Um mês de experiências práticas diárias no sítio Tudo Sobre Plantas

Hoje completei um mês de experiências diárias no sítio Tudo Sobre Plantas. Quero relatar um pouco de como está sendo esta experiência para vocês, de repente pode ser de alguma utilidade para alguém.

Bem… A coisa começa cedo. Acordo 4 da manhã, todo dia. Domingos inclusos. Tive que organizar uma rotina que abrange desde a preparação do café até horário para lavar roupas (muita meia, calças, camisas e toalhas).

Preparo a marmita do almoço, cooco gelo na garrafa dágua, separo algumas frutas para lanches, dou comida para os peixes na piscina, vejo o que tenho que levar, o que vai ser necessário para o dia e vou fazer as coisas no sítio.

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Fotossíntese – Entenda de uma vez por todas o processo bioquímico mais importante do planeta. PARTE 2

Fotossíntese, um processo de produção de alimento e liberação de oxigênio na atmosfera, que sustenta toda a vida na terra.

Eis aqui a segunda parte da explicação definitiva sobre a fotossíntese. Decidi por dividir em duas partes pelo fato de que o estudo da fotossíntese tradicionalmente já é dividido em ‘fase clara’ (assunto do primeiro post) e ‘fase de assimilação do carbono’ (que veremos hoje) e também porque quis facilitar o entendimento.

Se você não leu a PARTE 1 aqui está um resumo: (Porém recomendo fortemente que você leia o primeiro post para que o entendimento seja completo) Os animais obtém energia da comida. As plantas obtém energia através da água e da luz do sol. A energia da luz do sol quando atinge a clorofila e outros pigmentos acessórios é absorvida. Esses pigmentos estão organizados em fotossistemas, que estão localizados na superfície dos tilacoides que se localizam dentro dos cloroplastos, captam a energia coletada pelos pigmentos e as armazenam em NADPH. Na fase 2, a planta usará essa energia que está no NADPH para outros processos bioquímicos que não dependerão mais de luz.

Então vamos lá…

A fase de assimilação do carbono é a etapa da fotossíntese onde a planta usa o carbono na construção de compostos úteis. A planta usa esses compostos para crescer, gerar unidades reprodutivas (soros, flores, frutos, etc), gerar reservas, hormônios ou outras moléculas, etc.

O carbono, simbolizado pela letra C, é um elemento químico da natureza assim como o oxigênio(O), hidrogênio(H), ouro(Au), ferro(Fe), enxofre(S), etc. O carbono existe na natureza de muitas formas. As plantas usam o carbono na forma de gás carbônico, simbolizado por CO2, que está presente na atmosfera. O gás carbônico é uma molécula formada por 2 átomos de oxigênio e 1 átomo de carbono. O CO2 entra nas plantas por pequenas aberturas que existem nas folhas chamadas de estômatos. Quando o CO2 entra na folha ele é capturado pelas células vegetais.

Figura 1: Fotografia de estômatos visto por microscópio com auxílio de corantes.
Créditos da imaegm (com alterações): Karl Az / CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0).

Dentro da célula, o CO2 é capturado por uma outra molécula, chamada Rubisco. A Rubisco é responsável por pegar esse Carbono, separar das moléculas de Oxigênio e construir estruturas mais complexas de acordo com a necessidade da planta. Uma dessas estruturas é o 3-fosfoglicerato. Lembra do NADPH que explicamos na parte 1? O NADPH doa sua energia que ele ganhou lá na fase 1 para o 3-fosfoglicerato que então se transforma no 1,3-bifosfoglicerato. Esse novo composto vira amido, que é uma substância de reserva de energia, ou vira açúcar (sim, açúcar mesmo como a cana-de-açúcar) para ser transportado até as regiões de crescimento da planta.

Já o NADPH quando perde sua energia vira um NADP+ e volta para a parte 1 para trazer mais energia.

Além desses compostos a fotossíntese também produz gás oxigênio(O2) ainda na parte 1 quando são quebradas as moléculas de água. O O2 é liberado na atmosfera e é usado pelos animais na respiração. Os animais não conseguem produzir o próprio alimento. Então, eles tem que consumir outros animais para obter energia, esses animais consomem outros animais que consomem plantas.

As plantas estão na base da cadeia alimentar. Fabricam e fornecem os compostos orgânicos energéticos para os outros níveis da cadeia. Os animais degradam esses alimentos usando o oxigênio e liberam o gás carbônico na atmosfera. O mesmo gás carbônico que será usado novamente pelas plantas para produzir seu alimento.

Figura 2: Representação da cadeia alimentar.
Créditos da imagem(com alterações): Food Chain Vectors by Vecteezy

Assim se completa a parte 2, a fase de assimilação do carbono e o ciclo da fotossíntese. O processo bioquímico mais importante da Terra. Alguns detalhes foram omitidos para melhorar o aprendizado. Se você ficou com alguma dúvida, algum termo não está claro, quer mais detalhes de como a energia percorre a planta, sugestões, críticas ou qualquer outra coisa, comenta aqui embaixo ou me chama no instagram: https://www.instagram.com/ser_ponte/?hl=pt-br. Será um prazer te ajudar a entender esse processo bioquímico espetacular.

Projeto Tudo Sobre Plantas no APOIA-SE!

Pessoal,

Chegamos a 82% da PRIMEIRA META! Faltam R$ 39,00 para que o projeto volte a ser mantido exclusivamente por apoiadores e apoiadoras.

Basta contribuir com pouco, algum valor mensal que não lhe falte. Pode ser 5 reais, já é suficiente! E pode ser via cartão de crédito. ✅

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Em nome do projeto, agradeço! 🥰

Anderson C. Porto
Gestor do projeto Tudo Sobre Plantas
ARARUAMA / RJ – Brasil

(Re)início do ciclo de experiências práticas no sítio Tudo Sobre Plantas

Foi preciso uma pandemia mundial para que eu desse início à mudança para o sítio, alguns lotes de terra que tenho em Araruama, RJ.

Já tinha começado, tempos atrás, construindo um canal e uma futura casinha, plantando alguma coisa ou outra. Tinha feito planos, desenhos, e tive que parar por falta de grana. A foto abaixo é de outubro de 2011.

O espaço é em declive, pouco acentuado, com muito capim numa parte, algumas árvores num dos cantos, uma jaqueira, duas mangueiras, duas árvores imensas de jamelão. O solo ainda praticamente todo de areia e areola.

Em abril de 2018 fiz um curso de Horta Comunitária Agroflorestal. Em janeiro de 2020 fiz um curso de Permacultura e um de Bioconstrução. Decidi que era a hora de migrar para o sítio em abril deste ano e começar a plantar alimentos.

Óbvio, está sendo uma fase de transição para mim, sair da cidade e ir morar no campo, com todas as dificuldades e prazeres inerentes.

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Impactos da pandemia do novo coronavírus na conservação da biodiversidade

Estudo publicado na revista Biological conservation aponta os impactos e as perspectivas do futuro da conservação das formas de vida pós-COVID-19.

Cientistas renomados da área da conservação biológica, editores da revista Biological conservation se reuniram para tentar apontar os impactos do novo coronavírus na biodiversidade. O resultado foi um artigo intitulado “Impacts of the coronavirus pandemic on biodiversity conservation” publicado hoje na revista já citada. O artigo é de autoria de Richard T. Corlett, e colaboradores do mundo todo. Entre estes, Richard B. Primack, Bea Maas, Rafael Loyola e Anna Pidgeon e está disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S000632072030495X?via%3Dihub .

O blog Tudo Sobre Plantas traz até vocês uma versão traduzida do artigo em tradução livre.

O artigo conta que, a primeira grande influência da pandemia na ciência da biologia da conservação está relacionada ao ensino. Aulas e cursos de biologia da conservação são agora transmitidas pela internet, mas como essa é uma ciência aplicada, como a medicina por exemplo, os alunos e pesquisadores futuros terão um déficit de aprendizagem do conteúdo. As consequências vão depender do tempo que o confinamento persistir e o quanto as atividades praticas podem ser adiadas. A formação também vem sendo comprometida, provas e entregas de diplomas estão sendo adiados, assim como entrevistas de emprego e editais de projetos de pesquisa e parcerias desfeitas. Até mesmo as oportunidades de voluntariado em fundações e ONG’s de conservação surgiam como locais de aprendizado, mas que não oferecem mais essa opção. Tudo isso pode causar a perda de profissionais e novos interessados para áreas mais atrativas ou que pagam melhor. Por outro lado, os cientistas contam também que essa situação pode atrair os jovens interessados que entendem da relação entre conservação do meio ambiente e saúde.

O segundo impacto está ligado a manutenção das pesquisas que vinham acontecendo. Idas à campos de pesquisa foram canceladas e laboratórios fechados. Viagens para congressos e consolidação de parcerias se tornaram impossíveis. Perder pesquisas é também perder as oportunidades de identificar as prioridades da conservação, monitorar o estado das espécies ameaçadas e prover soluções para proteção e uso sustentável dos recursos naturais.

A iminente recessão mundial também diminuirá a verba destinada à pesquisas direcionadas para a conservação da biodiversidade. Essa área da ciência provavelmente não estará em primeiro plano nos projetos para reerguer as economias. Os cientistas ambientais têm que atuar para convencer do porque essa área necessita de investimentos.

Congressos e eventos científicos a médio prazo foram cancelados. O contato de forma remota pode até servir para eventos menores, mas os grandes congressos, grandes encontros que aconteciam com milhares de cientistas para trocar ideias e experiências não tem como acontecerem por internet, com perdas mais significantes para estudantes e jovens pesquisadores. Entretanto, de certa forma, a crise criou a necessidade e oportunidade para os cientistas conversarem mais entre si. Reuniões governamentais globais também, importantíssimas para criar diretrizes para os governos, estão ameaçadas de não acontecerem

É difícil apontar como as formas de vida estão sobrevivendo durante a pandemia, mas estudos prévios apontam que instituições como parques e guardas-florestais continuam trabalhando em prol da conservação. Somado a isso, tem acontecido uma redução da pressão humana sobre as espécies selvagens. Espécies estão sendo revistas em zonas rurais e urbanas que não eram vistas a muitos anos à medida que o tráfego humano diminui. Imagens de satélite mostram a diminuição de emissões de gases do efeito estufa em áreas afetadas pela covid-19.

Concentrações de dióxido de nitrogênio no leste da China de 1 a 20 de janeiro de 2020 (antes da quarentena do COVID-19) e de 10 a 25 de fevereiro (durante a quarentena). Dados coletados por
Tropospheric Monitoring Instrument (TROPOMI) em ESA’s Sentinel-5 satellite. NASA Earth Observatory images by Joshua Stevens, using modified Copernicus Sentinel 5P data processed by the European Space Agency.

Este ano provavelmente vai ser um ano de diminuição das emissões de gases tóxicos na atmosfera.

Se por um lado, os índices de qualidade ambiental tendem a aumentar em curto prazo, as ONG’s e instituições que promovem a conservação tendem a terem seus recursos rareados. Entretanto, essas mesmas entidades podem ganhar novos aliados. Especialistas em infecções tem alertado há décadas do aumento de doenças infecciosas. Os argumentos destes podem servir como incentivo para estabelecimento de regulamentações mais fortes para a preservação do meio ambiente. De qualquer forma, esse evento de escala mundial pode trazer novas oportunidades para a pesquisa na biologia da conservação, a depender de como a pandemia se desenvolverá e variará entre os locais.

Para concluir, é muito cedo para prever o real impacto do novo coronavírus na biodiversidade, mas alguns efeitos já podem ser estimados: as áreas protegidas parecem seguras e, em muitos lugares, a biodiversidade está se beneficiando da redução das atividades humanas, mas se pode generalizar. O treinamento e aprendizado dos novos cientistas está comprometido e as instituições de pesquisa devem se preocupar com isso.

Os cientistas terminam contando que finalmente, embora nos concentremos aqui na conservação, esta é antes de mais uma tragédia humana, interrompendo vidas e matando muitas pessoas. As prioridades da sociedade devem ser a saúde humana e a contenção da pandemia, mas também precisamos pensar no futuro para a retomada das práticas e educação de conservação. Existe aqui uma oportunidade para lembrar as pessoas das ligações entre ecossistemas saudáveis ​​e resilientes e o bem-estar humano.

Apostila do Curso Hortas em Pequenos Espaços

Para que todos possam acessar e avaliar o material introdutório do curso Hortas em Pequenos Espaços, estamos colocando disponível para download, gratuitamente, a apostila do curso.

Clique na imagem abaixo para baixar e acessar:

Para se inscrever no curso, basta acessar e preencher o seguinte formulário de inscrição:

Curso Hortas em Pequenos Espaços

Bom cultivo!

O que é uma planta?

As plantas são seres vivos incríveis com capacidades únicas sendo muito maior que a soma de suas partes.

Você já se perguntou o que é uma planta? Pode parecer uma pergunta boba, mas não é. É fácil ter a ideia do que é uma planta. Já transformar essa ideia ou lembrança que absorvemos intuitivamente, transformar em palavras e explicar para alguém o que é uma planta é mais difícil.

Cientificamente falando, uma planta é um organismo vivo, multicelular, autotrófico (que produz seu próprio alimento) e geralmente de cor verde. Esses atributos não são fixos, ou seja, podem variar de indivíduo para indíviduo, mas são casos específicos, por exemplo: plantas parasitas que não produzem o próprio alimento. Outra definição pode ser organismo vivo pertencente ao Reino Plantae.

Entretanto as plantas possuem atributos próprios a elas que não são tão intuitivos, mas fazem com que sejam seres vivos dotados de capacidades únicas na terra.

Sésseis e fotossintetizantes

Árvores recebendo luz solar e realizando a fotossíntese

As plantas são sésseis e fotossintetizantes. Isso quer dizer que elas não têm a capacidade de se locomover como os animais. Sem locomoção, não podem sair em busca de alimento nem fugir em caso de perigo. As plantas não precisam se locomover, pois produzem seu próprio alimento através de um processo chamado fotossíntese, que converte gás carbônico e água em oxigênio e carboidrato com a energia proveniente da luz solar. Já para se defender das adversidades do clima, as estratégias usadas são várias podendo ser estruturas específicas para proteção das partes mais importantes, como as brácteas, por exemplo, ou florescer numa época do ano mais favorável. Há também a fabricação de compostos químicos que são usados para a proteção contra predadores e patógenos. Esses compostos químicos são chamados também de metabólitos secundários e o homem aprendeu a tirar proveitos deles também. A cafeína (um composto estimulante presente no café) e isoflavona ( uma substância que combate o colesterol ruim) são exemplos de metabólitos secundários.

Reprodução sexuada e vegetativa

Poda em roseira para replicação. Plantas replicadas são um exemplos de reproduções vegetativas.

As plantas têm capacidade de se reproduzirem, criar novos indivíduos, de duas formas. A partir da reprodução sexuada que acontece quando o grão de polén de uma planta encontra a oosfera de outra, ocorre a troca de material genético entre as plantas e daí, tem-se um novo indivíduo. Esse processo acontece com quase todos as espécies já registradas. Entretanto, a reprodução vegetativa é mais rara. Ela acontece quando tiramos um galhinho, uma muda, uma parte de uma planta e a cultivamos seja na água ou na terra e esse pedaço vira um nova planta. Geneticamente são a mesma planta pois tem o mesmo DNA, mas ecologicamente, são dois indivíduos diferentes.

Plasticidade fenotípica

Plantas são como água, tem alta capacidade de se moldarem ao ambiente que estão.

A plasticidade fenotípica é um fenômeno genético caracterizado pela mudança de estruturas ou hábitos dos organismos vivos de acordo com as pressões do meio ambiente. Esse fenômeno está previsto no código genético e pode acontecer com qualquer ser vivo, mas é muito mais acentuado nas plantas. Um exemplo de manifestação da plasticidade fenotípica acontece quando plantas que crescem em ambiente de pouca luz sofrem estiolamento. Esse fenômeno, proporciona a uma planta crescer nos mais diversos terrenos e ambientes e sob as mais diversas circunstâncias, ainda que não tenham todas as condições necessárias para um crescimento saudável. O bonsai é um exemplo perfeito de como as plantas podem se moldar ao ambiente à medida que crescem.

Crescimento modular

Árvore criada com peças de montar

As plantas crescem criando e unindo unidades vegetativas que se repetem nas unidades já desenvolvidas. Essas unidades são chamadas de fitômeros e são constituídos de nó, entrenó, folhas e gema axilar. Esse método de crescimento é que é o crescimento modular, que faz com que as plantas possam ter as mais variadas formas como se fossem feitas de pecinhas para montar várias esculturas diferentes com as mesmas peças. O que permite também, que possamos cortar vários ramos de uma mesma planta sem que ela morra.

Essas habilidades fazem com que as plantas sejam organismos únicos, e que são muito maiores que a soma de suas partes.