona a germinação.

A equipe de Bassel descobriu que os dois grupos funcionam coletivamente como um centro de tomada de decisões movendo os hormônios de um para o outro.

Usando uma variedade geneticamente modificada do agrião que amplifica a sinalização química, os pesquisadores descobriram que os dois hormônios de troca entre os dois grupos de células efetivamente levaram a uma decisão sobre quando desencadear a germinação.

Reconstrução digital de um embrião de planta mostrando a localização dos componentes de tomada de decisão.

A interação entre as células permitiu um maior controle do tempo de germinação, garantindo que o processo não começasse cedo demais – quando condições frias poderiam matar a planta jovem – ou muito tarde, quando níveis mais altos de competição poderiam deixá-lo passar fome.

“Nosso trabalho revela uma separação crucial entre os componentes dentro de um centro de tomada de decisão da fábrica”, explica Bassel.

“No cérebro humano, acredita-se que essa separação introduza um atraso de tempo, suavizando os sinais ruidosos do ambiente e aumentando a precisão com a qual tomamos decisões. A separação dessas partes no ‘cérebro’ da semente também parece ser fundamental para o funcionamento. ”

“As próprias plantas determinam quando germinar”

O co-autor Iain Johnston compara o processo de decisão a decidir se vai ou não ao cinema.

“A separação dos elementos do circuito permite uma paleta mais ampla de respostas aos estímulos ambientais”, diz ele.

“É como a diferença entre ler a crítica de um filme de um crítico quatro vezes, ou amalgamação de quatro opiniões diferentes de críticos antes de decidir ir ao cinema.”

fonte: [ COSMOS ]

Informações importantes sobre BOLDOS

Um dos remédios mais utilizados antes e depois de festas e confraternizações é o famoso “boldo”. Só que esse nome popular é dado a diversas plantas diferentes, com propriedades medicinais similares porém efeitos colaterais diferentes.

A espécie [foto1] que cresce em quintais por todo o Brasil é a chamada Plectranthus barbatus.

[foto1] “Boldo”, “falso-boldo” (Plectranthus barbatus)

Conhecida pelos boêmios (para curar ressaca e mal estar) a planta provavelmente foi trazida pelos escravos no período colonial, e é utilizada comumente na medicina popular.

É rica em guaieno e fenchona, substâncias responsáveis pelo aroma da planta.

Suas folhas verdes e aveludadas com margens serradas são utilizadas em chás geralmente feitos da maceração das folhas frescas. Serve como um tônico amargo que facilita o trabalho da vesícula biliar, estimulando a secreção da bílis e favorecendo a digestão de gorduras.

Um chá comum é do tipo abafado (infuso), feito com 3 a 4 folhas e água quente, em xícara média. Tomado por muito tempo pode provocar irritação gástrica.[3,4]


Um “boldo” ainda pouco conhecido [foto2] mas com excelentes propriedades medicinais é o “boldo-africano” (Gymnanthemum amygdalinum).

[foto2] “Boldo”, “boldo-africano” (Gymnanthemum amygdalinum)

É um pequeno arbusto empregado na medicina popular como antipirético, laxativo, antimalárico e anti-helmíntico. Além disso, estudos mostram que diferentes extratos do vegetal possuem atividades antioxidante, antimicrobiana e antiparasitária (DUARTE & SILVA, 2013).[2]

Normalmente se utiliza para combater dor de estômago, fígado e náuseas. O sabor do chá é bem mais suave que outros boldos.


Já o “boldo-do-chile” utilizado em chás pela indústria é o Peumus boldus.

“Boldo”, “boldo-do-chile” (Peumus boldus)

É uma árvore que pode atingir 15 metros de altura e só cresce bem em regiões altiplanas, de frio. As propriedades fitoterápicas de suas folhas eram conhecidas das comunidades indígenas sul-americanas que habitavam os Andes chilenos, tornando-se conhecidas mundialmente a partir da colonização européia da América.

Este “boldo”, tomado antes das refeições, ajuda na digestão e nas funções do aparelho digestor. É ótimo para quem tem intestino preso e ajuda a digerir gorduras. As folhas tem boldina, um alcaloide, principal responsável pelas suas propriedades hepatoprotetoras e coleréticas.

Importante ⚠️

Peumus boldus deve ser evitada por que tem problemas inflamatórios nas vias biliares e no pâncreas, cálculos biliares ou hepatite. O seu uso é contra indicado nos casos de gestação, pois o boldo pode gerar problemas na formação do bebê, principalmente nos primeiros três meses.[5]

É bom saber também que as plantas amargas não são indicadas para tratar problemas gástricos (estômago) pois em geral aumentam as secreções ácidas do estômago, podendo portanto agravar gastrites e úlceras pépticas previamente existentes.[4]

Fontes consultadas:

Água aromatizada com hortelã

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Em abril de 2016, quando visitei Amsterdam, reparei que no balcão do hotel onde serviam café da manhã sempre havia uma jarra dágua com algumas rodelas de limão siciliano e folhas de hortelã (Mentha x villosa).

Ontem resolvi experimentar e tentar aprender a fazer. Comecei, claro, meio exagerado que sou, colocando muuuuuuitas folhas de hortelã! rs… Colhi na horta, lavei folha por folha e as coloquei dentro da garrafa com água filtrada. Agitei bem e deixei na geladeira.

Gente… Fica muito refrescante! 😋 Dá vontade de tomar toda hora! A ideia é renovar todos os dias, fazendo novamente sempre com folhas frescas e bebendo ao longo do dia.

Fui pesquisar sobre suas propriedades medicinais e descobri que a hortelã possui vitaminas A, B, C e D, minerais, cálcio, fósforo, ferro e potássio. Combate bactérias e germes na boca, é diurética, antioxidante (por causa do ácido rosmarínico), ajuda na redução de mau hálito, dores de cabeça, náuseas, cólicas, fortalece o sistema imunológico e, por causa do álcool perílico, previne câncer de mama, próstata, fígado, cólon, pulmão, e até mesmo de pele.*

Pois é… Tudo isso numa simples água com hortelã. Muito bom, né?

As próximas águas aromatizadas já até sei quais serão… Com hortelã, claro! E irei experimentar também fazer uma água com rodelas de laranja, gengibre e canela em pau. 😊

Abraços!
https://apoia.se/tudosobreplantas

[ACP]
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* NEPA – Os Milagres do Hortelã

Junt@s! 💖

junt@s_trees
__’Muita gente acha que as árvores são solitárias.
A reportagem foi publicada por BBC News e reproduzida por Amazônia.org, 05-07-2018.
Essa percepção cai literalmente por terra, segundo novas pesquisas científicas.
Analisando o solo onde elas vivem, os cientistas descobriram que há uma espécie de rede subterrânea de fungos que conecta as árvores que estão próximas – uma espécie de internet vegetal.
Por meio dessa rede, as plantas trocam nutrientes e mensagens de alerta, por exemplo, quando se sentem ameaçadas.
Mas, assim como a internet, essa rede também tem seu lado obscuro e, por meio dela, uma planta pode sabotar a outra, por exemplo, roubando nutrientes.’__
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Leia mais:

[ACP]

 

Um papo rápido sobre “ORGÂNICOS”

A maior parte dos agrotóxicos está na casca dos alimentos. Então… Tem certeza que a sua compostagem é #orgânica?

Entendo que o composto, para ser orgânico, deve ser feito com cascas e restos de vegetais cultivados também de forma orgânica, sem agrotóxicos, respeitando a Natureza.

A palavra “orgânicos” talvez precise – urgente! – de uma atualização, pois ao meu ver vem sendo utilizada substituindo um sentido mais amplo, mais relacionado a “viver de forma cooperativa”, sem agressões permanentes ao meio ambiente, reutilizando o que for possivel e deslocando recursos de forma mais inteligente e sustentável, justamente pelo fato de compartilharmos TODOS dessa estrutura natural do planeta, nossa casa. Cuidar para que as próximas gerações possam viver aquil.

Quem quer plantar irá utilizar borrachas para irrigar, aço em ferramentas, cordas, madeiras, telas, os mais diversos produtos, até mesmo sementes, todos comprados, a não ser que queiramos fazer tudo isso (plantar, cuidar e colher) com as próprias mãos.

Que dá até dá.
Só que rola um pouco mais de trabalho.

Abraços agroecológicos!

Anderson Porto
www.TudoSobrePlantas.com.br

50 espécies da Mata Atlântica que podem ser plantadas na calçada

Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador com espécies nativas da Mata Atlântica

Os cidadãos passam a contar, a partir desta semana, com um importante instrumento que orienta, de forma simples e didática, quais espécies mais indicadas e como plantar árvores em calçadas na capital baiana. O Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador foi lançado esta semana pela Prefeitura, e contém um guia com 50 espécies do bioma da Mata Atlântica indicadas para plantios.

Com a chancela da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), a publicação é uma das primeiras regulamentações do Plano Diretor de Arborização Urbana (Lei Municipal 9187/2017), do PDDU (Lei Municipal 9069/2016) e da Lei Municipal de Ordenamento e Uso e Ocupação do Solo – LOUOS (Lei 9148/2016).

Com ilustrações, diagramas e explicações técnicas de plantio de fácil assimilação pela população, o livro foi elaborado de forma participativa, em colaboração com técnicos e estudiosos da área, com o objetivo de servir de guia para intervenções na capital baiana.

De acordo com o secretário municipal da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), André Fraga, a produção do manual é uma demanda antiga do município. “Salvador nunca possuiu regras ou orientações técnicas para plantio de árvores na cidade. Além disso, outro objetivo dessa publicação é de popularizarmos nossas espécies nativas do bioma Mata Atlântica”, ressalta.

Orientações técnicas – Para plantios em passeios, por exemplo, o manual destaca a necessidade de verificar a largura do corredor, para harmonizar a circulação dos pedestres e o desenvolvimento da árvore. Considerando que Salvador possui ruas estreitas e calçadas ainda mais estreitadas, buscou-se encontrar uma largura mínima que pudesse compatibilizar a acessibilidade com a arborização e outros elementos urbanos. Além disso, é preciso usar espécies com sistemas radiculares que reduzem danos nas calçadas e sistemas subterrâneos como água, esgoto e telefonia.

O Manual explica ainda os fatores que devem ser levados em conta na hora do plantio – como porte, formato da copa (reduzindo a demanda constante e dispendiosa por podas) e adaptação ao clima. A distância da árvore de mobiliários urbanos como sinalização de trânsito, semáforos e hidrantes, é outro elemento importante considerado no manual.

Guia de espécies – Um dos diferenciais do documento é o guia com fotografias e a ficha técnica contendo informações e características de cada uma das de 50 espécies indicadas para serem plantadas em ambiente urbano, como ambiente de origem, porte, locais para plantio e folhagem. Todas as plantas citadas são nativas da Mata Atlântica, bioma nativo de Salvador. A publicação está disponível para download gratuito no site do projeto Salvador, Capital da Mata Atlântica, no endereço mataatlantica.salvador.ba.gov.br ou em [ LINK2 ].

Fonte: [ SECOM – Prefeitura Municipal de Salvador ]

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[ edit futuro – Link alternativo para download: ]

[ Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador com espécies nativas da Mata Atlântica ]

Por que o VINAGRE NÃO É saudável?

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vinagre_A história do vinagre é tão antiga quanto à do vinho; a palavra vinagre deriva do termo francês “vinaigre”, que quer dizer “vinho azedo”. O vinho não acondicionado devidamente entra em contato com o oxigênio que favorece a reprodução de leveduras e bactérias, produzindo um ácido que dá o gosto picante.

Atualmente a produção do vinagre envolve dois tipos de alterações bioquímicas: uma fermentação alcoólica de um carboidrato e uma oxidação deste álcool até ácido acético. Emprega-se uma fermentação por leveduras para a produção do álcool.

A concentração alcoólica é ajustada entre 10 a 13%, sendo, então, exposta às bactérias do ácido acético, que vai oxidar a solução alcoólica até que se produza o vinagre na concentração desejada.

Existem diversos tipos de vinagres produzidos dependendo do tipo de material usado na fermentação alcoólica (sucos de frutas, xaropes contendo amiláceos hidrolisados).

De acordo com o FDA (Food and Drug Administration) a definição e padronização de um dos tipos de vinagres são: vinagre de vinhos, vinagre de cidra, vinagre de maçã – produto obtido pelas fermentações alcoólica e subsequentemente acética do suco de maçãs.

O vinagre na realidade é considerado um contaminante indesejável na fabricação de vinhos; mas sempre foi aplicado na culinária como condimento. O vinagre na realidade é uma solução de ácido acético de 4-6 %.

Esse ácido tem propriedades corrosivas acentuadas, particularmente o ácido acético glacial (o ácido na sua forma pura e não diluída), cuja dose letal para o homem situa-se em torno de 20 ml.

É um produto da indústria química, mas como é reproduzido nas reações do vinho em escala orgânica, pelas bactérias, é utilizado em baixas concentrações (4-6%) na culinária.

Os efeitos do Vinagre na digestão

A saliva tem um ph entre 6,0 e 7,0 variação favorável à ação digestiva da ptialina (alfa-amilase) (1) responsável pela digestão dos amidos, ainda na boca; o vinagre, um ácido por excelência, altera todo o ph da saliva e interrompe a digestão dos amidos, que deveria ser ali iniciada.

O ph do Vinagre é idêntico ao do suco estomacal, ou seja de ph = 3,0 (2). O ph estômago tem como objetivo dissolver os alimentos para serem absorvidos no intestino. Mas a concentração da solução ácida no estômago é regulada para favorecer a digestão, e um acréscimo da concentração de ácidos pode causar azia, úlceras e mal estar.

O aumento da concentração de ácidos que o Vinagre promove no trato digestivo pode também desfavorecer a digestão dos alimentos no segmento intestinal. Todo o quimo (massa alimentar processada no estômago) que é enviado para o duodeno sofre a ação de outro suco digestivo, o entérico, com substâncias para digerir proteínas, carbohidratos e gorduras (3).

A secreção dessas substâncias são para neutralizar o ácido estomacal do quimo e para criar um ph adequado para a ação das enzimas pancreáticas (amilase, tripsina, quimotripsina, lípase etc (4)). Se o ph neste processo é alterado em sua concentração por alimentos excessivamente ácidos (o caso do vinagre), há o comprometimento das enzimas do pâncreas.

Já no século XIX se conhecia a ação do vinagre e seus efeitos indesejados; um relato de uma educadora que se preocupava com sanitarismo, demonstra como a ação do vinagre já era identificada como problemática a digestão dos alimentos – “As saladas são preparadas com óleo e vinagre, há fermentação no estômago, e a comida não é digerida, mas decompõe-se ou apodrece; em conseqüência, o sangue não é nutrido, mas fica cheio de impurezas, e surgem perturbações hepáticas e renais” (5).

As interferências nas várias etapas da digestão dos alimentos impedem a ação das várias enzimas da saliva, estômago e as entéricas. O alimento é processado parcialmente, não é absorvido totalemnte pelo intestino, e a ação da flora bacteriana nos vários segmentos intestinais, se encarrega de produzir metabolitos indesejados.

A ação do Vinagre no Tecido Ósseo

Uma experiência simples e fácil de realizar e muito utilizada na escola para os principiantes nos estudos da Química, é a do ovo imerso no vinagre. Os professores instigam os alunos com a seguinte pergunta: Como retirar um ovo de dentro do seu invólucro, sem quebrar a sua casca?

A solução do problema se dá através da reação química do Ácido Acético do vinagre sobre o Cálcio da casca do ovo.

A casca do ovo é constituída por um composto químico chamado carbonato de cálcio. O vinagre, este sendo uma solução diluída de ácido acético que reage com o carbonato de cálcio contido na casca do ovo, origina como produto de reação o dióxido de carbono; toda a casca é perdida na reação, e a clara e a gema permanecem intactas; isso é devido à existência de uma membrana que não reage com o vinagre.

No entanto, esta membrana tem a capacidade de permitir a migração do vinagre do exterior para o interior do ovo através desta. O fato do ovo estar maior no final da experiência é devido à migração do vinagre para o interior do ovo e à inexistência de migração de gema e clara para o exterior.

Queremos destacar aqui a ação do vinagre sobre o tecido ósseo, especialmente nos dentes. Alimentos regados com o vinagre, ou as conservas, irão permitir a reação deste ácido com o cálcio dos dentes, permitindo um desgaste maior e uma ação bacteriana mais favorável, devido a perda do esmalte dentário e fissuras que o ácido cria nos dentes.

As supostas propriedades curativas do Vinagre

O Vinagre além das aplicações na culinária, possui uma suposta aplicação terapêutica que traria benefícios para artrite, osteoporose, reumatismo, pressão alta, gota, bursite, arteriosclerose, enfartos, derrames, fadiga crônica, dores de cabeça crônica, diabetes, rinites, doenças degenerativas e acúmulo de cálcio no sangue.

Todas as afirmações curativas do vinagre são baseadas nos ácidos orgânicos que são oferecidos ao organismo. Mas o Ácido Acético não é um ácido de reposição orgânica, como é o Ácido Ascórbico e outros.

As propriedades curativas dos ácidos orgânicos podem ser oferecidos de forma natural através dos alimentos naturalmente ácidos – as frutas ácidas e vegetais com propriedades similares (veja tabela).

Mas o Ácido Acético é um metabólito de uma ação bacteriana, e sua reposição fisiológica pode ser substituída por ácidos orgânicos naturais (ac. ascórbico, ac. pantotênico, ac. Fólico) como uma ação fisiológica saudável.

Outras aplicações do Vinagre ou Ácido Acético

Na Europa o consumo deste ácido por pessoa situa-se em 4 litros por ano e no Brasil em 0,6 litro por ano. Lá, o produto é utilizado na higienização de cachorros, na limpeza de carpetes e como conservante na indústria de alimentos.

Destacamos a eficiência do ácido acético para limpar metais, cristais e avivar as cores das roupas. Ele também pode ser usado como desodorizador de ambientes poluídos com fumaça de cigarro e odor de frituras; basta colocar um prato com o vinagre sobre alguns pontos estratégicos no ambiente e os vapores do ácido irão neutralizar as partículas e moléculas que causam o odor.

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pH de Secreções em vários compartimentos digestivos:
Saliva 6,0 – 7,0
Secreção Gástrica 1,0 – 3,5
Secreção Pancreática 8,0 – 8,3
Bile 7,8
Suco Entérico 7,8 – 8,0
Séc. Intestino Grosso 7,5 – 8,0

Alimentos com Ph ácido:
Azeitonas (verde) 3.6 – 3.8
Manga 3.9 – 4.6
Ameixa seca 3.1 – 5.4
Tangerina 4.0
Limão 2.2 – 2.4
Laranja 3.1 – 4.1
Pêssego 3.4 – 3.6
Abacaxi 3.3 – 5.2
Obs. Esses alimentos não podem estar combinados aos amidos ou carbohidratos, pois interferem no ph da saliva, não favorecendo a sua digestão inicial na boca.

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Outras utilidades do Vinagre:

1) Para o arroz ficar bem soltinho, coloque uma colher de vinagre na água do arroz na hora do cozimento; o calor irá vaporizar o ácido, mas deixará o arroz soltinho;

2) Para tirar a gosma da carne do frango, lave o frango, corte os pedaços e cubra-os com água fria e duas colheres de sopa de vinagre. Depois é só lavá-las com água corrente que o ácido será retirado;

3) Batatas murchas, com cascas escuras e enrugadas ficarão como novas misturando-se um pouco de vinagre à água em que forem cozidas; o calor irá vaporizar o ácido;

4) O bolo de chocolate ficará úmido se acrescentarmos uma colher de chá de vinagre de álcool ao bicarbonato estipulado na receita; o calor do forno irá vaporizar o ácido;

5) Na falta de uma geladeira, pode-se conservar carnes cruas por período curto embrulhando-as num pano embebido em vinagre;

6) Se quiser guardar salsichas frescas até por cinco ou seis dias, deixe-as mergulhadas dentro de uma tigela contendo água com uma colher de chá de vinagre (ou mais dependendo da quantidade de salsicha), e um pouquinho de sal. Guarde na geladeira, na hora de usar é só lavar em água pura e corrente em abundância;

7) Muitas cozinheiras colocam um recipiente contendo vinagre perto do lugar onde se está fritando cebolas; assim, não exalam seu cheiro característico, que muitas pessoas não suportam;

8) A polpa do abacate, depois de aberta, escurece logo, isto pode ser evitado passando um pouco de vinagre na superfície;

9) Para que o caqui amadureça mais depressa, faça um furinho junto ao cabinho e coloque ali uma gota de vinagre;

10) Se as mãos ficarem manchadas de frutas, uma mistura de limão e vinagre bem esfregada as eliminará;

11) O limão partido também se conservará fresquinho colocando a parte cortada num pires contendo vinagre;

12) As massas fritas não ficam gordurosas se for acrescentada a elas (durante o preparo) uma colher (sopa) de vinagre;
13) Para higienizar verduras que possam conter ovos e cistos de parasitas, as deixem mergulhadas em água com vinagre (5 colheres de vinagre para cada litro de água); o ácido irá desfazer as membranas dos ovos, cisto e larvas. Depois de 10 minutos de molho, lave bem em água corrente e abundante.

Bibliografia:
1.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.776
2.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.765
3.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.771
4.Guyton; Tratado de Fisiologia Médica, 5ª Edição; p.772
5.White, E.G. Conselhos Sobre Saúde. 1887. p.345

Fonte: http://reformadesaude.blogspot.com.br/2006/01/por-que-o-vinagre-no-saudvel.html