A coisa mais rara no universo só existe na Terra

No pequeno recorte da imensidão do espaço que é conhecida por nós, o ser humano já encontrou muitas maravilhas: ciclones milenares, vulcões quilométricos, galáxias brilhantes, etc. Entretanto, não encontrou em nenhum outro lugar uma coisa que só existe aqui na Terra: a vida. A vida está presente apenas nesse pálido ponto azul que flutua na periferia de uma galáxia sem destaque especial em relação às outras.

Estando na superfície do planeta temos a impressão que ele é imenso e de fato é, visto em perspectiva da escala humana. Entretanto, na escala espacial não é bem assim. Essa imagem foi capturada por uma sonda espacial, a Voyager 1, cerca de 6 bilhões de quilômetros da Terra, enquanto passava por Saturno. Aquele pontinho azul brilhante é a Terra e nós e tudo que conhecemos existe e existiu ali.

O ser humano até agora não encontrou vida em mais nenhum lugar no universo. É nosso dever proteger as formas de vida pois somos totalmente dependentes dela.
Fotografia mostrando o planeta Terra a uma distância de 6 bilhões de quilômetros registrada pela sonda Voyager 1.
Créditos: NASA/JPL-Caltech

Mesmo sendo pequena, da perspectiva espacial, essa rocha voadora abriga as únicas formas de vida conhecidas pelo homem. Vivem aqui e somente aqui. Dividimos o mesmo planeta, as mesmas águas, a mesma terra e o mesmo ar com girassóis, tigres, bacilos, planárias, caracóis, enguias, galinhas, ipês, samambaias e todas as outras formas de vida. Entretanto, o homem vive com a impressão de ser superior a todos eles e de que as outras espécies existem apenas para serví-lo e, diante dessa prerrogativa, retira, explora e toma para si os recursos naturais disponíveis na terra não levando em consideração que outras espécies também dependem daquele recurso. Além do que, a maneira que esses recursos naturais são explorados causa muita degradação ambiental sendo essa a principal causa da extinção de espécies (e são as plantas, as mais vulneráveis) dos ambientes naturais.

A forma que exploramos a Terra destrói o habitat das outras formas de vida, compromete a sobrevivência dos peixes, baobás, cactos, lagartos, ornitorrincos, etc. mas, com que direito? Por quais motivos, razões ou circunstâncias devemos colocar as nossas necessidades a frente das outras? A nossa espécie não é mais importante do que as outras e somos totalmente dependentes delas para viver. Fora isso, sendo essas as únicas formas de vida conhecidas em todo o universo, devemos protegê-las, devemos cuidar delas, devemos garantir que as espécies terão uma oportunidade de sobreviver. Elas merecem isso.

Já gastamos bem mais do que a Terra consegue produzir. A Terra não consegue mais suprir toda a demanda por recurso que o ser humano exige. A necessidade de se mudar os meios de produção é emergencial. Deixar de explorar os recursos naturais de forma descontrolada como agora é urgente para que possamos garantir a sobrevivência da nossa e de todas as formas de vida que existem no planeta.

O que é uma planta?

As plantas são seres vivos incríveis com capacidades únicas sendo muito maior que a soma de suas partes.

Você já se perguntou o que é uma planta? Pode parecer uma pergunta boba, mas não é. É fácil ter a ideia do que é uma planta. Já transformar essa ideia ou lembrança que absorvemos intuitivamente, transformar em palavras e explicar para alguém o que é uma planta é mais difícil.

Cientificamente falando, uma planta é um organismo vivo, multicelular, autotrófico (que produz seu próprio alimento) e geralmente de cor verde. Esses atributos não são fixos, ou seja, podem variar de indivíduo para indíviduo, mas são casos específicos, por exemplo: plantas parasitas que não produzem o próprio alimento. Outra definição pode ser organismo vivo pertencente ao Reino Plantae.

Entretanto as plantas possuem atributos próprios a elas que não são tão intuitivos, mas fazem com que sejam seres vivos dotados de capacidades únicas na terra.

Sésseis e fotossintetizantes

Árvores recebendo luz solar e realizando a fotossíntese

As plantas são sésseis e fotossintetizantes. Isso quer dizer que elas não têm a capacidade de se locomover como os animais. Sem locomoção, não podem sair em busca de alimento nem fugir em caso de perigo. As plantas não precisam se locomover, pois produzem seu próprio alimento através de um processo chamado fotossíntese, que converte gás carbônico e água em oxigênio e carboidrato com a energia proveniente da luz solar. Já para se defender das adversidades do clima, as estratégias usadas são várias podendo ser estruturas específicas para proteção das partes mais importantes, como as brácteas, por exemplo, ou florescer numa época do ano mais favorável. Há também a fabricação de compostos químicos que são usados para a proteção contra predadores e patógenos. Esses compostos químicos são chamados também de metabólitos secundários e o homem aprendeu a tirar proveitos deles também. A cafeína (um composto estimulante presente no café) e isoflavona ( uma substância que combate o colesterol ruim) são exemplos de metabólitos secundários.

Reprodução sexuada e vegetativa

Poda em roseira para replicação. Plantas replicadas são um exemplos de reproduções vegetativas.

As plantas têm capacidade de se reproduzirem, criar novos indivíduos, de duas formas. A partir da reprodução sexuada que acontece quando o grão de polén de uma planta encontra a oosfera de outra, ocorre a troca de material genético entre as plantas e daí, tem-se um novo indivíduo. Esse processo acontece com quase todos as espécies já registradas. Entretanto, a reprodução vegetativa é mais rara. Ela acontece quando tiramos um galhinho, uma muda, uma parte de uma planta e a cultivamos seja na água ou na terra e esse pedaço vira um nova planta. Geneticamente são a mesma planta pois tem o mesmo DNA, mas ecologicamente, são dois indivíduos diferentes.

Plasticidade fenotípica

Plantas são como água, tem alta capacidade de se moldarem ao ambiente que estão.

A plasticidade fenotípica é um fenômeno genético caracterizado pela mudança de estruturas ou hábitos dos organismos vivos de acordo com as pressões do meio ambiente. Esse fenômeno está previsto no código genético e pode acontecer com qualquer ser vivo, mas é muito mais acentuado nas plantas. Um exemplo de manifestação da plasticidade fenotípica acontece quando plantas que crescem em ambiente de pouca luz sofrem estiolamento. Esse fenômeno, proporciona a uma planta crescer nos mais diversos terrenos e ambientes e sob as mais diversas circunstâncias, ainda que não tenham todas as condições necessárias para um crescimento saudável. O bonsai é um exemplo perfeito de como as plantas podem se moldar ao ambiente à medida que crescem.

Crescimento modular

Árvore criada com peças de montar

As plantas crescem criando e unindo unidades vegetativas que se repetem nas unidades já desenvolvidas. Essas unidades são chamadas de fitômeros e são constituídos de nó, entrenó, folhas e gema axilar. Esse método de crescimento é que é o crescimento modular, que faz com que as plantas possam ter as mais variadas formas como se fossem feitas de pecinhas para montar várias esculturas diferentes com as mesmas peças. O que permite também, que possamos cortar vários ramos de uma mesma planta sem que ela morra.

Essas habilidades fazem com que as plantas sejam organismos únicos, e que são muito maiores que a soma de suas partes.

Funções das áreas verdes urbanas.

Áreas verdes cumprem funções ecológicas, sociais, educativas, estéticas e psicológicas e deviam ser prioridade nos planos de ordenamento urbano.

Mais de 80% da população brasileira vive nas cidades. As áreas verdes (que não são só áreas vegetadas) originais de zonas urbanas foram e continuam sendo suprimidas para dar espaço a prédios, casas, estradas e todo tipo de construção. Essas mudanças dos componentes originais da paisagem trazem com elas as alterações do microclima urbano, como o fenômeno das ilhas de calor e ambientais como impermeabilização do solo, mudança na circulação dos ventos, poluição atmosférica, visual e sonora etc. Essa situação é comum em muitos centros urbanos do Brasil.

As áreas verdes urbanas são definidas como qualquer trecho de vegetação de qualquer tipo, rios e lagos e o sistema de espaços livres presentes nas cidades e são importantes componentes do meio urbano, pelo fato de diminuir o efeito das ilhas de calor, melhora a qualidade do ar reduzindo os índices de CO2, retém a água da chuva, previne alagamentos e deslizamentos de terra, etc.
Em relação aos valores de temperatura, podem ser até 5º C mais frescas do que em áreas sem arborização, áreas suburbanas com árvores maduras podem ser 3º C mais frescas do que em áreas sem vegetação e além disso, a água que as plantas movimentam refresca e aumenta a umidade relativa do ar.

As áreas verdes urbanas cumprem ainda mais funções, por exemplo, como local para práticas de lazer e práticas esportivas, práticas educativas extraclasse e programas de educação ambiental, diversificam a paisagem construída e contribuem para o embelezamento da cidade e proporcionam uma sensação de bem-estar. O contato com a natureza relaxa, alivia o estresse e melhora a saúde do indivíduo.

Diante disso tudo, a criação e manutenção de áreas verdes nas cidades deviam ser prioridades nas planos diretores e programas de ordenamento urbano para uma melhor qualidade de vida pra população e para todas formas de vida.

Sobre a Floresta Amazônica e o papel do Brasil nas Mudanças Climáticas

Nós vivemos num mundo capitalista, correto? A floresta Amazônica é importante para o equilíbrio do clima do mundo? Ótimo! Então criem um fundo de manutenção da floresta que permita o desenvolvimento sustentável da região e suspendam a DIVIDA PÚBLICA BRASILEIRA pelo tempo em que o Brasil cumprir as exigências do fundo. Num mundo capitalista a floresta em pé tem valor, resta saber quem está disposto a pagar.

Anderson Porto
www.TudoSobrePlantas.com.br

As sementes das plantas têm cérebro?

Uma nova pesquisa encontrou grupos de células especializadas em sementes de plantas que efetivamente tomam decisões sobre a germinação, escreve Andrew Masterson.

Grupos especiais de células em uma semente podem se comunicar uns com os outros para decidir quando as condições são certas para a germinação.
foto: Power and Syred / Science Photo Library / Getty

A ortodoxia botânica sustenta que a germinação de plantas é um processo puramente mecanicista, impulsionado inteiramente por estímulos externos. A semente da planta em si não tem voz na matéria.

Uma pesquisa publicada no Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS) , no entanto, está prestes a mudar radicalmente essa ideia.

Cientistas da Universidade de Birmingham descobriram que as próprias plantas determinam quando germinar, efetivamente tomando uma decisão através da interação de dois grupos de células que constituem um análogo de um cérebro.

Os cientistas, liderados por George Bassel, da Escola de Biociências da universidade, descobriram dois tipos de células operando em conjunto nos embriões de uma planta chamada Arabidopsis, ou thale cress. Um grupo de células promove a dormência das sementes, enquanto o outro impulsiona a germinação.

A equipe de Bassel descobriu que os dois grupos funcionam coletivamente como um centro de tomada de decisões movendo os hormônios de um para o outro.

Usando uma variedade geneticamente modificada do agrião que amplifica a sinalização química, os pesquisadores descobriram que os dois hormônios de troca entre os dois grupos de células efetivamente levaram a uma decisão sobre quando desencadear a germinação.

Reconstrução digital de um embrião de planta mostrando a localização dos componentes de tomada de decisão.

A interação entre as células permitiu um maior controle do tempo de germinação, garantindo que o processo não começasse cedo demais – quando condições frias poderiam matar a planta jovem – ou muito tarde, quando níveis mais altos de competição poderiam deixá-lo passar fome.

“Nosso trabalho revela uma separação crucial entre os componentes dentro de um centro de tomada de decisão da fábrica”, explica Bassel.

“No cérebro humano, acredita-se que essa separação introduza um atraso de tempo, suavizando os sinais ruidosos do ambiente e aumentando a precisão com a qual tomamos decisões. A separação dessas partes no ‘cérebro’ da semente também parece ser fundamental para o funcionamento. ”

“As próprias plantas determinam quando germinar”

O co-autor Iain Johnston compara o processo de decisão a decidir se vai ou não ao cinema.

“A separação dos elementos do circuito permite uma paleta mais ampla de respostas aos estímulos ambientais”, diz ele.

“É como a diferença entre ler a crítica de um filme de um crítico quatro vezes, ou amalgamação de quatro opiniões diferentes de críticos antes de decidir ir ao cinema.”

fonte: [ COSMOS ]

Por que voto em Haddad 13?

Primeiramente #ForaTemer! Voto em Fernando Haddad para que exista a possibilidade de desfazer essa imensa bagunça que Temer e outros criaram.
 
Voto via democracia para que, pela democracia, a democracia seja fortalecida.
 
Tenho consciência que sou um nada perante ao Universo, mas ainda assim, percebo que a parte que me cabe é dar valor ao imenso mistério que é a Vida.
 
A minha maior luta é respeitar a criação que tive e entender que nem sempre meus pais foram perfeitos. Entendo o contexto da época em que viveram, como foram formados, como me criaram e o como a sociedade vivia antigamente.
 
Minha parte é fazer o que puder para honrá-los, respeitando sempre aquilo que entendo como o melhor para a sociedade.
 
Desde 2002, quando comecei a desenvolver o projeto Tudo Sobre Plantas, portanto há 16 anos, parte do meu dia a dia tem sido ler, estudar e compartilhar informações sobre plantas, meio ambiente e notícias relacionadas.
 
Acabei por me tornar professor porque percebi que aquilo que estava aprendendo na prática em plantios, estudos e observações, poderia ser de alguma utilidade para as pessoas.
 
Sempre detestei política e acredito que a sociedade merece soluções que envolvam a opção pela participação direta nas decisões, através de organizações da sociedade civil compostas por pessoas devidamente capacitadas para o exercício da cidadania.
 
Para que aqueles que acompanham esse dia a dia possam entender meu posicionamento politico atual, a seguir exponho os motivos pelos quais irei votar em #Haddad13.
 
Voto em Haddad porque ele afirma que vai trabalhar para reforçar os blocos regionais, como Mercosul, Unasul e Celac.
 
Ele quer aprofundar os acordos bilaterais e multilaterais entre os países que integram os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) para geração de empregos. Ele estabeleceu três áreas para começar a integração com os países latinos e africanos:
 
– Saúde,
– Educação,
– Segurança alimentar e nutricional.[1]
 
Atentem para uma coisa… Investimentos e melhorias nessas áreas por si só já são excelentes motivos. O que eu posso fazer, a minha parte, é cobrar que seja cumprido.
 
Voto em Haddad porque ele é aberto ao diálogo e entende que a política externa se faz pelo caminho da paz, sabendo que reforçar todas as comunidades daqui da América Latina “é essencial para criar um mundo mais equilibrado e menos dependente de um único polo de poder, de modo a superar a hegemonia norte-americana”.
 
Voto em Haddad para que seja possível criar um dos maiores Bancos de Desenvolvimento do mundo, fortalecendo as relações de amizade e parceria com a África, continente-mãe da Nação brasileira.
 
Percebo que o mundo ainda depende de petróleo e cada passo na direção de autonomia energética deve ser valorizada.
 
Acredito que o caminho do Programa de Transição Ecológica, ajudando aqueles que se colocam abertos a um cultivo agroecológico, mas sem meios financeiros para promover essa transição, possam ser incentivados via linhas de crédito (financiamento público de baixo custo para criar e implantar tecnologias sustentáveis[2]) específicas para agronegócios.
 
Entendo que o tributo sobre emissão de carbono[1,3], aliado à manutenção e ampliação de ressarcimentos pela manutenção das floresta em pé, permitem que as comunidades locais tenham uma fonte de renda ligada a preservação e uso sustentável dos recursos naturais.[4]
 
Se nós quisermos um país pleno de recursos naturais como água e ar limpos, precisamos proteger e Amazônia e encontrar formas de desenvolvê-la sem destruição.
 
Segundo o site da IPAM Amazônia, “a floresta Amazônica representa um terço das florestas tropicais do mundo, desempenhando papel imprescindível na manutenção de serviços ecológicos, tais como, garantir a qualidade do solo, dos estoques de água doce e proteger a biodiversidade. Processos como a evaporação e a transpiração de florestas também ajudam a manter o equilíbrio climático fundamental para outras atividades econômicas, como a agricultura”.[5]
 
Podemos crescer sim, via desenvolvimento inteligente, focando na redução do uso de agrotóxicos, investindo em fontes energéticas renováveis (solar, eólica e biomassa) e barrando a expansão da fronteira agropecuária sobre áreas florestais.
 
O Brasil pode melhorar seus modelos de agronegócio, com capacitação de produtores e melhora da qualidade de seus produtos agrícolas.
 
O Brasil pode e deve sim pleitear a liderança nas discussões globais sobre o meio ambiente, seguindo o Acordo de Paris e os 17 objetivos das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável.[2]
 
Entendo que nenhum país do mundo deve dizer ao Brasil como lidamos com a nossa parte da Amazônia e sim nos auxiliar a mantê-la, todos recebendo em troca os serviços ambientais prestados por ela.
 
Sobre a promessa de zerar até 2022 a taxa de desmatamento líquido (reflorestar o equivalente à mesma área desmatada) eu acredito que seja pouco tempo para perceber a atuação das políticas de transição, mas se algo for feito nessa direção, já está bom e seria melhor do que vem acontecendo.
 
Sobre o policiamento rural e investimento em trasporte para escoar a produção, entendo que seria interessante dotar os municípios de centros de abastecimento locais e melhorar as condições de trabalho de toda a polícia.
 
Enfim… Analisei as propostas dos dois candidatos[2].
 
Um quer acabar com o Ibama, ICMBio, Conama, unidades de conservação. Outro não, quer trabalhar a preservação do meio ambiente. a partir das instituições que já existem e melhorar o que se tem com os órgãos ambientalistas. As consequências de Bolsonaro para o meio ambiente seriam absurdamente trágicas, possivelmente irreversíveis.
 
Portanto, exposto meus motivos, a proposta que me pareceu mais coerente com o que tenho estudado sobre estes assuntos é a do Fernando Haddad, número 13.
 
Uno minha voz à de Therezinha Fraxe, professora e coordenadora do Centro de Ciências do Ambiente da UFAM (Universidade Federal do Amazonas):
 
– Pedimos a sociedade que estude essas duas propostas para as questões ambientais. Uma quer acabar com órgãos de conservação. Outra quer aumentar e aprimorar o monitoramento.
 
Saudações agroecológicas!
 
Anderson C. Porto
Gestor do projeto Tudo Sobre Plantas
Araruama, RJ – Brasil
 
#PorqueVotoEmHaddad #HaddadPresidente
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50 espécies da Mata Atlântica que podem ser plantadas na calçada

Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador com espécies nativas da Mata Atlântica

Os cidadãos passam a contar, a partir desta semana, com um importante instrumento que orienta, de forma simples e didática, quais espécies mais indicadas e como plantar árvores em calçadas na capital baiana. O Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador foi lançado esta semana pela Prefeitura, e contém um guia com 50 espécies do bioma da Mata Atlântica indicadas para plantios.

Com a chancela da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), a publicação é uma das primeiras regulamentações do Plano Diretor de Arborização Urbana (Lei Municipal 9187/2017), do PDDU (Lei Municipal 9069/2016) e da Lei Municipal de Ordenamento e Uso e Ocupação do Solo – LOUOS (Lei 9148/2016).

Com ilustrações, diagramas e explicações técnicas de plantio de fácil assimilação pela população, o livro foi elaborado de forma participativa, em colaboração com técnicos e estudiosos da área, com o objetivo de servir de guia para intervenções na capital baiana.

De acordo com o secretário municipal da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), André Fraga, a produção do manual é uma demanda antiga do município. “Salvador nunca possuiu regras ou orientações técnicas para plantio de árvores na cidade. Além disso, outro objetivo dessa publicação é de popularizarmos nossas espécies nativas do bioma Mata Atlântica”, ressalta.

Orientações técnicas – Para plantios em passeios, por exemplo, o manual destaca a necessidade de verificar a largura do corredor, para harmonizar a circulação dos pedestres e o desenvolvimento da árvore. Considerando que Salvador possui ruas estreitas e calçadas ainda mais estreitadas, buscou-se encontrar uma largura mínima que pudesse compatibilizar a acessibilidade com a arborização e outros elementos urbanos. Além disso, é preciso usar espécies com sistemas radiculares que reduzem danos nas calçadas e sistemas subterrâneos como água, esgoto e telefonia.

O Manual explica ainda os fatores que devem ser levados em conta na hora do plantio – como porte, formato da copa (reduzindo a demanda constante e dispendiosa por podas) e adaptação ao clima. A distância da árvore de mobiliários urbanos como sinalização de trânsito, semáforos e hidrantes, é outro elemento importante considerado no manual.

Guia de espécies – Um dos diferenciais do documento é o guia com fotografias e a ficha técnica contendo informações e características de cada uma das de 50 espécies indicadas para serem plantadas em ambiente urbano, como ambiente de origem, porte, locais para plantio e folhagem. Todas as plantas citadas são nativas da Mata Atlântica, bioma nativo de Salvador. A publicação está disponível para download gratuito no site do projeto Salvador, Capital da Mata Atlântica, no endereço mataatlantica.salvador.ba.gov.br ou em [ LINK2 ].

Fonte: [ SECOM – Prefeitura Municipal de Salvador ]

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[ edit futuro – Link alternativo para download: ]

[ Manual Técnico de Arborização Urbana de Salvador com espécies nativas da Mata Atlântica ]

Dendrofobia

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Dendrofobia

Nelson M. Mendes

[Adaptação e edição de um texto escrito em setembro de 2005. É terrível perceber que ele está mais atual do que nunca.]

 

[De dendr(o)-  +  fob(o)-  -ia.]  S.f.  Horror às árvores

A definição do Aurélio é curta e grossa. Espanta, surpreende. Nem se imaginava que pudesse existir um nome para uma fobia infelizmente muito comum.

No dia 21 de setembro se comemora o Dia da Árvore.  Muitos eventos são programados por escolas, ONGs, instituições variadas. Árvores são plantadas por crianças que, em seguida, dão comoventes entrevistas a repórteres que “levantam a bola” na exata medida para que a resposta à pergunta seja a desejada, a “politicamente correta”, aquela que ensejará um sorriso complacente e aprobatório do âncora do telejornal. Os telespectadores jantarão, verão sua novela, dormirão sobre sonhos e ansiedades e, no dia seguinte, nem notarão que a árvore na sua calçada não existe mais, e que no lugar restou apenas hedionda cicatriz de terra e entulho.

O amor pelas árvores

“Eu acredito que, quando uma árvore é cortada, ela renasce em algum outro lugar. Então, quando eu morrer, é para esse lugar que eu quero ir. Um lugar onde as árvores são deixadas em paz.”  O autor da frase, Tom Jobim,  foi homenageado com uma placa ao pé da gigantesca samaúma que ele venerava, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mas fora dali, e talvez sobretudo na terra de Araribóia,  as árvores de modo algum são deixadas em paz. O brasileiro – dizia Tom – tem pavor de árvore.

Diz a escritora Gita Mehta, no livro Escadas e Serpentes:  “Para os filósofos da Índia antiga, a floresta simbolizava um cosmo idealizado. As grandes academias filosóficas da Índia ficavam todas em bosques – reconhecimento de que a floresta, autossuficiente e infinitamente regeneradora, combinava em si a diversidade e a harmonia que eram a aspiração, o objetivo da metafísica indiana. Não por acaso o grande corpus do conhecimento da Índia proveio das florestas: os Puranas, os Vedas, os Upanishads, os épicos Mahabharata e Ramayana, os sutras da ioga e os estudos médicos do Ayurveda.”

As antigas cidades indianas, ainda segundo Gita Mehta, tinham no centro um bosque, “de onde as ruas emanavam como galhos, recordando ao habitante urbano que o homem é simplesmente uma parte de um imenso organismo vivo”.  E era para a floresta que o homem, cumprida a sua missão mundana, se retirava para praticar a meditação na busca de Deus.

O desprezo

Infelizmente, tal veneração pelas florestas jamais foi uma tradição brasileira. Na verdade, o país nasceu sob o signo da derrubada de árvores: o primeiro ciclo econômico foi exatamente o da exploração predatória do pau-brasil.

O Brasil tem problemas do tamanho do Brasil. É natural, pois, que uma imensa parcela da população, preocupada em garantir o almoço do dia seguinte, não dê a menor importância a temas como preservação de florestas – até porque não está disseminada ainda a idéia de Gaia, da Terra como um organismo vivo, da qual o Homem é apenas uma das partes. O cidadão comum  e de poucas luzes está ainda no século XIX, acredita que a Natureza existe para ser indefinidamente explorada, e que seus recursos são infinitos.

O que surpreende, entretanto, é que também as classes média e alta parecem não nutrir muito apreço pelo verde. Árvores continuam sendo impiedosamente derrubadas, arrancadas pela raiz. E isso não acontece apenas em nossa fronteira agrícola, sob influxo  de fortes interesses econômicos. Acontece ao nosso lado, na nossa calçada.

O ódio pelas árvores é praga mais disseminada que a erva-de-passarinho que infesta muitas daquelas que são deixadas de pé. Alguns iniciam o processo de destruição de uma árvore pelo processo de descascamento (anelamento, segundo a linguagem técnica). Muitos, não confiando talvez na eficácia do descascamento, providenciam herbicidas, ou um prosaico óleo queimado para envenenar as raízes. Há também quem invente os mais estapafúrdios pretextos para convencer as autoridades de que é necessário remover uma árvore em que os pardais se aninhavam havia décadas. E o curioso é que, em calçadas que não são sobrevoadas por qualquer fio, onde não há qualquer entrada de garagem, qualquer motivo, enfim, que justifique a ausência de árvores, dá-se preferência à plantação de fradinhos (obstáculos de concreto); ou no máximo à construção de jardineiras risíveis, com plantas rasteiras e indigentes, que não oferecem qualquer sombra.

A árida nudez

Mas não são apenas as pessoas físicas – o dono de automóvel que deseja facilitar a entrada de sua garagem e não hesita em destruir um oiti de 70 anos, a velha senhora que se aborrece  com as folhas na sua calçada – que investem contra as árvores. Elas sofrem também uma ação institucional furiosa: a AMPLA (nome fantasia da companhia de energia elétrica, antiga CERJ) promove podas cruéis e radicais. Certamente nenhum técnico orienta os funcionários sobre como proteger a rede elétrica sem ter que decepar as copas das árvores, transformando-as em tridentes, em galharias angustiadas a clamar aos céus por um pouco de respeito. A própria Prefeitura de Niterói desnuda as árvores como se estivesse interessada não em sua saúde e beleza, muito menos na sombra para os cidadãos, mas no aproveitamento econômico da matéria vegetal.

O resultado é que algumas calçadas de Niterói estão nuas, áridas como um deserto de sal. A palavra “nuas” não é casual: o que as caracteriza é exatamente a nudez, a árida nudez, a aridez. Onde hoje tudo é cimento ou terra revolvida houve há não muito tempo árvores, lindas árvores. Derrubadas por tempestades, ou removidas por motivos obscuros, não foram repostas.

O apreço pelo cimento liso parece maior ainda entre as pessoas da terceira idade. A velha senhora justifica a dendrofobia: “As árvores quebram as calçadas…” Inútil seria lembrar que nem todas as árvores quebram calçadas e que, de qualquer forma, em muitos casos é preferível sacrificar um tanto a plástica do calçamento urbano (aliás, freqüentemente bastante deteriorado, com ou sem árvores…) em benefício do verde, da sombra, da regulação térmica urbana, do resgate de carbono.

Quem sabe as crianças, mesmo que hoje manipuladas para posarem de ecologicamente corretas, não terminem por despertar para a realidade de que em matéria de proteção ao verde, não dá para quebrar galho. Muito menos cortar.

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Fonte: [ Satyagraha ]

Livro “Diário de Memórias – Museu Comunitário do Engenho do Sertão”

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Recebi hoje, aqui no projeto, o livro “Diário de Memórias, Museu Comunitário Engenho do Sertão”, uma gentileza da profa. Yolanda Flores E Silva e colaboradores.
O projeto foi conduzido pela professora Dra. Yolanda Flores E Silva, com a gestão da Rô do Engenho (Rosane Luchtenberg), Daniel Baibinati e Rosane Fritsch, contou com a participação da artesã Patrícia Estivallet, da nutricionista Ivani Stello Fará e da estagiária em gastronomia Lana Becker.

Passarei a utilizá-lo para registrar minhas experiências culinárias, testes de plantio, eventos importantes, dúvidas, aprendizados…

Gratidão, Yolanda! ❤

Anderson Porto
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Para saber mais sobre o projeto, acessem:
 

 

Pesquisador afirma: árvores conversam entre si, detectam perigos ao redor e ajudam as plantas mais velhas a se alimentarem

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As árvores têm amigos, sentem-se solitárias, gritam de dor e se comunicam por debaixo da terra via “woodwide web“. É o que afirma o engenheiro florestal Peter Wohlleben, no livro recém-lançado The Hidden Life of Trees (A Vida Oculta das Árvores, em português).

Segundo Wohlleben, algumas árvores agem como pais das outras e como boas vizinhas. Outras fazem mais do que projetar sombras: elas são verdadeiras defensoras contra espécies rivais. As mais novas correm riscos na ingestão de líquidos e na queda das folhas – e então mais tarde se lembram dos erros cometidos.

Certamente, sua próxima caminhada no parque será diferente, se você imaginar que embaixo dos seus pés as raízes das árvores estão crepitando com um bate-papo cheio de energia! O autor acredita que nós não sabemos nem metade do que está acontecendo debaixo da terra e das cascas das árvores: “Nós estamos olhando para a natureza há mais de 100 anos como se ela fosse uma máquina”, argumenta.

Wohlleben – sobrenome que, coincidentemente, quer dizer “viver bem” – desenvolveu seu pensamento ao longo da última década, enquanto observava o poderoso, e interessante sistema de sobrevivência da floresta de faia antiga, que ele gerencia nas montanhas Eifel, na Alemanha.

“A coisa que mais me surpreendeu é quão sociais as árvores são. Eu tropecei em um velho toco um dia e vi que ainda estava vivo, embora tivesse 400 ou 500 anos, sem qualquer folha verde. Todo ser vivo precisa de nutrição. A única explicação é que ele foi mantido com uma solução de açúcar dada pelas árvores vizinhas, a partir de suas raízes.

Como engenheiro florestal, eu aprendi que as árvores são concorrentes que lutam umas contra as outras, pela luz, pelo espaço, e ali eu vi que acontece o contrário. As árvores são muito interessadas em manter todos os membros de sua comunidade vivos”.

A chave para isso, ele acredita, é a chamada “woodwide web” (numa alusão à rede mundial de computadores, a worldwide web).

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Filamentos de fungos chamados micélios formam uma rede conhecida como micorriza

Quando estão sob ataque, as árvores comunicam sua angústia para as outras a seu redor emitindo sinais elétricos a partir de suas raízes e de redes formadas por fungos (algo que se assemelha ao nosso sistema nervoso). Pelos mesmos meios, elas alimentam árvores atingidas, alimentam algumas mudas (seus “filhos mais amados”) e restringem outras para manter a comunidade forte.

“As árvores podem reconhecer com suas raízes quem são suas amigas, quem são seus familiares e onde estão seus filhos. Elas também podem reconhecer árvores que não são tão bem-vindas”, ele explica.

Na análise de Wohlleben, é quase como se as árvores tivessem sentimentos e caráter. “Nós pensamos que as plantas são robóticas, seguindo um código genético. Plantas e árvores sempre têm uma escolha sobre o que fazer. As árvores são capazes de decidir, ter memórias e até mesmo personas diferentes. É possível que existam os mocinhos do bem e os do mau”, completa.

O livro The Hidden Life of Trees, What They Feel, How They Communicate, de Peter Wohlleben, foi publicado pela editora Greystone Books e está disponível em alemão e inglês.

Fonte: [ The Greenest Post ]