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O uso do carvão no cultivo de frutíferas e outras plantas

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Um *segredo* que aprendi ao longo de anos de cultivo de frutíferas aqui no horto: carvão. 😉

Colocar no fundo do berço (camada mais profunda) na hora de plantar as mudas. Junto, por cima do carvão, uma pazinha generosa de calçário agrícola ou farinha de casca de ovos, depois cobrir com um palmo de terra e daí seguir normalmente com o plantio.

“A ideia é tentar reproduzir este material usando tecnologia moderna. O que a gente pretende fazer, através da pirólise, é pegar os resíduos que não têm destino, carbonizar esta biomassa e aplicar esta matéria orgânica carbonizada no solo. Com as transformações que vão ocorrer naturalmente este solo vai se parecer muito com a terra preta de índio e nós vamos conseguir atingir o alto índice de fertilidade e retenção de nutrientes.” [3]

É adubação garantida durante anos!

QUAL CARVÃO USAR?

Melhor usar carvão vegetal desses comuns mesmo. De churrasqueira só pode usar cinzas se não tiver sal nem gordura.

Basicamente você está fornendo matéria orgânica carbonizada ao solo, melhorando a fertilidade, a retenção de nutrientes e fornecendo fósforo.

A adição de cálcio permite diminuir a acidez do solo (aumenta o ph)[5] e estabilizar a troca de cátions (EC)[6].

A COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO CARVÃO VEGETAL

O carvão vegetal é obtido a partir da queima ou carbonização de madeira, após esse processo resulta em uma substância de cor preta.

No cotidiano o carvão vegetal é utilizado como combustível de aquecedores, lareira, churrasqueiras e fogões a lenha, além de abastecer alguns setores industriais como as siderúrgicas.

O carvão também é usado na medicina, nesse caso chamado de carvão ativado oriundo de determinadas madeiras de aspecto mole e não resinosas.[2]

Composição:

  • Carbono 59.87%
  • Hidrogênio 3.78%
  • Oxigênio 7.01%
  • Enxofre 2.51%
  • Cinzas 26.83%
  • Total 100%

A DIFERENÇA ENTRE CARVÃO VEGETAL E MINERAL

Carvão Mineral é um combustível natural extraído da terra por de processos minerais. É um mineral de cor preta ou marrom prontamente combustível. É composto primeiramente por átomos de carbono e hidrocarbonetos sob a forma de betumes.

Carvão vegetal é uma substância de cor negra obtida pela carbonização da madeira ou lenha. É muito utilizado como combustível para aquecedores, lareiras, churrasqueiras e fogões a lenha.

Considerado um fitoterápico, o carvão vegetal para uso medicinal (carvão ativado) provém de certas madeiras moles e não resinosas (extraído de partes lenhosas, cascas e serragens), obtidos por combustão incompleta, o que lhes confere a capacidade adsorvente. [2]

A MOINHA DE CARVÃO

No Brasil, a produção de carvão vegetal é uma prática bastante antiga,porém, a grande maioria se destina à obtenção apenas do carvão comercial, sem se preocupar em aproveitar os demais componentes. O Brasil é responsável por 38,5% da produção mundial de carvão vegetal, originada de florestas cultivadas no ano de 2007, com um valor estimado de 1,9 bilhão de reais. Este carvão tem como principal destino a indústria siderúrgica, para a produção de ferro gusa e aço (BENITES, 2012).

Segundo Wendling e Paiva (2002), a moinha de carvão é um subproduto do processo de fabricação do carvão vegetal (carvoejamento), encontrado em grande quantidade e custo reduzido, principalmente em empresas que utilizam carvão vegetal como matéria-prima para a siderurgia. É um material que pode ser utilizado para a produção de mudas com finalidade de aumentar a porosidade de substratos, proporcionando plantas com bom crescimento, sistema radicular bem formado e com boa agregação ao substrato.

Pode ser utilizado em propagação por estaquia de forma quase pura na fase inicial de enraizamento das estacas, com bom resultado. É obtido no processo de peneiramento na classificação do carvão vegetal tem uma estrutura altamente porosa que se misturado ao solo ou substrato pode aumentar a porosidade, a capacidade de retenção de água e facilitar a proliferação de microrganismos benéficos (ZANETTI et al., 2003).[1]

A TERRA PRETA DE ÍNDIOS

“Surgido há dois mil anos, o solo conhecido como terra preta de índio pode ser, daqui a três anos, a solução para a agricultura produzida na região, quando uma pesquisa iniciada neste mês [julho/2011) for concluída.

A formação deste tipo de solo era resultado da decomposição de restos de plantas e animais, como mandioca e espinhas de peixes, e materiais orgânicos. Como consequência, a terra tornava-se rica em cálcio, fósforo e outros nutrientes. Para adquirir a coloração escura, a terra era carbonizada. Uma das suas principais características é alta resistência. Um ingrediente importante era o carvão queimado a baixa temperatura.”[4]

“No Brasil há relatos de uso de carvão vegetal por parte dos índios, esses realizavam a mistura da substância com gorduras de animais com finalidade de combater doenças como tumores e úlceras.”[5]

Anderson Porto
https://www.TudoSobrePlantas.com.br

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Fontes, bibliografias consultadas, mais informações:

[1] MOINHA DE CARVÃO COMO SUBSTRATO ALTERNATIVO NA PRODUÇÃO DE MUDAS DE AZALEIA

[2] APRENDER QUÍMICA: CARVÃO MINERAL E CARVÃO VEGETAL

[3] TERRA PRETA DE ÍNDIO: SOLO FÉRTIL E RESISTENTE NA BACIA AMAZÔNICA

[4] Terra preta de índio pode enriquecer o solo pobre em nutrientes da Amazônia

[5] Wikipédia – Carbonato de Cálcio

[6] VARIAÇÃO DO p11, DA CONDUTIVIDADE ELÉTRICA E DA DISPONIBILIDADE DOS NUTRIENTES NITROGÊNIO, FÓSFORO, POTÁSSIO, CÁLCIO E MAGNËSIO EM QUATRO SOLOS SUBMETIDOS A INUNDAÇÃO

FINE CHARCOAL AGGLOMERATION AND ITS FEASIBILITY FOR BLAST FURNACE USAGE AND FOR ENERGY GENERATION

Composição da madeira e do carvão vegetal de Eucalyptus urophylla em diferentes locais de plantio

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Arquivado em Adubação, Cultivo, Ecologia, Estudos, Orgânicos, Técnicas

Compostagem doméstica com baldes de 5 litros – passo a passo

Eis um passo a passo básico sobre como produzir composto orgânico de forma caseira sem muito trabalho nem esforço.

Em caso de dúvidas basta utilizar o espaço de comentários que responderei com o maior prazer.

Lixeirinha com cascas e restos orgânicos

Lixeirinha com cascas e restos orgânicos. Esta lixeirinha fica na pia da cozinha, recebendo cascas e restos orgânicos compostáveis.

Como fazer a sua composteira? Eis um exemplo com baldes de 5 litros:

Vamos dividir a composteira em 3 partes. A primeira parte vou chamar de BASE, que será a coletora de CHORUME(*).

Vamos dividir a composteira em 3 partes. A primeira parte vou chamar de BASE, que será a coletora de CHORUME(*).

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Arquivado em Adubação, Cultivo, Jardinagem, Técnicas

Fotossíntese e Respiração em Plantas e Ecossistemas no Cenário da Mudança Climática

Agência FAPESP – O Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) realizará, de 1º a 7 de fevereiro, o curso Fotossíntese e Respiração em Plantas e Ecossistemas no Cenário da Mudança Climática.

Direcionado a estudantes de pós-graduação e jovens pesquisadores que realizam projetos sobre respiração dos vegetais e fotossíntese, o objetivo do curso é atualizar os participantes sobre os avanços do conhecimento na área, levando em conta as mudanças climáticas globais.

A programação será composta por palestras e atividades práticas, em que serão utilizados modernos aparelhos para monitoramento e medição de trocas de carbono entre as plantas e o ambiente.

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Arquivado em Cursos, Meio Ambiente

Óleos vegetais e combustíveis

por Thomas Renatus Fendel, em 15/02/2008.

Os biocombustíveis “naturais” evitam a emissão de gases nocivos ao meio ambiente e transformam a graciosa energia solar em energia mecânica e elétrica, acrescidos de energia térmica residual útil.

Embora o ciclo do carbono das bioenergias seja considerado neutro, para mim isso é um equívoco, é ignorar o potencial completo da fotossíntese dos maravilhosos vegetais, que para crescerem, comem sujeira do ar, comem CO2.

Portanto em qualquer veículo movido a bioenergia, sempre se libera menos CO2 pelo escapamento, do que o CO2 captado do ar, pelos vegetais correspondentes em seu crescimento.

Disso resulta que, utilizando intensamente os biocombustíveis, podemos reverter o aquecimento global, promovido pelo uso de 200 anos de porcotróleo, apenas utilizando álcool, biogás, óleos vegetais, e resíduos orgânicos promovemos o efeito refrigerador, o contrário do atual efeito estufa.

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