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Carta de Ruy Freire Filho para a Folha de São Paulo

Carta que o Ruy Freire Filho mandou para a Folha de São Paulo, em resposta à vergonhosa entrevista do presidente da Monsanto no Brasil publicada na segunda-feira, 25/05/2015.

“A entrevista com Rodrigo Santos, presidente da Monsanto no Brasil, tangenciou pontos nevrálgicos da questão dos transgênicos, fundamentais para o leitor do jornal entender a polêmica em torno de alimentos geneticamente modificados e do risco que representam para a segurança alimentar.

1-Os cultivares transgênicos são altamente dependentes de insumos (fertilizantes, defensivos) para alcançarem a prometida produtividade, aumentando a dependência do agricultor de crédito subsidiado e do país da importação de fertilizantes químicos e princípios ativos de defensivos. No caso da soja transgênica a produção sequer é maior, ela simplesmente poupa uma operação extra de pulverização de herbicida, já que a dosagem do mesmo pode ser dobrada.

2-A tecnologia desenvolvida pela Monsanto visa criar um pacote tecnológico envolvendo produtos da empresa- a soja transgênica resiste a uma dosagem maior do herbicida Roundup, produzido pela empresa . Alias produto classificado como carcinogênico o que inclusive fez com que o presidente colombiano Juan Manuel Santos interrompesse as pulverizações de plantações de coca em função do impacto sobre a saúde das populações locais.

3-A questão dos royalties. Estudo da EMBRAPA mostra que o custo das sementes transgênicas fez com o plantio da soja tradicional desse maiores retornos econômicos aos produtores brasileiros do que o da soja transgênica da empresa em questão. O pagamento de royalties e a alta dependência de insumos dos produtos transgênicos tem levado á um suicídio em massa na India de agricultores endividados.

4-O item mais importante se refere ao impacto sobre a saúde humana e sobre o meio ambiente. Inúmeros estudos mostram que a modificação genética afetou negativamente a saúde de animais e que provavelmente não são seguros para consumo humano. O produto transgênico afeta o meio por dois mecanismos: o da poluição genética ao introduzir um gene estranho no meio com consequências imprevisíveis e pela aumento do uso dos defensivos contaminadores do solo e do lençol freático.

5-O produto transgênico pode através da polinização contaminar as variedades não transgênicas em plantas, diminuindo a variação genética indispensável para segurança alimentar. A fome na Irlanda no século XIX é um exemplo do risco que representa o cultivo de de um só cultivar para sustentar uma população.

6-A hegemonia das sementes transgênicas, criadas por mecanismos de acesso ao crédito rural, põe em risco a preservação de variedade genética. Peru e mais recentemente a Bolivia, países berços de uma das maiores fontes de variação genética de alimentos estratégicos para a humanidade proibiram o plantio de transgênicos em seu território. A medida não é só para proteger as variedades nativas, como a de um futuro próximo produzir comercialmente sementes para abastecer mercados fora do país. As sementes tradicionais tem sido notórias em produzir em condições desfavoráveis com baixo aporte de insumos.

7-A estratégia da transgenia tem sido desastrosa como fica evidenciado o desenvolvimento da resistência das lagartas ao milho transgênico com a toxina da bactéria Bacillus thurigisiensis, com a consequente perda da safra e processos judiciais, no Brasil, que infelizmente não tem tido a mesma divulgação pela imprensa.

8-A Monsanto não tem investimentos só na área de agricultura. Recentemente se tornou a principal acionista da Blackwater a mais importante empresa mundial no aluguel de mercenários.

9-A Monsanto tem desenvolvido produtos como a dioxina, sacarina, PCB, poliestireno, DDT, agente laranja, glifosato e aspartame por exemplo, com comprovado impacto sobre a saúde humana e do que põe em dúvida suas credenciais como geradora de tecnologias seguras.

Dr. Ruy Alfredo de Bastos Freire Filho

Associação dos Agricultores Organicos”

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Fitoterápicos – Presidente do CFF questiona Drauzio Varella. Médico responde

por Comunicação | 20/08/2010

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia, Jaldo de Souza Santos, enviou, hoje (19.08.10), uma carta ao médico Drauzio Varella, questionando-o sobre suas opiniões acerca de plantas medicinais e fitoterápicos manifestadas em entrevistas que concedeu à revista “Época”. O Dr. Drauzio Varella estrea, nesta domingo, um quadro no programa “Fantástico”, da “Rede Globo”, abordando plantas e fitos. Varella respondeu, no fim da tarde, a carta de Souza Santos. Ele diz condenar “a falta de estudos clínicos” relacionados a esses produtos. Veja a carta do Presidente do CFF a Drauzio Varella e a resposta do médico.

CARTA DO PRESIDENTE DO CFF, JALDO DE SOUZA SANTOS, AO MÉDICO DRAUZIO VARELLA

Brasília, 19 de agosto de 2010.

Dr. Drauzio Varella,

Tomamos conhecimento, com preocupação, sobre a sua opinião sobre plantas medicinais e fitoterápicos manifestada em matérias publicadas na revista “Época”. Plantas e fitoterápicos são, sim, objetos de estudos técnicos e científicos, inclusive por farmacêuticos. Neste sentido, temos a enorme satisfação de informar-lhe que o Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio de uma Comissão integrada por excelências em plantas, fitos e suas respectivas terapêuticas, vem estudando os mecanismos de ação, efeitos, reações adversas, interações entre os mesmos, alimentos e medicamentos alopáticos. As conclusões apontam para a eficácia do tratamento à base desses produtos.

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Ciência e fraude no debate da maconha

[i]SIDARTA RIBEIRO, JOÃO R. L. MENEZES, JULIANA PIMENTA e STEVENS K. REHEN

Causa-nos estranheza que psiquiatras venham a público negar o potencial terapêutico da maconha, medicamento fitoterápico de baixo custo

O artigo contra o uso medicinal da maconha de Ronaldo Laranjeira e Ana C. P. Marques (“Maconha, o dom de iludir“, “Tendências/Debates”, 22/7) contém inverdades que exigem um esclarecimento.

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