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Dendrofobia

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Dendrofobia

Nelson M. Mendes

[Adaptação e edição de um texto escrito em setembro de 2005. É terrível perceber que ele está mais atual do que nunca.]

 

[De dendr(o)-  +  fob(o)-  -ia.]  S.f.  Horror às árvores

A definição do Aurélio é curta e grossa. Espanta, surpreende. Nem se imaginava que pudesse existir um nome para uma fobia infelizmente muito comum.

No dia 21 de setembro se comemora o Dia da Árvore.  Muitos eventos são programados por escolas, ONGs, instituições variadas. Árvores são plantadas por crianças que, em seguida, dão comoventes entrevistas a repórteres que “levantam a bola” na exata medida para que a resposta à pergunta seja a desejada, a “politicamente correta”, aquela que ensejará um sorriso complacente e aprobatório do âncora do telejornal. Os telespectadores jantarão, verão sua novela, dormirão sobre sonhos e ansiedades e, no dia seguinte, nem notarão que a árvore na sua calçada não existe mais, e que no lugar restou apenas hedionda cicatriz de terra e entulho.

O amor pelas árvores

“Eu acredito que, quando uma árvore é cortada, ela renasce em algum outro lugar. Então, quando eu morrer, é para esse lugar que eu quero ir. Um lugar onde as árvores são deixadas em paz.”  O autor da frase, Tom Jobim,  foi homenageado com uma placa ao pé da gigantesca samaúma que ele venerava, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Mas fora dali, e talvez sobretudo na terra de Araribóia,  as árvores de modo algum são deixadas em paz. O brasileiro – dizia Tom – tem pavor de árvore.

Diz a escritora Gita Mehta, no livro Escadas e Serpentes:  “Para os filósofos da Índia antiga, a floresta simbolizava um cosmo idealizado. As grandes academias filosóficas da Índia ficavam todas em bosques – reconhecimento de que a floresta, autossuficiente e infinitamente regeneradora, combinava em si a diversidade e a harmonia que eram a aspiração, o objetivo da metafísica indiana. Não por acaso o grande corpus do conhecimento da Índia proveio das florestas: os Puranas, os Vedas, os Upanishads, os épicos Mahabharata e Ramayana, os sutras da ioga e os estudos médicos do Ayurveda.”

As antigas cidades indianas, ainda segundo Gita Mehta, tinham no centro um bosque, “de onde as ruas emanavam como galhos, recordando ao habitante urbano que o homem é simplesmente uma parte de um imenso organismo vivo”.  E era para a floresta que o homem, cumprida a sua missão mundana, se retirava para praticar a meditação na busca de Deus.

O desprezo

Infelizmente, tal veneração pelas florestas jamais foi uma tradição brasileira. Na verdade, o país nasceu sob o signo da derrubada de árvores: o primeiro ciclo econômico foi exatamente o da exploração predatória do pau-brasil.

O Brasil tem problemas do tamanho do Brasil. É natural, pois, que uma imensa parcela da população, preocupada em garantir o almoço do dia seguinte, não dê a menor importância a temas como preservação de florestas – até porque não está disseminada ainda a idéia de Gaia, da Terra como um organismo vivo, da qual o Homem é apenas uma das partes. O cidadão comum  e de poucas luzes está ainda no século XIX, acredita que a Natureza existe para ser indefinidamente explorada, e que seus recursos são infinitos.

O que surpreende, entretanto, é que também as classes média e alta parecem não nutrir muito apreço pelo verde. Árvores continuam sendo impiedosamente derrubadas, arrancadas pela raiz. E isso não acontece apenas em nossa fronteira agrícola, sob influxo  de fortes interesses econômicos. Acontece ao nosso lado, na nossa calçada.

O ódio pelas árvores é praga mais disseminada que a erva-de-passarinho que infesta muitas daquelas que são deixadas de pé. Alguns iniciam o processo de destruição de uma árvore pelo processo de descascamento (anelamento, segundo a linguagem técnica). Muitos, não confiando talvez na eficácia do descascamento, providenciam herbicidas, ou um prosaico óleo queimado para envenenar as raízes. Há também quem invente os mais estapafúrdios pretextos para convencer as autoridades de que é necessário remover uma árvore em que os pardais se aninhavam havia décadas. E o curioso é que, em calçadas que não são sobrevoadas por qualquer fio, onde não há qualquer entrada de garagem, qualquer motivo, enfim, que justifique a ausência de árvores, dá-se preferência à plantação de fradinhos (obstáculos de concreto); ou no máximo à construção de jardineiras risíveis, com plantas rasteiras e indigentes, que não oferecem qualquer sombra.

A árida nudez

Mas não são apenas as pessoas físicas – o dono de automóvel que deseja facilitar a entrada de sua garagem e não hesita em destruir um oiti de 70 anos, a velha senhora que se aborrece  com as folhas na sua calçada – que investem contra as árvores. Elas sofrem também uma ação institucional furiosa: a AMPLA (nome fantasia da companhia de energia elétrica, antiga CERJ) promove podas cruéis e radicais. Certamente nenhum técnico orienta os funcionários sobre como proteger a rede elétrica sem ter que decepar as copas das árvores, transformando-as em tridentes, em galharias angustiadas a clamar aos céus por um pouco de respeito. A própria Prefeitura de Niterói desnuda as árvores como se estivesse interessada não em sua saúde e beleza, muito menos na sombra para os cidadãos, mas no aproveitamento econômico da matéria vegetal.

O resultado é que algumas calçadas de Niterói estão nuas, áridas como um deserto de sal. A palavra “nuas” não é casual: o que as caracteriza é exatamente a nudez, a árida nudez, a aridez. Onde hoje tudo é cimento ou terra revolvida houve há não muito tempo árvores, lindas árvores. Derrubadas por tempestades, ou removidas por motivos obscuros, não foram repostas.

O apreço pelo cimento liso parece maior ainda entre as pessoas da terceira idade. A velha senhora justifica a dendrofobia: “As árvores quebram as calçadas…” Inútil seria lembrar que nem todas as árvores quebram calçadas e que, de qualquer forma, em muitos casos é preferível sacrificar um tanto a plástica do calçamento urbano (aliás, freqüentemente bastante deteriorado, com ou sem árvores…) em benefício do verde, da sombra, da regulação térmica urbana, do resgate de carbono.

Quem sabe as crianças, mesmo que hoje manipuladas para posarem de ecologicamente corretas, não terminem por despertar para a realidade de que em matéria de proteção ao verde, não dá para quebrar galho. Muito menos cortar.

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Fonte: [ Satyagraha ]

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Hyperion, a árvore mais alta do mundo

Hyperion - California' Redwood National Park

Foto: Michael Nichols

A sequoia (Sequoia sempervirens) apelidada de Hyperion, é a mais alta, descoberta em 2006 pelos naturalistas Chris Atkins e Michael Taylor.

Em geral, as sequoias já são as maiores espécies de árvores, com um tamanho médio de 90 metros de altura, mas a sequoia Hyperion tem uma altura total de 114 metros, 20 metros a mais que a estátua da Liberdade.

Ela se encontra no Parque Nacional da Sequoia, na Califórnia, e sua localização exata não é divulgada, para evitar que o turismo intenso e vandalismo prejudique o ecossistema a sua volta.

Fonte: http://biologiavida-oficial.blogspot.com.br/2014/04/hyperion.html

+ infos: http://news.nationalgeographic.com/news/2007/01/070123-redwoods-video.html

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Pesquisador afirma: árvores conversam entre si, detectam perigos ao redor e ajudam as plantas mais velhas a se alimentarem

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As árvores têm amigos, sentem-se solitárias, gritam de dor e se comunicam por debaixo da terra via “woodwide web“. É o que afirma o engenheiro florestal Peter Wohlleben, no livro recém-lançado The Hidden Life of Trees (A Vida Oculta das Árvores, em português).

Segundo Wohlleben, algumas árvores agem como pais das outras e como boas vizinhas. Outras fazem mais do que projetar sombras: elas são verdadeiras defensoras contra espécies rivais. As mais novas correm riscos na ingestão de líquidos e na queda das folhas – e então mais tarde se lembram dos erros cometidos.

Certamente, sua próxima caminhada no parque será diferente, se você imaginar que embaixo dos seus pés as raízes das árvores estão crepitando com um bate-papo cheio de energia! O autor acredita que nós não sabemos nem metade do que está acontecendo debaixo da terra e das cascas das árvores: “Nós estamos olhando para a natureza há mais de 100 anos como se ela fosse uma máquina”, argumenta.

Wohlleben – sobrenome que, coincidentemente, quer dizer “viver bem” – desenvolveu seu pensamento ao longo da última década, enquanto observava o poderoso, e interessante sistema de sobrevivência da floresta de faia antiga, que ele gerencia nas montanhas Eifel, na Alemanha.

“A coisa que mais me surpreendeu é quão sociais as árvores são. Eu tropecei em um velho toco um dia e vi que ainda estava vivo, embora tivesse 400 ou 500 anos, sem qualquer folha verde. Todo ser vivo precisa de nutrição. A única explicação é que ele foi mantido com uma solução de açúcar dada pelas árvores vizinhas, a partir de suas raízes.

Como engenheiro florestal, eu aprendi que as árvores são concorrentes que lutam umas contra as outras, pela luz, pelo espaço, e ali eu vi que acontece o contrário. As árvores são muito interessadas em manter todos os membros de sua comunidade vivos”.

A chave para isso, ele acredita, é a chamada “woodwide web” (numa alusão à rede mundial de computadores, a worldwide web).

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Filamentos de fungos chamados micélios formam uma rede conhecida como micorriza

Quando estão sob ataque, as árvores comunicam sua angústia para as outras a seu redor emitindo sinais elétricos a partir de suas raízes e de redes formadas por fungos (algo que se assemelha ao nosso sistema nervoso). Pelos mesmos meios, elas alimentam árvores atingidas, alimentam algumas mudas (seus “filhos mais amados”) e restringem outras para manter a comunidade forte.

“As árvores podem reconhecer com suas raízes quem são suas amigas, quem são seus familiares e onde estão seus filhos. Elas também podem reconhecer árvores que não são tão bem-vindas”, ele explica.

Na análise de Wohlleben, é quase como se as árvores tivessem sentimentos e caráter. “Nós pensamos que as plantas são robóticas, seguindo um código genético. Plantas e árvores sempre têm uma escolha sobre o que fazer. As árvores são capazes de decidir, ter memórias e até mesmo personas diferentes. É possível que existam os mocinhos do bem e os do mau”, completa.

O livro The Hidden Life of Trees, What They Feel, How They Communicate, de Peter Wohlleben, foi publicado pela editora Greystone Books e está disponível em alemão e inglês.

Fonte: [ The Greenest Post ]

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Maior jequitibá do Brasil é encontrado no sul da Bahia

Jequitibá com 48 metros de altura total e 4,35 metros de diâmetro

Jequitibá com 48 metros de altura total e 4,35 metros de diâmetro

O grande ganhador da 1ª Edição do Concurso Maiores Árvores da Região Sul da Bahia, a Fazenda Monte Florido, do proprietário Rodrigo Barreto, no município de Camacã, conquistou o prêmio por ter um jequitibá de 48 metros de altura total e 4,35 metros de diâmetro. Para a surpresa de todos, o resultado também revelou o maior exemplar da espécie do Brasil, título, até então, do jequitibá-rosa localizado no Parque Estadual de Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), com 40 metros de altura e 4m de diâmetro, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

O maior jequitibá do Brasil foi encontrado em área de produção cabruca, sistema que ajuda a conservar os biomas da Mata Atlântica e da Amazônia apresentando oportunidades para atuais e futuras gerações. A importância da cabruca para a biodiversidade está em proteger espécies nativas como o jequitibá, além de propiciar que animais ameaçados de extinção, como o mico-leão da cara dourada, por exemplo, usufruam deste cenário, em boas condições, para se deslocar entre fragmentos.

A metodologia utilizada pelo concurso foi definida pelo volume da árvore em m³, por meio da equação Spurr, considerando volume com casca, DAP (Diâmetro a Altura do Peito) e altura total, já que o foco não era comercial e sim pesquisa.

Imponente pela grandeza, o jequitibá Manduca, como foi batizado, chama a atenção de longe. No meio de tantas outras espécies,  tem lugar de destaque e ganha atenção pela sua exuberância. Para chegar até ele é preciso enfrentar uma trilha ainda pouco explorada e de acesso  complicado. Para facilitar a visita,  o contemplado do concurso receberá um prêmio no valor de R$20.000 para investir em uma trilha de ecoturismo acompanhada de um plano de negócio.

A iniciativa caiu nas graças da atriz Camila Pitanga, que gravou de forma voluntária um vídeo reforçando a relevância da ação, fomentada pelo Instituto Cabruca. Na produção ela manifesta seu apoio ao Programa , convida a sociedade a participar e destaca a importância de se conservar o Bioma Mata Atlântica. Quem também contribui como voluntário com a ação foram os atores Aury Porto e Pascoal da Conceição, o eterno Dr. Abobrinha, do infantil Castelo Rá-Tim-Bum. Assim como Camila, eles manifestaram seu apoio ao Programa Árvores da Cabruca. Os atores estão juntos na peça O Duelo, integrando a mundana companhia.

O Concurso

Em 2013, o Instituto Cabruca lançou o Programa Árvores da Cabruca, com o objetivo de formar produtos ecoturísticos associados a cadeia produtiva do cacau e chocolate e reconhecer e conservar as maiores árvores da região Sul da Bahia. Uma das ações do programa é o Concurso “Maiores Árvores da Região Sul da Bahia”, a partir do qual serão escolhidas as dez maiores árvores de uma determinada categoria e o vencedor será contemplado com o prêmio no valor de R$ 20.000,00 para investir em uma trilha interpretativa de ecoturismo acompanhada de um plano de negócio, projetada por um especialista da área de Ecoturismo.

O jequitibá foi a espécie homenageada na primeira edição da iniciativa. Entre os objetivos da ação, podemos citar: identificação de árvores centenárias; ampliação do número de visitas ao local, estimulando o turismo rural; estímulo  à conservação de grandes árvores; premiação dos agricultores que possuem os maiores indivíduos arbóreos presentes em áreas do Sistema Agroflorestal Cacau – Cabruca e Mata Atlântica e  Tombamento dos maiores exemplares de árvores de diferentes espécies na região, como patrimônio histórico, cultural e paisagístico.

Fonte: [ ideiaweb ]

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Catástrofe Natural?

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As soluções existem.

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Benefícios das Árvores

beneficios_arvores

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12 de dezembro de 2013 · 20:52

Prefeitura do Recife define novas regras para o plantio de árvores

As espécies permitidas e todos os procedimentos estão descritos no Manual de Arborização Urbana, lançado em CD, pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade

As espécies permitidas e todos os procedimentos estão descritos no Manual de Arborização Urbana, lançado em CD, pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade

Agora quem quiser plantar árvores em calçadas e espaços verdes do Recife tem que seguir uma série de regras definidas pela Prefeitura. As espécies permitidas e todos os procedimentos estão descritos no Manual de Arborização Urbana, lançado em CD, nesta quarta-feira (30), pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Smas). O novo guia relaciona o tamanho do canteiro e o tipo de vegetação, com as dimensões do passeio, a distância entre as plantas, a presença de equipamentos urbanos e as normas de acessibilidade para pessoas com deficiência.

“O manual ordena o plantio e a manutenção das árvores na cidade. São normas que vão garantir o aumento do verde, a melhor mobilidade das pessoas, além de combater a formação de ilhas de calor. Nesse guia, nós defendemos o uso de árvores de grande porte mesmo com a presença de fiação. Para isso, orientamos a realização de podas específicas que vão direcionar a formação da copa por cima ou passando pela rede aérea, sem comprometer a estabilidade da planta”, ressaltou a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Cida Pedrosa.

Elaborado pela Smas em parceria com a Emlurb, o guia será distribuído com diversas instituições públicas e privadas que realizam ações de plantio. “Vamos facilitar o acesso de todos ao manual, pois queremos evitar que esse modelo antigo de plantar se repita. Quando as empresas constroem um empreendimento, elas fazem o plantio na calçada ou precisam fazer compensação ambiental. Então, devem seguir os novos direcionamentos”, explicou Cida Pedrosa. A população também poderá ter acesso ao documento para [ download neste link ] ou solicitando o CD na sede da secretaria, localizada na Rua Fernando Cesar, 65, no bairro da Encruzilhada.

Com o objetivo de recuperar o equilíbrio biológico do município, a publicação elenca as espécies de pequeno a grande porte mais adequadas. O documento dedica ainda um capítulo para tratar sobre a manutenção da cobertura verde. Adubação, tratamento fitossanitário, poda, utilização de árvores como suporte de fitossanitário são alguns dos temas abordados. “O manual é um instrumento importante para alcançamos à meta audaciosa de plantar 100 mil árvores em quatro anos. Vamos melhorar a arborização da cidade e oferecer mais qualidade de vida à população”, afirmou o presidente da Emlurb, Antônio Barbosa.

Programa de arborização – A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade também apresentou, nesta quarta, o Programa de Plantio da PCR. Direcionado por pesquisas sobre déficit de arborização e a formação de ilhas de calor, o plano mapeou 25 bairros da cidade e calculou o potencial de arborização em cada um. O levantamento dispõe do número e do porte das árvores que devem ser colocadas nas ruas.

Os oito bairros com menor índice de verde e boa capacidade de receber a ação de plantio são: Cordeiro, Engenho do Meio, Iputinga, Boa Viagem, Torrões, Prado, Madalena e Zumbi. Eles fazem parte da primeira etapa do programa e juntos apresentam o potencial de 24.474 mudas a serem plantadas. Outros 17 bairros foram estudados e dispõem de espaço para abrigar mais 10 mil plantas. O cálculo já leva em conta as novas regras estabelecidas pelo Manual de Arborização Urbana.

Além dos benefícios direcionados aos bairros, o programa prevê a atuação em três frentes: espaços públicos livres (parques, praças, Academias da Cidade, Unidades de Conservação); vias que podem ser ou já são rotas de ciclovias; e as rotas protocolares da Copa. Até 2016, a meta da prefeitura é plantar 100 mil árvores na cidade.

Fonte: [ Prefeitura do Recife ]

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A absurda poda anual

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por José A. Lutzenberger

Todos os anos, no inverno, repete-se, na maioria de nossas cidades, um fenômeno desconhecido em outras paragens.

Há várias décadas fixou-se entre nós uma inexplicável tradição que consiste na mutilação pura e simples de nossas árvores urbanas, tanto nas ruas como nos jardins.

Muitas vezes no campo, junto às casas de fazendas ou de colonos, pode ver-se o mesmo descalabro. A esta mutilação é dado o nome de “poda”.

O tratamento geralmente é aplicado aos cinamomos, jacarandás e plátanos, às vezes aos ligustros e extremosas, raras vezes com outras espécies como umbus, paineiras ou guapuruvus. Os maus-tratos são tais que muitas vezes as árvores pouco a pouco vão se acabando. No caso do cinamomo, ouve-se dizer que a árvore é de curta vida, mas ninguém se dá conta que tal fato se deve justamente às repetidas e contínuas mutilações. Um cinamomo não mutilado certamente viverá centenas de anos.

Em nosso meio é difícil de se ver uma árvore de rua em bom estado, desenvolvida segundo suas próprias leis. Quase todas são doentes, com tocos e troncos mortos ou parcialmente apodrecidos, impedindo assim a cicatrização e recuperação das mesmas.Uma vez que estão todas fracas e consumidas por dentro, tornam-se presa fácil para insetos, como no caso das cochonilhas do jacarandá. A reação comum é, então, cortar os galhos atingidos para eliminar os insetos, constituindo-se assim nova poda, agora com fins curativos, geralmente um choque que poucas árvores superam.

Se aceitarmos o argumento muitas vezes apresentado, de que é necessário defender os fios elétricos do contato com as árvores, para evitar curtos-circuitos, ou evitar acúmulo de umidade junto às casas, é surpreendente que mesmo em ruas onde não há energia elétrica a violência da agressão seja a mesma.

Por exemplo, na Rua Eng. Álvaro Pereira em Porto Alegre, por volta de l97l, uma linda árvore que se encontrava na beira de um precipício, em local de rara beleza panorâmica, longe de fios e habitações, foi tão brutalmente mutilada, cortando-se galhos de até 20cm de diâmetro, rasgando-se lascas profundas no tronco, que é verdadeiro milagre a sobrevivência da mesma planta até os dias de hoje, apesar do visível definhamento que apresenta.

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A importância das árvores mortas

por Marcos Rodrigues*

Pica-pau-carijó (Colaptes melanochlorus). Foto: FM Flores

Pica-pau-carijó (Colaptes melanochlorus). Foto: FM Flores

Mantenho em meu jardim três árvores mortas, que continuam em pé. Os jardineiros e paisagistas ficam horrorizados com minha decisão, aparentemente insana. Árvores mortas apodrecem, e seus galhos podem cair sobre transeuntes e residentes, levando-os à morte. Eu concordo.

A primeira delas é um ibirapitá de uns dez metros de altura e que morreu há cerca de doze anos. Aprendi que ibirapitás não têm vida muito longa, diferente dos milenares jequitibás. Os galhos foram apodrecendo e caindo. Os mais perigosos eu tive o cuidado de retirá-los com a ajuda de serrotes. Assim, ficou por ali, como um totem prateado, somente o tronco principal, de uns sete metros de altura e uns trinta a quarenta centímetros de diâmetro, ornamentando meu jardim.

Certo dia, um pica-pau-carijó (Colaptes melanochlorus) começou a cavar um buraco. Ficou dias martelando, com seu poderoso bico e infatigável pescoço um perfeito oco redondo, cuja entrada tinha cerca de menos de dez centímetros de diâmetro. Entre um turno de marteladas e outro, o pica-pau voava para uma sucupira-branca (Pterodon emarginatus) bem próxima e cantava suas notas agudas enquanto parecia descansar. Acostumou-se tanto à minha presença, que deixava que eu me aproximasse até três metros de distância; depois voava gloriosamente para a sucupira-branca. Ali botou ovos, criou os filhotes, trazendo-os insetos incansavelmente por vários dias quando, por fim, todos desapareceram. Esse ciclo se repetiu pelo menos por quatro primaveras. Todo ano o pica-pau ali aparecia, dava uma ajeitada no seu oco, criava sua prole, e desaparecia.

A partir de certo ano, o pica-pau desistiu de fazer do oco do ibirapitá sua morada, muito embora continue frequentando o jardim em busca de suas presas. Foi nesta ocasião que um bem-te-vi-rajado (Myiodnastes maculatus) apoderou-se do velho oco, e durante os dois anos seguintes botou seus ovos e criou seus ninhegos até estes alçarem voo.

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Propagação de Árvores Frutíferas

Apostila Propagação de ÁRvores Frutíferas

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